Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

YES


O arcabouço do Rock Progressivo!

' A história da fase mais criativa da banda (1968 - 1975) '
Yes foi a banda de Rock Progressivo do começo dos anos setenta mais duradouro e também mais bem sucedido, o Yes ainda tem muitas histórias pra contar. Formado em 1968, superou muitas trocas de formações com a partida de membros-chaves, mas nunca perdeu a qualidade técnica da sua música tornando-se a banda precurssora do chamado: Prog Rock.
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Eles conseguiram manter enorme base de fãs por causa de sua mistura de assustador virtuosismo, letras místicas, complexos temas musicais e belos e delicados vocais. O vocalista, Jon Anderson, iniciou na música como membro dos Warriors (que chegaram a gravar um single para o selo Decca em 1964), passou por outra banda, a Gun, antes de tentar carreira solo em 1967 (e lançar 2 singles pelo selo Parlophone). Ele estava fazendo uma curta temporada no clube londrino "La Chasse", em jun/68, quando numa noite no bar conheceu o baixista/vocalista Chris Squire, da banda Syn (que tinha contrato com o selo Deram, uma divisão da Decca). Os dois logo descobriram interesses musicais em comum (que incluíam gosto pelas harmonias vocais de Paul Simon e Art Garfunkel) e, nos dias seguintes, passaram a compor juntos.

Foi o início de um tipo de som, que incorporava belas harmonias e sólida base roqueira com ênfase no instrumental. A dupla via as demais bandas ao seu redor como tendo às vezes ótimos vocais, mas fraco instrumental, ou outras vezes o contrário, ótimos instrumentais e fracos vocais. Resolveram então combinar o melhor desses dois elementos (a inspiração inicial foi o grupo de Soul Pop Fifth Dimension). Eles recrutaram Tony Kaye para os teclados, Peter Banks (também do Syn) para as guitarras e Bill Bruford (que havia recém entrado no Savoy Brown) para a bateria.

O nome Yes foi escolhido por ser algo curto e direto, mensagem rápida. A estreia ocorreu em out/68 no clube Speakeasy, de Londres (conseguido através de Tony Stratton-Smith, empresário do Nice e, mais tarde, fundador do selo Charisma). Conseguiram ser selecionados para abrir o famoso show de despedida do Cream, em 26/nov/68, no Royal Albert Hall, o que os levou a uma temporada no clube Marquee e aparição no programa de rádio Top Gear, comandado por John Peel. Abriram para Janis Joplin (um show também no Royal Albert Hall, em abr/69) e assinaram com a Atlantic Records.

O single de estreia do primeiro álbum autointitulado YES, trouxe "Sweetness", uma canção de Anderson e Squire, e o álbum, simplesmente intitulado "Yes", saiu em nov/69. Nestas gravações já havia o som básico que caracterizaria o trabalho subsequente: harmonias vocais impecáveis, instrumental arrasador e um enfoque derivado do Folk e do erudito (diferenciando-os da onda R&B/psicodelia que dominava a cena musical da época). Também presente estava um contexto Pop (havia covers dos Beatles e dos Byrds) e elementos de Space Rock (na faixa "Beyond and Before") no que, mais tarde, eles se tornariam especialistas. Os vocais de Anderson davam à música um ar "etéreo" e a guitarra de Banks ia do Folk ao Skiffle.

O baixo de Chris Squire tinha um som enorme (proeminente feito um trovão) devido sua forma personalíssima de tocar, a bateria de Bill Bruford era complexa e os teclados de John Kaye eram ricos e melódicos. O disco era surpreendentemente coeso (dada a relativa inexperiência de todos), focado e já indicava o som multi estruturado (introduções, mudanças de texturas, timbres e volume etc.) com suítes cheias de partes que fariam mais à frente o sucesso da banda. "Every Little Thing" talvez seja o mais ousado cover dos Beatles já feito.

Em fev/70, o Yes abriu para o Nice no Royal Albert Hall já preparando o segundo álbum, "Time and a Word". Lançado em jun/70, ele trouxe a primeira mudança no line-up da banda: Peter Banks havia deixado o grupo para ser substituído pelo guitarrista Steve Howe. Howe já aparece na capa do disco (fez o primeiro show com a banda em 21/mar/70, no Queen Elizabeth Hall), mas quem realmente toca no disco ainda é Peter Banks.

