Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Rita Lee


RITA LEE
' a referência das mulheres do rock brasileiro '

Cantora e compositora conhecida como a “rainha do rock brasileiro”. Defensora dos direitos das mulheres, ela foi uma das primeiras a tocar guitarra em um palco. Dona de cabelos lisos, com franja e pintados de vermelho, a artista participou dos grupos Os Mutantes, Cilibrinas do Éden e Tutti Frutti entre as décadas de 1960 e 1970, tornando-se famosa mundialmente.
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O Mundo de Rita Lee Jones

Rita Lee Jones de Carvalho nasceu no dia 31 de dezembro de 1947, na cidade de São Paulo (SP). Vinda de uma família de classe média, na sua infância e adolescência morou no bairro paulistano Vila Mariana, onde ela afirmou já ter vivido grandes momentos. A artista estudou em um dos tradicionais colégios paulistas, o Liceu Pasteur. 

Quando era criança, Rita Lee teve aulas de piano, mas foi na adolescência que realmente passou a ter interesse na música. Também nessa época começou a compor suas primeiras canções. Assim como vários jovens da década de 1960, Rita Lee gostava de bandas de rock internacionais como The Beatles e Rolling Stones. Também admirava cantores brasileiros como Cauby Peixoto e João Gilberto, um dos criadores do estilo musical bossa nova. A cantora chegou a ingressar no curso de Comunicação Social, na Universidade de São Paulo (USP), mas abandonou a instituição para se dedicar à música.

A importância de Rita Lee como figura central na consolidação do gênero no país e como voz ativa na representação das mulheres na música, desempenhando um papel fundamental não apenas na inovação estética e sonora do rock nacional, mas também na ampliação das possibilidades de representação feminina na música. 

Sua atuação desafiou padrões e abriu caminhos para outras mulheres no cenário musical, ao mesmo tempo em que expressava, com irreverência e profundidade, as inquietações e aspirações de sua geração. Assim, sua obra permanece como referência essencial para compreender os diálogos entre música, sociedade e gênero no Brasil contemporâneo.

Rita Lee foi uma mulher de fibra, rebelde com uma causa. Ela entendeu desde cedo que as regras estabelecidas pela sociedade nem sempre são justas e que, às vezes, é preciso desafiá-las para encontrar o próprio espaço.

Ao analisar as letras de suas músicas, é possível perceber que Rita sabia da importância da igualdade de gênero, da luta pelo reconhecimento das mulheres e da necessidade de quebrar tabus. Suas canções, repletas de mensagens feministas, falam da importância da autoafirmação e da resistência feminina diante dos desafios da vida.

Sua música sempre foi um espelho de sua vida: contestadora, original, verdadeira. Rita Lee foi, e sempre será, um símbolo de força e resistência, uma inspiração para todas as mulheres que buscam afirmar-se em um mundo ainda tão desigual. Suas letras sempre foram contestadoras e livres, dizendo o que muitas mulheres achavam não poder cantar. Desafiava "os padrôes"!

Rita Lee iniciou sua carreira artística no final dos anos 60, como integrante da  banda Os Mutantes, que combinava elementos do rock psicodélico com a música popular brasileira. Junto a Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, o grupo tornou-se um dos pilares do movimento Tropicalista, movimento que contava com artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Tom Zé e etc etc.... Porém, a relação de Rita com a banda, principalmente com Arnaldo Baptista, começou a se deteriorar no início da década de 1970.

O primeiro marido de Rita Lee foi Arnaldo Baptista, eles se casaram em 1971 e se separam alguns anos depois. Em 1976, Rita Lee passou a morar com o guitarrista e futuro parceiro musical Roberto de Carvalho. Eles somente se casaram no civil em 1996 e seguiram juntos até a morte dela, em maio de 2023. Rita Lee teve três filhos com Roberto de Carvalho: João, Antônio e Beto Lee. Este último também é guitarrista. A cantora também teve dois netos: Izabella e Arthur.

Rita, além de se sentir sufocada pela relação pessoal com os irmãos Baptista, também enfrentava a discriminação de gênero na indústria da música, problema ainda mais acentuado naquela época. Ela vivenciou o machismo dentro do próprio grupo, onde era constantemente subestimada e tinha suas opiniões desconsideradas por ser mulher. Como resultado, Rita passou a buscar seu próprio espaço para expressar-se artisticamente.

