Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Artes Visuais e o Samba: Heitor dos Prazeres

Heitor dos Prazeres

' Os multi-talentos de um artista '

Nasceu no Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1898, filho de um marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e de uma costureira, ficou órfão de pai aos 7 anos.

Foi compositor, cantor, autor de músicas e artista plástico. Começa trabalhar cedo na oficina do seu pai. Sobrinho do pioneiro dos ranchos cariocas, Hilário Jovino Ferreira, ganha do tio seu primeiro cavaquinho.

Aos 12 anos trabalha como engraxate, jornaleiro e lustrador, vive constantemente em companhia do tio Hilário e frequenta a casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther), onde tem contato com músicos como Donga, João da Baiana, Sinhô, Caninha, Getúlio Marinho “Amor”, Pixinguinha, Paulo da Portela entre outros.

Heitor, compositor de samba.

Apesar dos trabalhos informais, o jovem Heitor é preso aos 13 anos, por vadiagem, e passa algumas semanas na colônia correcional de Ilha Grande. Dominava o clarinete e o cavaquinho, e seus sambas e marchinhas alcançaram projeção nacional.

Um dos pioneiros do samba carioca, Heitor compôs seu maior sucesso, Pierrô Apaixonado, em parceria com Noel Rosa. Com boa circulação entre os sambistas, firma relações com compositores da Mangueira, principalmente Cartola , e de Oswaldo Cruz. Por meio dessas relações, Heitor dos Prazeres compõe sambas em parceria e participa do início dos trabalhos e da fundação de escolas de samba, que se tornam importantes referências: Mangueira, Portela e Deixar Falar (futura Estácio de Sá).

Autor de diversos sucessos da época e outros que fazem parte do repertório da música brasileira, como: A tristeza me Persegue; Ora Vejam Só; Gosto que me Enrosco (gravado como Cassino Maxixe); Vai Mesmo; Deixaste Meu Lar, entre outras tantas composições famosas. Entre gravações e polêmicas, Prazeres inicia um catálogo que reúne cerca de 300 composições e lança, através das suas composições, inúmeros cantores no cenário musical.

Cria, em 1930, um coro feminino como acompanhamento, Heitor dos Prazeres e Sua Gente, com o qual excursiona e se apresenta no Uruguai. Atua nas Rádios Cosmos e Cruzeiro do Sul, em que apresenta o programa A Voz do Morro, com Cartola e Paulo da Portela.

Dos Prazeres forma o Grupo Carioca e torna-se ritmista da Rádio Nacional e do Cassino da Urca. Consolidado como um dos mais talentosos sambistas da primeira metade do século 20, Heitor dos Prazeres descobriu outro dom até então adormecido: a pintura.

Obra: Sarau.
Heitor, nas artes visuais.

Com a morte da esposa, Dona Glória, com quem se casou em 1931 e teve três filhas, o artista usou a tinta e o pincel como ferramentas de vazão para a tristeza. A partir de 1937, Heitor dos Prazeres começou a se projetar como pintor e incentivado pelos amigos marcou presença em diversas exposições.

Heitor dos Prazeres em suas pinturas gostava de retratar a vida nas favelas cariocas; crianças brincando de soltar balões e pipas, pular corda e jogar argolas, homens jogando sinuca e baralho, jovens em festas juninas. Rodas de samba eram muito comuns em seus quadros.

Característica da sua pintura. 

Sua característica eram os rostos das pessoas sempre pintados lateralmente e com a cabeça e o olhar para o alto. A sua origem fez de Heitor dos Prazeres um artista sensível à vida e à cultura das favelas cariocas. Alcançou em 1951 o terceiro lugar para artistas nacionais na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, com o quadro Moenda. Ganha uma sala especial na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953. Cria cenários e figurinos para o Balé do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Em 1965, Antônio Carlos Fontoura produz um documentário sobre sua obra.

Morre no dia 04 de outubro de 1966 no Rio de Janeiro.

Legado.

