Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Artes plásticas: Roger Dean

 


A revolução nas capas dos discos


Com a chegada do chamado "rock progressivo" as capas começaram a ter conteúdos reflexivos e imaginários, dado que sua música expressava esse ambiente. Artistas como, Roger Dean, foram revolucionários para essa criação. 

Capas como Dark Side Of The Moon do Pink Floyd, o prisma atingido pelo feixe de luz reproduzindo uma aparência física e resultando nas cores do arco-íris, se tornou um sinônimo de inovação. Albúns como Fragile da banda Yes, Brain Salad Surgery do Emerson, Lake and Palmer e Demons & Wizards do Uriah Heep, definem bem essa ideia.
O resto é história!

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A Fantasia e o Imaginário no Rock Progressivo

Conhecido por seu estilo único de pinturas de capas de álbuns, logotipos, fontes e designs arquitetônicos orgânicos. Ele nasceu em Kent, Inglaterra, e se formou no Royal College of Art com medalha de prata. 
Sua carreira começou quando ele ainda era estudante, projetando a cadeira Sea Urchin e os assentos Landscape para o Ronnie Scott's Jazz Club, em Londres. Enquanto trabalhava com a equipe de Ronnie Scott, Roger foi convidado a projetar e produzir uma capa de álbum para uma banda de rock que eles haviam contratado, chamada “Gun”.

Foi em 1971 que o primeiro álbum de Osibisa foi lançado, com a inesquecível imagem de um elefante alado pousando em um céu laranja e magenta, acima do qual o nome da banda era anunciado no que se tornaria a tipografia desenhada à mão, marca registrada de Rogers. A imagem fez enorme sucesso tanto como capa do álbum quanto como pôster.

Na época, ele também foi questionado se aceitaria outra encomenda, e o nome da banda era YES. Essa encomenda se tornou a capa do álbum 'Fragile' e foi o início de uma longa e frutífera colaboração entre a família do YES e Roger Dean.

As qualidades surreais e oníricas das pinturas de Rogers, combinadas com as aventuras musicais às vezes assombrosas, ocasionalmente triunfantes, mas sempre expansivas da música do YES, tornaram-se uma experiência única apreciada por milhões.

Traços e o estilo próprio.
Além de seu trabalho como artista e designer, Roger Dean também foi cofundador das editoras Dragons' Dream e, cerca de um ano depois, Paper Tiger. Publicou mais de cem livros ilustrados com obras de artistas como Syd Mead, Alan Lee e Michael Kaluta.

Virgin Records, Psygnosis e Tetris exibiram orgulhosamente suas identidades visuais como logotipos de empresas, criados por Roger Dean.
O trabalho de Rogers é instantaneamente reconhecível e influenciou a cultura popular em todo o mundo. Estima-se que mais de cem milhões de pessoas já possuíram uma obra de Dean em algum momento, seja como capa de álbum ou pôster. Seus designs também foram imitados em grafites e grandes filmes.

Uma seleção do trabalho de Roger está em várias coleções particulares e museus, incluindo o Museu V&A em Londres e o Museu MAK em Viena.

Roger Dean
'O artista e designer que expandiu as mentes humanas'


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terça-feira, 30 de junho de 2026

Curtis Mayfield


Curtis Mayfield
' Música de protesto sem raiva, um gigante da gentileza '

História e trajetória artística

Curtis Lee Mayfield fez suas primeiras gravações em 1958 como membro do grupo de soul/R&B de Chicago, The Impressions. Ele tinha 16 anos e vinha do notório conjunto habitacional Cabrini Green, na cidade. Na época, ele era apenas um vocalista de apoio do grupo – sem guitarra, sem produção e sem composição. Isso mudaria, e em breve.

Mayfield fez sua última gravação, “New World Order”, em 1995, após quatro décadas de sucessos como artista solo, produtor, compositor e como símbolo do orgulho negro e do capitalismo negro na indústria musical. A última experiência de Mayfield em estúdio foi um exemplo de coragem e determinação. Paralisado após um acidente no palco, ele gravou um verso de cada vez, deitado de costas para permitir que seu diafragma funcionasse e o ar chegasse aos seus pulmões.

"Ele quebrou as costas, mas não o espírito", diz sua viúva, Altheida Mayfield.