Em 1972, após muitos conflitos internos e desgastes pessoais, Rita Lee saiu d'Os Mutantes, dando início a uma carreira solo que se tornaria extremamente bem sucedida. Foi um período de intensa renovação e autodescoberta. Ela se reinventou como cantora, compositora e como ativista, assumindo sua voz na luta pelos direitos das mulheres e por uma sociedade mais igualitária.

Contudo, os anos de história como artista conta com um “álbum perdido” de uma banda que ela estava montando junto a outra mulher revolucionária, Lucinha Turnbull, o álbum era Cilibrinas do Éden. 

Em 1972, Rita Lee já havia gravado paralelamente aos Mutantes dois álbuns solos, Build Up, de 1970, e Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, de 1972, porém ambos contavam com os integrantes da banda. Após a saída definitiva dos Mutantes, Rita Lee se juntou a Lucinha Turnbull para criar a banda Cilibrinas do Éden, uma banda puramente rock com ares de folk e psicodelia. Lucinha, outra mulher emancipada, foi importantíssima para Rita nessa fase dificíl de sua carreira, além ter sido muito importante na história da música nacional, pois Turnbull é "oficialmente" considerada a primeira guitarrista brasileira.

Apesar da curta duração das Cilibrinas do Éden, as gravações do projeto serviram como ponto de partida para a banda Tutti Frutti, inicialmente chamada de Lisergia, que era formada por Luís Sérgio Carlini, Lee Marcucci e o baterista Emilson Colantonio. Contudo, Lucinha Turnbull acabou não fazendo parte do novo grupo. Na música “Menino Bonito”, que tinha um tom totalmente à lá Cilibrinas, com duas vozes e violões, a produção decidiu apagar a voz de Turnbull, deixando apenas a de Rita. Mesmo com a saída da guitarrista, a banda Tutti Frutti obteve bastante sucesso, e as músicas do projeto não lançadas da dupla cilibrinas foram reaproveitadas por ambas em seus trabalhos posteriores. O álbum ganhou uma reedição em vinil em 2023 (com tiragens e prensagens independentes/não-oficiais de colecionador), marcando os 50 anos do projeto.

A "Ovelha Negra" da MPB

Seu auge na carreira solo ocorreu durante os anos 70 e 80, quando lançou sucessos incontestáveis como "Ovelha Negra", "Mania de Você", "Lança Perfume" e "Baila Comigo". Essas músicas, além de se destacarem por sua originalidade e qualidade musical, eram repletas de mensagens de empoderamento feminino, incentivando as mulheres a serem donas de suas próprias vidas.

Em sua carreira solo, Rita Lee consolidou-se como uma das maiores artistas da música brasileira, conquistando um público fiel e marcando várias gerações com suas letras provocativas e performances vibrantes. Ela abriu caminho para que outras artistas pudessem afirmar-se em uma indústria historicamente dominada por homens.

A trajetória de Rita Lee, desde a saída d'Os Mutantes até o auge de sua carreira solo, é uma história de resistência, resiliência e transformação. Ela enfrentou o machismo, buscou seu próprio espaço e tornou-se uma das maiores vozes feministas da música brasileira, deixando um legado que transcende a arte e toca as esferas da luta pela igualdade de gênero.

Em sua extensa e prolífica carreira, Rita Lee apresentou ao Brasil – e ao mundo – uma mulher irreverente, talentosa e autêntica, cuja arte questionava normas e estereótipos. Ela foi uma pioneira, desafiando os padrões de uma indústria dominada por homens e se tornando uma das principais referências do rock nacional.

Na música "Todas as Mulheres do Mundo", desvendou a diversidade feminina. Com um ritmo cativante e versos diretos, a canção é um hino de empoderamento e aceitação. Rita convida todas as mulheres a celebrarem sua essência, suas singularidades, suas lutas e suas vitórias. Ela nos fala que ser mulher é ser múltipla, é ser única, é ser todas as mulheres do mundo.

Já em "Pagu", uma poderosa colaboração com Zélia Duncan, Rita prestou uma homenagem à notória feminista brasileira  Patrícia Rehder Galvão, conhecida como Pagu. A música reflete a irreverência e a coragem dessa mulher, que desafiou a sociedade machista do século XX, justamente como Rita fez através de sua música.

Rita Lee carregou a bandeira do feminismo não só através das suas letras, mas também por meio de sua postura diante do mundo. Com o seu talento e irreverência, ela fez história ao se tornar a primeira mulher com protagonismo numa banda de rock no Brasil, Os Mutantes, desafiando as normas de gênero de sua época.

