A história da Mahavishnu Orchestra:
Audácia, inovação e ousadia!
A Mahavishnu Orchestra elevou o conceito de "ousadia" a um novo patamar com sua música tão audaciosa, inovadora e empolgante desde os primeiros trabalhos da The Jimi Hendrix Experience.
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Era final de 1973 e Jeff Beck precisava se abrigar dos ventos gelados que sopravam em torno de sua mais recente banda, o supergrupo Beck, Bogert & Appice (BBA). O guitarrista havia se refugiado em sua casa de campo em East Sussex, onde se dedicava à sua paixão por restaurar carros antigos. Sua atenção fora capturada pela música que tocava no rádio do carro. Era um som que ele nunca ouvira antes: uma bateria estrondosa impulsionava e sustentava uma cacofonia de guitarra, sintetizador e violino elétrico. A banda tinha um nome estranho que combinava com seu som estranho e novo: Mahavishnu Orchestra. Logo ele decidiria largar o blues rock da 'BBA' para se aprofundar nessa nova sonoridade.
Pouco tempo depois, Beck ouviu "Spectrum", o álbum solo igualmente inovador de Billy Cobham, baterista da Mahavishnu Orchestra. Mahavishnu havia aberto seus ouvidos e sua mente. Spectrum o convenceu de que estava tomando a decisão certa. "Isso mudou completamente minha perspectiva musical", disse Beck muitos anos depois. "Representou toda uma área que era tão empolgante para mim quanto quando ouvi Hound Dog, de Elvis Presley, pela primeira vez ."“Não se tratava de fazer sentido”, diz John McLaughlin o virtuoso guitarrista nascido em Yorkshire que conduziu a Mahavishnu Orchestra por um caleidoscópio de dimensões musicais durante suas duas fases distintas no início dos anos 70 e meados dos anos 80. “Na verdade, era o oposto. Ou melhor, era sobre fazer mais sentido. Era sobre conectar a música ao espiritual, ao universal, ao que transcende. Então, quando as pessoas perguntavam: 'É jazz? É rock?', eu ria e dizia: 'Não sei. O que você acha?'”
A sonoridade Jazz-Fusion
Tony Williams era um baterista de jazz nascido em Chicago que alcançou a fama no início da década como um prodígio de 17 anos tocando na banda de Miles Davis. Em 1969, ele formou o grupo proto-jazz-fusion, Tony Williams Lifetime, e convidou McLaughlin para se mudar para Nova York e se juntar a eles. O álbum de estreia do grupo, Emergency!, levou McLaughlin a conseguir o "trabalho da sua vida" com seu ídolo de adolescente, Miles Davis, bem a tempo de gravar o álbum In A Silent Way e, em 1970, Bitches Brew, o álbum histórico que levou a nova fusão jazz-rock ao público mais amplo possível.
McLaughlin acabaria por participar em sete álbuns de Miles Davis, incluindo os reconhecidos pilares do jazz-rock Jack Johnson, Live Evil e On The Corner. E assim poderia ter continuado, se Miles não tivesse chamado John de lado numa noite de 1970 e lhe dito: "Está na hora de você formar a sua própria banda."
“Eu nem tinha pensado nisso. Eu estava tocando com o Tony. Eu estava tocando com o Miles. Eu tinha os melhores shows do mundo. Mas o fato de ele ter me dito isso foi muito significativo, porque ele era o homem mais honesto que eu já conheci.”
E a Mahavishnu Orchestra é formada nesse contexto da fusão de jazz e rock. Eles transitavam entre os dois estilos, mas não eram puros em nenhum. O público do rock, já familiarizado com o experimentalismo de Jimi Hendrix, abraçou suas complexas explorações musicais, que levaram o crescente culto ao virtuosismo instrumental a um nível vertiginoso. Por outro lado, os puristas do jazz já tinham tido as experiências com a cacofonia controlada de guitarra, baixo, bateria, sintetizador e violino elétrico que Miles Davis estava testando no disco "Betches Brew", lançado em 1970.
Por volta de 1971, o guitarrista John McLaughlin, que havia participado dos experimentos de Miles Davis, amplia essa mistura de jazz e rock com um pouco de misticismo no visionário primeiro álbum, "The Inner Mounting Flame". Mas tudo isso só seria elevado a outro nível por conta da entrada dos excelentes e performáticos músicos que formariam a Mahavishnu Orchestra.