A música que cercou e influenciou Curtis Mayfield, nascido em 1942, desde cedo, veio da igreja Travelling Soul Spiritualists' Church de sua avó, da música gospel e da rica cena do blues elétrico de Chicago. Um violão, descoberto aos sete anos em um armário no pequeno apartamento onde morava com a mãe e sete irmãos, mudou tudo. Ele tocava um pouco de piano, mas o violão era diferente, muito pessoal. "...como um outro eu", disse ele. Mayfield literalmente transferiu seu conhecimento de piano para seu novo instrumento. O amigo de infância, o cantor Jerry Butler, observou: "Ele adorava tocar boogie-woogie no piano e aprendeu a tocar em Fá sustenido, o que significava que ele tocava todas as teclas pretas. Foi assim que ele desenvolveu seu som único no violão, porque o afinava dessa maneira." 

Mayfield usou sua excêntrica afinação aberta em Fá sustenido pelo resto de sua carreira. Ele também se tornou proficiente em baixo, bateria e saxofone.

Agora era evidente que o futuro de Mayfield estava na música, sua saída da pobreza. Contra a vontade da família, ele abandonou o ensino médio e se juntou ao The Roosters, um grupo liderado por Jerry Butler. O nome logo se tornou o mais comercial The Impressions. Butler observou: “Existe algo chamado som Soul de Chicago que começou no final dos anos 50. O The Impressions foi pioneiro nisso… e Curtis era o coração do The Impressions”; mas não no início…

A música soul de Chicago, que se desenvolveu na década de 1960, tinha suas raízes na música gospel, com um ritmo tranquilo e foco na melodia (outro termo para esse estilo é "soft soul"). Metais, cordas e harmonias vocais elaboradas faziam parte dela.

O primeiro sucesso dos Impressions, "For Your Precious Love", teve Butler como coautora e vocalista principal. O single alcançou as paradas de R&B e, mais importante para um grupo negro, as paradas pop. Butler, recebendo a maior parte dos créditos, imediatamente seguiu carreira solo.

Isso foi ótimo para Mayfield, permitindo-lhe experimentar pela primeira vez o controle e a responsabilidade. Ele manteve o grupo unido como vocalista principal, produtor e compositor, e em 1961 os Impressions reformulados tiveram seu primeiro sucesso da era Mayfield, "Gypsy Woman". Pelo resto da década, o grupo permaneceu em alta com 14 músicas no Top 10, incluindo uma sequência incrível de cinco canções no Top 20 só em 1964 – o ano em que os Beatles chegaram para causar problemas a todos.


Mayfield aperfeiçoou o trabalho singular do grupo no registro agudo e permaneceu fiel ao falsete, em vez da extensão vocal mais comum. Johnny Pate, um músico de jazz que trabalhou com The Impressions, lembrou-se do efeito: “O grupo explorou algumas harmonias em falsete agudo que eram realmente inéditas. Ninguém tinha feito isso antes. O mais incrível é que tudo estava afinado, em perfeita harmonia, afinado…”

O modelo de negócios da música popular negra na década de 1960 era regido por música dançante e canções de amor. Mas Mayfield tinha ideias que colocariam sua música em um caminho diferente. Fora do mundo da gravação, a comunidade negra americana enfrentava os direitos civis, a pobreza nos centros urbanos, o uso e abuso de drogas e, sem ser solicitado, Mayfield abordou essas questões da única maneira que sabia: através de sua música, um passo provocativo que o transformou em uma força musical de mudança na comunidade negra. A cantora Mavis Staples (do grupo The Staples Singers) definiu essa transformação: “[Curtis] tinha uma longa história de escrever canções de amor maravilhosas que davam vontade de dançar lentamente no porão. E então, de repente, ele escreveu algumas das melhores canções com mensagens que poderiam existir.”


Mayfield estava indignado com a desordem que afetava a América, mas sua música era apresentada de forma singular, sutil e inteligente, com influências de gospel, R&B e soul, ao estilo de Chicago. Chamando Mayfield de "um gigante da gentileza", a cantora Sinead O'Connor observou que sua música "usava amor e encorajamento, não raiva, para dizer coisas importantes". A voz de Mayfield, voltada para o público em geral, conseguia moderar qualquer hostilidade na letra sem destruir seu significado. A mensagem era para o povo, não para os radicais. "Essas canções eram um exemplo do que estava no meu subconsciente há anos... as questões que me preocupavam como um jovem negro...", disse Mayfield. E, deixando a política de lado, Mayfield ainda queria seus sucessos nas paradas.