Em 1999, é realizada mostra retrospectiva no Espaço BNDES e no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), em comemoração ao centenário de seu nascimento. Em 2003 foi publicado o livro “Heitor dos Prazeres: Sua Arte e Seu Tempo” da jornalista Alba Lírio

“Heitor se encontra ao lado dos artistas mais importantes para o desenvolvimento da cultura do Brasil e a proximidade com os elementos da cultura afro, consequentemente com todos os encantos e influências vindas de África fazem do artista um dos principais tradutores da história das primeiras gerações de negros que cresceram na pós-escravidão”.


As obras de Heitor dos Prazeres encontram-se expostas 
em museus de vários países.

Obra: Voltando do roçado, 1961.

Obra sem título.

Obra: Carnaval.

Obra: Favela, 1965.


                     


domingo, 1 de março de 2026

KK's Priest

KK's Priest

" Não se pode manter uma lenda do heavy metal no chão "

" O pecador cavalga novamente "

" A chama do metal clássico está acesa "

" Os duelos de guitarra velozes continuam "

" As lutas contra as tempestades da vida continuam "

KK's Priest é uma banda inglesa de heavy metal, formada pelo ex-guitarrista do Judas Priest, KK Downing, no ano de 2019.

História

Downing deixou o Judas Priest em 2011, citando "uma deterioração contínua nas relações de trabalho entre mim, elementos da banda e a gerência há algum tempo". Ele não se apresentou ao vivo novamente até 2019, quando tocou no festival Bloodstock Open Air com o ex -guitarrista do Manowar, Ross the Boss.

Ele também fez um show único em Wolverhampton em 3 de novembro de 2019, junto com os ex-membros do Judas Priest Tim "Ripper" Owens (vocal) e Les Binks (bateria), o então baixista do Megadeth, David Ellefson, e o guitarrista do Hostile, AJ Mills.

Em janeiro de 2020, Downing assinou com a Explorer1 Music Group, que o colocaria em contato com o veterano empresário Andy Gould, e anunciou que trabalharia em músicas totalmente novas. No mês seguinte, foi anunciado que Downing havia formado uma nova banda, KK's Priest, com Mills, Owens e Binks e o baixista Tony Newton.

O álbum de estreia da banda, Sermons of the Sinner, estava originalmente programado para ser lançado em 20 de agosto de 2021, mas foi adiado para 1 de outubro.

Um videoclipe para o primeiro single do álbum, "Hellfire Thunderbolt", foi lançado em 12 de maio de 2021. No entanto, Binks não participou do álbum devido a uma lesão no pulso e foi substituído pelo baterista do Cage, Sean Elg. Mais tarde, Binks ocasionalmente se apresentaria ao vivo com o KK's Priest.

Ao falar com a KNAC em junho de 2021 sobre Sermons of the Sinner , Downing disse que já estava trabalhando em material para o próximo álbum, que seria mais um esforço colaborativo do que o primeiro álbum. Em 2023, o KK's Priest lançou seu segundo álbum, The Sinner Rides Again.



DiScOs ÍnCrÍvEiS: Robin Trower

Robin Trower 
'One Moment in Time: Live in the USA'

Qualquer artista que esteja em turnê há mais de 50 anos e tenha lançado mais de duas dezenas de álbuns de estúdio provavelmente já lançou pelo menos algumas gravações ao vivo. O guitarrista de blues/rock Robin Trower não é exceção.

No entanto, o mais recente, 'One Moment in Time: Live in the USA', lançado em 30 de janeiro, é sua primeira gravação oficial de um show desde o registro da turnê de 2009 com Jack Bruce. Trower gravou 10 títulos desde então, então ele não está marcando toda sua história ao vivo como os Rolling Stones, que lançam CDs e DVDs ao vivo após quase todas as turnês, mas sim álbuns pontuais de todas as suas fases.

Estas 14 faixas, divididas entre material antigo e mais recente, foram escolhidas a dedo de algumas apresentações de junho de 2025 com sua formação atual de dois integrantes (baixo/bateria). Apenas uma música foi selecionada do álbum "Come and Find Me", de 2025, e as outras quatro foram retiradas de "No More Worlds to Conquer", de 2022.

Trower até mesmo participa com a adorável e melancólica balada “Daydream”, fazendo referência ao seu álbum de estreia de 1973. Ele expande a duração de seis minutos da música para o dobro com um solo característico, contemplativo, envolvente e flutuante, que aumenta em intensidade à medida que a banda fornece o acompanhamento minimalista.

