Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Heavy Metal: SAXON

Capa do ábum, 2024

Saxon

O Saxon foi um dos líderes da nova onda do heavy metal britânico (NWOBHM), com oito álbuns no Top 40 do Reino Unido na década de 1980, incluindo quatro no Top 10 e dois no Top 5. A banda teve inúmeros singles nas paradas britânicas e alcançou sucesso em toda a Europa e Japão, além dos Estados Unidos. Durante a década de 1980, o Saxon se consolidou como uma das bandas de metal mais bem-sucedidas da Europa. A banda faz turnês regularmente e já vendeu mais de 13 milhões de álbuns em todo o mundo.

A banda foi formada em Barnsley em 1977 por Peter “Biff” Byford nos vocais, Paul Quinn e Graham Oliver nas guitarras, Steve “Dobby” Dawson no baixo e Pete Gill na bateria, e originalmente se chamava “Son of a Bitch”. Em 1979, a banda mudou seu nome para Saxon e assinou com a gravadora francesa Carrere, que lançou seu álbum de estreia homônimo, "Saxon".

Lançado em 1980, "Wheels of Steel" alcançou o 5º lugar nas paradas do Reino Unido e permaneceu nelas por seis meses. O álbum gerou dois sucessos: a faixa-título e a favorita do público, "747 (Strangers in the Night)". Como resultado, o Saxon iniciou uma série de longas turnês pelo Reino Unido. Em 16 de agosto, a banda foi muito bem recebida no primeiro festival Monsters of Rock, evento que foi comemorado no ano seguinte com o show "And the Bands Played On". A apresentação foi gravada, mas só foi lançada oficialmente em 2000. Em abril daquele ano, o Saxon fez a primeira de muitas aparições no programa Top of the Pops, apresentando o sucesso "Wheels of Steel".

Os primórdios da banda.

"Strong Arm of the Law" foi lançado ainda naquele ano, alcançando a 11ª posição no Reino Unido. Dois singles foram lançados: a faixa-título e "Dallas 1PM", esta última sobre o assassinato do presidente americano John F. Kennedy.

Em 1981, a banda lançou seu quarto álbum, "Denim and Leather", cuja faixa-título é considerada um hino do metal. O álbum também incluía sucessos favoritos dos fãs, como "Princess of the Night", "Never Surrender" e "And the Bands Played On" – todos hits no Top 20 do Reino Unido.

Quando a banda estava prestes a embarcar em uma longa turnê para dar sequência ao sucesso de 'Denim And Leather', o baterista Pete Gill saiu após machucar a mão. A banda rapidamente o substituiu por Nigel Glockler, ex-integrante do Toyah, que teve que aprender todo o repertório em um dia e meio. Glockler permanece na banda até hoje.

Em 1982, o Saxon lançou o álbum ao vivo "The Eagle Has Landed", que alcançou o 5º lugar nas paradas do Reino Unido. O Saxon também tocou novamente no festival Monsters Of Rock em 1982, tornando-se a primeira banda a se apresentar lá duas vezes.

O álbum "Power & the Glory", de 1983, tornou-se o mais vendido da banda em todo o mundo até hoje, com a arte da capa criada pelo diretor de cinema de Hollywood, Ridley Scott.

Em 1984, a banda lançou seu sexto álbum de estúdio, "Crusader", seguido de uma bem-sucedida turnê mundial intitulada "The World Crusade".

A banda assinou então com a EMI Records e, em 1985, lançou o álbum "Innocence Is No Excuse". Após outra turnê mundial, o baixista Steve Dawson deixou a banda. Para a gravação do oitavo álbum de estúdio, "Rock The Nations", as partes de baixo foram tocadas por Biff Byford, com Elton John fazendo participações especiais como pianista em duas faixas. No verão de 1986, o Saxon foi a atração principal do Reading Festival e fez uma turnê pelos Estados Unidos.

Em 1988, foi lançado o álbum "Destiny", com a entrada de Tim "Nibbs" Carter no baixo. Em 1989, foi lançado "Rock n Roll Gypsies", um álbum ao vivo gravado durante uma turnê em arenas do leste europeu em 1988. Porém, em 1989, os shows nos grandes estádios e arenas da Europa e dos EUA tornaram-se raros e, sem contrato com uma gravadora, o futuro do Saxon era incerto.

