Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CREAM


CREAM
' maior power trio da história '

O Cream deixou um legado inestimável como o primeiro supergrupo relevante da história do rock e o pioneiro do formato power trio. A banda fundiu blues, psicodelia e jazz. Essa mistura revolucionou a música pesada e preparou o terreno para o surgimento do hard rock. Com longas improvisações instrumentais nos shows, transformou o blues em apresentações livres e experimentais. Riffs icônicos de faixas como "Sunshine of Your Love" e "White Room" ditaram o peso que influenciou todas as bandas dos anos 1970.

O álbum duplo Wheels of Fire foi o primeiro na história da música a receber o certificado de platina mundial por vendas. Mesmo com apenas dois anos de atividade e quatro álbuns de estúdio lançados, o grupo foi eternizado com a introdução no Rock and Roll Hall of Fame em 1993.
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Os músicos

O baterista Ginger Baker (nascido Peter Edward Baker em 19 de agosto de 1939 em Lewisham, Londres, Inglaterra) já era um músico respeitado no circuito londrino de blues da época. Ele fazia parte de uma das bandas pioneiras do blues britânico, The Graham Bond Organization (GBO), egresso do embrionário grupo The Blues Incorported de Alxis Korner e Cyril Davis. Baker não estava muito satisfeito na banda, os problemas com drogas e a instabilidade do vocalista e saxofonista Graham Bond, frontman do GBO, fazia com que ele tivesse planos de montar um novo grupo, ou, quem sabe, um supergrupo. 

O baixista e vocalista Jack Bruce (nascido John Symon Asher Bruce em 14 de maio de 1943 em Bishopbriggs, East Dunbartonshire, Escócia), também compartilhava do mesmo sonho de um supergrupo, sendo parceiro de Ginger Baker nas duas bandas, The Blues Incorported e GBO, a ideia era descolar um guitarrista virtuoso.

Nos idos de 1966, o guitarrista Eric Clapton (nascido Eric Patrick Clapton em 30 de março de 1945 em Ripley, Surrey, Inglaterra) gozava de uma ótima reputação como músico da cena londrina e tocava com a banda The Bluesbreakers de John Mayall, depois de ter saído dos The Yardbirds no ano anterior. Ele também estava com planos de formar um novo grupo em que pudesse colocar mais peso e dinâmica no blues que estava sendo experimentado naquele momento.

O início

Ginger Baker foi assistir a um show dos Bluesbreakers e ficou muito impressionado com a técnica e virtuosismo de Eric Clapton. Ao final do show, o batera ofereceu uma carona para Clapton até Londres, onde morava, e chamou o guitarrista para formar o novo grupo. Eric não se fez de rogado e aceitou prontamente o convite, já que o interesse e a admiração entre os músicos era recíproca.

Ginger Baker e Jack Bruce tinham a fama de terem tido algumas desavenças nas bandas anteriores, mas em nome do supergrupo essas indiferenças foram colocadas de lado. Imediatamente eles começaram 
a ensaiar e a compor algumas músicas juntos, e o power trio foi batizado de Cream, ou seja, "a nata" dos músicos, pois naquela altura os três eram colocados entre os melhores instrumentistas do blues britânico. Jack Bruce assumiu como vocalista e principal compositor da banda.


A estreia não-oficial do Cream aconteceu no dia 29 de julho de 1966 no clube Twisted Wheel, reduto da Soul Music em Manchester, Inglaterra. Duas noites depois, participaram do 'Jazz & Blues Festival' de Windsor. A resposta do público em ambas  apresentações foi de aprovação e euforia, mesmo porque os músicos já eram figuras conhecidas no circuito londrino de bares e casas de shows. Em outubro daquele ano, o trio fez uma antológica jam session com um então estreante e desconhecido guitarrista chamado, Jimi Hendrix, que também estava formando o seu próprio power trio, a The Jimi Hendrix Experience. Fã declarado de Eric Clapton, Hendrix realizou o sonho de tocar ao lado de seu ídolo.

Os álbuns

Em dezembro de 1966, com muitas ideias fervilhando na linha criativa de composição, rapidamente eles lançam Fresh Cream, o álbum de estréia da banda que é historicamente considerado o inovador, pioneiro e alicerce do estilo que ficou conhecido como: blues-rock. 

Recheado de canções clássicas dos bluseiros Robert Johnson, Skip James, Willie Dixon e Muddy Waters como Spoonful, Four Until Late e I’m So Glad, as músicas próprias também se tornariam clássicos da banda como Toad e I Feel Free, sendo a última uma composição de Jack Bruce em parceria com o letrista Peter Brown, que foi lançada no Reino Unido como single.

