Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sábado, 13 de junho de 2026

Nazareth


Nazareth
O mais puro e autêntico Rock!

O Nazareth é hoje considerado uma das bandas mais influentes no cenário do rock, sobretudo entre aquelas que ainda continuam em atividade. Apesar das muitas dificuldades encontradas pelo caminho, a banda resiste e se nega a parar com seu rock puro e autêntico. A trajetória de sucesso destes escoceses tem sido atualmente considerada um ótimo exemplo para os músicos que estão em início de carreira, bem como para aqueles que sentem-se desestimulados após alguns fracassos na busca do sucesso. O motivo é que os veteranos Dan McCafferty e Pete Agnew jamais desanimaram diante das adversidades encontradas.
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História da Banda

Banda de rock escocesa formada na cidade de Dunfermline, nos anos 1960, pelo vocalista Dan McCafferty, o guitarrista Manny Charlton, o baixista Pete Agnew e o baterista Darrell Sweet. A banda teve vários sucessos, entre eles a composição de Felice e Boudleaux Bryant, "Love Hurts", nos anos 1970.

As origens do Nazareth remontam a 1961, ano em que Pete Agnew fundou o "The Shadettes". A primeira formação deste grupo foi: Pete Agnew (guitarra e vocal), Brian 'Pye' Brady (guitarra), Alfie Murray (guitarra), Alan Fraser (bateria) e Bobby Spence (baixo). O grupo ganhou consistência nos anos de 1964 e 1965, com as chegadas do baterista Darrel Sweet e o vocalista Dan McCafferty. Em 1968, dois acontecimentos muito importantes na história da banda: a entrada do lendário guitarrista Manuel Charlton e a mudança do nome para Nazareth. Até então o grupo limitava-se a fazer covers, porém, com Manny Charlton integrado ao grupo, os escoceses passaram a compor material próprio.

Após todos os integrantes se mudarem para Londres, a banda entra em estúdio e lança seu primeiro disco: Nazareth, de 1971. Tendo somente uma faixa cover, Morning Dew (Bonnie Dobson/Tim Rose), eles já puderam demonstrar nesse primeiro álbum composições experimentais com muita personalidade e a pegada rock e pesada que seria a marca registrada da banda. Porém, pouco tempo depois, em 1972, eles fizeram o inesperado, trouxeram canções mais calmas e palpáveis, trazendo um estilo mais folk, e contrariando todos os especialistas da música com o seu segundo álbum - Exercises - considerado o trabalho mais leve já realizado pela banda.

Em 1973, a banda procurava por um produtor para seu próximo álbum, que haveria de ter um som bem mais pesado que o anterior. A escolha não poderia ter sido melhor, Roger Glover baixista do Deep Purple. Segundo Dan McCafferty: "Roger Glover acabou envolvendo-se naquele álbum, pois o Nazareth estava abrindo para o Deep Purple na parte inglesa da turnê. Estávamos procurando um produtor, e então tocamos nossas demos para o Roger, que obviamente já havia nos visto ao vivo. Ele gostou do material e fomos para o estúdio. Tudo foi muito simples, pois todos sabíamos o que queríamos dentro da banda, e o Roger, por estar em turnê conosco, também sabia".

A banda teve que acelerar o processo de composição e finalizar praticamente duas músicas por dia. Gravaram tudo em duas semanas. Teve que ser um trabalho bem objetivo. Assim, surgiu Razamanaz, que lançou o Nazareth ao mainstream e culminou com duas músicas qualificadas entre as dez mais tocadas no Reino Unido - "Broken Down Angel" e "Bad Bad Boy".

Os dois álbuns que se seguiram, Loud 'N' Proud de 1973 e Rampant de 1974, também foram produzidos por Roger Glover, e ambos mantiveram o mesmo nível de qualidade. O mais famoso álbum do Nazareth, Hair of the Dog, foi produzido pela própria banda e lançado em 1975, sendo um marco para o Rock dos anos 70. Sua interpretação da música dos Everly Brothers "Love Hurts" resultou em disco de platina. A este seguiram-se outros dois álbuns que estão no Top 100 do Billboard 200: Close Enough for Rock 'n' Roll de 1976 e Expect No Mercy de 1977. Essa foi, talvez, a fase mais criativa da banda.

Em 1978, o guitarrista Zal Cleminson (The Sensational Alex Harvey Band) juntou-se ao grupo, gravando apenas dois álbuns com o Nazareth. Zal, todavia, deixou sua marca: seu dueto com Manny Charlton no álbum No Mean City, de 1979, é até hoje lembrado como um dos melhores trabalhos com "duelos" de duas guitarras já realizados em estúdio. Após o lançamento de Malice In Wonderland de 1980, Zal Cleminson foi substituído pelo guitarrista Billy Rankin, que na época tinha apenas 19 anos.

Nos anos 80, o sucesso da banda já não era mais o mesmo, mas eles continuaram na estrada, procurando novos caminhos para o grupo. Em 1981 gravaram The Fool Circle, e o festejado Snaz, álbum originado de um show realizado pelos escoceses em Vancouver, Canadá, no dia 13 de maio daquele ano.

O álbum 2XS, de 1982, trouxe as faixas "Love Leads To Madness" e "Dream On", que marcaram o retorno do Nazareth às rádios do mundo inteiro. A primeira delas, inclusive, foi um grande sucesso da trilha sonora da novela global "Sol de Verão". Porém, nos dois álbuns seguintes, Sound Elixir de 1983 e The Catch de 1984, a banda recebeu fortes críticas, sendo acusada de deixar um pouco de lado o rock and roll e se dedicar a um som mais pop. 

A balada "Where Are You Now?" foi o único hit deste período conturbado. Billy saiu da banda em 1983 e o Nazareth voltou, assim, ao seu quarteto original. O álbum Cinema, de 1986, trouxe de volta ao repertório da banda o seu rock competente, mas isso não foi suficiente para resgatar o grande sucesso dos anos 70.