Em 1964, o grupo The Impressions alcançou seu maior sucesso até então com a canção de Mayfield, "Keep on Pushing", que o consagrou como um dos primeiros cantores e compositores de R&B a levar comentários sociais às paradas de sucesso. Outros "hinos" se seguiram: "People Get Ready" e "We're a Winner"; todos sucessos, mas com uma trajetória fora das paradas. 

Martin Luther King Jr. tornou "Ready" e "Pushing" hinos não oficiais do Movimento. Um senador estadual chamado Barack Obama fez o discurso de abertura na Convenção Democrata de 2004. A música que o levou ao palco foi "Pushing". "People Get Ready" foi gravada por mais de 100 artistas, rendendo direitos autorais ao compositor, o tipo de homenagem que o pragmático Mayfield apreciava. Ele disse que essa canção "veio da minha igreja. Eu devia estar em um momento de profunda inspiração religiosa quando a escrevi." "We're a Winner" (1967) era mais forte em sua letra, tanto que algumas estações de rádio se recusaram a tocá-la durante os tumultos daquele ano.

Mayfield se sentia desconfortável quando as pessoas o chamavam de "O Pregador" ou "O Reverendo" por causa de sua nova música, mas permanecia modesto e lúcido a respeito: "Sou um artista antes de tudo", costumava afirmar. "Através da minha forma de compor, consegui dizer essas coisas sem que as pessoas se sentissem como se estivessem ouvindo um sermão."


Mayfield trabalhava como produtor para a Okeh Records nas horas vagas, colaborando com Major Lance, Gene Chandler e outros grandes nomes do sucesso. Em 1968, fundou a Curtom Records. Lá, ele controlava suas gravações, a publicação de suas músicas e o estúdio de gravação. O controle era fundamental para Mayfield, como ele mesmo disse a Jerry Butler: "Eu só quero ser dono de tudo o que puder de mim".

O jovem que abandonou o ensino médio sabia como administrar os negócios, e a indústria musical atual é notável pela presença de estrelas afro-americanas no comando de seus próprios negócios – Jay-Z, Kanye West, Dr. Dre, P. Diddy, Russell Simmons, entre outros – que têm suas raízes em Mayfield. Ele demonstrou que o capitalismo negro bem-sucedido era possível, talvez até necessário.

A década de 1970 começou e, com ela, outra mudança transformadora para Mayfield: ir para o cinema. O período dos filmes "Blaxploitation" havia começado, filmes produzidos rapidamente, de baixo orçamento e transmitidos para um público negro das periferias urbanas. Eles precisavam da música certa na trilha sonora. Naquela época, havia uma pergunta não exatamente silenciosa em Hollywood: "Afro-americanos podem compor música para cinema?". Mayfield respondeu: "Mostramos que você não precisa de uma sala do tamanho de um campo de futebol para compor música. Você não precisa ser um Henry Mancini." (Ele agora gravava em um pequeno estúdio de produção de demonstração comprado da RCA Records em Chicago).

"Super Fly" era um filme de blaxploitation, repleto de drogas, violência e cultura rebelde. Alguém achou que o groove soul funk de Mayfield era ideal para a trilha sonora. Esse alguém não era Mayfield, que não era fã dos personagens ou do enredo do filme... até que viu uma maneira de subvertê-los. Altheida Mayfield diz: "Curtis achava que 'Super Fly' era um comercial para vender cocaína". As músicas para "Super Fly" surgiram como contraponto à ação na tela – "Freddie's Dead", "Super Fly" (ambas singles com milhões de cópias vendidas), "Pusherman", "Little Child Runnin' Wild". Essas músicas reapareceriam décadas depois; a Geração R(ap) descobriu a arte da sampleagem.

O álbum "Super Fly" dos Impressions tornou-se um clássico instantâneo do soul e funk dos anos 70, um raro exemplo de trilha sonora que vendeu mais que o filme e, junto com Marvin Gaye e Stevie Wonder, Mayfield introduziu o soul funk com mensagens, um ritmo socialmente consciente. O trabalho no cinema passou a ocupar grande parte do tempo de Mayfield – Gladys Knight and the Pips (o filme "Claudine"), Aretha Franklin ("Sparkle"), Staple Singers ("Let's Do It Again"), Mavis Staples ("A Piece of the Action"). "Short Eyes" foi um sucesso para o próprio Mayfield em 1977.