Bem mais sofisticado que seu antecessor, o segundo álbum Time and a Word, incluia uma orquestra (na verdade, um overdub) em algumas faixas, o álbum evidenciou ainda mais elementos cósmicos e místicos nas composições. Mais bem produzido, com performances excelentes de Bruford-Squire-Kaye, tensão e excitação, volume amplificado, passagens trabalhadas e estendidas, o grupo ia solidificando seu som, embora eles ainda não tivessem desenvolvido a destreza para disparar mudanças de tempo. Os destaques eram "No Opportunity Necessary, No Experience Needed", um cover de Richie Havens, "Then", "Everydays", "The Prophet" e "Astral Traveller". A fama da banda continuou a crescer na Inglaterra tornando seus shows bem populares, onde foram a banda de abertura da turnê do Iron Butterfly.

Mas no terceiro álbun, The Yes Album, lançado em abr/71, a banda conseguiu capturar todo o potencial do grupo. Feito por inteiro com composições próprias, ele veio recheado de harmonias complexas e deslumbrantes, partes de guitarra/baixo com volume no talo, distorcidas e em várias camadas, bateria virtuosa e melódica, órgão Hammond com passagens rebuscadas com muitos arranjos de piano, tudo num nível bem mais expandido. A faixa "Your Move" seria a primeira canção deles a entrar no Top 40 norte-americano, "Starship Trooper" e "All Good People" davam a Howe-Squire-Bruford oportunidade de ampliar passagens instrumentais com tremenda pungência.

Algumas composições pareciam pinturas sonoras e os assombrosos vocais de Anderson remetiam a paisagens tocantes que despertavam a imaginação dos ouvintes. Enquanto, nos 2 primeiros álbuns, o Yes procurou um som próprio, em "The Yes Album" estreou-o com força total. A banda agora trabalhava em material próprio, e as estruturas já se mostraram complexas. A guitarra de Steve Howe preenchida, deixava o baixista Chris Squire e o baterista Bill Bruford livres para improvisarem. As composições ficavam extremamente complexas. Sobre tudo isso, plainava a alta e suave voz de Jon Anderson, lindas harmonias apoiadas por Squire e Howe, com as letras derivadas da ficção científica.

Entretanto, o tecladista Tony Kaye não estava muito satisfeito: seu órgão/piano buscava lugar no novo som do Yes, e a relutância em adotar um sintetizador Moog, instrumento que era novidade na época, acabaria por determinar sua saída.

No início de 1971, o Yes fez sua primeira turnê pelos EUA, abrindo para o Jethro Tull e voltaram no final daquele ano abrindo para o Ten Years After e a J. Geils Band. Com a saída de Tony Kaye em ago/71, Rick Wakeman (ex-Strawbs e David Bowie) assumiu os teclados. Wakeman era um músico bem mais extravagante que Tony Kaye, não só pelo seu jeito de tocar, mas também no número de instrumentos que usava. No lugar dos três teclados de Kaye, Wakeman utilizava vários, um arsenal que incluía Mellotron, vários sintetizadores, órgão, diversos pianos, um cravo elétrico, entre outros.

Esta formação (Anderson, Squire, Howe, Wakeman e Bruford) durou apenas 1 ano (de ago/71 a ago/72), mas é frequentemente considerada a configuração mais rebuscada do grupo. Eles compuseram o próximo álbum, Fragile, que trouxe só 4 faixas feitas por todo o grupo ("Roundabout", "The South Side Of The Sky", "Heart Of The Sunrise" e "Long Distance Runaround", todas faixas enormes com cerca de 7 e 13 minutos). O disco foi lançado em dez/71 e era centrado em 5 faixas, cada uma apresentando a individualidade de cada músico. O álbum foi um sucesso (alcançou nº. 7 na Inglaterra e nº. 4 nos EUA), impulsionado pelo single "Roundabout", primeiro grande sucesso da banda.