Em 1990 foi a vez de Manny Charlton deixar a banda, para dedicar-se à carreira de produtor. Com isto, Billy Rankin foi chamado novamente, desta vez com a difícil tarefa de substituir o excelente guitarrista. Muitos pensaram que a saída de Manny colocaria um ponto final na carreira do Nazareth, mas o amor ao rock levou os escoceses a continuarem na estrada. Billy, por sua vez, mostrou-se à altura do cargo.

No ano de 1992, o álbum No Jive foi muito bem recebido e devolveu ao Nazareth parte do prestígio que havia sido abalado nos anos 80. Em dezembro de 1994, Billy deixou o Nazareth pela segunda vez e Jimmy Murrison foi escolhido como substituto. 

Em 1995, a banda teve a entrada do experiente tecladista Ronnie Leahy. Isso resultou no álbum Boogaloo, lançado em 1998. Esse disco foi muito pouco divulgado, mas certamente ele foi o retorno definitivo da banda ao rock pesado, e hoje é considerado um dos melhores álbuns já lançados pela banda.

Em 30 de abril de 1999 ocorre o inesperado: o baterista Darrel Sweet falece, vítima de um fulminante ataque cardíaco, minutos antes de um show que a banda realizaria nos Estados Unidos, na primeira parte da turnê de divulgação deste novo trabalho. Após uma pequena pausa de alguns meses para absorver o duro golpe pela morte do amigo, os veteranos escoceses encontraram forças para voltar à estrada. Pete chamou seu filho Lee Agnew, que era roadie e técnico de bateria de Darrel, para substituí-lo: o Nazareth estava de volta para continuar a turnê do álbum Boogaloo.

A banda também lançou o aguardado show gravado ao vivo - Homecoming - onde os talentosos músicos da banda mostram que continuam em plena forma. Em 2003, Ronnie resolve sair do grupo e o Nazareth volta a ter o line-up tradicional: vocal, guitarra, baixo e bateria. 
Os shows From The Beginning e Live From Classic T Stage foram lançados no ano de 2005 e retratam dois momentos distintos da carreira da banda: o primeiro traz várias passagens dos anos 70 e o segundo foi gravado no mesmo ano de seu lançamento, em Londres.

O Nazareth excursionou por terras tupiniquins em diversas oportunidades. A primeira delas foi em dezembro de 1990, época em que a formação da banda era: Dan McCafferty (vocal), Pete Agnew (baixo/vocais), Billy Rankin (guitarra) e Darrel Sweet (bateria). Na cidade de São Paulo fizeram shows no extinto Dama Xoc e, no mesmo final de semana, foram a atração internacional da festa comemorativa dos 5 anos da Rádio 89 FM. Apresentaram-se também em Santos, no extinto Caiçara Music Hall.

A banda retornou em setembro de 1995, com a mesma formação da turnê de 1990, desta vez dividindo o palco com os camaradas do Uriah Heep. Esta foi a turnê de divulgação do álbum Move Me, trabalho que deve ser creditado em boa parte ao guitarrista Billy Rankin, que compôs a maioria das músicas. Outros bons álbuns foram lançados até os dias atuais como: The Newz (2008), Big Dogz (2011), Rock 'n' Roll Telephone (2014) e Tattooed On My Brain (2018), sempre honrando e mantendo o rock and roll vivo!

Os escoceses estão em turnê comemorando os mais de 55 anos de carreira da banda. Com um novo vocalista, Gianni Pontillo, a formação atual inclui o baixista Pete Agnew (membro original), o guitarrista Jimmy Murrison e o baterista Lee Agnew.

Nazareth, o mais puro e autêntico rock 'n' roll !!
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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Scorpions


Scorpions

' A trajetória da banda nos anos de Hard Rock '

Como muitos jovens nascidos na Alemanha do pós-guerra, Klaus Meine e Rudolf Schenker foram influenciados pela música e outros prazeres que enriqueceram a vida e que foram trazidos para sua terra natal – Elvis Presley, Little Richards, Chuck Berry, calças jeans e as jaquetas de couro – pela cultura do rock 'n' roll. Desde cedo, ambos sentiram um desejo irresistível de pegar uma guitarra e brilhar sob os holofotes. No início da década de 1960, os The Beatles deram início à revolução beat.
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História e cronologia dos anos 1965 - 1984

1965 - 1971

Em meados da década de 1960, Klaus Meine e Rudolf Schenker, ambos abençoados por terem pais progressistas, também puderam subiram ao palco com suas bandas beat. Em 1965, Rudolf Schenker fundou os Scorpions em Hanover. O irmão mais novo de Rudolf, Michael Schenker, era apaixonado pela música beat e pela crescente cultura do rock. As primeiras influências do guitarrista e compositor Rudolf Schenker foram os riffs crus de bandas como The Yardbirds, Pretty Things e Spooky Tooth, que na época eram consideradas verdadeiros roqueiros. No Ano Novo de 1970, o irmão mais novo de Schenker, Michael, que apesar da pouca idade já havia se destacado como um guitarrista excepcional, deixou o grupo Copernicus, de Hanover, junto com o cantor e compositor Klaus Meine, para se juntar ao Scorpions de Rudolf Schenker. Rudolf Schenker e Klaus Meine formaram a dupla de compositores Schenker/Meine, lançando assim as bases para uma história de sucesso espetacular.

1972

Em 1972, os Scorpions finalmente lançaram seu notável álbum de estreia, Lonesome Crow, produzido por Conny Plank em Hamburgo. Os elementos vocais e instrumentais que, ao longo dos anos, desenvolveriam o som típico e inconfundível dos Scorpions já eram reconhecíveis: um hard rock intransigente, focado na guitarra, na linha do que Jimi Hendrix, Cream e Led Zeppelin produziam em meados da década de 1960. O estilo distintivo dos Scorpions vinha da combinação de duas guitarras elétricas, uma fusão de riffs poderosos e fabulosos com solos de guitarra exuberantes e deslumbrantes. A isso se somava a voz inconfundível do vocalista e líder Klaus Meine, com sua interpretação expressiva e refinada. O primeiro álbum, Lonesome Crow, colocou a banda no caminho do sucesso internacional. Os Scorpions fizeram turnês como banda de apoio para o guitarrista bluseiro Rory Gallagher, e para as bandas Uriah Heep e UFO.