Em março de 1967, o Cream fez sua primeira turnê estadunidense, tocando nove noites no RKO Theater, em nova york, NY. Com algumas canções já sendo trabalhadas e ensaiadas, eles aproveitaram a estadia em nova york para iniciar a gravação do segundo álbum, Disraeli Gears, no estúdio da Atlantic Records.

Com a produção deTom Dowd e Felix Pappalardi (músico que fundaria ao lado do guitarrista Leslie West e do baterista Gail Collins outro power trio furioso, o Mountain).

Pappalardi se tornou uma espécie de “Quarto Creamer”. Diferente do primeiro, este disco tem mais composições autorais, destacando-se as clássicas Sunshine of Your Love (Bruce, Brown, Clapton), Strange Brew (Clapton, Pappalardi, Gail Collins) e Tales of Brave Ulysses (Clapton, Martin Sharp). No mesmo ano de 1967, a banda fez um show no legendário festival Fillmore West, em San Francisco, Califórnia, EUA, agradando em cheio à multidão de hippies que assistiam ao evento.

Em agosto de 1968, foi lançado o álbum duplo Wheels of Fire, sendo dividido o primeiro disco com gravações em estúdio e o segundo ao vivo, faixas gravadas durante um show em Winterland, San Francisco, Califórnia, EUA. Neste trabalhao, as características blueseiras começaram a dar espaço em favor de uma levada mais pesada, porém com músicas 
instrumentalmente mais trabalhadas utilizando mais a improvisação. 

Os destaques do álbum ficam por conta de White Room (Bruce, Brown), Born Under a Bad Sign (Booker T. Jones, William Bell), Crossroads (clássico de Robert Johnson, com arranjo de Eric Clapton) e Spoonful (Willie Dixon). Foi o primeiro disco da banda alcançar os mais altos lugares nas paradas norte americanas.

Apesar do êxito que a banda vivia, o cansaço começou a dominar os músicos. Se antes tudo era divertido e novo, após dois anos as coisas começaram a desandar e tudo começou a ficar mais desgastante e estressante. Cada membro estava "grande demais" e com ideias diferentes sobre qual rumo tomar para a banda. Todos se sentiam sem clima pra continuar adiante. Isso sem falar no fim da “trégua” entre Ginger Baker e Jack Bruce, que voltaram ás velhas rusgas, tendo sempre Clapton como pacificador. Decidiram então fazer uma derradeira turnê para depois estacionar de vez o Cream. A gravadora os persuadiu a gravar um último álbum, em meio à turbulenta excursão nos EUA e Reino Unido. Em novembro de 1968, aconteceu o último show do power trio no Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra. Foram convidadas ótimas bandas de abertura que estavam se destacando como o power trio Taste, banda de Rory Gallagher, e os então estreantes Deep Purple e YES.

O álbum Goodbye foi lançado em fevereiro de 1969 e consistiu de gravações ao vivo e em estúdio, com destaque para a faixa Badge, música que contou com a participação especialíssima do Beatle George Harrison na composição e guitarra rítmica, usando o pseudônimo de L’Angelo Misterioso. Naquela altura, George era muito amigo de Clapton, que tinha participado das sessões do Álbum Branco dos Beatles lançado no ano anterior. No mesmo ano, foi lançada a coletânea Best of Cream. Em 1970 e 1972, sairam os álbuns ao vivo da turnê de despedida Live Cream Vol. e Vol. II.

Em 1969, Clapton uniu forças ao amigo multi-instrumentista Stevie Winwood, do Traffic, o 
baixista Ric Grech, do Famíly, e o próprio Ginger Baker para criarem outro supergrupo chamado Blind Faith, projeto de curta duração gravando um só álbum. Clapton e Baker ainda tocaram juntos no projeto de Baker chamado Air Force e o guitarrista ainda fez parte do Delaney & Bonnie & Friends, engatando depois sua notória carreira solo. 

Jack Bruce também partiu para uma bem sucedida carreira solo, trabalhou com a jazz woman Carla Bley e o maestro e arrnjador Michael Gibbs, além de fazer parte da banda West, Bruce and Laing, junto aos membros do Mountain Leslie West e Corky Laing, ao qual gravaram três álbuns. Trabalhou também com Lou Reed e Frank Zappa e nos anos 90 fez parte do Supergrupo Ringo Starr & His All-Starr Band (em 1995 e 1997), além de sua carreira solo e muitas outras parcerias.


A emocionante despedida de honra

O Cream se reuniu em 1993 durante a cerimônia de introdução da banda no Rock and Roll Hall of Fame. Mais de duas décadas sem tocar juntos, o trio provou que tinha ainda muita lenha pra queimar, tocando seus clássicos Sunshine of Your Love, Crossroads e Born Under a Bad Sign (música que nunca tinha sido tocada ao vivo no período áureo do Cream). Cogitou-se de fazerem uma turnê juntos, como nos velhos tempos, mas infelizmente não deu certo. 