Revitalizando quatro faixas essenciais de "Bridge of Sighs" (1974), sua obra mais marcante, executadas com a energia necessária e seguindo os arranjos originais, o álbum mantém os fãs antigos satisfeitos por 30 minutos. Mas ainda mais interessantes são as raridades inseridas no repertório, que apenas os fãs mais dedicados reconhecerão.

Talvez prestando homenagem ao falecido Jack Bruce, com quem gravou três álbuns impressionantes, porém pouco reconhecidos, Trower revive “Distant Places of the Heart” (2008) e o blues lento de “It's Too Late” (1981), faixas menos conhecidas que merecem ser revisitadas. Esta última nos lembra como o timbre encorpado e visceral do guitarrista se encaixa perfeitamente com o andamento mais moderado. O atual baixista, Richard Watts, se sai bem, mas não chega aos pés de Bruce nos vocais (quem chega?), e ninguém consegue substituir o inimitável vocalista James Dewer, da primeira formação de Trower.

Robin Trower, Chris Taggart e Richard Watts.

O guitarrista retorna a 1977, resgatando o funk fluido de “Somebody's Calling” e expandindo-o para oito minutos. É um dos muitos itens negligenciados em um extenso catálogo que raramente aparece em suas inúmeras coletâneas de sucessos. Aqueles que procuram um som mais pesado apreciarão “Rise Up Like the Sun”. Este rock obscuro do álbum '20th Century Blues', de 1994, muitas vezes esquecido, está muito melhor do que a versão inicial, que foi prejudicada por um vocalista pouco convincente e uma produção fraca.

Até mesmo a inescapável faixa-título de 'Bridge of Sighs', que apareceu em todas as coletâneas ao vivo anteriores, ganha uma interpretação poderosa, também estendida para quase o dobro de sua versão de estúdio, com o toque onírico de Trower e um solo espiralado em uma canção que permanece tão envolvente e fascinante hoje quanto em 1974.

Aos 80 anos, a técnica instrumental de Trower, e sua sonoridade blues com toques psicodélicos, não mudaram substancialmente, resultando em uma fluidez consistente ao longo dos generosos 77 minutos de duração do disco.

Sem se deixar abalar por tendências passageiras ao longo das décadas, o estilo de Trower, inspirado em Hendrix, nunca soou datado ou mesmo retrô. Seu alcance se expande ocasionalmente com uma abordagem emotiva em "United State of Mind" de 2020, com a participação do cantor Maxi Priest, e dividindo os holofotes em 2023 com a vocalista de jazz/blues Sari Schoor.

Mas em 'One Moment in Time; Live in the USA', ele enfatiza o som encorpado e direto que o manteve como atração principal nos últimos 50 anos. Essa abordagem, que permanece sua marca registrada, é algo que poucos conseguem imitar.

“Chapado demais”



sábado, 28 de fevereiro de 2026

Meio Ambiente: Vitalogy Foundation - Pearl Jam

 Vitalogy Foundation: Pearl Jam


A Vitalogy Foundation é uma organização sem fins lucrativos (501c3) fundada pelo Pearl Jam para traduzir o espírito de sua música em impactos positivos tangíveis. 

Para maximizar seu efeito, a Vitalogy atua tanto como defensora quanto como doadora.

No trabalho coletivo da banda, a Fundação concentra-se em três áreas principais.

Meio Ambiente:

Existe um motivo pelo qual o Pearl Jam tem se envolvido ativamente em causas ambientais durante a maior parte de seus 30 anos de existência: temos um planeta lindo e queremos fazer a nossa parte para protegê-lo.

Mitigação de Carbono

Desde 2003, o Pearl Jam calcula as toneladas métricas de dióxido de carbono emitidas pelas turnês mundiais da banda. Esses cálculos são baseados em passagens aéreas e estadias em hotéis da banda e da equipe, quilometragem de caminhões e ônibus, peso do transporte (quilômetros/modalidade de transporte) e o número de fãs presentes em cada show. Com base nesse cálculo, a banda destina uma parte dos lucros das turnês para investir em projetos ambientais que visam compensar ou mitigar o dióxido de carbono liberado na atmosfera durante as turnês.