A banda decidiu embarcar numa turnê europeia intitulada "10 Years Of Denim And Leather", que se provou um sucesso, e em 1990 assinaram com a Virgin Records e começaram a trabalhar em seu novo álbum, "Solid Ball of Rock", lançado em 1991. Em 1992, o Saxon consolidou esse sucesso com o lançamento de "Forever Free". Em 1994, a banda se separou de Graham Oliver, e Doug Scarratt entrou para o grupo. Em 1996, lançaram outro álbum ao vivo, "The Eagle Has Landed Pt II".

A velha guarda do Heavy Metal Britânico.

Em 1997, o Saxon lançou "Unleash the Beast". Em setembro de 1999, lançaram "Metalhead". Em 2002, o Saxon lançou "Heavy Metal Thunder", uma coletânea com versões regravadas de músicas dos álbuns mais vendidos da banda. Em 2004, lançaram "Lionheart", seu 16º álbum de estúdio, com Jörg Michael na bateria. Nigel Glockler retornou à banda em 2005. Em 2006, a banda lançou o álbum ao vivo "The Eagle Has Landed – part 3".

O aclamado álbum "The Inner Sanctum" do Saxon foi lançado em 2007. Em 2009, a banda lançou "Into the Labyrinth" e foi a atração principal do Wacken Open Air Festival, na Alemanha. Dando continuidade ao sucesso no Reino Unido, o Saxon se apresentou no Download Festival de 2010. A banda tocou o álbum "Wheels of Steel" na íntegra para comemorar o 30º aniversário de seu lançamento.

O Saxon lançou seu décimo nono álbum de estúdio, "Call to Arms", em 3 de junho de 2011, e seu vigésimo álbum de estúdio, "Sacrifice", em fevereiro de 2013. Em 
2 de fevereiro de 2018 foi lançado o álbum "Thunderbolt".

Em 2019, a banda comemorou seu 40º aniversário e lançou o quarto álbum ao vivo da série The Eagle Has Landed – apropriadamente intitulado "The Eagle Has Landed 40" –, que incluiu apresentações como atração principal em festivais com o enorme palco "Castles & Eagles".

Em 2020, a banda começou os trabalhos de um novo álbum de estúdio chamado "Carpe Diem", e também em um álbum especial de covers intitulado "Inspirations", que é exatamente isso – músicas que influenciaram a banda em seus primeiros trabalhos.

No dia 15 de janeiro de 2023 foi lançado "More Inspirations", uma segunda coletânea de covers de músicas que influenciaram a banda.

"Hell, Fire and Damnation" é o vigésimo quarto álbum de estúdio da banda inglesa de heavy metal Saxon, lançado em 19 de janeiro de 2024 pela Silver Lining Music. Ele alcançou sucesso internacional em toda a Europa, alcançando o top 20 da UK Albums Chart.



Tedeschi Trucks Band

Tedeschi Trucks Band & Leon Russell
– “The Letter” –
[Feat. Susan Tedeschi]

Apresentação ao vivo de "The Letter" da Tedeschi Trucks Band, diretamente do álbum Mad Dogs & Englishmen Revisited (LIVE AT LOCKN’) com Leon Russell, gravado em 2015. O primeiro single do novo álbum, Mad Dogs & Englishmen Revisited.


A Banda:

A Tedeschi Trucks Band é uma banda americana de blues e blues rock de Jacksonville, Flórida. Formada em 2010, a banda é liderada pelo casal Susan Tedeschi e Derek Trucks. Seu álbum de estreia, Revelator (2011), ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Blues em 2012. A banda lançou cinco álbuns de estúdio e três álbuns ao vivo.

Depois de muitos anos na estrada tocando acompanhados por suas bandas individuais e construindo carreiras solo de sucesso, Derek Trucks e Susan Tedeschi uniram todos os músicos para formar uma só banda.

Bem conhecida por suas excelentes performances ao vivo, o excelente casal explorou novas idéias em conjunto com os formidáveis músicos que os acompanham, explorando as raízes do blues e fundindo tudo com uma mistura única de soul e muito groove. Autêntica música de raiz americana com o rock'n'roll. Estas idéias se uniram em um álbum, "Revelador", que foi lançado em Masterworks Sony em 07 de junho de 2011. A banda nunca deixou de explorar outras sonoridades e participar de projetos mantendo a altíssima qualidade de sua música.


Todo o poder de uma grande banda ao vivo.