Vívidas texturas, inacreditáveis passagens de violão e guitarra, vocais celestiais, teclados inebriantes, baixo e baterias contagiantes, o Yes alcançava o auge de seu som, causando um impacto imenso entre a juventude. A capa do álbum foi a estréia de um estilo de artes plásticas, desenhada pelo artista gráfico Roger Dean, viraria outra marca registrada da banda, seus desenhos de paisagens surreais que evocavam imagens relacionadas com a música, estas artes se tornariam parte integrante da experiência musical do Yes. Roger Dean passaria no futuro a projetar até palco das turnês.

Instantaneamente, o Yes migrou de banda cult para fenômeno internacional. "Fragile" foi o ponto onde todos os elementos se encaixaram. A ficção científica e os elementos de fantasia que já haviam feito o sucesso no "Yes Album", voltaram com força total, fascinando toda uma geração de roqueiros, foi algo inovador. Com o baixo de Chris Squire estalando nos amplificadores, as múltiplas guitarras e violões de Steve Howe surpreendendo pelos acordes e soluções inusitadas, a montanha de teclados de Rick Wakeman criando uma sonoridade espacial e a bateria sofisticada de técnicas de Bill Bruford, parecia que o Yes flutuava do solo, tamanha era a inventividade e ambição da banda.

Embora o Yes tenha continuado a lançar compactos 45 RPM periodicamente incluindo um cover de "America", de Paul Simon, o futuro da banda claramente estava em seus álbuns. Close To The Edge, gravado na primavera de 1972 e lançado em setembro daquele ano, trouxe um álbum com apenas três longas faixas, três clássicos sonoros. As texturas musicais importavam mais do que as letras ou qualquer melodia específica, harmonização ou solo. O álbum alcançou o nº. 4 das paradas na Inglaterra. Close To The Edge disparou a mais longa turnê da carreira da banda até então.


Em retrospectiva, a banda entrou numa espiral de desintegração que só uma grande mudança de direção poderia segurar os egos da banda, depois de um disco que foi uma verdadeira obra-prima. Na época de seu lançamento (jul/72), entretanto, Bill Bruford anunciou sua saída para se juntar a outra influente banda do Prog Rock, o King Crimson, e foi substituído por Alan White, um baterista que tinha participado das sessões de gravação da famosa banda "Plastic Ono Band", álbum de John Lennon e Yoko Ono. AlanWhite já era um ótimo baterista, porém com técnicas melódicas bem diferentes das de Bill Bruford, e assim a banda entrou na turnê do novo disco diante de enorme resposta de público e retumbante aclamação da imprensa especializada.

Grande parte da turnê "Close To The Edge", assim como da turnê anterior ainda com Bruford na bateria, foram gravadas e o LP triplo chamado Yessongs foi lançado em mai/73, compilou o melhor destas gravações. "Yessongs" acabou tornando-se modelo para todos os álbuns ao vivo de Rock Progressivo: mais de 2 horas de todo o repertório de show, tudo sem cortes e extremamente bem tocado diante de tanta complexidade sonora.

O Yes tinha uma missão muito dificíl para o ano de 1973 que era produzir o sucessor de 4 álbuns clássicos. O resultado foi um LP duplo chamado Tales From Topographic Oceans, lançado em jan/74, sob enormes expectativas ele foi "disco de ouro" na pré-venda. O disco quebrou todos paradigmas artísticos anteriores, consistindo em quatro longas faixas, cada uma tomando todo um lado dos LPs. Se podemos dizer que os álbuns anteriores eram compostos de pinturas sonoras, então "Topographic Oceans" era uma série de murais sonoros pintados em vastos espaços numa escala gigante não recomendada para audições fáceis.

Em seu lançamento, críticos o classificaram como "excessivo, representando o píncaro da natureza auto-indulgente do Rock Progressivo". Originalmente inspirado pela reação de Jon Anderson a um conjunto de escritos sagrados do hinduísmo, o álbum apresentou beleza sublime em muitas partes e imensos trechos de virtuosismo hipnotizante de alta octanagem.