Além disso, ela foi uma das pioneiras ao introduzir letras de teor social e político no universo do rock nacional, rompendo com os estereótipos de que o gênero musical era essencialmente masculino e de que a mulher em uma banda de rock deveria estar relegada a uma posição secundária.

Rita Lee desafiou estereótipos, abriu caminhos e celebrou a liberdade e a autenticidade feminina. Com sua voz potente, suas melodias inesquecíveis e seu espírito indomável, ela fez história na música brasileira. Agora, mesmo após sua morte, a voz de Rita Lee continua ecoando, inspirando novas gerações e perpetuando a luta feminista.

A história da música brasileira não pode ser contada sem mencionar Rita Lee. E a luta feminista também não. Afinal, ela usou sua voz, sua música e sua presença de palco para defender uma causa maior: a igualdade de gênero.

Rita Lee, a eterna Rainha do Rock brasileiro, a mulher que ousou, inovou e quebrou barreiras, será para sempre lembrada. Não só por suas músicas, mas também pela mulher que foi: forte, corajosa, rebelde e, acima de tudo, autêntica.

Rita Lee participou ativamente do movimento das 'Diretas Já' em 1984, subindo ao palco de grandes comícios ao lado de lideranças políticas e de figuras do esporte como os jogadores da chamada Democracia Corinthiana (Sócrates, Wladimir e Casagrande).

A cantora esteve presente em um dos maiores atos públicos da campanha pelas eleições diretas para presidente no Brasil, reforçando o coro popular pela redemocratização do país. Durante esse período, Rita Lee também protagonizou momentos históricos com o time do Corinthians, vestindo a camisa do clube em apresentações e unindo a música ao grito por liberdade política. 

Mesmo com o avanço da campanha das 'Diretas Já', a artista continuou enfrentando resquícios de censura do regime militar em seus trabalhos, como o álbum Bombom (1983). No ano de 1976, Rita Lee já havia passado por momentos marcantes e turbulentos em sua vida, pois virou uma prisioneira política tendo desafiando o sistema com o lançamento do álbum Entradas e Bandeiras, com a famosa música "Arrombou a Festa".

Rita Lee foi presa em 24 de agosto de 1976, durante a ditadura militar, após a polícia invadir sua casa na Vila Mariana, em São Paulo. A polícia alegou ter encontrado 300 gramas de maconha na residência da cantora, uma acusação que ela e sua defesa apontaram como forjada pelo regime. Ela estava grávida de 3 meses de seu primeiro filho, Beto Lee. Ficou detida por dois dias no Departamento de Investigações Criminais (DEIC) e depois foi transferida para o Presídio Feminino do Hipódromo, onde passou mais oito dias. A cantora Elis Regina foi ao local cobrar atendimento médico para Rita e pressionar as autoridades e a imprensa.

Embora tenha sido alvo da repressão e da censura (com diversas músicas e álbuns proibidos), Rita Lee costumava se definir de forma irônica como uma "hiponga comunista com um pé no imperialismo", preferindo o deboche e a contracultura à militância partidária tradicional da época.


Que sua voz continue a ecoar pelos quatro cantos do Brasil, inspirando novas gerações de mulheres a lutarem por seus direitos e a fazerem história, assim como ela fez. Rita Lee, eternamente em nossos corações, será sempre um símbolo de força e resistência, uma eterna referência em nossa música e nossa luta.

A artista resolveu aposentar-se dos palcos em 2012, anunciando que estava com problemas de saúde. Na época, a cantora chegou a afirmar em uma rede social: “me aposento dos shows, mas da música nunca”. Entretanto, um ano depois, chegou a participar de shows, como o que foi realizado em comemoração aos 459 anos da cidade de São Paulo.

Em 2021, a cantora revelou que estava com câncer de pulmão. Fez o tratamento e, no ano seguinte, anunciou estar curada. Desde o início de 2023, a cantora sentia-se debilitada e chegou a ser internada no final de fevereiro. Saiu do hospital no início de março. Na noite do dia 8 de maio de 2023, Rita Lee morreu em sua casa, em São Paulo capital, ao lado de sua família.

A cantora era adepta do veganismo. Teve opiniões contundentes e costumava expressá-las sempre que podia em suas entrevistas. Foi defensora dos animais e dos direitos das mulheres. Ela também gostava de se expressar por meio de suas redes sociais, o que garantirá sua arte registrada por muito e muito tempo !!
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Fatoumata Diawara: Epiphone SG

Introducing the Epiphone

Fatoumata Diawara SG

Você talvez ainda não conheça Fatoumata Diawara, mas, ao presenciar seu talento excepcional, você se tornará fã instantaneamente. Seu trabalho com a guitarra é uma conexão direta com a essência do gênero. 