1974

Em 1973, após uma turnê conjunta com a banda britânica UFO, Michael Schenker recebe um convite e resolve se juntar a eles. Ele foi substituído como guitarrista principal do Scorpions por Ulrich Roth (Uli Jon Roth). Roth também era um guitarrista excepcional com um talento quase místico, vindo da "escola Hendrixiana" do modo de tocar guitarra. Como Ulrich Roth compunha e cantava, o Scorpions continuou a explorar e desenvolver o gênero hard rock com firmeza. Na década de 1970, o Scorpions realizou turnês pela Europa Ocidental, tocando em inúmeros locais e conquistando um país após o outro. Eles se apresentavam onde quer que houvesse um lugar para conectar seus instrumentos. Em 1973, acompanharam a banda The Sweet em sua primeira turnê europeia. 

O SCORPIONS gravou quatro álbuns de estúdio espetaculares com essa formação. Fly to the Rainbow (1974) apresenta um heavy rock sólido e energético, nunca antes ouvido de uma banda alemã. A faixa-título, Speedy's Coming, exemplifica o estilo ultra-hard rock do Scorpions combinado com melodias cativantes. A partir do seu terceiro LP, In Trance (1975), eles começaram a trabalhar com o renomado produtor internacional Dieter Dierks. A partir daí, consolidaram sua carreira no hard rock. In Trance foi o álbum mais vendido da RCA no Japão, onde uma verdadeira febre pelos Scorpions se instaurou. Em 1975, os Scorpions fizeram uma turnê pela Europa, dividindo o palco com o KISS.

1975

Na Alemanha, naquele mesmo ano, foram eleitos o melhor grupo ao vivo. Durante sua primeira turnê pelo Reino Unido, em 1975, os Scorpions entraram no que poderia ser chamado de "cova dos leões", tocando no lendário Cavern Club, em Liverpool. No berço do hard rock, conquistaram a simpatia dos fãs britânicos mais fervorosos. Shows no renomado Marquee, em Londres, foram outros pontos altos de meados da década de 1970. Os Scorpions alcançaram sua ambição de se tornarem a principal banda alemã de hard rock quando seu quarto álbum, Virgin Killer (1976), ganhou o prêmio de "Álbum do Ano" na Alemanha. No Japão, Virgin Killer lhes rendeu seu primeiro Disco de Ouro. Seu álbum seguinte, Taken by Force (1977), também recebeu um Disco de Ouro japonês. Em 1978, os Scorpions fizeram uma turnê pelo Japão, mas logo após a turnê o guitarrista e compositor Uli Jon Roth deixa a banda para seguir carreira solo formando a banda ELECTRIC SUN.

1978

O ponto alto e a conclusão do período de Ulrich Roth nos Scorpions é o álbum duplo Tokyo Tapes (1978), que ainda hoje é apreciado em todo o mundo como item de colecionador. Michael Schenker, brevemente, retorna para a banda e substituiu o guitarrista principal gravando várias músicas que entraria no álbum seguinte Lovedrive de 1979. Em 1978, um anúncio apareceu na Melody Maker: os Scorpions estavam procurando um novo guitarrista solo. 

Em Londres, eles fizeram audições com 140 candidatos, antes de escolherem Matthias Jabs, nascido em Hanover. Jogado de cabeça na banda, Jabs imediatamente se juntou a eles para terminar de gravar e lançar Lovedrive, que estava em produção na época. O álbum se tornaria o maior triunfo comercial do grupo até então e continua sendo um dos melhores álbuns dos Scorpions. A capa recebeu um prêmio de melhor arte gráfica do ano. Em 1979, Michael Schenker voltou aos Scorpions por um curto período, mas deixou a banda durante uma turnê. Em 1980, ele fundou o MSG, o Michael Schenker Group. 

Como uma banda de rock atuando no cenário internacional, os Scorpions já haviam criado sua própria identidade musical. Na década de 1980, eles construíram uma base de fãs considerável nos Estados Unidos. O Van Halen lançou sua carreira musical em meados da década de 1970 com covers de músicas dos Scorpions: "Speedy's Coming" (do álbum Fly to the Rainbow) e "Catch Your Train" (do álbum Virgin Killer). A banda abraçava definitivamente o hard rock e o heavy metal.

1979

O sétimo álbum da banda, Lovedrive, foi lançado nos EUA em 1979 e foi o primeiro trabalho dos SCORPIONS a receber um Disco de Ouro por lá. O álbum Animal Magnetism veio em seguida, em 1980. Com esses dois álbuns, a banda finalmente alcançou o sucesso na América do Norte. Em sua segunda turnê pelos EUA, os Scorpions foram a atração principal. A era das turnês gigantescas dos Scorpions havia começado. Após mais turnês mundiais de sucesso, em 1981, durante a gravação do próximo disco, Blackout, Klaus Meine perdeu a voz, e disse: "não quero atrapalhar o sucesso da banda". Klaus Meine decidiu sair.

1982

A relação próxima e de apoio dentro da banda, permitiram que o aparentemente impossível acontecesse. Após um longo período de reabilitação vocal e duas cirurgias nas cordas vocais, Klaus Meine superou o trauma. E não foi só isso: em 1982, ele ressurgiu com uma extensão vocal muito maior. Um crítico escreveu: "Deram a Klaus Meine cordas vocais para o metal". A decisão da banda de apoiar seu vocalista durante esse período conturbado provou mais tarde ser a mais crucial que os Scorpions tomaram em toda a sua carreira. Foi Klaus Meine quem, em 1989, compôs o grande sucesso "Wind of Change". Em 1982, em sua segunda turnê pelos EUA como atração principal, com o Iron Maiden como banda de abertura, os Scorpions promoveram seu álbum inovador, Blackout, com a impressionante capa criada por Helnwein. O single "No One Like You" e o LP alcançaram o Top 10 nos EUA, o LP foi eleito o Melhor Álbum de Hard Rock do ano e recebeu um Disco de Platina. Um sucesso sucedeu o outro, e na década de 1980 os Scorpions conquistaram os corações dos fãs de hard rock em todo o mundo.