A reunião só veio a acontecer, como uma despedida de honra, nos dias 2, 3, 5 e 6 de maio de 2005 no Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra, ironicamente, palco do último show deles em 1968. Estavam na plateia nomes como Paul McCartney, Ringo Starr, Stevie Winwood, Brian May (Queen), Roger Waters (Pink Floyd), Jimmy Page (Led Zeppelin), Bill Wyman e Mick Taylor dos Rolling Stones. O sucesso foi tanto que a banda decidiu fazer um único show nos EUA e o lugar escolhido foi o Madison Square Garden em Nova York, NY. Esses shows são simplesmente espetaculares.

Em 2006, quando o Cream recebeu um Grammy pelo conjunto da obra, houve novamente rumores de uma reunião do trio. Jack Bruce chegou a declarar na imprensa que estava tudo certo, que já havia datas marcadas para a volta deles, mas Clapton e Baker negaram veementemente a notícia, encerrando o assunto. Inclusive Ginger teria dito que temia que fosem reabertas as velhas feridas do desentendimento entre ele e seu colega de cozinha. Jack Bruce faleceu no dia 25 de outubro de 2014, aos 71 anos, enterrando de uma vez por todas a possibilidade de uma nova reunião do Cream.
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Livros para conhecer o Brasil: A Queda do Céu

A QUEDA DO CÉU

O grito da mata para nós, brancos, o homem branco.

Os homens brancos são muito engenhosos, mas não sábios.

Um grande xamã e porta-voz dos Yanomami oferece neste livro um relato excepcional, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica.

Publicada originalmente em francês em 2010, na prestigiosa coleção Terre Humaine, esta história traz as meditações do xamã a respeito do contato predador com o homem branco, ameaça constante para seu povo desde os anos 1960. A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade - foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador.

A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo.

Recheada de visões xamânicas e meditações etnográficas sobre os brancos, esta obra não é apenas uma porta de entrada para um universo complexo e revelador. É uma ferramenta crítica poderosa para questionar a noção de progresso e desenvolvimento defendida por aqueles que os Yanomami - com intuição profética e precisão sociológica - chamam de "povo da mercadoria".

Chegou a hora, em suma; temos a obrigação de levar absolutamente a sério o que dizem os índios pela voz de Davi Kopenawa — os índios e todos os demais povos ‘menores’ do planeta, as minorias extranacionais que ainda resistem à total dissolução pelo liquidificador modernizante do Ocidente.” — Do prefácio de Eduardo Viveiros de Castro.

Autores: 
Davi Kopenawa e Bruce Albert
Editora: ‎Companhia das Letras
Data da publicação:‎ 20 agosto 2015



Cultura do Cuidado: IA para Harmonia Cósmica


Duas antropologias em oposição pressupostas na IA
O paradigma do cuidado emerge como mais adequado à proposta de um mundo caracterizado pelo amor e a amizade.

O Papa Francisco, na Laudato Si’: Sobre o Cuidado da Casa Comum (2015), submeteu uma rigorosa crítica à tecnociência por ser uma entre outras causas da degradação da natureza. Trata-se da vigência do paradigma do dominus (ser o dono), imperante em toda a modernidade sem o ser humano sentir-se parte da natureza. A este paradigma, o Papa – na Fratelli Tutti (2020) – contrapõe o paradigma do frater (irmão e irmã). Todos os seres são nossos irmãos e irmãs, porque todos viemos do mesmo pó da Terra.

Ademais, todos, dos mais ancestrais, passando pelos dinossauros, pelos pássaros e chegando a nós, possuímos o mesmo código genético de base, os 20 aminoácidos e as quatro bases fosfatadas. Daí se deriva uma fraternidade universal entre os humanos e estes com todos os demais seres da natureza. Um laço de amor e de amizade, enfatiza a encíclica, deveria envolver a todos.

Essa fraternidade universal projeta outro tipo de mundo, de política, de economia, começando desde baixo, da região, sempre a serviço da comunidade de vida, seja da natureza, seja dos humanos, particularmente dos mais vulneráveis. Daqui nasce uma nova ética de solidariedade e de cooperação, que possui na parábola do bom samaritano, detalhadamente analisada pela Fratelli Tutti, o seu ponto de referência exemplar.