Membros da banda: 

Susan Tedeschi – vocal principal, guitarra rítmica, guitarra solo.
Derek Trucks – guitarra slide/guitarra solo.
Tyler Greenwell – bateria, percussão.
Mike Mattison – vocais de apoio, violão.
Mark Rivers – vocais de apoio.
Kebbi Williams – saxofone.
Ephraim Owens – trompete.
Elizabeth Lea – trombone.
Alecia Chakour – vocais de apoio.
Brandon Boone – baixo.
Gabe Dixon – teclados, vocais.
Isaac Eady – bateria, percussão.


ReGgAe: DEZARIE

Imperatriz do Reggae.
Dezarie

' Reggae Roots '

Desiree é um nome feminino com uma essência de desejo e paixão. Originado do francês, Desiree significa "desejada" ou "amada". É um nome que evoca uma imagem de alguém querida. Pessoas chamadas Desiree são frequentemente descritas como apaixonadas, cativantes e de personalidade envolvente.

Dezarie uma cantora de Reggae Roots nascida nas Ilhas Virgens (EUA), começou fazer músicas aos 10 anos, na escola e na Igreja. Com o passar do tempo, foi apresentada à DJ’s que a ajudaram a começar as suas gravações.

Viveu um tempo em Atlanta. Tempo suficiente para ser reconhecida como Melhor Revelação Feminina do Reggae e em 2001, retornou a Ilha de St. Croix, onde vive até hoje. A talentosa cantora divide as dependências do estúdio Afrikan Roots Lab com os conterrâneos da banda Midnite.

Seu primeiro trabalho, intitulado Fya, foi lançado em 2001 pela I Grade Records. Em 2003, Dezarie nos contemplou com o trabalho Gracious Mama Africa, um de seus melhores álbuns. Passaram-se 5 anos até que o terceiro trabalho de Dezarie pudesse ser lançado. Eaze The Pain saiu em 2008 e surpreendeu a massa reggaera, pois Dezarie surpreendeu adicionando uma nova sonoridade ao seu estilo, e vem cada vez mais agradando o público. Seu quarto, e último, trabalho chama-se The Fourth Book e conta com 10 pedradas, entre elas Jah Know Better, um dos maiores sucessos de Dezarie.

Capa do álbum, 2025
A imperatriz do Reggae está de volta! Dezarie retorna triunfante com Guardian, seu novo álbum poderoso de resistência e espiritualidade...
A icônica voz do Reggae raiz está de volta! Dezarie, a talentosa artista das Ilhas Virgens Americanas, anuncia o lançamento de seu mais novo álbum, “Guardian”, produzido por Kardelle President. Este aguardado projeto marca o retorno triunfante da cantora, trazendo dez faixas que reafirmam sua posição como uma das vozes mais autênticas e espirituais do Reggae contemporâneo.

As dez faixas de Guardian exploram temáticas de resistência, consciência social e força interior, refletindo o compromisso de Dezarie com a verdade e a liberdade. Entre os destaques do álbum estão "Back To The Future", "Criminal" e "Lion Is Lion", que reforçam sua postura inabalável e sua entrega emocional singular.

Dezarie faz inúmeras turnês pelo mundo e três vezes no Brasil. Em sua segunda passagem nas terras tupiniquins, se envolveu em algumas polêmicas depois que teve que cancelar um show por motivos de saúde de um dos integrantes da banda. Na terceira passagem, todos estavam muito ansiosos para ver um verdadeiro espetáculo dessa grande artista.


sábado, 27 de dezembro de 2025

Meio Ambiente: Leonardo Boff

O Natal e a ecologia profunda.
A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus cercado de elementos ecológicos.


27 dez 2025

A ecologia é mais do que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços naturais cada vez mais escassos. Tão escassos que a Mãe Terra se sente extenuada, pois o consumo humano mais aquele da natureza estão exigindo uma Terra e meia para atender a todas as demandas. Por isso, nós, humanos, devemos nos preparar para reinventar um outro caminho, se quisermos garantir um futuro para o nosso tipo de civilização.

Nem por isso deixaremos de fazer uma referência entre o Natal e a ecologia. Esta é mais do que o meio ambiente a ser urgentemente preservado. Ela possui uma dimensão do Profundo em nós.

A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, cercado de elementos ecológicos: nasceu numa estrebaria, colocado sobre palhinhas e junto a um boi e um jumento (que, segundo certos relatos, aqueciam o Menino com seu bafo), com ovelhas distribuídas no campo. Há ainda uma estrela que iluminou a noite dos pastores e guiou os sábios vindos do Oriente.