Em 1980, Mayfield mudou-se, com sua família de seis filhos, de Chicago para Atlanta, encerrando efetivamente a era do soul de Chicago. Sua carreira passou a ser a de compositor/produtor, tanto para si mesmo quanto para outros artistas. 

Ele fez turnês pelos Estados Unidos, Japão e Europa, especialmente pela Grã-Bretanha. Mayfield chegou a revisitar "Super Fly" em 1990 com "Super Fly 1990", um álbum com novas músicas e uma colaboração entre ele e Ice-T. Os rappers consideravam Mayfield uma grande influência.

Então chegou o dia 13 de agosto de 1990 e a tragédia. Mayfield chegou para a passagem de som de um show no Brooklyn, Nova York. Em uma tarde chuvosa, fortes ventos derrubaram uma estrutura de iluminação. Ele ficou preso embaixo dos escombros, com a coluna vertebral esmagada em três lugares, ficando paralisado do pescoço para baixo. Agora, ele estava confinado a uma cadeira de rodas. Embora tivesse pouco controle sobre o próprio corpo, ele ainda controlava sua carreira. Lentamente, a princípio, parte da força retornou, mas foram necessários quatro anos para que ele voltasse a cantar em público. Isso foi o suficiente para convencê-lo de que deveria voltar a gravar. O resultado foi seu último álbum, “New World Order”, e sua última grande canção, “Here but I'm Gone”, músicas originais gravadas em seu estúdio caseiro sob grande pressão.

Mas a condição física de Mayfield começou a deteriorar-se seriamente – a diabetes obrigou à amputação da perna direita – e ele faleceu em 26 de dezembro de 1999. Após a sua morte, inúmeras homenagens foram prestadas e muitos elogios foram feitos. Mas a verdadeira homenagem reside no poder duradouro da obra que ele deixou, ainda hoje descoberta e interpretada por cada nova geração.



LiTeRaTuRa: Anna Bella Geiger

LIVRO: ANNA BELLA GEIGER
'A Imaginação é um ato de liberdade'

Editora: sobinfluencia edições
Data da publicação: 10 março 2026
Autora: Gabriela De Laurentiis


Sobre a crítica e artista plástica:
Anna Bella Geiger é uma artista plástica e professora nascida no Rio de Janeiro. Com obras de caráter experimental, ela foi uma das primeiras artistas a engajar em técnicas abstratas no Brasil, participando da primeira exposição de arte abstrata brasileira, no hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ), em 1953.

Suas obras conversam com dimensões pessoais e políticas, e criticam e dialogam com diferentes aspectos da história e da sociedade brasileiras nos últimos 70 anos. Esta pesquisa explora a obra da artista e investiga como temas como autoritarismo, violência estatal e violência de gênero a atravessam.

Como a artista Anna Bella Geiger cria obras e promove práticas artísticas e educacionais que produzem uma crítica aos autoritarismos e violências?

Anna Bella Geiger é uma das mais importantes artistas brasileiras e, aos mais de 90 anos, segue em plena atividade. Desde os anos 1960, ela desenvolve obras comprometidas com os problemas sociais, políticos e culturais de seu tempo. Ao longo das décadas, sua produção atravessa diferentes mídias e contextos institucionais, articulando arte, educação e pensamento crítico.

Mobilizando teorias feministas para pensar essas formas espaciais, a tese contribui para adensar os debates sobre arte, política e gênero no Brasil, ao mesmo tempo em que propõe uma metodologia sensível ao modo como artistas constroem pensamento a partir da prática. Trata-se de uma pesquisa comprometida com os movimentos de Anna Bella Geiger, ou seja, com imaginar outras formas de criar, resistir e habitar o mundo.

A pesquisa, realizada na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), com bolsa Fapesp, investiga a obra da artista Anna Bella Geiger, com foco em suas práticas artísticas e educacionais, sobretudo aquelas desenvolvidas durante o período da ditadura militar no Brasil. A partir da noção de espacializações, propõe-se compreender como Geiger cria e transforma espaços — físicos, institucionais, subjetivos, imagéticos, cartográficos — em formas de crítica aos autoritarismos e violências materiais e simbólicas.

O trabalho é estabelecido por meio de teorias e metodologias feministas, que permitem abordar a criação artística não apenas como linguagem, mas como forma de elaboração de mundo e produção de pensamento. A tese articula questões de arte, política e gênero, analisando obras criadas em conjunto com estudantes e individualmente, exibidas em mostras solos e coletivas, principalmente aquelas realizadas em formas de fotografia, vídeo e instalação.