Apesar das excelentes vendas, oitenta minutos de música ambiciosa, suítes longas, todas maiores do que Close To The Edge e avançadas em complexidade, densidade, com títulos como "The Revealing Science Of God", que certamente fizeram o ouvinte ler notas de rodapé para entender aquilo tudo. O álbum acabou sendo um projeto desgastante para a banda, o que inclusive fez com que Rick Wakeman decidisse abandonar a banda e entrar de cabeça no seu novo projeto: "Viagem ao Centro da Terra".

Ainda assim, Topographic Oceans possuía algumas das passagens mais bonitas feitas pelo Yes e entregava música profunda e maravilhosa. Decididamente, uma viagem estranha e gloriosa, porém não indicada para todos. A banda entrou em turnê no início de 1974 tocando a maior parte do álbum no palco. Na sequência, foram revelados planos individuais de cada membro lançar um álbum solo, e vários álbuns foram lançados.

Após a saída de Rick Wakeman, em ago/74, foi anunciado que Patrick Moraz, regresso o Prog Rock trio "Refugee", substituiria Wakeman. Três meses depois, um novo álbum, Relayer foi lançado e alcançando o nº. 4 nas paradas britânicas e o nº. 5 nos EUA. Moraz acabou provando ser o substituto adequado. "Relayer" manteve as ambições musicais da banda, com suítes organizadas em seções musicais abrasivas, ritmicamente densas, rico instrumental cheio de solos e delicados vocais com letras poéticas cheias de imagens espirituais. Tudo com o objetivo de criar paisagens sonoras nas quais o ouvinte pudesse viajar.

Apesar de Patrick Moraz fazer a lição de casa, a qualidade e maestria de Rick Wakeman era imcomparável, e assim o mago retorna à banda em 1976. A banda se reuniu no Mountain Studios, na Suíça, para iniciar a gravação de Going For The One e, para tornar ainda mais evidente o clima de motivação, Rick Wakeman estava de volta, empolgado após ter ouvido algumas versões iniciais das novas músicas. O Yes estava de volta com aquela que seria mais uma de suas formações clássicas, trazendo um álbum espetacular.

Sendo mais um álbum clássico da discografia da banda, Jon Anderson é autor de quarto das cinco músicas, dividindo a co-autoria em “Turn Of The Century”, com Howe e White, e em “Awake”, com Howe. A faixa restante, “Parallels”, é uma peça não utilizada por Squire em seu álbum solo, “Fish Out Of Water”, que foi aprovada pela banda. O disco deixa o ouvinte em transe, sem saber o que fazer. Quando termina passamos alguns segundos tentando absorver o seu final.


Com muita movimentação entre seus integrantes, o Yes ainda registraria uma extensa discografia, repleta de bons discos, mas “Going For The One” nunca viria a ser superado. São inúmeros discos lançados passando por todas as mudanças do mundo da música e tendências radiofônicas. Essa, porém, é a beleza da coisa. “Wonderous Stories” foi inspirada na vivência de um dia para ser lembrado. E são raros os dias especiais assim.

Veja a Discografia Completa no Site da Banda:


Todos os membros que passaram pelo YES

Atuais: Jon Davison (vocal e violão), Steve Howe (guitarras e instrumentos de cordas), Jay Schellen (bateria), Geoff Downes (teclados em geral) e Billy Sherwood (baixo e vocais).

Ex-membros: Jon Anderson (vocal, violão ...), Chris Squire (baixo e vocais), Alan White (bateria), Rick Wakeman (teclados em geral), Bill Bruford (bateria), Trevor Horn (vocais e guitarra), Trevor Rabin (guitarra), Tony Kaye (teclados), Peter Banks (guitarra), Patrick Moraz (teclados em geral), Benoit David (vocais), Oliver Wakeman ((teclados em geral), Igor Khoroshev and Tom Brislin (teclados em geral).
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Santana - Borboletta

Santana 
Borboletta 
- 1974 -

"Airto Moreira e Flora Purim"

Borboletta é o sexto álbum de estúdio de Santana. É um de seus álbuns com sonoridade jazz-funk-fusion, juntamente com os álbuns Caravanserai (1972) e Welcome (1973). Outros álbuns de Carlos Santana nesse estilo, lançados individualmente, incluem Love Devotion Surrender (1973), com John McLaughlin, e Illuminations (1974), com Alice Coltrane, Jack DeJohnette e Jules Broussard. 