Pessoas sem-teto:

A empatia transformada em ação define o trabalho da banda no combate à falta de moradia, um problema que a Vitalogy acredita poder ser resolvido por meio do trabalho conjunto e de um maior engajamento cívico.

Causas Indígenas:

O Pearl Jam tem trabalhado discretamente nos bastidores com algumas das comunidades mais negligenciadas e desassistidas do mundo há décadas.

Pearl Jam

Pearl Jam
' Do Grunge ao Cult '

O Pearl Jam, membros do Hall da Fama do Rock and Roll, venderam mais de 85 milhões de álbuns em todo o mundo. Com mais de trinta anos de apresentações ao vivo, doze álbuns de estúdio e centenas de gravações piratas de shows ao vivo lançadas oficialmente, a banda continua a ser aclamada pela crítica e um sucesso comercial. Seu mais recente álbum, Dark Matter.


Desde sua origem, o som diferenciado do Pearl Jam – menos barulhento e mais melódico, se comparado aos seus contemporâneos como Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains, por exemplo – garantiu lugar de destaque entre as bandas que surgiram no cenário grunge na década de 90.

Hoje, mais como uma banda Cult, eles possuem seguidores fiéis, cultuados por um grupo de fãs ávidos. São admiradores e consumidores mesmo após não estar mais a banda em evidência, devido à produção e projetos filantropos. Muitas obras e fundações, como a "Vitalogy Foundation", fazem a banda atingirem status de cult depois que suas "vidas úteis" supostamente expiraram.

História

A banda Pearl Jam nasceu em Seattle, o berço do grunge na década de 90. Foi formada por músicos que já traziam certa bagagem, e eram conhecidos na cena antes de se juntarem para formar a banda. O baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard remanescentes da banda "Mother Love Bone", precurssora do chamado "movimento grunge", foram os responsáveis pela formação original do Pearl Jam.

Depois do fim de várias bandas em que vinham tocando juntos, Jeff e Stone gravaram uma fita demo com três músicas instrumentais, juntamente com o guitarrista Mike McCready que nessa altura já havia adentrado na banda. A fita chegou às mãos de um cantor que morava em San Diego, chamado Eddie Vedder. Eddie gravou seus vocais por cima da base instrumental e mandou a fita de volta, com suas composições. E, assim que ouviram, encontraram a peça que faltava para o nascimento do Pearl Jam.

Rapidamente a banda ganhou reputação e assinou um contrato com a Epic Records, lançando em 1991 o primeiro álbum: “Ten”. O álbum foi um sucesso e emplacou vários hits nas rádios e na televisão, como “Alive”, “Oceans”, “Jeremy” e “Even Flow”. Vale ressaltar que esse foi um dos poucos álbuns da história do rock que foi tocado inteiro nas rádios.

E é nessa época que surge o famoso mascote da banda, chamado de "Stickman", um símbolo criado pelo baixista Jeff Ament no início da década de 90, aparecendo pela primeira vez no encarte do álbum Ten (1991). Segundo o baixista, ele representa a liberdade e energia crua. O boneco de traços simples tornou-se símbolo da atitude grunge da banda, frequentemente associado à música "Alive" e à resistência.

Em 1993 o Pearl Jam já era um sucesso. Participaram de filmes e especiais, e ganharam o MTV Video Music Awards de melhor banda de Hard Rock / Heavy Metal, Melhor Vídeo de Grupo, Melhor Diretor e Vídeo do Ano pelo clipe provocativo e reflexivo de “Jeremy”. No final de desse ano lançaram o segundo álbum “Vs”, álbum que, até recentemente, era dono do recorde de mais rápida vendagem da história – em apenas 24 horas foram vendidas 350 mil cópias.

O álbum seguinte, “Vitalogy”, lançado em 1994, não obteve o sucesso estrondoso do álbum anterior, porém, a banda continuava fazendo muitos shows e mantendo fiel sua legião de fãs. Curiosamente, o álbum foi lançado primeiro em vinil, e apenas duas semanas depois em cassete e CD. O vinil alcançou o número 55 da parada da Billboard, enquanto o CD chegou à primeira posição.

