Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Meio Ambiente : Leonardo Boff

A relevância da compaixão na situação atual.

O budismo e o cristianismo convocam a estabelecer uma comunhão no sofrimento para que ninguém desamparado em sua dor.

Leonardo Boff

"Face a tantos padecimentos na humanidade e agressões sistemáticas à Mãe Terra, a compaixão é um imperativo humanístico e ético"

Reflexões para um mundo melhor.

Estamos assistindo nos dias atuais a conflitos em muitos países, especialmente na Faixa de Gaza onde ocorre um dos maiores genocídios da história presente, na guerra contra a Ucrânia na qual milhares, especialmente jovens, são mortos sob o ataque implacável da Rússia e assim em outros lugares, em particular, na África.

Como não se indignar contra o genocídio de milhares de crianças inocentes que nada têm a ver com a guerra que Israel move contra o Hamas, atingindo indiscriminamente toda a população da Faixa de Gaza e visando exterminar especialmente crianças e jovens que no futuro poderiam ser contra o Estado de Israel.

A ética, para ser plenamente humana, precisa incorporar a compaixão. Há muito sofrimento na história, sangue demasiado em nossos caminhos e interminável solidão de milhões e milhões de pessoas, carregando sozinhas, em seu coração, a cruz da injustiça, da incompreensão e da amargura. O ethos que se compadece quer incluir a todos esses no “ethos” planetário, vale dizer, na Casa Comum na qual há acolhida e as lágrimas podem ser choradas sem vergonha ou enxugadas carinhosamente.

A compaixão é a ética natural dos operadores de saúde, especialmente daqueles que assumiram os serviços de cuidados paliativos, agora aprovados para serem feito através do Sistema Único de Saúde (SUS). O movimento nacional Premier Cuidados Paliativos promovido pelo generoso dr. Samir Salman, de São Paulo, superintendente do Instituto Premier, envolve centenas de médicos, medicas e corpo de enfermagem que assumiram a prática dos cuidados paliativos.

Para Tomás de Aquino, “a compaixão é a mais elevada de todas as virtudes porque não somente abre a pessoa para a outra, mas porque a abre também para a mais fraca e mais necessitada de ajuda; nesse sentido constitui uma característica essencial da Divindade” (S. Theologica II.q.30 a.4 c).

Mas precisamos, antes, fazer uma terapia da linguagem, pois a compaixão possui, na compreensão comum, conotações pejorativas. Ter compaixão significa apiedar-se do outro, porque o considera desamparado, sem energia interior para se erguer. Supõe a atitude de quem olha de cima para baixo, humilhando-o.

No cristianismo dos primórdios, no entanto, com-paixão era sinônimo de misericórdia, aquela atitude generosa que quer compartir a paixão com o outro e não deixá-lo sozinho em sua dor. Isso não é fazer “caridade”, criticada pelo poeta cantante argentino Atauhalpa Yupanqui: “eu desprezo a ‘caridade’ pela vergonha que encerra. Sou como o leão da serra que vive e morre em solidão”. Diversamente os seres humanos são, em geral, acompanhados no tramontar de suas vidas, por pessoas queridas e que os cercaram com os cuidados paliativos.

No budismo a compaixão é considerada a virtude pessoal de Buda. Por isso é central e tem a ver com a questão que fez nascer o budismo como caminho espiritual: “Qual é o melhor meio para libertar-nos do sofrimento”? A resposta de Buda foi: “Pela com-paixão, pela infinita com-paixão”.

Dalai Lama atualiza essa ancestral resposta desta forma: “Ajude os outros sempre que puder e se não puder, jamais os prejudique e tenha sempre compaixão”.

Duas virtudes realizam a compaixão: o desapego e o cuidado. Pelo desapego renunciamos a qualquer sentimento de superioridade face ao outro e o respeitamos assim como ele é. Pelo cuidado nos aproximamos dele e zelamos pelo seu bem-estar socorrendo-o no sofrimento.

A compaixão talvez seja a contribuição ética e espiritual maior que o Oriente deu à cultura mundial. O que torna o sofrimento penoso não é tanto o próprio sofrimento. Mas a solidão no sofrimento. O budismo e também o cristianismo convocam a estabelecer uma comunhão no sofrimento para que ninguém fique só e desamparado em sua dor.