1. A antropologia da vigilância.

Subjacente à encíclica Magnifica Humanitas, vigoram duas antropologias por ele criticadas: a da vigilância e a do cuidado. Na metáfora do Papa, há Babilônia e Jerusalém. A primeira, a da vigilância, foi primeiramente formulado pela filósofa e psicóloga estadunidense Shoshanna Zuboff, em 2021. Depois foi assumida pelo fundador da Palantir, Peter Thiel. Não tem em vista o processo econômico, mas o controle e a vigilância das pessoas. Peter Thiel parte de uma antropologia extremamente reducionista: ”O homem é um ser perigoso, marcado por paixões, naturalmente inclinado ao conflito, necessitando de contenção”.

A estratégia é vigiá-lo, subtraindo-lhe espaços de liberdade de tal forma que possa ser contido dentro do sistema imperante, capitalista neoliberal especulativo. Este encontra nomes mais suaves para serem melhor absorvidos, sem mudar sua lógica: “democracia de mercado” ou “capitalismo democrático”.

Essa antropologia levou o pensador Garrett Hardi a afirmar: ”Tendo eliminado todos os outros inimigos, o homem é, agora, o seu pior inimigo; ao terminar com todos os seus predadores, o homem é o predador de si mesmo”.

Essa estratégia de controle e de vigilância devido à crise climática enfrentará grandes distúrbios sociais. Pretendendo salvar a humanidade de sua perversidade natural, a subjuga totalmente.

É nesse sentido que a Magnifica Humanitas submete à rigorosa crítica, mesmo reconhecendo-lhe alguns méritos, o transumanismo e o pós-humanismo. O transumanismo visa explorar ao máximo as habilidades humanas mediante expedientes técnicos e biológicos visando maior eficiência em função da acumulação. O pós-humanismo é mais radical, pois visa a acoplar de tal forma o ser humano à máquina e à natureza que inovaria a história e fundaria uma nova era geológica à semelhança do Antropoceno.

Toda estas propostas são derivações do paradigma da modernidade, do dominus, o ser humano se apropriando de tudo e colocando-se fora e acima da natureza. Por mais severa que seja a observação, importa reconhecer que este projeto que exclui a transcendência e se apoia apenas nas ações humanas realiza a construção da Babilônia denunciada pelo Pontífice. Ele não aponta para uma maior humanização e para relações sociais mais amigáveis. Dada sua lógica interna de competição, sem solidariedade, tal projeto pode nos levar à autodestruição. Isso já fora anteriormente advertido pelo cosmólogo Carl Sagan ao considerar o risco da difusão de armas letais. Ele cunhou a expressão o “princípio da autodestruição”.

2. A antropologia do cuidado e da prevenção.

A esta antropologia da vigilância e do controle se opõe a antropologia do cuidado e da prevenção, a reconstrução da Jerusalém, que, junto ao esforço humano, inclui uma referência ao transcendente, a Deus. A vantagem desta categoria do cuidado é que ela pertence à essência do ser humano, como foi visto desde a fábula 220 de Higino na antiguidade romana e aprofundada por Martin Heidegger em Ser e Tempo e a enfermeira inglesa Florence Nightingale. A Carta da Terra e a encíclica do Papa Francisco têm como subtítulo: Sobre o Cuidado da Casa Comum.

O cuidado representa uma relação não agressiva e amigável diante de tudo o que existe e vive. Se as big techs e a IA fossem imbuídas de cuidado e do princípio da prevenção de males possíveis, jamais poriam em risco a vida humana e o futuro do planeta com toda a sua biodiversidade.

Este paradigma do cuidado emerge como o mais adequado à proposta do Papa Francisco e do Papa Leão XIV e do melhor da reflexão ecológica, de um mundo caracterizado pelo amor e pela amizade. Ele está dentro das possibilidades humanas. A visão antropológica de Peter Thiel esquece que o ser humano é, por essência, um ser de amor, como foi demonstrado pelos biólogos James Whatson, Humberto Maturana e Francisco Varela.

Igualmente é um ser de solidariedade, pela qual ele deu o salto da animalidade para a humanidade. A new science atual afirma ser a espiritualidade um dado objetivo da natureza humana, como são a razão e a vontade. Revela-se pelo amor, pela cooperação, pela abertura ao mistério do mundo, na linguagem de cosmólogos chamado de All-nourishing Abyss (Abismo gerador de tudo).

A sociedade da vigilância e do controle treina as pessoas, a sociedade do cuidado as educa. Essa educação é urgente se quisermos continuar sobre este planeta vivo, nossa pátria e mátria comuns. Então, não se realizará a advertência do Papa Francisco na Fratelli Tutti: “Estamos todos no mesmo barco. Ninguém se salva sozinho. Ou nos salvamos todos ou ninguém se salva”. O Papa Leão XIV, com sua Magnfica Humanitas, nos oferece orientações viáveis para garantirmos um futuro bom para a humanidade, a Casa Comum e a natureza.