Ao privilegiar a dimensão espacial na análise de sua obra, a pesquisa evidencia como Anna Bella Geiger compartilha com pensadoras feministas uma atenção crítica aos modos de construir, tensionar e ocupar espaços. Com isso, contribui de maneira singular aos debates contemporâneos sobre artes, autoritarismos e feminismos.

Mais do que chegar a uma conclusão fechada, a pesquisa propõe deslocamentos. Ela parte da escuta das obras e práticas de Anna Bella Geiger para elaborar conceitos como o de espacializações, que atravessam imagens, corpos, instituições e modos de criar.

Um ponto de destaque foram as imagens apresentadas na tese. Elas resultam tanto de pesquisas documentais em acervos de museus como o MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) e o MAM-RJ (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), quanto de arquivos de jornais. Também foram produzidos registros inéditos, realizados por mim, durante viagens de pesquisa junto a Anna Bella Geiger, e pelo artista João Mascaro, no contexto das filmagens do documentário sobre a artista — ainda em finalização. Esses materiais visuais não apenas documentam, mas constituem parte do pensamento desenvolvido ao longo da pesquisa.

A maior contribuição talvez esteja em mostrar como sua obra se aproxima de debates feministas sem necessariamente reivindicar esse lugar. Há uma afinidade ética e formal entre sua maneira de criar e as formas feministas de habitar, resistir e transformar o mundo. A pesquisa, portanto, não fecha uma resposta, mas abre territórios de relação entre arte, espaço e política.

O público em geral, artistas, curadoras, pesquisadoras e educadoras que se interessam pelos feminismos, pela relação entre arte e política e pela produção cultural brasileira.

Gabriela Barzaghi De Laurentiis é artista e pós-doutoranda na FAU-USP, com bolsa Fapesp que também financia seu estágio como pesquisadora convidada no Institute for Cultural Inquiry, vinculado ao programa Gênero e Estudos Pós-coloniais da Utrecht University, nos Países Baixos. É autora de “Louise Bourgeois e modos feministas de criar”, resultado de seu mestrado em história cultural pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). É graduada em ciências sociais pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), com intercâmbio na Sciences Po – Paris. Foi pesquisadora associada ao projeto Imaginários Urbanos (Fapesp–Université de Lyon). Integra os grupos de pesquisa do CNPq “RITe – Representações: Imaginário e Tecnologia” (da FAU-USP) e “O Espaço Delas” (da Universidade Federal de Uberlândia). Atua também como curadora e autora de textos críticos para exposições e catálogos e integra o Lâmina, duo artístico que investiga relações entre arte, arquitetura e tecnologias de produção audiovisual.



Provocação Histórica: A Imaginação é um Ato de Liberdade


A IMAGINAÇÃO É UM ATO DE LIBERDADE
' Livro sobre a artista plástica: Anna Bella Geiger '

Gabriela De Laurentiis é artista, pesquisadora, curadora e escritora. Autora dos livros Anna Bella Geiger: a imaginação é um ato de liberdade e Louise Bourgeois e modos feministas de criar, ambos traduzidos para o espanhol. Mestre em História pela UNICAMP, é doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP (2022), onde faz seu pós-doutorado. Foi pesquisadora visitante no Institute for Cultural Inquiry (ICON), no âmbito do programa de Estudos de Gênero e Pós-coloniais da Universidade de Utrecht, Holanda. Todas as pesquisas foram realizadas com bolsa FAPESP. Graduada em Ciências Sociais pela PUC-SP (2010), fez intercâmbio acadêmico na Sciences Po Paris (2009). Gabriela é também parte do duo artístico Lâmina.

PROGRAMA 
- PROVOCAÇÃO HISTÓRICA - 
GABRIELA DE LAURENTIIS
25/06/2026



segunda-feira, 29 de junho de 2026

DiScOs InCrÍvEiS: Joanna Connor


Joanna Connor
'4801 South Indiana Avenue'
- 2021 -

A virtuosa da guitarra slide e cantora e compositora de Chicago, Joanna Connor, mais conhecida como uma das rainhas do blues rock, lançou seu 14º álbum, 4801 South Indiana Avenue, pelo novo selo independente de blues de Joe Bonamassa, Keeping The Blues Alive, em 26 de fevereiro de 2021. O novo álbum, sucessor do aclamado álbum de estúdio Rise, foi produzido por Joe Bonamassa e Josh Smith no Ocean Way Recording Studios em Nashville, Tennessee. Joanna, Joe e os demais músicos do álbum mergulharam fundo e criaram um conjunto autêntico, vibrante e original de blues de Chicago.