Há um texto de grande beleza, que é cantado na liturgia de Natal, o qual mostra uma comoção cósmica, significando a entrada do Filho de Deus em nosso mundo. Quando tudo estava em profundo silêncio e a noite no meio de seu curso, eis o que aconteceu:

Então, as folhas que farfalhavam pararam como mortas.

Então, o vento que sussurrava ficou parado no ar.

Então, o galo que cantava parou no meio de seu canto.

Então, as águas do riacho que corriam se estancaram.

Então, as ovelhas que pastavam ficaram imóveis.

Então, o pastor que erguia o cajado ficou petrificado.

Então, nesse momento, tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu:

Nasceu Jesus, o salvador do mundo e do universo.

Como se depreende, as coisas não ficaram indiferentes à inserção do Divino em nossa história. Elas se prepararam, silentes, para recebê-lo.

Flor de Natal

Contam-se também histórias comoventes, como esta que surgiu entre os cristãos do México, pois lá existe uma flor chamada de Bico de Papagaio ou Espírito Santo. Ela possui folhas menores verdes e outras maiores vermelhas. Ela é associada ao Natal por causa da história que contarei a seguir, que possui seu lado ecológico.

Uma senhora pobre queria dar um presente ao Menino Jesus. Mas era tão pobre que não tinha nada para oferecer. Em sua simplicidade, colheu uma plantinha junto à estrada e levou-a até ele. Colheu a plantinha e foi, alegre, oferecê-la ao Menino Jesus no presépio. As pessoas que estavam perto começaram a rir da pobre senhora. Ela ficou tão envergonhada que começou a chorar.

As lágrimas cairam sobre as folhas verdes, que se transformaram em vermelhas. Por isso, esta planta é chamada Flor de Natal. E, de fato, assim é: quando exposta ao sol, fica verde; na sombra, torna-se vermelha, de um vermelho irradiante, que, em muitos lugares, cerca todo o presépio.

É comum que o grande aeroporto da cidade do México, na época de Natal, seja totalmente ornamentado com esta flor vermelha.

O Menino Jesus no presépio nos recorda ainda que todos nós, um dia, fomos crianças e que carregamos esta criança dentro de nós pela vida afora. A criança simboliza a vida nova, a inocência, a transparência, um novo começo. Sempre estamos às voltas com essas coisas: queremos ter uma vida saudável, podermos sempre de novo recomeçar e viver criativos e livres, como livres e criativas são as crianças. Não esqueçamos esta criança (dives puer) que ainda vive dentro de nós.

O Poeta Fernando Pessoa (Foto: Reprodução)

Mas a verdade mais profunda que o Natal nos quer transmitir, talvez, seja esta: Deus não veio para divinizar o ser humano, mas veio para humanizar o Deus que ninguém jamais viu, como atestam todas as Escrituras. Agora, Ele se manifestou em nossa carne frágil, mortal e quente. Se Jesus é o Deus que se humanizou, isto significa que há uma porção de Deus dentro de cada um de nós. Jesus é nosso irmão. E, como irmãos, somos também filhos e filhas de Deus. Poderia haver dignidade maior do que ser filho e filha de Deus e pertencer à família divina?

Neste contexto, cabe citar um tópico do poeta português Fernando Pessoa, que escreveu, talvez, um dos mais belos poemas sobre o Natal na literatura universal:

Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

É por isso que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

É a criança tão humana que é divina.

……..

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro de tua casa.

Despe meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

Depois destes tocantes versos, não cabem mais palavras. Apenas reafirmarmos que, depois que Deus se fez um de nós, não temos mais motivos de viver tristes. Não estamos mais sós. Ele caminha conosco em nosso próprio caminhar.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.



domingo, 21 de dezembro de 2025

ROBIN TROWER

Robin Trower

' A Guitarra Blues-Rock ' 

Robin Leonard Trower nascido em 9 de março de 1945 é um guitarrista de rock inglês que alcançou sucesso com o Procol Harum entre 1967 e 1971, e posteriormente como líder de seu próprio power trio, a Robin Trower Band.

Robin Trower gastando sua ' Fender Stratocaster Red '.