“Eu nem tinha pensado nisso. Eu estava tocando com o Tony. Eu estava tocando com o Miles. Eu tinha os melhores shows do mundo. Mas o fato de ele ter me dito isso foi muito significativo, porque ele era o homem mais honesto que eu já conheci.”
E a Mahavishnu Orchestra é formada nesse contexto da fusão de jazz e rock. Eles transitavam entre os dois estilos, mas não eram puros em nenhum. O público do rock, já familiarizado com o experimentalismo de Jimi Hendrix, abraçou suas complexas explorações musicais, que levaram o crescente culto ao virtuosismo instrumental a um nível vertiginoso. Por outro lado, os puristas do jazz já tinham tido as experiências com a cacofonia controlada de guitarra, baixo, bateria, sintetizador e violino elétrico que Miles Davis estava testando no disco "Betches Brew", lançado em 1970.
Por volta de 1971, o guitarrista John McLaughlin, que havia participado dos experimentos de Miles Davis, amplia essa mistura de jazz e rock com um pouco de misticismo no visionário primeiro álbum, "The Inner Mounting Flame". Mas tudo isso só seria elevado a outro nível por conta da entrada dos excelentes e performáticos músicos que formariam a Mahavishnu Orchestra.

A formação da banda.
Liderados pela figura improvável de McLaughlin – vestido todo de branco, brandindo beatificamente uma guitarra de dois braços – eles eram devotos, espirituais, meditativos, fervorosos e, acima de tudo, livres. E, surpreendentemente, obtiveram enorme sucesso graças a isso.
“Foi uma época de grandes transformações”, reflete McLaughlin. “A revolução psicodélica; toda questão racial; ondas de assassinatos; a Guerra do Vietnã e tudo mais. A música simplesmente refletia a sociedade como era então. Havia uma grande sensação de que realmente podíamos tornar o mundo um lugar melhor”.
Por volta de agosto de 1971, a banda começou a mesclar as linhas do jazz com o rock em seu visionário primeiro álbum, The Inner Mounting Flame. Ele conheceu o baterista Billy Cobham enquanto ambos gravavam o álbum Bitches Brew com Miles Davis. Nascido no Panamá e criado em Nova York, Cobham se formou na High School of Music and Art em 1962. Cobham percorreu os clubes da Big Apple em diversas bandas de jazz antes de se juntar a Davis. "A experiência mais louca que já vi", diz Cobham hoje sobre as gravações de Bitches Brew.
“Foi uma época de grandes transformações”, reflete McLaughlin. “A revolução psicodélica; toda questão racial; ondas de assassinatos; a Guerra do Vietnã e tudo mais. A música simplesmente refletia a sociedade como era então. Havia uma grande sensação de que realmente podíamos tornar o mundo um lugar melhor”.
Por volta de agosto de 1971, a banda começou a mesclar as linhas do jazz com o rock em seu visionário primeiro álbum, The Inner Mounting Flame. Ele conheceu o baterista Billy Cobham enquanto ambos gravavam o álbum Bitches Brew com Miles Davis. Nascido no Panamá e criado em Nova York, Cobham se formou na High School of Music and Art em 1962. Cobham percorreu os clubes da Big Apple em diversas bandas de jazz antes de se juntar a Davis. "A experiência mais louca que já vi", diz Cobham hoje sobre as gravações de Bitches Brew.
Foi ali que Cobham e McLaughlin se aproximaram, formando uma aliança musical que impulsionaria o Mahavishnu, a dupla embarcou no que o baterista chama de um “dueto estendido”. “Tocamos juntos, só nós dois, por umas três semanas”, lembra Cobham agora, por telefone, de Los Angeles. “Só improvisando, e John foi anotando as coisas. Foi assim que surgiu a música do primeiro álbum do Mahavishnu.”
O músico Tcheco, Miroslav Vitouš, recomendou o compatriota tecladista Jan Hammer à McLaughlin. Nascido em Praga em 1948, Hammer vinha de uma família com forte tradição musical – sua mãe era uma cantora renomada e seu pai, um músico de jazz amador. Ele começou a tocar piano aos quatro anos de idade e fez turnês pela Europa Oriental com seu próprio trio. Formou-se na Academia de Artes Musicais de Praga e, em seguida, recebeu uma bolsa de estudos para o Berklee College of Music, em Boston.