1984 até os dias atuais.

Em 1984, os Scorpions se tornaram a primeira banda alemã de hard rock a tocar três shows consecutivos para 60.000 fãs no Madison Square Garden, em Nova York. Os Scorpions finalmente haviam escalado o Monte Olimpo do rock. Com três álbuns simultaneamente nas paradas americanas: ANIMAL MAGNETISM (1980), BLACKOUT (1982) e LOVE AT FIRST STING (1984), os Scorpions passaram dois anos na estrada, tocando como atração principal ou co-atração principal em todos os grandes festivais de rock que surgiram ao redor do mundo após Woodstock. 

A banda de heavy metal de Hanover tocou em todas as principais casas de shows de rock da América do Norte, Central e do Sul e da Europa. Na Ásia, tocaram na Malásia, Tailândia, Filipinas e Japão. Esta foi a era de ouro do heavy rock. Os Scorpions, com seu "rock melódico" refinado e incisivo, e o vocal poderoso e dramático de Klaus Meine, com suas notas agudas vertiginosas, tornaram-se o epítome do heavy rock. Bandas como BON JOVI, METALLICA, IRON MAIDEN e DEF LEPPARD, que mais tarde se tornariam mega bandas, foram bandas de abertura nas turnês mundiais dos Scorpions nessa época.

O álbum Love At First Sting de 1984 tornou-se um dos álbuns de maior sucesso na história do rock. Inclui os maiores sucessos dos Scorpions, como "Rock You Like a Hurricane", "Bad Boys Running Wild" e a obra-prima "Still Loving You". A revista Rolling Stone chamou os Scorpions de "os heróis do heavy metal". Os Scorpions foram admitidos no seleto clube dos 30 maiores grupos de rock do mundo. Sua balada "Still Loving You" tornou-se um hino internacional do rock. Só na França, o single vendeu 1,7 milhão de cópias. A música desencadeou uma onda de histeria entre os fãs franceses, algo que não se via desde os Beatles, e se tornou a marca registrada musical dos Scorpions em todo o mundo.

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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Eugene McDaniels

Eugene McDaniels
' A poética política '

"O presidente está em guerra,
ninguém sabe bem para quê.
Ninguém nos dá uma explicação.
Se houver uma dúvida, chamam isso de traição"

“Não precisamos ficar por aí nos odiando, nos xingando e agindo como idiotas, como fazem na Casa Branca, em Washington. Certo? Não queremos guerras, certo? Queremos um pouco de amor e paz neste mundo. Estamos fartos de guerras.”
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O Fora da Lei

Alguns pensavam que Gene McDaniels havia desaparecido por cinco anos, de 1965 a 1970. Alguns de seus antigos fãs achavam que seu primeiro álbum em cinco anos era algo completamente novo; não reconheceram o que ouviram em Outlaw. O que eles não perceberam é que não era nada novo, mas sim antigo, ancestral, há muito esquecido. Havia ecos de mitos arquetípicos que agitariam a alma humana, despertariam os sentidos adormecidos.

E ele nunca desapareceu de verdade. Durante um período de cinco anos com a Liberty Records, McDaniels tentou gravar algumas músicas de jazz próprias, mas foi rejeitado em favor das canções pop que o tornaram famoso. Finalmente, decidindo que já tinha aguentado o suficiente, ele abandonou a indústria fonográfica, culpando os "exploradores" — os executivos que exploravam os artistas.

Mas ele não desapareceu; voltou a tocar em clubes de jazz — primeiro com Les McCann na Costa Oeste, depois sozinho, percorrendo o circuito da Costa Leste. Quando o produtor da Atlantic Records, Joel Dorn, ainda era DJ na Filadélfia, ouviu dizer que McDaniels estava tocando em um clube de jazz da cidade.

A assinatura subsequente de McDaniels com a Atlantic Records não foi uma tarefa difícil, como Dorn destaca: “Donny Hathaway fez um arranjo de outra música de Gene McDaniels chamada 'Reverend Lee'. Então ele estava por perto!” E a Atlantic sabia que McDaniels era liricamente controverso, como seu trabalho até então comprovava. Lançada como single do álbum seguinte de Roberta Flack, Chapter Two , “Reverend Lee” — uma história, conduzida pelo piano elétrico funky de Donny Hathaway, sobre um reverendo que foi tentado por uma mulher que afirma: “Eu não colocaria nem Deus acima de você” — foi retirada das rádios (embora ainda tenha se tornado popular). Acreditando que seria outro sucesso, Dorn apoiou totalmente a música — ele imagina o pintor realista social Thomas Hart Benton retratando o reverendo, após pecar, ascendendo ao céu! — assim como a Atlantic quando decidiram lançá-la como single. “Veja o que acontece”, diz Dorn. “Pessoas da igreja negra, pastores negros, ou pessoas representando pastores negros, ficaram tão ofendidas com aquela música que ela foi retirada do rádio. Toda aquela questão de sensibilidade, sabe; ainda eram tempos de paranoia.” Alguns anos depois, em 1974, McDaniels refletiu sobre a decisão da Atlantic: “Essa música não foi feita para ser um single. Ela faz parte de um álbum, e eu a escrevi para esse propósito.”

A pequena controvérsia do "Reverendo Lee" não impediu a Atlantic de assinar um contrato de dois álbuns com McDaniels. McDaniels viu isso como uma oportunidade que talvez nunca mais tivesse, uma chance de defender aquilo em que acreditava política e filosoficamente. Seguindo o conselho de um numerólogo, ele se assumiu como Eugene McDaniels. Para combater a direita, ele se assumiu como o Reverendo McDaniels da Esquerda. Um fora da lei havia nascido.