Mali presenteou o mundo com o DNA do blues, e Fatoumata eletriza esse legado com uma energia bruta e autodidata. Sua forma de tocar mescla ritmos tradicionais de Wassoulou com influências globais modernas, honrando o passado enquanto impulsiona o som para territórios inexplorados. 

 Sua paixão pela Epiphone Muse SG resultou em uma colaboração, e temos a honra de anunciar que Fatoumata é a primeira mulher negra a receber uma guitarra exclusiva da Epiphone, um marco que destaca suas extraordinárias contribuições para a música e incentiva as futuras gerações a seguirem suas aspirações criativas. 
 
A Epiphone apresenta a Fatoumata Diawara SG, uma nova guitarra que une arte e funcionalidade.



Fatoumata Diawara

Fatoumata Diawara

' A rica mistura rítmica do Mali '

Guitarrista Licenciada pela Epiphone SG

Com uma consolidada carreira musical na Europa, mas ainda pouco conhecida no Brasil, Fatoumata Diawara, atriz, cantora e compositora malinesa, vem se destacando como uma das mais recentes revelações africanas. A sua obra exprime o pulso criativo de uma mulher que une em sua voz a tradição Wassoulou, gênero musical oriundo do folclore malinês e protagonizado por mulheres, ao afrobeat, jazz, pop, rock, electro e até ao hip hop.

A artista conta ser uma das onze crianças nascidas de pais malianos na Costa do Marfim, em 1982. Fatoumata cresceu na década de 1990 na capital do Mali, Bamako, como uma criança independente desde tenra idade, tornando-se uma célebre atriz infantil. Em 2001, estrelou Sia, O Sonho da Píton, filme de Dani Kouyaté baseado em um antigo mito sobre uma jovem que foge de sua família.

A vida real seguiu a ficção e, contra a vontade dos pais, que queriam que ela se casasse, Fatoumata fugiu de Bamako aos 19 anos para ingressar na companhia francesa de teatro de rua Royale de Luxe. Lá, durante os bastidores de ensaios, a artista cantava para se divertir e acabou sendo ouvida pelo seu diretor. Encantado com seu talento, ele pedia que Fatoumata cantasse durante as produções teatrais e seu canto tornou-se uma característica das apresentações da companhia. 

Encorajada também pelo público, a cantora passou a se apresentar em cafés e clubes de Paris, durante os intervalos das turnês. Daí para a estreia de seu primeiro álbum, Fatou, em 2011, foram apenas alguns passos, lançando a cantora e guitarrista do Mali como um dos grandes nomes da música africana.

Bambara, sua língua nativa.
Alguns anos mais tarde, Fatoumata Diawara lança Lamomali (2017). Em 2018, ela divulga seu terceiro álbum, Fenfo, descrito pela crítica como “um cruzamento de culturas”. O álbum também é acompanhado por fotografias e um vídeo filmado na Etiópia por Aida Muluneh. Seu trabalho mais recente foi lançado ano passado, o álbum London Ko (2023).

A música como linguagem que ultrapassa o sentido é o que marca o trabalho de Fatoumata Diawara. A artista, que já teve sua performance adjetivada pela revista Rolling Stones como “hipnótica e cativante”, diz trabalhar para criar belas melodias para transmitir suas mensagens. Em suas músicas, ela aborda temas de empoderamento, feminismo e questões controversas, como a mutilação genital feminina e a venda de migrantes negros nos mercados de escravos. Destacando-se como uma ativista social, Fatoumata é uma importante voz nas lutas das mulheres africanas, com uma trajetória que evidencia sua resistência como mulher negra, diante de costumes conservadores e imposições à população feminina de seu país.

Suas músicas são cantadas principalmente em Bambara, sua língua nativa. Em seu site oficial, a artista explica: “Eu não queria cantar em inglês ou francês porque queria respeitar a minha herança africana”. E em uma entrevista para o site Dirty Rock, ela acrescenta: “As pessoas se conectam com minha música. É incrível ver como as pessoas ficam tão entusiasmadas com certas melodias sem saber o significado das letras. Mas essa é a magia da música. Afinal, a música é, em si, uma linguagem internacional”.