Quando fez o teste para o Mahavishnu, Hammer era membro da banda de apoio da cantora de jazz Sarah Vaughan; um músico coadjuvante superqualificado que tinha grandes aspirações. Ele apareceu para o teste com um sintetizador Minimoog, na época um brinquedo novíssimo e exclusivo. "Ele era inacreditável", diz McLaughlin com uma risada. "Que autoconfiança!"
Os dois últimos membros a se juntarem ao grupo não eram menos talentosos. Jerry Goodman era um violinista elétrico precoce de 21 anos, com formação em conservatório. Seus pais haviam se apresentado com a Orquestra Sinfônica de Chicago, e seu tio era o pianista de jazz Marty Rubenstein, que compunha trilhas sonoras para filmes. Jerry havia sido a estrela da banda The Flock, nos anos 60.
“Encontrei o Jerry em uma fazenda em algum lugar de Illinois”, lembra McLaughlin. “Ele tinha gravado um disco com o The Flock. Ouvi-o tocar e pensei: 'É ele!'” A experiência de Goodman com o rock, juntamente com seu cabelo rebelde, deu ao Mahavishnu uma conexão direta com o público do rock, que eles conquistariam com tanta força. Ele tinha a aparência de uma estrela do rock, se apresentava como uma estrela do rock e, quando o sucesso chegou rapidamente, começou a pensar como uma também.

O baixista Rick Laird era outro músico altamente qualificado: estudou na Guildhall School of Music em Londres e no Berklee College of Music em Boston. Seu estilo sofisticado e inventivo encaixou perfeitamente na banda. Ele era mais velho que os outros integrantes e mais experiente como o próprio John McLaughlin.
O primeiro álbum da Mahavishnu Orchestra, The Inner Mounting Flame, lançado em 1971, talvez tenha sido o mais aclamado. A faixa de abertura, Meeting Of The Spirits, são como explosões vulcânicas, muita intensidade em um momento, com vislumbres cintilantes no seguinte. Esta faixa foi inovadora apontando para um novo futuro da música instrumental. Faixas mais envolventes como Vital Transformation, suaves como a Dawn ou mais sofisticada e quase acústica como A Lotus On Irish Streams, trazia uma tensão quase insuportável no álbum que deixava a sensação de que a banda estava à beira de explodir em mil pedaços, tamanho era o esforço e a dedicação que demonstravam uns aos outros.
Outro momento evidente desses elementos, são os seis minutos e meio da frenética e vertiginosa Noonward Race, à primeira vista um "dueto" alucinante entre guitarra e bateria.

Quando o Mahavishnu lançou seu segundo álbum, Birds Of Fire, em março de 1973, eles já haviam conquistado uma base de fãs dedicada. Com seus solos intergalácticos, performances de conjunto vertiginosas e uma técnica impecável, o álbum seguia de perto o modelo estabelecido por seu antecessor – na verdade, quase que em excesso. Não só cada faixa de Birds Of Fire soava notavelmente semelhante a uma das faixas de The Inner Mounting Flame. Esse álbum foi um salto tremendo em termos das composições e técnicas apresentadas.
As primeiras fissuras sérias ocorreram em Londres, no início de 1973, durante as sessões interrompidas para o sucessor de Birds Of Fire. Hammer e Goodman queriam mais participação na composição – e uma parte maior dos direitos autorais. A dupla ficou ainda mais irritada quando McLaughlin e Cobham partiram em turnê norte americana com Carlos Santana para promover o álbum Love Devotion Surrender, que a dupla do Mahavishnu havia gravado com Carlos, outro devoto de Sri Chinmoy.
Eles poderiam ter viajado o mundo juntos com Mahavishnu, mas Billy Cobham nunca se sentiu tentado a acompanhar John McLaughlin em sua jornada espiritual. "Isso era coisa dele, não minha", diz ele agora. Mas o baterista reconhece que algo místico acontecia quando Mahavishnu tocava no palco. "Havia telepatia, às vezes, quando tocávamos. Estávamos tão imersos naquilo que eu nem percebia a plateia."
Os críticos concordaram, os fãs ficaram enfeitiçados por sua música e a Mahavishnu Orchestra praticamente não saiu da estrada nos dois anos seguintes. A formação original realizou mais de 500 shows entre 1971 e 1973. Eram apresentações longas e elaboradas que exigiam quase tanta concentração do público, invariavelmente sob efeito de drogas, quanto dos músicos, geralmente sóbrios como rédeas da situação. Embora Cobham fale sobre ter "experiências extracorpóreas" ao tocar ao vivo, ele refuta veementemente qualquer sugestão de que a banda tenha feito uso abusivo de drogas fora do palco.