Nascido em Kansas City na década de 1930, filho de um pastor, McDaniels cresceu cantando em corais, formou seu próprio grupo gospel aos onze anos e, mais tarde, frequentou o Conservatório de Música de Omaha. Tudo apontava para este momento. Amigos e músicos de estúdio participaram das gravações de Outlaw em 1970 , incluindo William S. Fischer como diretor musical e Joel Dorn como produtor. Ron Carter e Ray Lucas formaram uma seção rítmica sólida e vibrante, enquanto os guitarristas versáteis Hugh McCracken e Eric Weissberg trouxeram um som folk/country-rock único para o projeto. Weissberg havia trabalhado com Jim Croce, John Denver e Ian & Sylvia, trabalharia com Bob Dylan e mais tarde ficaria famoso por "Dueling Banjos", da trilha sonora de Amargo Pesadelo (Deliverance).

Esse som de guitarra dupla estigmatizou o álbum. Embora tenha sido resenhado pela Down Beat, uma revista de jazz, a maioria dos críticos o viu como um cantor folk dedilhando violão. Quando McDaniels levou o material para a estrada, tocando em clubes de jazz como o Baker's Keyboard Lounge em Detroit com os futuros músicos do Headless Heroes of the Apocalypse — Richie Resnicoff na guitarra, Gary King no baixo Fender, Alphonse Mouzon na bateria e McDaniels no violão — a revista Variety observou que “o Baker's é normalmente um clube de jazz e McCann e Flack são mais o público do local. Cantores folk, se é que McDaniels é isso, são raros em um ambiente tão pequeno e aconchegante”. 

O crítico continua dizendo que McDaniels se cercou de músicos de jazz “para acalmar parcialmente os receios dos ouvintes”, ignorando que a música de McDaniels é inerentemente jazz, inerentemente soul, inerentemente gospel. E não apenas no óbvio, como a faixa funky "Cherrystones", ou sua versão emocionante de "Reverend Lee", ou a introdução gospel-blues de "The Silent Majority" (uma música que ele apresentou posteriormente no Newport Jazz Festival com Eddie Harris em 1971, em um estilo vocal-jazz muito mais swingado, atenuando sua pegada vigorosa, se integrando à banda e permitindo que o saxofone de Harris assumisse parcialmente a liderança).
 
Até mesmo a cativante "Welfare City", conduzida pelo violão, possui uma alma mais profunda do que sua fachada folk. Embora as políticas nacionais e internacionais de Nixon sejam um tema recorrente no álbum, McDaniels também aborda a vida local na cidade de Nova York: "Eu moro no Bowery, perto de St. Marks, saio com a garotada no Washington Park" — relembrando os tempos pós-hippie, quando a realidade moderna atingiu em cheio os filhos das flores de Nova York, levando muitos jovens sem-teto para o Lower East Side a se tornarem ocupantes ilegais.

Leitores não familiarizados com a população de ocupantes ilegais de Nova York — ou aqueles que não se lembram do verão de 1996, quando Giuliani desalojou os últimos ocupantes ilegais — devem consultar o icônico (e cômico) romance de William Kotzwinkle, de 1974, "The Fan Man". O protagonista do romance, Horse Badorties, um ocupante ilegal habitual, está em uma missão para realizar o Love Concert no Tompkins Square Park, no Lower East Side. Ele vai à Igreja de Santa Nancy, no Bowery, em busca de ajuda. Ali, ele recruta garotas adolescentes fugitivas, a quem apelida de Coro do Amor, e as conduz às "alturas sublimes do canto", ensinando-as "a cantar a antiga música sacra, pouco conhecida do mundo, nunca ouvida em igrejas modernas, mas que descobri em antigos cofres, gavetas trancadas e esconderijos secretos de antigos túmulos".

O coro adotado por McDaniels é o Welfare City Choir, que, seguindo a tradição da Atlantic Records, convida amigos e familiares ou qualquer pessoa presente no estúdio naquele dia (como o produtor Joel Dorn) para participar de cantos e palmas festivos. Remetendo aos seus tempos de gospel em Omaha e, ainda mais além, à época em que a voz se tornou o principal instrumento musical, McDaniels explora o poder do coro. O Welfare City Choir se junta a McDaniels no refrão divertido — “La la la la, smoke a joint” — mas atinge um tom religioso, capturando o espírito de milhares de pessoas nas ruas, defendendo suas crenças.

Contudo, a honestidade e a autenticidade de McDaniels nem sempre foram reconhecidas. "Quando levei minhas músicas para as gravadoras pela primeira vez", disse McDaniels em 1975, "disseram que minhas canções não tinham alma suficiente. Do meu ponto de vista, a linguagem das ruas não é a única forma de comunicação. A linguagem das ruas é uma delas, mas nossa sociedade está evoluindo a ponto de aceitar algo de um artista negro que não seja tão comum nas ruas."

Quando Outlaw foi lançado, as pessoas tentaram categorizar McDaniels, pensando que ele era um homem negro fazendo música folk, o que aparentemente era um conceito novo para alguns. Mesmo reconhecendo e respeitando a perfeita fusão de jazz e folk, McDaniels transcendeu as classificações visuais e sonoras, canalizando uma verdade universal, algo ancestral e, obviamente, esquecido. Dorn comenta: “Para mim, ele era negro e branco ao mesmo tempo. [ Outlaw ] certamente não era um disco de R&B, sabe? Mas, sabe, o pai dele tinha uma igreja em Omaha: ele era pastor. Gene cresceu em uma igreja. Então, mesmo nas coisas mais abstratas que ele faz, há uma qualidade muito interessante de blues, jazz e R&B.”

Em 1975, no auge de sua carreira como compositor e produtor, McDaniels disse: “Não exploro artistas porque eles são fáceis de explorar. Meu interesse é levar o artista um passo adiante e não perder o potencial comercial de suas carreiras.”

“Não se esqueça”, diz Dorn, “que os álbuns eram impulsionados por singles naquela época”, e Outlaw não tinha nenhum single. “Ao mesmo tempo”, continua ele, “assim que entreguei o disco, recebi uma ligação do Jerry Wexler, dizendo: 'Cara, esse disco é fenomenal'. E eu estava gravando um disco por mês, então não sabia de qual ele estava falando. Eu disse: 'Sim, qual?' Ele disse: 'Como assim, qual? ​​O do Gene McDaniels!' E ele me disse: 'Ele é o Bob Dylan negro'.”