Joanna já tocou guitarra com grandes nomes do blues, incluindo James Cotton, Buddy Guy, Jimmy Page e Junior Wells. Estreando no principal clube de blues de Chicago, o Kingston Mines, na década de 1980, ela se apresentou lá três noites por semana desde então, intercalando com shows em clubes maiores e festivais, antes da disseminação da pandemia no início deste ano.

Guitarrista de blues rock agressivamente ousada e altamente inovadora, com um groove preciso que engloba jazz e funk, Joanna é aclamada por muitos como uma das guitarristas mais poderosas e influentes do planeta.

Sobre o álbum:

Joanna afirma: “Escolhemos o título do álbum '4801 South Indiana Avenue' porque era o endereço real do lendário templo do funk blues 'Theresa's Lounge'. Queremos que o ouvinte abra aquela porta, entre e sinta em sua essência um pouco da magia que um lugar como aquele proporcionava noite após noite. Foi uma honra trazer isso para vocês, nossos ouvintes.”

O novo álbum reflete uma experiência completamente nova em relação à forma como Joanna gravou música no passado.

“Este álbum é uma homenagem à escola de blues que frequentei em Chicago”, diz Joanna. “Tentamos capturar o espírito da tradição e injetá-lo com energia bruta e paixão.”

Quando perguntada sobre como Joe acabou produzindo seu álbum, Joanna se lembra como se fosse ontem.

“Gravamos o álbum em Nashville. Joe retuitou um dos meus vídeos em maio passado e ele viralizou em seu site. Agradeci a ele por mensagem, dei meu contato e ele respondeu imediatamente.”

“Ele abriu um show para mim anos atrás no palco Backporch do House of Blues em Chicago, onde toquei semanalmente por anos! Joe já me conhecia há anos. Ele queria fazer um álbum para mim, um álbum que ele sentia que eu precisava fazer e que nunca tinha feito de verdade.”

Joanna tem a reputação, no meio musical, de ser uma ótima guitarrista. O que ela tentou alcançar com sua guitarra no novo álbum?

Joanna diz: “Não usamos efeitos, usamos muitas guitarras legais e amplificadores vintage, o que é novidade para mim. Tentamos refazer tudo para retratar a minha profunda história com o blues, trazer à tona as milhares de horas suadas naqueles clubes de blues em Chicago e transmitir isso para o disco.”

No novo álbum, Joe incentivou Joanna, o que permitiu que ela entregasse uma voz mais poderosa em todas as faixas.

“Foi o máximo que já forcei minha voz”, diz Joanna.

Mas por que Joe Bonamassa quis produzir o novo álbum de Joanna?

“Lembro-me de perguntar diretamente a Joe: 'De todos os guitarristas do mundo, por que eu?'” Ele disse: “Porque você tem uma intensidade na sua forma de tocar que a maioria das pessoas não tem. Aliás, eu gostaria de ter um pouco disso em mim, de simplesmente se deixar levar e nem pensar nisso.”

O novo álbum conta com a nata dos músicos. Joanna descreve o trabalho com eles como uma experiência inesquecível.

“Tocar com Reese Wynans foi uma honra e um privilégio, e me emocionou até às lágrimas. Ter Josh Smith e Joe tocando guitarra em todas as faixas e fazendo os arranjos foi um presente para mim. O baixista Calvin Turner era incrivelmente envolvente e sólido, e foi o responsável pelos arranjos de metais. 

Lemar Carter é um dos bateristas mais requisitados da cena musical e toca com Frank Ocean e muitos outros. Ele é um mestre do tempo, do bom gosto e do groove. Gravamos todas as músicas em, no máximo, três takes. Estávamos todos juntos na mesma sala, exceto Joe, que estava na sala de controle tocando e produzindo. Fazer este álbum foi como um trabalho dos sonhos.”

As faixas

1. Destination
2. Come Back Home
3. Bad News
4. I Feel So Good
5. For The Love Of A Man
6. Trouble Trouble
7. Please Help
8. Cut You Loose
9. Part Time Love
10. It's My Time