The Paramounts
Tudo começa com a banda The Paramounts, e o cenário estava no palco do Shades, um café com um porão onde a banda se apresentava. Foi o pai de Robin que teve a ideia de criar um lugar onde os adolescentes pudessem se encontrar para tocar e se divertir. A formação original era Robin Trower na guitarra, Chris Copping no baixo, Mick Brownlee na bateria e Gary Brooker nas teclas.

Os Paramounts não duraram muito, porém realizaram alguns concertos importantes como:

- 26/01/1964 - Croner Ballroom, Crosby, Inglaterra.
- 03/12/1965 - Turnê pelo Reino Unido com os Beatles.
- 12/12/1965 - Odeon, Glasgow, Escócia.

Procol Harum
Em 1967, Gary Brooker, um dos membros originais dos The Paramounts, precisava de uma banda para se apresentar e fazer turnês para divulgar algumas músicas que havia coescrito e gravado. Trower e BJ Wilson, também dos Paramounts, juntaram-se a Brooker, juntamente com Matthew Fisher no órgão e David Knights no baixo, para formar o Procol Harum. Trower tocou com o Procol Harum por alguns anos, mas saiu em 1971 para seguir carreira solo. 

Ele explicou o motivo de sua saída do Procol Harum a Alan Sculley, do St. Louis Post-Dispatch : "Eu estava começando a compor cada vez mais material... que obviamente era todo para guitarra. Simplesmente não havia espaço para isso no Procol Harum." Trower passou da uma sonoridade pré-progressivo, psicodélico e excêntrico do Procol Harum para desenvolver seu próprio estilo de tocar guitarra, influenciado pelo blues e com uma pegada mais incisiva.

Em 1971, Trower tentou formar outra banda chamada Jude, mas ela não durou muito e o formato simplesmente não funcionou para ele. Foi então que ele decidiu seguir carreira solo. Ele organizou um grupo de apoio composto por músicos talentosos e dedicados, muitos dos quais se tornaram membros fixos de sua banda. Entre eles estavam o vocalista e baixista James Dewar e Bill Lordan na bateria.

Robin Trower Band
Em 1973, algumas apresentações de Robin Trower antes da formação original do seu novo power trio, a Robin Trower Band, contaram com Robin Trower na guitarra, Diz Derrick no baixo, BJ Wilson bateria e Gary Brooker no piano e vocais.

James Dewar, Trower e Reg Isidore.
O excelente guitarrista decidiu trilhar sua carreira solo transitando para uma sonoridade mais pesada de blues-rock. A nova banda contava com James Dewar nos vocais e baixo, e Reg Isidore na bateria. O novo power trio definiu o tom para o álbum de estreia  da Trower Band, "Twice Removed From Yesterday" de 1973, mas foi o sucessor, "Bridge of Sighs" de 1974, que catapultou Trower ao status de herói internacional da guitarra.

Bridge of Sighs é um álbum de rock com uma sonoridade titânica, apresentando solos de guitarra verdadeiramente hipnotizantes de Trower. A faixa-título e pérolas como "Day of the Eagle", "Too Rolling Stoned", "In This Place" e "Little Bit of Sympathy", além da primorosa "Lady Love", são números excepcionais, com a performance de Trower na guitarra equiparando-se à dos mais celebrados deuses da guitarra da época.

Steve Lukather, do Toto, observa: “Em 1974, comprei o álbum Bridge of Sighs e fiquei impressionado. Eu estava absorvendo tudo relacionado à guitarra, pois era um músico promissor, e o som da guitarra de Robin tocou minha alma. O timbre, o toque e a sensação eram incríveis.”

Nas cinco décadas que se seguiram a este álbum milionário, a carreira de Robin Trower tem sido um ato de rebeldia silenciosa. Retrocedendo um pouco na história do guitarrista britânico, encontramos um artista que sempre preferiu arriscar em vez de seguir o caminho mais fácil. Uma vida inteira desde que surgiu no circuito de blues britânico como um jovem guitarrista promissor, o lendário talento de Trower não mostra sinais de esgotamento. Aliás, a ascensão meteórica do icônico guitarrista em sua fase final é algo impressionante, conquistando novos fãs e mantendo os fiéis seguidores que acompanham cada passo seu. 

Durante esse período, ele transitou entre projetos solo e colaborações com artistas como Jack Bruce, Brian Ferry e Maxi Priest, lançando mais de 30 álbuns.