Os críticos concordaram, os fãs ficaram enfeitiçados por sua música e a Mahavishnu Orchestra praticamente não saiu da estrada nos dois anos seguintes. A formação original realizou mais de 500 shows entre 1971 e 1973. Eram apresentações longas e elaboradas que exigiam quase tanta concentração do público, invariavelmente sob efeito de drogas, quanto dos músicos, geralmente sóbrios como rédeas da situação. Embora Cobham fale sobre ter "experiências extracorpóreas" ao tocar ao vivo, ele refuta veementemente qualquer sugestão de que a banda tenha feito uso abusivo de drogas fora do palco.
Eles compartilharam shows com bandas como: Aerosmith, Blue Öyster Cult, Yes, ELP, Steve Miller, Taj Mahal, The Byrds e James Taylor. John McLaughlin parecia apreciar apresentações inusitadas – elas representavam tanto um desafio quanto uma oportunidade de moldar o público, não familiarizado com a música do Mahavishnu, à vontade da banda.
No final de 1971, eles abriram o show dos Eagles, e tamanho era o potencial da banda, que na segunda noite eles chegaram e disseram: "A partir de agora, nós abrimos e vocês fecham”, conta McLaughlin. “Nós respondemos: 'Claro. O que vocês quiserem.' Estávamos ficando muito fortes e agressivos, entende? Naquela época, era isso que as pessoas esperavam. Os Eagles eram enormes, mas isso era algo completamente diferente”.
O Mahavishnu pode ter começado sua trajetória no mundo do jazz, mas não se tratava de algo para quem só apreciava o estilo. Era algo mais empolgante, barulhento e impactante, diferente das "jams sessions". Numa época em que os fãs de rock começavam a apreciar o virtuosismo instrumental e efeitos especiais, artistas pioneiros como Frank Zappa, Captain Beefheart e Soft Machine já tinham surgido com álbuns em que as pessoas podiam carregar debaixo do braço como um símbolo de estilo.
A formação original da Mahavishnu Orchestra fez seu último show em 30 de dezembro de 1973 no Masonic Temple Auditorium, em Detroit. Cada membro seguiu caminhos diferentes, alcançando diferentes níveis de sucesso. Billy Cobham tornou-se um dos bateristas de jazz mais requisitados, tanto como músico de estúdio quanto como líder de sua própria banda. No início dos anos 70, ele lançou uma trilogia de álbuns de jazz-fusion aclamados pela crítica, sendo o primeiro e melhor deles, Spectrum (com Tommy Bolin na guitarra), frequentemente citado como um marco desse estilo.
Rick Laird colaborou com Stan Getz e Chick Corea; hoje ele é um fotógrafo respeitado. Jerry Goodman e Jan Hammer se reuniram para um álbum, Like Children, de 1975, antes do violinista construir uma carreira que o levou a tocar com artistas como Hall & Oates e o ex -tecladista do Dream Theater, Derek Sherinian. Hammer colaborou com Jeff Beck, principalmente no álbum Wired, inspirado em Mahavishnu, e compôs a trilha sonora da famosa série policial dos anos 80, Miami Vice.
John McLaughlin reformulou a Mahavishnu Orchestra com a entrada do baterista Narada Michael Walden e o virtuoso violinista francês Jean-Luc Ponty. Essa formação, e as subsequentes, produziram três álbuns com uma sonoridade muito mais jazzística e um pouco menos rock, um pouco mais estudada e muito menos eletrizante. Após dissolver a banda em 1976, ele relançou a Mahavishnu por alguns breves anos na década de 1980. Mas é a formação original, e os dois álbuns de estúdio inovadores, revolucionários e visionários que eles criaram, que realmente ocupam um lugar especial em seu coração até hoje.“Tenho que te dizer, aquela primeira formação do Mahavishnu Orchestra era ótima”, diz ele. “A segunda também, com o Narada. Mas a primeira foi realmente especial. Quando a música era maior que os egos pessoais. Não terminou bem; foi uma completa besteira. Mas fazer o quê? Foi fantástico enquanto durou, e entrou para os anais do jazz-fusion como inovador. Ainda encontro pessoas que me dizem o quanto amam aqueles álbuns da Mahavishnu Orchestra. Ainda há pessoas descobrindo-os pela primeira vez."




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