Vale a esperançosa sentença de um estudioso da cultura patriarcal, o brasileiro Antônio Sales Rios Neto, que seguramente vai na linha positiva da Magnifica Humanitas e da nova ecologia: “Iniciativas emergirão a ponto de tornarem possível uma democracia planetária, que abraça o pluralismo de modos de viver e uma economia que reencontre o seu sentido original – a preservação da vida e o cuidado da nossa única Casa Comum –, a tempo de evitar a interrupção prematura da experiência humana. Não custa muito imaginar e tentar!” Assim o queira Deus.

Revista Liberta
18 jul 2026

Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.


terça-feira, 21 de julho de 2026

The Kinks


THE KINKS
blues/rock: britânico 
' a maestria de fazer música '

Os Kinks são reconhecidos como um dos grupos de rock britânicos mais importantes e influentes de todos os tempos. Desde seus explosivos começos como parte do movimento British Beat até suas incursões em álbuns conceituais, rock de estádio e baladas acústicas, os Kinks deixaram um legado inquestionável de canções clássicas, muitas das quais formam a base da música popular como a conhecemos hoje.
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Originários de Muswell Hill, no norte de Londres, os Kinks foram formados pelos irmãos Ray e Dave Davies. Inicialmente, a banda chamava-se The Ravens e sua formação combinava R&B e rock and roll com o amigo Peter Quaife no baixo. Uma fita demo produzida pela própria banda chegou ao produtor musical Shel Talmy, que a ajudou a conseguir um contrato com a gravadora Pye Records em 1964. Antes de assinarem o contrato, o grupo substituiu seu baterista por Mick Avory e mudou o nome para The Kinks.

Com a formação clássica já estabelecida, a história da música estava prestes a ser escrita quando o terceiro single do grupo, "You Really Got Me", chegou ao topo das paradas do Reino Unido. Escrita por Ray na sala de estar da casa de seus pais e impulsionada pelo som agressivo e extravagante da guitarra de Dave, a música foi posteriormente citada como inspiração para o garage rock, o punk, o heavy metal e, por contemporâneos, para o The Who. Um álbum, "The Kinks", foi montado às pressas após o enorme sucesso e, por sua vez, foi rapidamente seguido por um segundo single no Top 10, "All Day and All Of the Night".


Entre 1965 e 1967, os Kinks viveram seu primeiro auge comercial, emplacando nove sucessos nas paradas britânicas e sete nos Estados Unidos. Em 1965, "Tired Of Waiting For You" exibiu o estilo vocal cínico de Ray, enquanto Dave criou um som de guitarra drone inovador, com influências indianas, em "See My Friends". Conforme a composição de Ray evoluía, ele se revelou um comentarista social espirituoso e compassivo, retratando os absurdos e as aspirações da vida inglesa. Ele satirizou os viciados em moda em "Dedicated Follower Of Fashion" e os hedonistas da alta sociedade em "Sunny Afternoon". Chegou a criar um hino ao Tâmisa com a incomparável "Waterloo Sunset", que se tornou uma espécie de hino britânico: uma carta de amor de um introvertido àquele "velho rio sujo" e à própria Londres.

Apesar do sucesso comercial dos Kinks em seu país, uma disputa não resolvida com a Federação Americana de Músicos durante uma turnê em 1965 levou a uma proibição de apresentações nos EUA, que durou até 1969. Assim, enquanto a maioria das bandas britânicas buscava inspiração na crescente revolução hippie americana, Ray não precisava procurar inspiração em outro lugar além do seu próprio quintal. As canções dos álbuns Face To Face e Something Else estão repletas de pequenas pérolas que detalham a vida ao seu redor – às vezes cômicas, às vezes cínicas, sempre inteligentes e melódicas. Em 1967, Dave Davies ascendeu ao estrelato como artista solo com o sucesso Death Of A Clown, uma das pouquíssimas canções coescritas por Dave e Ray. Dave lançou outros três singles nos dois anos seguintes, todos de alta qualidade, mas que não alcançaram o sucesso de Death Of A Clown nas paradas, e um álbum solo foi cancelado.

Talvez o melhor trabalho desse período tenha sido o álbum de 1968 da banda, The Kinks Are The Village Green Preservation Society. Nele, Ray desenvolveu os principais temas de sua obra, em homenagem às tradições de uma Inglaterra quase mítica, perdida em meio à modernidade. O álbum foi ignorado pelo público britânico e um dos trabalhos de maior sucesso artístico dos Kinks acabou esquecido. Felizmente, nos anos seguintes, seu prestígio cresceu e hoje é reconhecido como um dos álbuns britânicos mais importantes já lançados. Após o lançamento, e na primeira mudança na formação original da banda, Pete Quaife saiu em 1969 para seguir outros projetos musicais, sendo substituído pelo baixista John Dalton.