Sejamos honestos; nunca haverá pessoas suficientes que reconheçam a importância de um disco como este. Nunca haverá pessoas suficientes que se emocionem com “Love Letter to America”, pois uma canção como essa, nas mãos de um cantor menos talentoso, jamais teria o mesmo impacto. A música, com quatro minutos de duração, começa com apenas dois violões, abrindo caminho para a apresentação, por McDaniels, de suas crenças e preocupações mais profundas e emotivas sobre sua terra natal. É um documento musical importante e incisivo que detalha a relação complexa e agridoce entre a América e a experiência negra.

No discurso de Angela Davis.
Ei, América,
você poderia ter tido tudo do jeito que quisesse.
Você poderia ter sido uma verdadeira democracia.
Você poderia ter sido livre.

Ei, América,
você poderia ter me tido como amigo e não como inimigo.
Através da sua perversão, você insiste que eu tenho que ser
seu inimigo.

Eu poderia ter te amado mais,
mais do que você jamais saberá.
Você é minha pátria.

Aos vinte e três minutos, o baixo de Ron Carter entra para um interlúdio, onde McCracken e Weissberg interagem até que o som simples e seco da bateria de Ray Lucas e a percussão sutil de Buck Clarke dão início à música, com o piano de Mother Hen ecoando a tristeza de McDaniel, suas letras como um evangelho, cada respiração desafiando você a duvidar de sua convicção:

Ei, América,
a única coisa que você pode respeitar agora é a violência.
Você perdeu o dom do amor, não me pergunte como,
mas você o perdeu agora.

Ei, América,
eu preciso te amar mais do que você imagina.
Eu daria minha vida se pudesse salvar sua alma,
mas você envelheceu
e não consegue mudar.
Frio no seu coração,
e eu estou triste, triste.

Após um período afastado das telas, Gene McDaniels retornou à composição e produção musical, lançando três álbuns da cantora pop/jazz Carri Coltrane no final da década de 90. Ele também lançou um álbum solo de forma independente em 2004, intitulado Screams and Whispers.

Em 2010, McDaniels criou seu próprio site (From Pop to Provocation) e entrou nas redes sociais, publicando imagens de seu caderno — com textos impactantes para lembrar ao mundo o quão iconoclasta e provocativa sua voz realmente é.

Eugene McDaniels — nascido em 12 de fevereiro de 1935 — faleceu em sua casa no Maine em 29 de julho de 2011.


DiScOs InCrÍvEiS: Jimi Hendrix


JIMI HENDRIX
'Electric Lady Studios '

Electric Lady Studios: A Jimi Hendrix Vision traz as 39 faixas gravadas por Jimi com sua banda – composta pelo baixista Billy Cox e o baterista Mitch Mitchell – no estúdio nos últimos quatro meses de vida do guitarrista. Hendrix estava trabalhando intensamente na criação de “First Rays Of The New Rising Sun”, o ambicioso álbum duplo que sucederia sua obra-prima de 1968, “Electric Ladyland”. Inspirado pelas possibilidades do novo estúdio, a banda Experience construiu faixas clássicas como: “Night Bird Flying”, “Freedom”, “Dolly Dagger”, "Hey Baby (New Rising Sun)" e "Angel".

A Experience Hendrix L.L.C., em parceria com a Legacy Recordings, a divisão de catálogo da Sony Music Entertainment, lançou em 2024 o 'Electric Lady Studios: A Jimi Hendrix Vision', um box com 38 faixas inéditas, que foram gravadas pela "nova" formação do Jimi Hendrix Experience, com Billy Cox no baixo e Mitch Mitchell na bateria, no Electric Lady Studios, entre junho e agosto de 1970, pouco antes da morte prematura do lendário guitarrista no mês seguinte.

O projeto também inclui 20 novas mixagens de som surround 5.1 de todo o álbum “First Rays Of The New Rising Sun”, além de três faixas bônus – “Valleys Of Neptune”, “Pali Gap” e “Lover Man”.

O Blu-ray inclui o documentário aclamado pela crítica, “Electric Lady Studios: A Jimi Hendrix Vision”. O filme narra a criação do estúdio, que surgiu dos escombros de uma boate falida em Manhattan para se tornar uma instalação de gravação de última geração, inspirada pelo desejo de Hendrix de ter um estúdio permanente.

Dirigido por John McDermott e produzido por Janie Hendrix, George Scott e McDermott, o filme apresenta entrevistas exclusivas com Steve Winwood (que se juntou a Hendrix na primeira noite de gravação no novo estúdio), o baixista do Experience, Billy Cox, e membros originais da equipe do Electric Lady, que ajudaram Hendrix a realizar seu sonho. O documentário inclui imagens e fotos inéditas, bem como análises faixa a faixa de clássicos de Hendrix, como “Freedom”, “Angel” e “Dolly Dagger”, feitas pelo engenheiro de gravação Eddie Kramer.

O pacote inclui um livreto extenso, repleto de fotos inéditas, rascunhos manuscritos de músicas por Hendrix e notas detalhadas. O novo lançamento vem na esteira de outro documentário de longa-metragem criado pela mesma equipe: “Music, Money, Madness… Jimi Hendrix Live In Maui”, que foi indicado ao Grammy na categoria de Melhor Filme Musical em 2022.

Liderando o projeto está uma versão inédita de “Angel [Take 7]”. Esta nova versão remixada, mais simples, inclui as performances originais gravadas por Hendrix, Mitchell e Cox em 23 de julho de 1970. Não inclui os elementos de bateria e percussão adicional que Mitch optou por adicionar a essa gravação principal após a morte de Jimi.

O projeto oferece uma visão abrangente do trabalho que Hendrix realizou durante o produtivo verão de 1970. A música vai desde gravações demo em quatro faixas de “Valleys Of Neptune” e “Heaven Has No Sorrow”, arranjos alternativos de novas canções promissoras, como “Come Down Hard On Me” e “Belly Button Window”, até takes extraordinários, ao vivo no estúdio, de “Tune X/In From The Storm”, “Astro Man” e “The Long Medley”, uma exploração espontânea e comovente de 26 minutos de “Beginnings”, “Hey Baby (New Rising Sun)”, “Keep On Groovin’” e “Freedom”. 