Nesse álbum Carlos Santana abre espaço para a percussão, o saxofone e os teclados criarem atmosferas ("Spring Manifestations"), além de longos solos ("Promise of a Fisherman") e vocais ("Give and Take", uma canção funky conduzida pela guitarra).

O disco foi lançado com uma capa azul metálica estampada com uma borboleta, uma alusão ao álbum Butterfly Dreams (1973) da musicista brasileira Flora Purim e seu marido Airto Moreira, cujas contribuições influenciaram profundamente o som de Butterfly.

O baixista original, David Brown, retornou para substituir Doug Rauch, e o vocalista/tecladista Leon Patillo juntou-se à banda. Após a conclusão do álbum, o baterista Michael Shrieve saiu, sendo substituído por Leon “Ndugu” Chancler, que havia participado como convidado em algumas faixas do álbum.

Airto Moreira e Flora Purim
FAIXAS

1.  Spring Manifestations (Sound Effects) (Airto Moreira, Flora Purim) 1:04
2.  Canto De Los Flores (Tom Coster, Santana) 3:46
3.  Life Is Anew (Carlos Santana, Michael Shrieve) 4:15
4.  Give And Take (Carlos Santana, Michael Shrieve, Tom Coster) 5:45
5.  One With The Sun (Jerry Martini, Earlyrin Martini) 4:24
6.  Aspirations (Tom Coster, Carlos Santana) 5:10
7.  Practice What You Preach (Carlos Santana) 4:32
8.  Mirage (Leon Patillo) 4:44
9.  Here And Now (Armando Peraza, Carlos Santana) 3:02
10.  Flor De Canela (Carlos Santana, Doug Rauch) 2:19
11.  Promise Of A Fisherman (Dori Caymmi) 8:04
12. Borboletta (Airto Moreira) 2:51

FICHA TÉCNICA

1 Spring Manifestations (Sound Effects)
Percussion / Effects Airto Moreira
Percussion / Effects Flora Purim

2 Canto De Los Flores
Bass David Brown (2)
Drums Michael Shrieve
Piano Tom Coster
Congas Armando Peraza
Congas Jose Areas
Percussion Carlos Santana

3 Life Is Anew
Drums Michael Shrieve
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Piano Leon Patillo
Congas Jose Areas
Percussion Armando Peraza

4 Give And Take
Bass David Brown (2)
Drums Michael Shrieve
Guitar Carlos Santana
Organ Leon Patillo
Piano Tom Coster
Synthesizer Tom Coster
Sax Jules Broussard
Congas Armando Peraza
Percussion Jose Areas
Vocals Leon Patillo

5 One With The Sun
Bass David Brown (2)
Drums Michael Shrieve
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Piano Leon Patillo
Congas Armando Peraza
Vocals Leon Patillo

6 Aspirations
Bass Stanley Clarke
Drums Leon Chancler
Organ Tom Coster
Sax Jules Broussard

7 Practice What You Preach
Bass David Brown (2)
Drums Michael Shrieve
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Vocals Leon Patillo

8 Mirage
Bass David Brown (2)
Drums Michael Shrieve
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Synthesizer Tom Coster
Piano Leon Patillo
Congas Armando Peraza
Vocals Leon Patillo

9 Here And Now
Bass Stanley Clarke
Drums Leon Chancler
Guitar Carlos Santana
Piano Tom Coster
Sax Jules Broussard
Congas Armando Peraza
Percussion Carlos Santana

10 Flor De Canela
Bass Stanley Clarke
Drums Airto Moreira
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Piano Tom Coster
Sax Armando Peraza

11 Promise Of A Fisherman
Bass Stanley Clarke
Drums Airto Moreira
Guitar Carlos Santana
Organ Tom Coster
Piano Tom Coster
Sax Jules Broussard
Percussion Armando Peraza
Vocals Airto Moreira
Vocals Carlos Santana
Vocals Flora Purim

12 Borboletta
Percussion Airto Moreira

Créditos do álbum.
Producer – Carlos Santana, Michael Shrieve, Tom Coster
Engineer – Glen Kolotkin

Art Direction – Ed Lee
Design – Barry Imhoff, Carlos Santana

Mastered At Customatrix
Phonographic Copyright CBS Inc
Copyright CBS Inc


CuLtUrA Do AmOr: HARAMBE

Rita Marley Foundation

Harambe
' Um Amor '

Harambe significa trabalhar juntos, unir forças em um só amor, paz e harmonia.