O álbum seguinte, com o pomposo título de Arthur (Or The Decline and Fall of the British Empire), abordou temas semelhantes, retratando uma família inglesa relembrando suas experiências antes de emigrar para a Austrália, com vinhetas que exploram a guerra, o sistema de classes e a identidade nacional e pessoal, apresentando a sempre retratada Victoria. O clima ficou um pouco mais leve com o enorme sucesso de 1970, Lola, que desafiava as normas de gênero e foi a peça central do álbum Lola Vs. Powerman And The Moneygoround daquele ano, uma viagem pelos altos e baixos da indústria musical. O álbum Muswell Hillbillies, de 1971, ecoou a coleção de vinhetas de conto de fadas de Village Green, e o single Supersonic Rocketship, do animado e vibrante Everybody's In Showbiz, com seus metais marcantes, chegou ao Top 20 em 1972. A sentimental Celluloid Heroes, do mesmo álbum, tornou-se uma favorita nos shows ao vivo e presença constante nas rádios AOR.

O restante da década de 1970 viu nossos heróis abordarem uma gama impressionante de temas e situações da vida real, desde estruturas políticas e corrupção, cultura pop e ilusão, até o sistema educacional do Reino Unido, com os quatro álbuns conceituais da banda: Preservation Act 1, Preservation Act 2, Soap Opera e Schoolboys in Disgrace. O considerável público que conquistaram nos EUA, graças às constantes turnês após o fim da proibição sindical, trouxe-lhes recompensas comerciais e, em 1977, um álbum no Top 30, Sleepwalker, e outro no Top 40, Misfits, de 1978.

Durante muitos anos, os Kinks receberam elogios reverenciais da comunidade do rock, o que aumentou ainda mais seu prestígio com a onda de novas bandas e músicos que surgiam. Em 1978, o The Jam fez um cover de "David Watts", enquanto o The Pretenders emplacou seu primeiro sucesso no Reino Unido com uma versão de "Stop Your Sobbing", e o Van Halen impulsionou sua carreira com uma interpretação hard rock de "You Really Got Me". Mas o maior sucesso de todos foi a versão arrebatadora de Kirsty McColl para "Days".

Em 1979, a banda lançou o álbum de hard rock Low Budget e, tardiamente, tornou-se estrela do rock nos Estados Unidos, entrando no circuito de rock de estádio e lotando o Madison Square Garden. Em 1980, Dave Davies lançou um álbum homônimo bem recebido e fez uma apresentação solo no programa de TV de longa duração American Bandstand, seguido pelos álbuns Glamour e Chosen People. Os americanos também compraram em massa o álbum Give The People What They Want, dos Kinks, em 1981, que incluía os singles de sucesso Better Things e Destroyer. Em 1983, os Kinks voltaram às paradas do Reino Unido com Come Dancing, que permanece o single de maior sucesso da banda nos Estados Unidos, do álbum State of Confusion. O LP Word of Mouth, de 1984, apresentou Do It Again e Living On A Thin Line, que tocaram bastante nas rádios de rock americanas.


Durante seu curto período de folga das turnês mundiais, Ray deixou de lado seu trabalho com os Kinks para colaborar nos musicais Chorus Girls e Around The World In 80 Days. Em 1985, o baterista original Mick Avory deixou a banda e foi substituído por Bob Henrit. No mesmo ano, Ray Davies lançou seu primeiro álbum solo, Return To Waterloo, trilha sonora de um inovador filme musical que ele escreveu e dirigiu para a televisão britânica.


Em 1990, todos os quatro membros da formação original dos Kinks — Davies, Davies, Quaife e Avory — foram introduzidos no prestigiado Hall da Fama do Rock and Roll americano. Ao longo da década de 90, os Kinks conquistaram uma nova geração de fãs, com mais uma onda de músicos prestando homenagem à banda. Damon Albarn, do Blur, em particular, reconheceu Davies como uma influência fundamental, assim como Noel e Liam Gallagher, do Oasis, com Ray Davies recebendo o carinhoso título de "Padrinho do Britpop". Em 2005, os Kinks entraram para o Hall da Fama da Música do Reino Unido.

A banda desleixada dos subúrbios operários de Londres continua a influenciar cada nova geração de fãs. De avós a netos, os Kinks são amados, e quando você pergunta o porquê, verá um brilho nos olhos que revela uma afeição profunda como nenhuma outra banda consegue inspirar. Os Kinks sempre estiveram ao lado das pessoas comuns, imunes a tendências ou interesses comerciais, e contaram suas histórias de uma maneira única no rock. Da explosão sonora impactante de "You Really Got Me" à doçura melancólica de "Waterloo Sunset", do jogo de palavras inteligente e transgressor de "Lola" ao pop nostálgico de "Come Dancing", a música dos Kinks é acessível, inclusiva, alegre, reflexiva e amada. Eles serão para sempre, como cantaram em 1966, "diferentes de todos os outros". O mundo é muito melhor por isso, e isso continuará por muito tempo ainda...