A grande vergonha é constatar que os países europeus, de raiz cristã, criadores dos direitos do homem e da ideia de democracia, apoiaram a guerra genocida de Netanhyau contra o Hamas e o povo palestino.

Como o amor e o cuidado, assim a compaixão tem um campo ilimitado de realização. Não se restringe apenas aos seres humanos. Mas a todos os seres vivos e ao cosmos. O ideal budista e franciscano de compaixão nos ensina como nos relacionar adequadamente com a comunidade de vida: primeiro, respeitar cada ser em sua alteridade, em seguida, estabelecer um laço afetivo para com ele, cuidar dele e especialmente regenerar aqueles seres que sofrem ou estão sob ameaça de extinção. Só então nos podemos beneficiar com seus dons, na justa medida e com responsabilidade, em função daquilo que precisamos para viver de forma suficiente e decente.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A busca da justa medida (I e II), Vozes 2023; A oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz, Vozes 2009.



segunda-feira, 4 de agosto de 2025

DiScOs InCrÍvEiS: Sonny Terry

Sonny Terry

Whoopin' / 1984

Uma breve biografia... 

Saunders Terrell, conhecido como Sonny Terry, foi um músico americano de blues e folk do Piemonte, conhecido por seu estilo energético de gaita de blues, que frequentemente incluía gritos vocais e ocasionalmente imitações de trens e caças à raposa. Ele sofreu ferimentos nos olhos e ficou cego aos 16 anos, o que o impediu de trabalhar na fazenda, e foi assim que decidiu tocar gaita para ganhar a vida com a música.

Terry estabeleceu um relacionamento musical de longa data com Brownie McGhee, onde gravaram juntos várias músicas de sucesso. A dupla se tornou muito conhecida entre o público branco durante o renascimento da música folk das décadas de 1950 e 1960. 
Apesar da fama de artistas folk "puros", na década de 1940 Terry e McGhee lideraram um conjunto de jump blues com saxofone e piano, que era conhecido como "Brownie McGhee e seus Jook House Rockers" ou "Sonny Terry e seus Buckshot Five".

Terry também apareceu no filme de 1985 The Color Purple, dirigido por Steven Spielberg. Terry colaborou com Ry Cooder em "Walkin' Away Blues" e também fez um cover de "Crossroads Blues" de Robert Johnson para o filme Crossroads de  1986. Ele foi introduzido no Hall da Fama do Blues no mesmo ano.

Whoopin' é um álbum lançado por Sonny Terry pela gravadora Alligator Records em 1984. Ele foi produzido pelo guitarrista Johnny Winter e pela lenda do blues Willie Dixon. O álbum também foi lançado como "I Think I Got the Blues". 

Willie Dixon e Johnny Winter se entregaram de corpo e alma às sessões da Alligator para esse álbum. Só pelo fato de estarmos diante dessas lendas do blues reunidas já seria suficiente para colocá-lo como um álbum clássico, porém esse disco recebe esse mérito por sua qualidade. 

A voz de Sonny está no auge em todas as faixas, rouca e sofrida, e sua harmônica (gaita) troca arranjos maravilhosos com a guitarra de Winter. 

Os gritos e uivos de Sonny Terry estão todos afinados. Johnny Winter, o "tornado do texas", conduz as guitarras com muito bom gosto e intensidade, principalmente nos Slides, como só o albino poderia fazer. A cozinha de blues conduzida por Styve Homnick na bateria e Willie Dixon no baixo acústico é precisa, dinâmica incrível dos músicos fazendo tudo parecer fácil. 

Destaque para a faixa "I Think I Got the Blues" onde Dixon marca presença na composição e a versão fica maravilhosa. O disco fecha com "Roll Me Baby", um blues arrastado e intenso onde a banda toda está em plena improvisação, sensacional! 

Outro grande mérito desse disco foi ter sido  apresentado o Blues raiz a um público mais jovem, e não seria a única vez que Johnny Winter faria isso pelo blues.