A Fundação Rita Marley trabalha para o alívio da pobreza em países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Sua função a longo prazo é erradicar a pobreza e a fome em comunidades específicas selecionadas, utilizando como ferramentas: o empoderamento dessas comunidades por meio da criação de investimentos econômicos, a melhoria das oportunidades educacionais e o desenvolvimento de conhecimento e práticas adequadas em nutrição e saúde. Nossa fundação é financiada por doadores e colaboradores.

Internacionalmente, o nome Marley é sinônimo de música reggae e da cultura jamaicana. Não é coincidência que a talentosa jovem Rita Anderson estivesse destinada a se tornar um pilar da família musical Marley. Bob Marley é o Rei do Reggae, e sua esposa, a Honorável Dra. Alferita Marley OJ, OD, LITT (carinhosamente chamada de 'Rita'), lhe ofereceu apoio vocal como membro do grupo I-Threes. Rita Marley também construiu uma carreira solo de sucesso. Seu catálogo de hits inclui "One Draw", "Harambe", "Lion & the Lamb", "Good Girls Culture" e " Just One More Morning" .

Como matriarca da família Marley, a Dra. Marley desempenha diversos papéis e tem sido fundamental na criação e conclusão de grandes obras em âmbito internacional, regional e local. Em 1986, ela teve a visão e a sabedoria de transformar a casa de Bob Marley, no número 56 da Hope Road, em Kingston, Jamaica, no Museu Bob Marley. 

A compra, pela Dra. Marley, da antiga Federal Records, no número 220 da Marcus Garvey Drive, e a subsequente mudança da Tuff Gong International para esse novo endereço, prepararam o terreno para que a Tuff Gong se tornasse líder na gravação, fabricação e distribuição de música na Jamaica, no Caribe e no mundo. 

Ela é a fundadora e presidente da Fundação Bob Marley, do Museu Bob Marley, da Tuff Gong International e da Fundação Rita Marley. A Dra. Marley continua a honrar seu compromisso com a obra de seu marido, seus filhos e seu povo, cumprindo sua missão de iluminar, educar e entreter por meio de sua filantropia e música.

Missão

Trabalhando para aliviar a pobreza e promover o empoderamento feminino na Jamaica e em Gana.

A Fundação Rita Marley opera com base nos princípios do amor e da compaixão para concretizar a visão da Dra. Marley de eliminar a pobreza e promover o empoderamento feminino na Jamaica e em Gana.

Desde os desafios de ser uma jovem mãe solteira até ter a porta fechada na cara como uma jovem negra pioneira no mundo dos negócios, Rita Marley certamente enfrentou sua cota de adversidades. Isso não a impediu de trilhar seu próprio caminho como artista e empresária aclamada internacionalmente — tudo isso enquanto criava uma família incrível.

Rita Marley foi responsável pelo legado e pelos negócios de seu falecido marido, Bob Marley, numa época em que as mulheres eram praticamente inexistentes no mundo dos negócios — especialmente no entretenimento. Rita não só desafiou todos os homens que "sabiam mais" e tentaram prejudicá-la, como também transformou o negócio no incrível sucesso que é hoje.

Ao longo de toda a sua trajetória, Rita Marley manteve seu espírito comunitário e sempre se lembrou de suas origens. Ela continua ajudando inúmeras pessoas na Jamaica, em Gana, na Etiópia e em muitos outros lugares. Foi com esse espírito indomável que ela criou a Fundação Rita Marley.