Wisnik (2017), em seu livro O som e o sentido, aponta um limiar da música que a coloca dentro e fora da história: a música fala ao mesmo tempo, ao horizonte da sociedade e à subjetividade de cada um, sem se deixar reduzir às outras linguagens.

A música não refere nem nomeia coisas visíveis, como a linguagem verbal faz, mas aponta com uma força toda sua para o não-verbalizável; atravessa certas redes defensivas que a consciência e a linguagem cristalizada opõem à sua ação e toca em pontos de ligação efetivos do mental e do corporal, do intelectual e do afetivo. Por isso mesmo é capaz de provocar as mais apaixonadas adesões e as mais violentas recusas.

A música como som que comporta algo indizível é o que articula o trabalho de Fatoumata ao continente negro da feminilidade, um território outro que não se traduz em nenhuma via de sentido compartilhada. Ao comentar a expressão de Freud de que “a vida sexual da mulher adulta é um dark continent para a Psicologia”, Clotilde Leguil evidencia a atualidade da metáfora freudiana do continente negro, ainda que o contemporâneo se apresente como uma época do tudo saber. Ela localiza que esse dark continent não se refere a uma questão de fracasso do conhecimento psicanalítico, mas ao encontro com um território diferente. Ela diz: “É essa obscura claridade da feminilidade, seu brilho e sua opacidade irremediável que se apresentam a nossos olhos”.

Sua música é invisível, impalpável.
A música de Fatoumata apresenta aos nossos olhos e ouvidos o encontro com um território diferente, que, por mais nítido que possa ser, é invisível e impalpável:

A música, sendo uma ordem que se constrói de sons, em perpétua aparição e desaparição, escapa à esfera tangível e se presta à identificação com uma outra ordem do real: isso faz com que se tenha atribuído a ela, nas mais diferentes culturas, as próprias propriedades do espírito. 

No trabalho de Fatoumata Diawara, a melodia chega primeiro, hipnotizando o público. Mas suas letras e as imagens de seus clipes indicam uma realidade diante da qual é preciso não recuar, pois encarnam um real estranho, inquietante, convocando seus ouvintes a pensar a África sob uma perspectiva outra, em uma transmissão do inapreensível que se apresenta nos costumes e vivências do povo africano. 

O que a artista nos ensina é sobre como não recuar diante do feminino, “o lugar dessa Outra coisa, litorânea, mar aberto sem limites que nos habita”. O clipe e a música desta edição da revista apresentam NTERINI, do seu álbum Fenfo, que se traduz como “algo para dizer”.

Matéria:
Revista Derivas Analíticas - Nº 20 - Março de 2024.



domingo, 20 de julho de 2025

BiOgRaFiA: NINA SIMONE

Eu te digo o que liberdade
significa para mim: sem medo
Nina Simone

Biografia
: O universo mágico da Sacerdotisa do Blues, Jazz e Soul :


Ela foi uma das artistas mais extraordinárias do século XX, um ícone da música americana. Ela era uma contadora de histórias musicais consumada, uma griot, como viria a aprender, que usou seu talento notável para criar um legado de libertação, empoderamento, paixão e amor por meio de um magnífico conjunto de obras. Ela ganhou o apelido de "Alta Sacerdotisa do Soul" por ser capaz de tecer um feitiço tão sedutor e hipnótico que o ouvinte perdia a noção de tempo e espaço enquanto se absorvia no momento. Ela era quem o mundo viria a conhecer como Nina Simone.

Quando Nina Simone faleceu em 21 de abril de 2003, ela deixou um tesouro atemporal de magia musical que abrangeu mais de quatro décadas, desde seu primeiro sucesso, o clássico "I Loves You Porgy", de 1959, que chegou ao Top 10, até "A Single Woman", faixa-título de seu único álbum pela Elektra, de 1993. Embora trinta e três anos separem essas gravações, o elemento da emoção sincera é o que as une – é essa abordagem a cada trabalho que se tornou a marca registrada musical intransigente de Nina.

Elegância e presença de palco ...
Ao final da vida, Nina desfrutava de um reconhecimento sem precedentes. Sua música era apreciada pelas massas graças à revolução do CD, à descoberta na internet e à exposição no cinema e na televisão. Nina vendeu mais de um milhão de discos na última década de sua vida, tornando-se um best-seller de catálogo global.

Nenhum site consegue explorar completamente as muitas nuances e sabores que compõem os mais de 40 álbuns originais da biblioteca de Nina Simone. Este site ( 
https://www.ninasimone.com/ ) contém a maioria dos melhores trabalhos de Nina e menções na imprensa. No entanto, talvez não tivéssemos tido a oportunidade de testemunhar a impressionante variedade de material que Nina poderia cobrir se ela não tivesse seguido o caminho que seguiu.