O conceito, Whoopin', significa o estilo de tocar harmônica desenvolvido pelo próprio Sonny Terry e que está descrito no seu livro "The Harp Styles of Sonny Terry".
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Banda:
Sonny Terry - harmônica e vocal
Johnny Winter - guitarra e piano
Willie Dixon - baixo
Styve Homnick - bateria

Faixas:
1 I Got My Eyes On You
2 Sonny's Whoopin' The Doop
3 Burnt Child
4 Whoee, Whoee
5 Crow Jane
6 So Tough With Me
7 Whoo Wee Baby
8 I Think I Got The Blues
9 Ya, Ya
10 Roll Me Baby

Estilo - Blues
Ano de Lançamento - 1984
Produção - Johnny Winter
Gravadora - Alligator Records
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Show: Johnny Winter Live Rockpalast

Johnny Winter Live
| Leverkusener Jazztagen 2010 |
| Rockpalast |

Johnny Winter, nascido em 1944, foi um dos guitarristas de blues mais influentes do mundo. Seu estilo de tocar "guitarra slide" foi uma referência da técnica para vários futuros guitarristas. Suas maiores influências foram Muddy Waters e B.B. King. Sua inconfundível voz rasgada e desleixada sempre lhe renderam grandes contratos entre as maiores gravadoras de Blues. 

Johnny Winter teve participação memorável no lendário Festival de Woodstock. Na Europa, ele se tornou conhecido principalmente por sua apresentação principal no 4º Rockpalast Night, em 1979.

Banda:
Johnny Winter - guitarra e vocal
Paul Nelson - guitarra
Scott Spray - baixo
Vito Liuzzi - bateria e backing vocal
Eric Sardinas - guitarra em "Mojo Boogie"

Repertório:
1. Intro
2. Hide Away
3. Sugar Coated Love
4. Boogie Real Low 
5. Good Morning, Little Schoolgirl
6. Johnny B. Goode
7. Blackjack 
8. All Tore Down
9. Lone Wolf
10. Don't Take Advantage
11. Red House
12. Bony Marony
13. It's All Over Now
14. Interview Johnny Winter
15. Mojo Boogie
16. Highway 61 Revisited


sábado, 2 de agosto de 2025

Histórias do Blues: Buddy Guy & Kingfish Ingram

Encontro de gerações do Blues

Strat Sessions 

ft. Buddy Guy with Christone “Kingfish” Ingram
| Year Of The Strat Fender |

Apresentando Strat Sessions 🎸 Neste episódio, vamos a Chicago para falar sobre guitarras Strat com o lendário Buddy Guy e ouvi-lo tocar “(I’m Your) Hoochie Coochie Man” de Muddy Waters, em colaboração com Christone “Kingfish” Ingram.


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

The Blues Foundation


Sobre o Blues Music Awards

O Blues Music Awards reúne artistas de blues, representantes da indústria e fãs do mundo todo para celebrar o melhor das gravações e performances de blues do ano anterior.

Os BMAs são geralmente reconhecidos como a maior honraria concedida a músicos de blues e são concedidos por voto dos membros da Blues Foundation.

Deixando uma marca no Blues

O Hall da Fama do Blues da Blues Foundation homenageia aqueles que tornaram o Blues atemporal por meio de performances, documentação e gravações. Desde sua criação em 1980, a Blues Foundation tem introduzido novos membros anualmente no Hall da Fama do Blues por sua contribuição histórica, impacto e influência geral no Blues. Os membros são introduzidos no Hall da Fama do Blues em cinco categorias: Intérpretes, Indivíduos, Clássico da Literatura do Blues, Clássico da Gravação do Blues (Canção) e Clássico da Gravação do Blues (Álbum). Desde 1980, a Blues Foundation já introduziu mais de 400 profissionais da indústria, gravações e literatura no Hall da Fama do Blues. Dos 130 artistas introduzidos, 120 são afro-americanos.

Um comitê anônimo de acadêmicos e especialistas em Blues, representando todos os subconjuntos da música Blues, se reúne anualmente para avaliar potenciais candidatos ao Hall da Fama do Blues. As recomendações são compartilhadas com o comitê por meio dos escritórios da Fundação Blues, mas não aceitamos campanhas ativas para qualquer candidato em potencial, a fim de manter esse processo justo, isento de conotações políticas e baseado em contribuições reais, em vez de popularidade individual. Os candidatos selecionados para a inclusão são determinados exclusivamente por seu conjunto de trabalhos ao longo da vida. Os nomes de todos os indicados são divulgados ao público a cada primavera. A Fundação Blues organiza uma cerimônia especial de inclusão no Hall da Fama do Blues, realizada anualmente na noite anterior ao The Blues Music Awards, como um evento com ingressos aberto ao público.