Pequena Biografia da Mãe Terra
Uma breve história da Casa Comum que compartilhamos com os demais seres da natureza.
Matéria:
Quase não conhecemos a biografia do nosso planeta. Descobrimos miríades de coisas, mas não havíamos descoberto ainda a Terra. Foi preciso que os astronautas fossem lá fora, de lá vissem a Terra e por ela se enchessem de respeito e veneração. Ela é a única Casa Comum que possuímos junto com os demais seres da natureza.Antes de ter nossa querida Mãe, nós tivemos uma avó, uma imensa estrela chamada Tiamat, nome de uma divindade do Oriente Médio. Ocorre que, depois de milhões de anos de existência, a nossa avó Tiamat explodiu. Partes de seu corpo se espalharam pelo espaço sideral. Um pedaço dela se transformou numa bola de fogo extremamente quente e brilhante. Nascia, assim, o Sol.
Como era forte e suficientemente grande, ele conseguiu atrair ao seu redor pedaços da avó Tiamat denominados planetas, como Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e outros. A Terra é o terceiro planeta atraido pelo sistema solar. Ela possui um diâmetro de 5.400 km e uma circunferência de 40 mil km, distando 150 milhões de km do Sol, de modo que a luz solar demora 8 segundos para chegar até nós. O Sol é tão importante que cerca de 95% do que existe na Terra depende dele.
Planeta água
Durante milhões de anos, a Terra permaneceu derretida como uma sopa grossa, uma espécie de mar de lava extremamente quente, contendo os elementos que formariam o planeta que temos hoje. Choveu durante milhões de anos até que ela resfriasse. Irromperam altas montanhas.
De tempos em tempos, explodiam imensos vulcões, que, com sua lava, ajudaram a formar montanhas. Acresce ainda que era torpedeada por grandes meteoros, os quais formaram crateras profunda. Como grande parte deles era constituída de gelo e outros elementos, os vulcões também ajudaram a criar rios e lagos, bem como montanhas. A água foi tão abundante que, de uma planeta de fogo, a Terra se transformou num planeta de água na ordem de 70% de sua superfície.
Por volta de 3,8 bilhões de anos, começaram a irromper do grande mar ilhas, que circulavam aleatoriamente pelas águas. Até que muitas delas se uniram e formaram um grande continente chamado Pangeia.
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A Terra é formada por capas concêntricas à modo de uma cebola. Em primeiro lugar, vem a atmosfera, que fica 40-50 km acima de nossas cabeças. São os gases que protegem a vida. Em seguida, vem a biosfera, fina como uma casca de maçã, mas é ela que permite a existência da vida. Na superfície, encontramos a hidrosfera, que são os oceanos, lagos e rios. Depois, comparecem as terras elevadas, feitas pela crosta dos continentes e pelo fundo do mar. Logo a seguir, surge o manto terrestre, que começa a 40 km abaixo da crosta terrestre e se estende até o centro da Terra. Aí há o núcleo externo, composto de ferro derretido, e, por fim, o núcleo interno de ferro sólido, tudo com milhares de graus de calor.
Importante é constatar a riquíssima natureza que cobre a Terra com inumerável biodiversidade de flora e fauna, que inclui os seres humanos, com tudo o que tivermos feito durante a história em cidades, monumentos, artes de todo tipo, instrumentos técnicos, numa palavra: a civilização técnico-industrial. Importa destacar ainda que todos esses elementos não estão justapostos, mas todos são envolvidos por teias de relações, nas quais cada elo, como numa rede de pescador, se relaciona com os outros elos. Dessa forma, se ajudam mutuamente.
Equilíbrio sutil
Bem comentavam entre si os astronautas da Lua: ”Desde aqui de cima, não há diferença entre a Terra e a humanidade. Tudo é uma coisa só, bela, irradiante, azul e branca. Ela é tão pequenina que cabe na palma de nossa mão. Podemos escondê-la atrás de nosso polegar. Lá está tudo o que amamos, nossa família, nossa pátria, a Casa Comum”. Todos somos Terra que sente, pensa, ama e cuida.
Todos os elementos que compõem a Terra são profundamente equilibrados. Assim, por exemplo, há milhões de anos, o oxigênio da Terra é de 21%. Se permanecesse sempre 16%, nós desmaiaríamos por insuficiência de ar; se fosse 30%, um raio ou uma faísca de fósforo produziria incêndios. O nitrogênio, que responde pelo crescimento, é sempre de 79%. Por milhões de anos, a dosagem de sal nos oceanos é praticamente a mesma: 3,4%. Se fosse menor, diminuiriam as chuvas e, se fosse maior, os peixes quase não sobreviveriam.
Concluindo, podemos dizer: é em razão desse sutil equilíbrio de todos os elementos que a Terra continua viva e nos dá permanentemente vida. Sol e Terra formam como que um casamento feliz e bem realizado. Juntos, eles nos oferecem tudo o que precisamos para viver. Hoje, no entanto, temos maltratado a Mãe Terra, a ponto de estar perdendo seu equilíbrio e ameaçando a vida tão preciosa. Temos que cuidar da Mãe Terra e sanar suas feridas para que continue nos fazendo viver neste planeta, tão belo, diverso e esplendoroso.
Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A busca da justa medida (I e II), Vozes 2023; A oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz, Vozes 2009.