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

70's (de)Novo: Casa das Máquinas


Casa das Máquinas 

Uma banda brasileira de rock! 
' fundada na década de 1970 '

A história começa quando José Aroldo Binda (Aroldo) e Luiz Franco Thomaz (Netinho), dois ex-integrantes da banda Os Incríveis, juntaram-se a Carlos Roberto Piazzoli conhecido como Pisca , Carlos Geraldo Carge, ex-integrante da banda Som Beat, que tocava baixo e guitarra, e Pique, ex-integrante da banda de Roberto Carlos que tocava órgão, piano, saxofone e flauta. No começo ficaram conhecidos como “os novos Incríveis”, fazendo shows por todo o Brasil. Seu repertório incluia músicas de Elvis Presley, Paul Anka, Chubby Checker, Neil Sedaka, entre outros. Nas apresentações vestiam figurinos, se maquiavam e davam grandes performances teatrais no palco. Em 1974 entraram em estúdio e gravaram seu primeiro LP, intitulado Casa das Máquinas.

Neste primeiro disco a banda seguiu um padrão mais hard rock, que lembrava muito o estilo dos Incríveis. Com a saída de Pique, logo depois da gravação desse disco, a vaga se abriu para um virtuoso tecladista da época, Mario Testoni Jr., que trouxe Marinho Thomaz (bateria), irmão de Netinho. Ambos deram um grande vigor para a banda na época (foram uma das primeiras bandas de rock a usar dois bateristas). Entraram em estúdio e gravaram Lar de Maravilhas em 1975, onde foi adotado um estilo mais progressivo. Nessa época Netinho conheceu um grande compositor, ainda menor de idade, chamado Catalau, que havia sido descoberto em 1976 por Pisca e Netinho. A primeira letra que fez foi “Rock que se cria”. Compõs com a banda dois discos, Lar de Maravilhas (1975) e Casa de Rock (1976).

No disco seguinte ocorreram algumas modificações na formação: Carlos Geraldo e Aroldo saíram e o grupo passou a procurar por um vocalista e um baixista. Foi à vez de Simbas assumir os vocais principais; ex-vocalista do Mountry, banda de bailes e shows da época, Simbas trouxe para o grupo sua voz e seu estilo andrógino no palco. Netinho ofereceu o convite para Simbas logo que chegou de uma viagem a Londres, indicado por Caramês (jornalista da revista POP); Simbas ainda teria tido outra oferta de ser vocalista da banda Tutti Frutti, de Rita Lee, porém optou pela proposta de Netinho e ingressou no Casa das Máquinas.

Entraram em estúdio e gravaram Casa de Rock, sem baixista; Pisca fez as linhas de baixo e só depois foi convidado João Alberto para assumir o posto de baixista. Nessa mesma época o Casa conseguiu uma apresentação na TV Tupi, que não foi ao ar por causa da censura; Simbas teria vestido roupas chamativas e feito movimentos exóticos, e este teria sido o principal motivo.

Mais tarde o vídeo estaria disponibilizado na internet. Agora seria a vez de Marinho Testoni deixar a banda; seu contrato acabou na época e ele recebeu uma boa proposta para integrar o grupo Pholhas. Seguindo o caminho a banda continuou sem tecladista fixo; Pisca, que era o gênio instrumental, tocava teclado em algumas musicas que não precisavam de guitarra, como “Vale verde” e “Mania de ser”. 

Entraram em estúdio e gravaram o videoclipe da música “Casa de Rock” que continha um cenário com máquinas e andaimes, lembrando mesmo o nome da banda, e publicado mais tarde no Fantástico, da TV Globo. Quase no fim da carreira fizeram um show em Santos em 1978 que foi gravado em uma fita cassete e depois pirateado para CD, uma das últimas apresentações do grupo, que depois ficaria parado até dezembro de 2003.

O fim da banda

Casa das Máquinas, enquanto grupo, acabou em 1978, não por um motivo específico, mas por uma conjunção de fatores. Alguns motivos que podem ter causado o fim da banda foram os seguintes: O mercado fonográfico iniciava o processo de “profissionalização”, fechando as portas para aqueles artistas que na época tinham propostas com qualidade, porém que tinham retorno a longo prazo. A disco music estava crescendo no Brasil, ocupando assim o espaço que antes eram terreno de bandas como o Casa das Máquinas.