Além disso, o box apresenta muitas das mixagens que o guitarrista completou com o engenheiro Eddie Kramer antes de partir para iniciar uma turnê europeia em 30 de agosto no festival Isle Of Wight, na Inglaterra. Hendrix nunca mais retornaria ao Electric Lady Studios. 

As faixas de áudio recém-mixadas incluem todas as 17 faixas do álbum “First Rays of the New Rising Sun” (lançado postumamente em 1997, gravado entre 1968-70), bem como “Pali Gap” de “Rainbow Bridge” (1971, gravado em 1970), “Lover Man” do box “The Jimi Hendrix Experience” (2000, gravado em 1970) e “Valleys of Neptune” de “Valleys of Neptune” (2010, gravado entre 1969-70).

O documentário explica em profundidade que, embora a morte de Jimi Hendrix tenha privado o público de muito potencial musical, o sucesso contínuo de seu estúdio de gravação oferece um legado duradouro além de sua própria música. John Lennon, The Clash, AC/DC, Chic, David Bowie, Stevie Wonder e centenas de outros fizeram gravações no Electric Lady Studios, o que atesta um dos legados duradouros de Jimi em uma indústria que mudou radicalmente ao longo do último meio século.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Guitar Slim

Guitar Slim
' A influência no R&B '

Embora tenha tido apenas alguns anos de fama, Eddie Lee “Guitar Slim” Jones estabeleceu um padrão lendário e influente para o panteão de guitarristas de blues que o seguiriam. Sua música de assinatura, “The Things That I Used to Do”, foi gravada em Nova Orleans em 1954 e se tornou um dos maiores sucessos de rhythm and blues (R&B) da década de 1950. Suas apresentações ao vivo se tornaram lendárias por combinar virtuosismo na guitarra elétrica com performances de palco extravagantes. Ele morreu aos 32 anos enquanto estava em turnê em Nova York e, embora tenha deixado um número limitado de gravações e nenhuma documentação em vídeo de seus shows ao vivo, permaneceu por décadas entre os guitarristas mais influentes surgidos da cena R&B de Nova Orleans.

Nascido em Greenwood, Mississippi, em 10 de dezembro de 1926, Jones cresceu nos campos de algodão do Delta do Mississippi, perto de Hollandale, criado por sua avó materna, Mollie Edwards, após a morte de sua mãe quando ele tinha cinco anos. Na adolescência, começou a frequentar os bares da região, onde ocasionalmente cantava e chamava a atenção como dançarino, ganhando os apelidos de "Eddie Pernas Flexíveis" e "Pernas de Borracha".

Aos dezoito anos, ingressou no serviço militar. Após sua dispensa em 1946, retornou ao Delta, onde o músico de blues Willie D. Warren o acolheu como cantor e o apresentou ao violão. Jones se apresentou por todo o Arkansas e Louisiana com Warren e Little Bill Wallace antes de migrar para Nova Orleans.

Inicialmente, Jones se apresentava nas ruas e em festas particulares, mas eventualmente integrou diversas bandas à medida que desenvolvia um estilo agressivo de guitarra, influenciado em grande parte por Gatemouth Brown. Ele começou a gravar para a Imperial Records aos 24 anos, época em que passou a se chamar "Guitar Slim". Aos 28 anos, lançou o sucesso estrondoso pelo qual seria mais lembrado, "The Things That I Used to Do", pela gravadora Specialty. A canção se tornou o maior sucesso de R&B de 1954 e um dos maiores sucessos do gênero na década de 1950, vendendo mais de um milhão de cópias. Nessa época, ele já havia desenvolvido uma persona extremamente extravagante, expressa tanto como guitarrista quanto como artista de palco.

Guitar Slim: “O artista mais talentoso tocando ao vivo”.

“Ele subia ao palco carregado nos ombros de seu mordomo pessoal, vestindo um terno vermelho vivo e sapatos vermelhos, com o cabelo tingido da mesma cor”, resumiu Paul Trynka, ex-editor da revista britânica MOJO , em 2000. “Seu jeito de tocar guitarra era o mais barulhento e sujo que já se viu no Sul, tocado em um volume ensurdecedor por um enorme amplificador. Depois de cantar no estilo apaixonado e comovente que Ray Charles mais tarde adotaria como modelo, ele corria para o meio da plateia com um cabo de guitarra de 60 metros, tocando solos frenéticos por todo o clube — às vezes com os dentes, às vezes com as mãos atrás das costas. Às vezes, ele subia até o teto, ainda tocando. Pelo menos uma vez, ele pulou para dentro de um carro que o esperava e fez um solo até sumir de vista, voltando depois ao palco sob aplausos entusiasmados.”

Fundamentalmente, Guitar Slim defendeu a guitarra elétrica como instrumento principal em conjuntos no gênero emergente do R&B muito antes de qualquer outro músico. "O público de R&B do início e meados da década de 1950 ainda estava acostumado a bandas que apresentavam saxofones estridentes como sua principal voz solo, lideradas por cantores de blues que mantinham seu trabalho com a guitarra em segundo plano em relação ao impacto dos vocais", explicou o historiador Robert Palmer, ex-crítico de música popular do New York Times . "Guitar Slim inverteu essas prioridades." Além disso, ele trouxe uma musicalidade inata à sua abordagem, colocando a guitarra elétrica em primeiro plano, estudando principalmente músicos do Texas, em vez dos bluesmen do Mississippi, predominantes onde ele cresceu. 

A influência sobre os guitarristas.

O compositor, guitarrista e cantor de Nova Orleans, Earl King, que se tornaria uma espécie de aprendiz de Guitar Slim como compositor, músico e intérprete, explicou: “Ele ouvia todos eles e compilava elementos de seus estilos — Gatemouth (Brown), T-Bone (Walker), B.B. King. Mas ele tinha uma abordagem diferente; seus solos continham muitas nuances melódicas. Ele costumava tocar um solo que se encaixava perfeitamente com o resto da música, em vez de simplesmente improvisar algo.”