Fundação Rita Marley

A Fundação Rita Marley é uma organização jamaicana sem fins lucrativos fundada em 2014. Suas atividades são baseadas nos princípios do amor e da compaixão e buscam concretizar a visão da Dra. Marley de eliminar a pobreza e a discriminação contra os marginalizados, especialmente idosos, mulheres e crianças.








FiLoSoFiA ReGgAe: Rita Marley

Rita Marley

“rainha do reggae”

Até hoje Bob Marley é o principal nome do reggae mundial, mas durante muitos anos de sua carreira, o “rei do reggae” contou com Rita Marley, sua fiel escudeira e maior confidente. 

Ela esteve do lado do cantor em toda a sua trajetória, desde a origem humilde até o sucesso mundial. Apesar das complicações mostradas no filme “Bob Marley: One Love”, o relacionamento dos dois foi essencial para o crescimento do cantor.

Rita Marley, de Cuba a Jamaica.

Nascida como Alpharita Constantia Anderson em 25 de julho de 1946, Rita Marley nasceu em Santiago, Cuba, mas se mudou para Kingston, na Jamaica. Ainda pequena, Rita se mudou para a Jamaica com os pais, o que a tornou em uma figura importante na cultura jamaicana ao crescer em Kingston. Porém, a jovem Rita foi criada por sua tia Viola, que a adotou, quando os pais, Leroy Anderson e Cynthia “Beda” Jarrett se separaram.

Rita e Bob Marley.

Um marco marcante na vida e carreira de Rita foi o seu relacionamento com Bob Marley. O casal se conheceu quando ambos eram músicos iniciantes tentando causar impacto em meados da década de 1960. Rita costumava cantar na igreja na adolescência antes de se juntar a um grupo chamado The Soulettes e foi durante seu tempo no grupo, que ela conheceu Bob, onde ela foi treinada por ele, que também era membro do Wailing Wailers.

Os dois se casaram logo depois e tiveram três filhos e até fizeram turnês pelo mundo juntos, com Rita assumindo funções de backing vocal com Bob Marley e The Wailers.

O relacionamento profissional deles logo se tornou romântico, pois eles se sentiram instantaneamente atraídos um pelo outro, como Rita confessou em uma entrevista à revista Rolling Stone: “Ele estava enviando cartas por meio dos amigos, não sozinho, mas por meio dos amigos, para dizer que gostava de mim e queria vir conversar.”

One Love.

No filme biográfico “Bob Marley: One Love”, o relacionamento entre Bob Marley e Rita Marley é retratado como uma parceria profunda e significativa, tanto pessoal quanto profissionalmente.

O filme mostra o amor e o apoio mútuo entre Bob e Rita, destacando como ela foi uma parceira leal e dedicada em sua vida e carreira. Rita é retratada como uma figura forte e influente que apoiou Bob em suas decisões e o ajudou a superar desafios.

O filme também aborda os desafios e sacrifícios que o casal enfrentou, incluindo a tentativa de assassinato de Bob Marley em 1976 e a pressão da indústria musical. Rita é mostrada como uma fonte de força e apoio para Bob durante esses momentos difíceis.

Após a morte de Bob Marley, Rita é retratada como uma guardiã de seu legado e memória. Ela trabalha para preservar sua música e mensagem, garantindo que seu marido seja lembrado como um ícone da música e da cultura jamaicana.

Rita Marley, a rainha do Reggae.

Rita foi uma das principais vocalistas do grupo “The I Threes”, que acompanhava Bob Marley and the Wailers. O grupo era composto por Rita, Marcia Griffiths e Judy Mowatt. Juntas, elas criaram harmonias vocais que se tornaram uma marca registrada do som de Bob Marley.

Após a morte de Bob Marley em 1981, Rita continuou a carreira musical, lançando álbuns solo e colaborando com outros artistas. Ela também se envolveu em trabalhos filantrópicos e empresariais, incluindo a gestão da propriedade intelectual de Bob Marley.

Rita Marley recebeu vários prêmios e homenagens por sua contribuição para a música e a cultura. Ela foi incluída no Grammy Hall of Fame e recebeu um prêmio Grammy por sua contribuição para a música.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O Blues Perseguido: Clássicos por Mulheres.