Em 1995 gravam um novo disco: “No Code”. O quinto disco, “Yield”, foi lançado em 1998. Após seis anos sem produzir videoclipes, lançaram o vídeo de “Do the Evolution”, em animação. A turnê nos Estados Unidos desse ano resultou na gravação de um álbum ao vivo, o “Live on Two Legs”. Nesse mesmo ano, o baterista é substituído por Matt Cameron, ex-integrante do Soundgarden, que ficou integrante definitivo da banda até hoje.

Em 2000 o Pearl Jam lança o disco “Binaural”, com um som menos agressivo, que marcou o início da carreira. Em maio desse ano, a turnê pela Europa foi interrompida de forma trágica no Festival de Roskilde, na Dinamarca. Durante o show, nove pessoas morreram pressionadas contra a frente do palco. Em respeito aos fãs e devido ao abalo emocional da banda, eles decidiram cancelar a turnê, mesmo faltando dois shows para finalizá-la. Anunciaram que não participariam mais de festivais.

Dois anos depois, chega o “Riot Act” com o single “I am Mine”. O som mais agressivo e as performances ao vivo estavam de volta, com o vocalista Eddie Vedder criticando duramente o presidente americano George W. Bush e a guerra no Iraque durante suas apresentações.

Os lançamentos do Pearl Jam em 2003 foram a coletânea de b-sides “Lost Dogs” e o DVD “Pearl Jam at the Garden”. Em 2006, um álbum homônimo à banda é lançado. E em 2009, o CD “Backspacer” é lançado e chega ao primeiro lugar da Billboard. Em 2011, lançam mais um álbum ao vivo, “Live On Ten Legs”.

"Lightning Bolt", o décimo álbum da carreira, foi o de maior tempo entre seus lançamentos. Muito antecipado pela ótima recepção dos dois primeiros singles – a acelerada “Mind Your Manners” e a emocional “Sirens” – Lightning Bolt rapidamente se tornou o trabalho mais aguardado do Pearl Jam em muitos anos. Talvez o mais antecipado globalmente desde que Binaural (2000) criou muitas expectativas criadas pelo anterior Yield (1998). Os verdadeiros fãs da banda certamente irão apreciá-lo, pois representa a essência da música honesta e consistente da banda, que não oscila e é concebida de forma singular.

Os fãs do Pearl Jam são únicos e estar em um show da banda é uma experiência incomparável. Os fãs são sérios e 100% devotados à banda. É quase como estar no meio de uma reunião de culto, e a empolgação gerada é tão intensa que chega a ser um pouco alarmante no início. O público fica hipnotizado por cada palavra de Vedder; é um evento imperdível, sem dúvida.

Em 2020, ano da pandemia por covid-19, é lançado o álbum "Gigaton", com essa pegada de processar e atualizar os problemas reais da humanidade. Coesa e competente como sempre, a banda fez um disco alinhado com as preocupações do novo milênio (ou que deveriam realmente ser preocupações).

Da capa com uma geleira derretendo, passando pelas letras que expõem e alertam sobre os riscos da não ação nas questões ambientais e climáticas e criticam a inércia e a má vontade de quem deveria fazer algo, todos os 57 minutos giram no entorno. Até a economia no virtuosismo instrumental serve para deixar a mensagem mais seca e direta, e talvez por isso mesmo, mais impactante. É o rock do século XXI.

O último álbum da banda, "Dark Matter", lançado em 2024, trouxe uma explosão audível nas canções do disco, com letras mais políticas que consagraram a banda; a própria faixa-título usa acordes em tom maior para propor uma reflexão sobre a ignorância, a ausência de empatia e intolerância nos dias atuais, com Eddie Vedder entoando gritos de doer as cordas vocais em alguns momentos do disco. 

O álbum faz um retorno às raízes, enaltecendo o refinamento e a consagração não necessariamente tornando os membros do Pearl Jam intocáveis — mas ainda interessados em agradar velhos fãs e atrair novos com uma roupagem moderna.

O Pearl Jam nos mostra que para continuar andando para a frente é necessário e urgente pensar em como consertar atitudes ruins de um passado não tão distante, e que podem não permitir que tenhamos um futuro.