Jones também levou as possibilidades sonoras da guitarra elétrica, então em ascensão, ao limite, criando uma nova paleta sonora no mundo do blues e do R&B do pós-Segunda Guerra Mundial. "Slim estava conseguindo distorção com timbre fuzz muito antes de qualquer outra pessoa", disse King. "Você não ouviu isso novamente até que artistas como Jimi Hendrix surgiram. Acredite ou não, Slim nunca usou um amplificador. Ele sempre usava um sistema de som, nunca um amplificador. Ele era um fanático por harmônicos e tinha esses pequenos alto-falantes de cone de ferro — o som passava por eles, e eu acho que qualquer vibração criava aquele som, porque Slim sempre tocava no volume máximo."

Enquanto isso, seus shows eram notórios — e incomparáveis. "Ele era o artista mais completo que eu já vi", disse King. "As pessoas dirigiam 320 quilômetros para vê-lo. E ele nem tinha lançado nenhum disco quando atraía esse público, o que era incrível. Ninguém conseguia superá-lo no palco, B.B. King, Little Richard, ninguém... Ele tinha algum tipo de magia, e até hoje eu ainda não consegui descobrir exatamente o que era."

Mas Earl King não era o único devoto fervoroso de Guitar Slim. Filho de um meeiro de uma pequena cidade a oitenta quilômetros ao norte de Baton Rouge, o jovem George “Buddy” Guy fabricava seus primeiros instrumentos com latas de tinta velhas e arame de tela de porta, até que seu pai, cansado de espantar os enxames de mosquitos que invadiam a casa, finalmente comprou para o filho um violão com duas cordas. Mais tarde, enquanto trabalhava em tempo integral em um posto de gasolina e lava-jato em Baton Rouge, na adolescência, Guy teve a oportunidade de fazer um teste para um líder de banda local, escolhendo o grande sucesso da época, “The Things That I Used to Do”, de Guitar Slim, para sua apresentação. O líder da banda considerou a música adequada, mas decidiu que o músico era muito reservado para se apresentar bem diante de plateias barulhentas de bares. Sem se deixar abater, o adolescente da Louisiana continuou a perseguir sua paixão, e quando soube que Guitar Slim se apresentaria no Templo Maçônico em Baton Rouge, “Eu fui o primeiro da fila para comprar um ingresso”, conta Guy em sua autobiografia, When I Left Home: My Story . “Guitar Slim me ensinou a tocar guitarra na frente das pessoas. Tudo o que ele fazia, eu queria fazer. A empolgação que ele causava, eu queria causar. O prazer que ele proporcionava, eu queria proporcionar. Eu queria uma Stratocaster que eu pudesse detonar. Eu queria uma multidão enorme que eu pudesse enlouquecer. Eu queria ser o Guitar Slim.”

Por meio de Guy, então, o som, o espírito e a alma selvagem de Guitar Slim foram traduzidos para o blues de Chicago e foram ainda mais longe, influenciando Jimi Hendrix. No álbum duplo magistral de Hendrix, Electric Ladyland , “Come On (Let the Good Times Roll)” foi escrita por Earl King, e o historiador Robert Palmer afirma que a inclusão da música não é mera coincidência.

“Come On”, escreveu Palmer, “é um single clássico em duas partes que, na verdade, é o elo perdido entre Guitar Slim e a guitarra rock moderna… uma música dançante irresistivelmente funky, destacada por um solo de guitarra extenso e fascinante. King começa tocando linhas blues, mais parecidas com o Slim que conhecemos dos discos, mas logo começa a se estender em frases agudas, fluidas e estridentes que lembram incrivelmente os solos de Jimi Hendrix gravados menos de cinco anos depois. Não há dúvidas de que Hendrix, um veterano do circuito R&B com passagens acompanhando Little Richard e os Isley Brothers, ouviu 'Come On' e absorveu sua lição.

Legado ignorado.

Como uma grande estrela do R&B em meados da década de 1950, Jones também se entregava à bebida, às mulheres e aos excessos da vida social extravagante de um músico famoso. Esse estilo de vida acabou levando a uma saúde debilitada e à sua morte prematura, durante uma turnê em Nova York, vítima de pneumonia brônquica aos 32 anos.

A falta de registros também ajuda a explicar seu perfil relativamente discreto na narrativa da música popular americana do século XX — apesar de ter gravado talvez uma dúzia de canções para três gravadoras diferentes, ele nunca alcançou o sucesso ou a admiração duradoura de "The Things That I Used to Do". Além disso, sua carreira estava em seus primórdios justamente quando o R&B mainstream, que atraía um público negro e maduro, dava lugar à febre do rock 'n' roll da década de 1950, um fenômeno predominantemente branco e adolescente. Na verdade, outro fator que obscureceu a morte do músico foi o acidente de avião que ganhou as manchetes quatro dias depois, tirando a vida de músicos de maior renome como Buddy Holly, Richie Valens e JP Richardson, conhecido profissionalmente como The Big Bopper.

Sua linha de influência implícita na fundação da era do rock pode ser reconstruída com relativa facilidade. Mas mesmo assim, a importância do legado de Guitar Slim é tanto iluminada quanto ignorada pelo contexto da história social e cultural — ele foi pioneiro em avanços importantes em aspectos da cultura popular do século XX, mas foram aqueles que criaram seus próprios legados que mais se beneficiaram de sua influência. 

Alguns historiadores, como o biógrafo nova-iorquino Jeff Hannusch, fizeram afirmações plausíveis de que Guitar Slim foi pioneiro em uma categoria musical inteiramente nova. “Feelin' Sad”, uma das primeiras gravações, segundo Hannusch, representa “a primeira vez que um artista de blues gravou um disco com uma abordagem espiritual. [...] Teve uma enorme influência sobre Ray Charles, que se apropriou da ideia de misturar blues e spirituals, desenvolvendo o que viria a ser o Soul.”