O Blues Clássico por Mulheres


Algumas artistas sensuradas e perseguidas nos EUA.

O "Blues Feminino Clássico" (Classic Female Blues) foi um gênero pioneiro gravado majoritariamente entre 1920 e o final dos anos 30, coincidindo com a era da Lei Seca nos EUA. Essas cantoras, muitas vezes acompanhadas por pianistas de jazz ou pequenos conjuntos, popularizaram o blues de 12 compassos.

Cantoras e canções mais clássicas desse período, (1920-1930s).

Bessie Smith ("A Imperatriz do Blues"): A cantora mais popular da era, conhecida por sucessos como "Nobody Knows You When You're Down and Out" (1929), "Back Water Blues" (1927) e "I Need a Little Sugar In My Bowl".

Ma Rainey ("A Mãe do Blues"): Figura fundamental que influenciou Bessie Smith, famosa por "Ma Rainey's Black Bottom".

Mamie Smith: Fez história ao gravar "Crazy Blues" em 1920, a primeira gravação de blues por uma cantora afro-americana, iniciando a febre dos "race records".

Ethel Waters: Popularizou canções com um toque de jazz e vaudeville, como "Get up off Your Knees".

Outras vozes essenciais.

Sippie Wallace: "Texas Nightingale", famosa por "Women Be Wise" e "Mighty Tight Woman".

Memphis Minnie: Conhecida por tocar violão e cantar clássicos como "When the Levee Breaks" (1929).

Victoria Spivey: Famosa por "Black Snake Blues" (1926).
Ida Cox: Conhecida como "Uncrowned Queen of the Blues".

Bertha "Chippie" Hill: Popularizou "Trouble in Mind" em 1926.

Compilações que cobrem este período, como "Authentic Blues: The Original Female Blues Singers 1920-1940", costumam reunir essas faixas, refletindo o ambiente dos speakeasies (bares clandestinos) e o vaudeville da época.

Contexto Histórico.

No final da década de 1920, a iminente Grande Depressão afetou duramente os negros, que já se encontravam na base da escala econômica, e o blues feminino começou a abordar as injustiças que seu povo enfrentava. Embora a era do "blues clássico" supostamente tenha terminado em 1930, muitas dessas mulheres continuaram a se apresentar em teatros e clubes no Sul e no Norte dos Estados Unidos.

Belas vozes e uma agradável estética musical que representavam as raízes folclóricas que as nutriam. Todas as suas gravações são autênticas e muitas abordavam temas contundentes como pobreza, racismo, maus-tratos amorosos, a estética da beleza física, abandono, desastres naturais e, por vezes, o sobrenatural. As letras eram frequentemente mordazes em sua crítica à injustiça racial e à pobreza sofridas pelos negros.

Outras canções de blues escritas por mulheres tendiam a abordar homens infiéis, a perda de controle sobre suas vidas e a fuga de um relacionamento ruim ou da solidão. No entanto, violência, prostituição, medo e vingança já eram assuntos abordados por essas artistas.

Consequentemente, o ouvinte precisa prestar atenção à letra, e não apenas à música ou ao ritmo, para compreender a gravidade, o desespero, a ameaça, os conselhos ou a pura sensualidade e o deleite que muitas vezes são expressos em metáforas ou linguagem popular.

Algumas das mulheres que deixaram os circuitos de shows itinerantes, cabarés e casas noturnas do Sul, Sudoeste e Norte dos Estados Unidos para se tornarem a próxima "rainha do blues" nas gravações possuíam talento e engenhosidade excepcionais, que empregaram para aprimorar suas performances em discos e no palco. Outras eram talentos medianos, embora seus vestidos elegantes, beleza física e capacidade de entreter as tornassem queridas pelo público tanto no Norte quanto no Sul. 

Muitas dessas mulheres foram enviadas em turnês com bandas que incluíam alguns dos músicos mais talentosos da época. Entre eles, artistas estelares como Louis Armstrong, Johnny Dunn, Sidney Bechet, Clarence Williams, Kid Ory, Johnny Dodds, Don Redman, Fletcher Henderson e Thomas Dorsey.