Avançando para 2023, o novo álbum de estúdio de Trower, Joyful Sky, com a cantora de blues nova-iorquina Sari Schorr, demonstra maravilhosamente seu mais recente lampejo de instinto artístico. Sempre receptivo a cantoras que conseguem elevar seu toque emotivo na guitarra, Robin ouviu na voz rouca e poderosa da aclamada nova-iorquina Sari Schorr uma qualidade que o fez querer desconstruir e reconstruir sua composição em torno dela.

​O álbum de Robin Trower – 'No More Worlds To Conquer' – resume bem a marca que ele deixou no universo musical. Mas, como ele mesmo nos lembra, isso não deve ser interpretado como se sua missão estivesse cumprida. "Definitivamente sinto que ainda estou me aprofundando", reflete ele, "com a guitarra, as músicas e tudo mais."

Por mais de seis décadas, a carreira de Robin Trower não conheceu limites. Aos 76 anos, o guitarrista britânico pode refletir sobre uma jornada na qual deixou sua marca em diversos gêneros musicais e desempenhou todos os papéis imagináveis. Ele foi a força motriz por trás de ícones dos anos 60, como o Procol Harum. O astro solo transatlântico que lotou estádios americanos com o álbum "Bridge of Sighs" em 1974. O colaborador e ocasional membro de supergrupos. O compositor veterano cuja fase final ainda vibra com inventividade.

Com vocais e baixo do falecido Jim Dewar – além do trabalho de guitarra impressionante de Trower, que influenciou artistas como Steve Lukather e Opeth – o álbum "Bridge Of Sighs", que recebeu disco de ouro nos EUA, é talvez o seu trabalho mais emblemático.

“Com cada álbum, eu dou o meu melhor naquele momento. Acho que é disso que se trata. Eu estabeleço metas para mim mesmo e cada música tem que estar à altura delas”, reflete ele.

“O que geralmente acontece é que estou tocando violão por diversão e, de repente, surge uma ideia”, continua ele. “Então, você procura uma letra que se desenvolva a partir da música e intensifique o clima. É maravilhoso quando você percorre todo o caminho desde o início, desde aquela pequena ideia inicial no violão até se transformar em uma canção, e finalmente você consegue gravar e finalizar uma faixa – e ela fica mais ou menos como você a imaginou.”

Recorrendo mais uma vez ao seu fiel arsenal de Fender Stratocaster e amplificador Marshall, o trabalho de guitarra de Trower é atemporal, seja no riff pesado de “Ball Of Fire”, “Losing You” e “Cloud Across The Sun”, ou nos efeitos wah-wah mais lentos da faixa-título e de “Deadly Kiss”. “Cada faixa precisa funcionar como um todo”, diz ele, “além da música e de tudo o mais. Sou muito exigente com os timbres de guitarra. Eu deixo as pessoas loucas, mas no final, vale a pena todo o incômodo.”

Em “Waiting For The Rain To Fall”, a performance de Trower é cristalina como uma gota de orvalho, enquanto o final comovente, “I Will Always Be Your Shelter”, oferece um solo cujo toque magistral é tão cativante quanto qualquer outro em seu catálogo. “Esse é um ponto alto da minha performance”, ele concorda com a cabeça. “E ‘Waiting For The Rain To Fall’, eu acho, tem influência da Tamla Motown. É um pouco fora do meu padrão fazer uma música assim. Mas acho que é algo poderoso. Espero que este álbum surpreenda as pessoas.”

Mais uma vez, Trower também assume o baixo, mas, como um eterno servo da música acima do próprio ego, ele não hesitou em recrutar outros músicos. “Livingstone Brown tocou baixo em três faixas, e Chris Taggart está na bateria”, explica. “Ele é um baterista maravilhoso e participou dos últimos três ou quatro álbuns. E eu comecei a perceber, depois de tentar cantar essas músicas sozinho, que minha voz não estava à altura. Richard Watts fez um ótimo trabalho nos vocais. Ele tem uma voz fantástica – um cantor com muita alma – e está disposto a captar exatamente como eu imagino. Outra grande vantagem de ter o Richard é que há várias músicas neste álbum que eu não conseguiria tocar e cantar ao vivo ao mesmo tempo.”

“Foi difícil, mas estou feliz por ter feito isso”, reflete ele. “Este álbum é uma evolução. Espero que seja sempre assim com a minha música. Há um grande salto entre Bridge Of Sighs e agora. É como tudo na vida. Quanto mais você trabalha em algo, em teoria, melhor você deveria ficar. E definitivamente sinto que este álbum é uma das melhores coisas que já fiz.”