Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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sábado, 10 de outubro de 2026

Elis Regina


ELIS REGINA
' nada será como antes '

Considerada por muitos como a melhor cantora brasileira de todos os tempos. Diversas canções foram eternizadas na sua voz, entre elas: Águas de Março, Casa no Campo e Como Nossos Pais. Elis criou os gestos que se tornaram sua marca registrada, pois era uma artista muito performática no palco. Sua capacidade de transmitir os sentimentos dos inúmeros compositores que a escolhiam para interpretar suas canções era impressionante. 
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Trajetória Artística

Elis Regina de Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Começou a cantar com onze anos de idade no programa "No Clube do Guri" na Rádio Farroupilha apresentado por Ari Rego.

Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha. Nesse mesmo ano, foi eleita a “Melhor Cantora do Rádio”. Em 1961, com 16 anos, viajou para o Rio de Janeiro onde lançou seu primeiro disco "Viva a Brotolândia". Em 1964 já se apresentava no eixo Rio São Paulo. Assinou contrato com a TV Rio para se apresentar no programa "Noite de Gala", sob a direção de Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli.  Também se apresentava no "Beco das Garrafas", reduto da Bossa Nova.

Ainda em 1964, Elis mudou-se para São Paulo. Em 1965 fez a sua estreia no festival da Record com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Elis recebeu o Prêmio Berimbau de Ouro e o Troféu Roquette Pinto. Foi eleita a melhor cantora do ano.

Entre 1965 e 1967, ao lado de Jair Rodrigues e do Zimbo Trio, Elis apresentou o programa "O Fino da Bossa" na TV Record em São Paulo. O programa gerou três discos: Dois na Bossa I, II e III. O primeiro "Dois na Bossa" vendeu um milhão de cópias. Elis Regina era conhecida não apenas pela sua grande extensão vocal como também pela versatilidade de sua voz e interpretação marcante.

Elis Regina nos anos setenta e sua relação com a política.

O posicionamento político de Elis Regina também era uma de suas marcas registradas. A cantora era uma forte crítica ao regime militar que assolou o Brasil entre 1964 a 1985.

Politizada, a cantora se pronunciava em entrevistas, televisão e, claro, na música. Entre as grandes interpretações de Elis que denunciavam a ditadura militar, estão as canções “Como nossos pais” (1976) e “O bêbado e o equilibrista” (1979).


Nos bastidores, era sabido que ela não gostava das guitarras e do som produzido pelos Mutantes e por Rita Lee. Entretanto, em 1976, quando Rita Lee foi presa enquanto estava grávida, Elis Regina foi a primeira pessoa a se pronunciar e visitar a cantora. Além disso, exigiu melhor tratamento para Rita, assim como comida e sua libertação. Após isso, ambas se tornaram amigas pessoais e de palco. Na música, elas colaboraram na canção “Doce de pimenta” e em “Alô, alô marciano”, composição de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Na vida privada, Elis Regina deu o nome de sua filha, Maria Rita, em homenagem à Rita Lee.

Elis Regina se relacionou principalmente com pessoas envolvidas com o mundo música, como é comum dos artistas, devido ao estilo de vida em comum, e teve três filhos. Ela namorou o artista Edu Lobo, com quem colaborou em diversas canções. Em 1964, começou seu relacionamento com o produtor musical Solano Ribeiro, de quem ficou noiva, porém a relação conturbada chegou ao fim.

Em 1967, casou-se com o compositor Ronaldo Bôscoli, de quem se separou em 1972. Com Bôscoli, Elis teve seu primeiro filho, João Marcelo Bôscoli. Entre 1973 e 1981, Elis viveu com o pianista e arranjador musical César Camargo Mariano. Juntos, além da parceria musical, eles tiveram dois filhos: Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977).

Em 1968, Elis embarcou em uma promissora carreira internacional. No Olympia de Paris, foi ovacionada e voltou ao palco seis vezes depois do final do show. O apelido de Pimentinha foi dado por Vinícius de Moraes. A palavra exprimia a miudeza física e a personalidade explosiva da cantora, que mudava de comportamento em segundos. Era capaz de brigar aos gritos e no minuto seguinte conversar normalmente como se nada tivesse acontecido.

Elis Regina era uma artista eclética, interpretava canções de vários estilos, como MPB, jazz, rock, bossa nova e samba. Levou à fama cantores importantes como Milton Nascimento, João Bosco, Belchior e Ivan Lins. Fez dueto com Tom Jobim, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, Chico Buarque entre outros. 

Todos os álbuns dessa década são maravilhosos, dificíl até destacar algum: Ela (1971), Elis (1972), Elis (1973), Elis (1974), Elis e Tom (1974), Falso Brilhante (1976), Elis (1977), Transversal do Tempo (1978), Essa Mulher (1979), Saudade do Brasil (1980) e Elis (1980).

Cesar Camargo Mariano assumiu a direção musical, piano e arranjos da banda de Elis, unindo a força vocal da cantora a uma sofisticada mistura de samba / jazz. O músico reuniu um time de primeiríssima linha, para acompanhar Elis Regina nessa fase. Além de Cesar Camargo Mariano, no piano e teclados estão: Helio Delmiro, na guitarra; Luizão Maia, no baixo; Paulo Braga, na bateria; e Chico Batera, na percussão. Com Luizão Maia emulando no baixo o som do bumbo, que faz parecer que tem uma escola de samba inteira dentro do estúdio. O primeiro trabalho que Elis Regina realizou sob a direção de Cesar Camargo Mariano foi o álbum chamado simplesmente Elis, editado em 1972.

Fazendo um recorte da artista sob a perspectiva do feminino, ela se destacava como uma mulher à frente de seu tempo. Elis era inspiradora, expressando seus pensamentos sem hesitação, contestadora, ousada e corajosa. Uma artista que desafiava o status quo, sempre em busca de novos desafios, deixando sua marca em tudo o que realizava e rompendo com os padrões da época, consolidando-se como um ícone da música brasileira. Elis foi, e continua sendo, uma referência e inspiração para artistas de todas as gerações.

Elis Regina foi encontrada desacordada em seu apartamento no bairro dos Jardins, por seu namorado Samuel MacDowell, que arrombou a porta e tentou socorrê-la, mas ela já chegou sem vida ao hospital. Ela faleceu com apenas 36 anos, em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982, vítima de overdose.

Foi lançado uma nova reedição da biografia de Elis Regina com uma nova capa – Nada Será Como Antes, escrita pelo jornalista Julio Maria e lançada originalmente em 2015. Com título que suprime o “Regina” do sobrenome da cantora na capa, o livro volta ao mercado com texto revisto e ampliado, acrescido de histórias inéditas, apuradas em novas entrevistas feitas pelo autor.

Seu legado apresenta artistas contemporâneas que sempre revisitam seu repertório como Ana Canãs e Assucena, além de depoimentos e várias entrevistas e vídoes com bate papo sobre a amizade e admiração que compartilhava com o mundo. Falas potentes de Elis, onde ela se posicionava sobre temas que ainda são considerados tabus no Brasil, como o aborto, por exmplo. 

Sues filhos João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita estão sempre promovendo curadorias e nos trazendo materiais e histórias novas dessa gigante artista da música brasileira!!

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