Nascida Eunice Kathleen Waymon em Tryon, Carolina do Norte, em 21 de fevereiro de 1933, o talento prodigioso de Nina como musicista ficou evidente desde cedo, quando ela começou a tocar piano de ouvido aos três anos de idade. Sua mãe, ministra metodista, e seu pai, ele próprio um faz-tudo e pregador, não conseguiam ignorar o dom divino para a música, dado à jovem Eunice.

Versatilidade para cantar em vários estilos.
Criada na igreja, seguindo o caminho reto e reto, seus pais lhe ensinaram a distinguir o certo do errado, a se portar com dignidade e a trabalhar duro. Ela tocava piano – mas não cantava – na igreja de sua mãe, demonstrando um talento notável desde cedo.

Capaz de tocar praticamente qualquer coisa de ouvido, ela logo estava estudando música clássica com uma inglesa chamada Muriel Mazzanovich, que havia se mudado para a pequena cidade do sul. Foi dessas raízes humildes que Eunice desenvolveu um amor eterno por Johann Sebastian Bach, Chopin, Brahms, Beethoven e Schubert.

Depois de se formar como oradora da turma do ensino médio, a comunidade arrecadou dinheiro para uma bolsa de estudos para Eunice estudar na Julliard, em Nova York, antes de se inscrever no prestigiado Curtis Institute of Music, na Filadélfia.

Sua família já havia se mudado para a Cidade do Amor Fraternal, mas as esperanças de Eunice de uma carreira como uma pianista clássica afro-americana pioneira foram frustradas quando a escola negou sua admissão.

Até o fim, ela mesma alegaria que o racismo foi o motivo de sua ausência. Embora seu sonho original não tenha se concretizado, Eunice conquistou uma incrível carreira mundial como Nina Simone.

Ativista e revolucionária
A história de Nina Simone, do final dos anos 1960 aos 1990, pode ser contada por meio de suas lendárias apresentações em Montreux. Subindo ao palco de Montreux pela primeira vez em 16 de junho de 1968 para a segunda edição do festival,

Simone construiu um relacionamento duradouro com o Montreux Jazz Festival e seu criador e diretor Claude Nobs, e essa confiança e eletricidade únicas podem ser claramente sentidas nas gravações.

A história multifacetada e radical de Simone é revelada em 'Nina Simone: The Montreux Years' .

Da apresentação gloriosa e emocionante de Nina em 1968 ao seu concerto ardente e imprevisível em 1976, uma das apresentações mais marcantes já vistas no festival, a coleção inclui gravações de todos os seus cinco lendários concertos em Montreux – 1968, 1976, 1981, 1987 e 1990.


Localizada em Tryon, Carolina do Norte, a escultura de Zenos Frudakis consiste em uma estátua de Nina Simone, maior que o tamanho natural, com 2,4 metros de altura.

Simone está sentada tocando um teclado e parece olhar para a frente, com um olhar de introspecção e determinação externa.

Estátua imortaliza a Sacerdotisa do Soul.
O teclado é representado na forma de uma onda, transmitindo graça e movimento, e parece estar flutuando no ar.

A estátua repousa sobre um assento de pedra lisa sobre uma ampla base de pedra.

Também estava incluído um coração de bronze contendo as cinzas de Simone soldado ao interior do peito da figura.

A Praça Nina Simone foi projetada especificamente para a instalação e inclui uma fonte, um muro baixo e um obelisco de pedra local azul escura e cor de trigo.

A inclusão do obelisco pode ser uma alusão ao apelido de Simone como “A Alta Sacerdotisa do Soul” e ao seu álbum de 1967 com o mesmo nome.

A escultura de Nina Simone foi dedicada no que seria o 77º aniversário de Nina Simone. A inauguração começou com comentários do prefeito de Tryon. Crys Armbrust, diretor do Projeto Nina Simone, fez breves comentários, e a Poeta Laureada da Carolina do Norte, Cathy Smith Bowers, recitou um poema de Kwame Dawes intitulado "Como te chamam?", escrito em homenagem a Nina Simone.

Após a recitação do poema, o escultor Zenos Frudakis fez algumas breves observações.

Lisa Simone Kelly, filha de Nina Simone, fez os comentários finais. Ao final da cerimônia, pombas foram soltas enquanto música era tocada ...