A ditadura militar, já em fase de agonia, fazia questão de incomodar ao máximo, bandas como o Casa das Máquinas eram taxados como maconheiros, bichas, arruaceiros e marginais. Utilizavam diversos pretextos para impedir a banda de se apresentarem na TV.

Finalmente, houve o episódio da morte de um cinegrafista da TV Record, depois de uma briga que envolveu alguns membros do grupo. Segundo uma das versões do ocorrido, Simbas, que chegara aos estúdios da Record para se apresentar no programa de Raul Gil em um veículo dirigido por seu irmão, preferiu utilizar-se do portão dos fundos, em vez de entrar pela frente, onde estariam fãs. Enquanto Simbas descarregava seus equipamentos, um motorista de ônibus que encontrou o caminho da saída bloqueado teria começado uma briga, e ao retornar e tentar apartar foi impedido por um câmera da Record, com quem acabou trocando chutes e socos; posteriormente o câmera teria sido internado em um hospital e acabaria falecendo devido a uma perfuração causada por uma fratura de costela. Simbas teve de responder judicialmente, e, apesar de absolvido por homicídio, foi condenado por agressão.

Quando a banda acabou os integrantes tomaram os seguintes rumos: Simbas e Marinho Thomaz receberam o convite de Luiz Carlini para fazerem parte do Tutti Frutti, João Alberto seguiu Marinho Testoni para participar do Pholhas, Pisca permaneceu trabalhando como compositor e arranjador para outros nomes da música brasileira e Netinho retomou em sua antiga banda, Os Incríveis.

O retorno

A possibilidade do retorno da banda havia sido estudada há tempos, em dezembro de 2003. Netinho remontou a banda para uma apresentação única em Matão, interior de São Paulo, e a resposta do publico foi melhor que a banda esperava. Nessa formação contaram com Netinho, Marinho Testoni e Marinho Thomaz, e foram chamados Nando Fernandes nos vocais, Andria Busic (Dr. Sin) no baixo e Sandro Haick na guitarra.

O retorno concretizou-se no final de 2007. A banda gravou um novo álbum que foi lançado no ano de 2008, trinta e dois anos após seu antecessor. Intitulado de Ensaio, o disco trouxe algumas gravações clássicas da banda, porém com uma nova roupagem e com novos arranjos.

Embalando esse projeto, a banda foi convidada para tocar no Festival Psicodália de Carnaval, na Serra do Tabuleiro, em Santa Catarina, para um público de 3000 pessoas com uma formação totalmente inédita. A formação que se apresentou no festival em 3 de fevereiro de 2008 contou com Netinho, seu irmão Marinho Thomaz, Marinho Testoni, Andria Busic e Faíska.

A banda segue ativa e excursionando pelo Brasil com uma formação renovada, mas mantendo a essência do rock progressivo. O grupo lançou em 2022 o álbum Brilho nos Olhos, depois de muitos anos do seu último disco de inéditas, e continua se apresentando com frequência em festivais e espaços culturais pelo país. A formação da banda que gravou o álbum estava formada por: Mário Testoni Júnior (teclados), Mário Franco Thomaz (Marinho) (bateria), Áivan (vocal), Cadu Moreira (guitarra), Geraldo Vieira (baixo) e Lucas Tagliari (bateria e percussão).


Os Integrantes

Formação atual:
Mário Testoni Jr. (1975-presente): órgão, teclados e piano.
Rodrigo Grecco: vocal. 
Cadu Moreira: guitarra. 
Geraldo Vieira: baixo. 
Lucas Tagliari: bateria.

Ex-integrantes:
Luiz Franco Thomaz (Netinho) (1972-1979): bateria e percussão.
José Aroldo Binda (1972-1976): violão, guitarra e vocal.
Carlos Roberto Piazzoli (Pisca) (1972-1978): guitarra, órgão, baixo e violão.
Carlos Geraldo Carge (1972-1976): baixo e vocal.
Mário Franco Thomaz (Marinho) (1975-2008): bateria e vocal.
Maria José (Simbas) (1977-1978): vocal.
João Alberto (1977-1978) – baixo:
Pique (1972-1975): piano, saxofone, flauta e órgão.
Andria Busic (2003-2008): baixo e vocal.
Faíska (2003- 2008): guitarra.

Discografia
Casa das Máquinas: 1974.
Lar de Maravilhas: 1975.
Casa de Rock: 1976.
Ao Vivo em Santos (bootleg): 1978.
Pérolas (coletânea): 2000.
Ensaio 2007 (edição limitada, vendida apenas no Festival Psicodália): 2008.
Brilho nos Olhos: 2022.

Videografia
Vídeo gravado na TV Tupi cantando “Vou Morar no Ar”.
Videoclipe da música “Casa de Rock’, gravado para o Fantástico.
Videos gravados no Festival Psicodália, em 2008.