Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Marvin Gaye

Marvin Gaye

' Ele quebrou as regras '

' O enigmático e obstinado "Príncipe da Motown" buscava constantemente trilhar seu próprio caminho, mesmo atormentado por uma alma dividida. '

' O legado definitivo de Marvin é uma das obras mais socialmente conscientes, celebradas e atemporais da arte popular do século XX: seu álbum de 1971, What's Going On. '
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... sua incrível história

Nascido Marvin Pentz Gay Jr. em Washington, D.C., em 1939, ele cantava na igreja quando criança, tornando-se solista no coral e aprendendo a tocar piano e bateria. Em 1955, em conflito com o pai e infeliz em casa, abandonou o ensino médio e ingressou na Força Aérea. Uma posterior baixa honrosa observou que Marvin não conseguiu se adaptar à “regime e à autoridade”. 
Marvin adora o som e a essência do doo-wop. 

De volta à sua cidade natal, ele forma um grupo, os Marquees, para celebrar as harmonias do gênero. (Ele também acrescenta um "e" ao seu nome.) A sorte os coloca na órbita de um grupo de sucesso, os Moonglows, liderado por Harvey Fuqua, que se tornaria o mentor musical de Marvin por toda a vida. Marvin se torna um dos Moonglows e, em 1960, acaba na Motown graças à proximidade de Harvey com Gwen, irmã de Berry Gordy.

Paralelamente às suas funções como baterista dos Miracles, Marvin começa a gravar no estilo do crooner à la Sinatra que tanto almejava ser. Berry Gordy produz The Soulful Moods Of Marvin Gaye, seu álbum de estreia; não é um sucesso comercial. "Eu tinha um plano que não estava funcionando", conta Marvin ao autor David Ritz. Ele se adapta às exigências comerciais e coescreve seu primeiro sucesso – autobiográfico – "Stubborn Kind Of Fellow".

Marvin inicia uma trajetória de sucesso consistente nas paradas de R&B e pop da década de 1960 com canções compostas por outros artistas, como “Can I Get A Witness” e “How Sweet It Is (To Be Loved By You)”, da dupla Holland/Dozier/Holland, e “I'll Be Doggone” e “Ain't That Peculiar”, de Smokey Robinson. Ele também se mostra um parceiro ideal, alcançando o topo das paradas com duetos em disco com Mary Wells, Kim Weston e Tammi Terrell. 

Na Motown, a popularidade de Marvin ajuda a compensar sua teimosia, especialmente quando ele demonstra ter a voz perfeita para uma releitura mística de "I Heard It Through The Grapevine", produzida por Norman Whitfield. A canção já havia sido um sucesso na voz de Gladys Knight & the Pips, mas Norman – que também podia ser obstinado – queria que a interpretação de Marvin fosse ouvida. 

Quando finalmente a música começou a tocar nas rádios, em novembro de 1968, ela se tornou o maior sucesso da Motown na década, permanecendo no topo das paradas por sete semanas, impulsionada pela potência da voz de Marvin, pelos ritmos envolventes dos Funk Brothers e pela sabedoria comprovada de Norman Whitfield.

Com o alvorecer dos anos 70, Marvin já não se curvava aos imperativos comerciais da Motown. Ele queria fazer música que refletisse tempos conturbados: uma guerra na Ásia que dividiu a sociedade, a desilusão de uma geração de jovens e a luta contínua de milhões de americanos por justiça racial. Marvin despeja tudo isso e muito mais no caldeirão cultural que é What's Going On, colaborando com outros artistas e reunindo os melhores músicos da Motown. Após o lançamento do álbum em maio de 1971, seu enorme sucesso elevou as expectativas em relação a Marvin.

Berry Gordy não apoiava a dissidência provocativa de seu astro, mas reconheceu que estava errado. Na década de 1970, Marvin expande sua liberdade criativa, compondo uma trilha sonora para o filme "Trouble Man", lançando mais duetos (com Diana Ross) e dois álbuns de forte teor sexual, " Let's Get It On" e "I Want You", que se tornaram sucessos comerciais e, ao mesmo tempo, diários pessoais de um homem atormentado, dividido entre a carnalidade e a fé. 

Há também dois LPs gravados ao vivo, incluindo "Live At The London Palladium", que é complementado pelo sucesso definitivo nas pistas de dança, a versão produzida em estúdio "Got To Give It Up", de 1977. Marvin continua a expor sua vida pessoal através de suas músicas, algo que nunca ficou tão evidente quanto em Here, My Dear, de 1978, um extenso álbum duplo que narra seu divórcio de Anna. Seu afastamento da Motown é o tema central de In Our Lifetime, de 1981, um álbum profundamente filosófico , época em que os problemas de Marvin – com a Receita Federal, entre outros – o levam a se mudar para a Europa.

Revigorado pelo exílio na Bélgica, Marvin retorna à proeminência (e à sua terra natal) com Midnight Love, de 1982, o primeiro álbum lançado por sua nova gravadora, a Columbia. O disco é precedido por "Sexual Healing", um single que estourou nas paradas e ganhou um Grammy®. Marvin sai em turnê em meio a esse renovado interesse por seu talento e conquista um feito televisivo no início de 1983 com uma performance magnética do hino nacional no Jogo das Estrelas da NBA, em Los Angeles. 

Contudo, em 1º de abril de 1984 – um dia antes de seu 45º aniversário – o astro é assassinado a tiros por seu pai após uma discussão violenta. Após um funeral repleto de celebridades, suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico.


Marvin Gaye transformou sua música em uma poderosa ferramenta de protesto político nos anos 70, especialmente com o álbum "What's Going On" (1971). 

A obra abordou racismo, violência policial, a Guerra do Vietnã e desigualdade social. Inicialmente rejeitado pela Motown por ser "político demais", o álbum tornou-se um marco de consciência social.



terça-feira, 10 de março de 2026

CiNeMa: Them

Them é uma série que explora o terror nos EUA. 

Primeira temporada

O PACTO, ambientada na década de 1950, gira em torno de uma família negra que se muda da Carolina do Norte para um bairro branco de Los Angeles durante a Grande Migração. A casa idílica da família torna-se o marco zero, onde forças malévolas, vizinhas e de outro mundo, ameaçam insultá-los, arrasá-los e destruí-los.

Estréia: 2021
Categoria: Drama, psicológico e pesado.

Segunda temporada

Em 1991, a detetive de homicídios da polícia de Los Angeles, DAWN REEVE, é designada para um caso: o homicídio de uma mãe adotiva que deixou até os detetives mais experientes abalados. Com uma cidade à beira do caos, Dawn está determinada a deter o assassino. Mas à medida que ela se aproxima da verdade, algo sinistro e malévolo toma conta dela e de sua família.


Estréia: 2024
Categoria: Drama, psicológico, intenso e sombrio.

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Série deliciosamente macabra e angustiante.

*Contém spoilers

Em 2021, o Prime Video lançava a primeira temporada da ambiciosa série ‘Them’ – um compilado de dez episódios de terror psicológico que seguia os passos de Jordan Peele para trazer pautas raciais ao cenário mainstream e utilizá-las como base para o gênero em questão. Em pouco tempo, a popularidade da produção provou ser uma faca de dois gumes, sendo criticada, sem quaisquer fundamentos, por inúmeros setores da sociedade: de um lado, conservadores tradicionalistas afirmaram que a narrativa apontava os brancos como vilões impassíveis e hediondos (algo que, em meados dos anos 1950, não passava longe da verdade); de outro, jornalistas e críticos disseram que o enredo prezava por um “black trauma porn” ao colocar os personagens negros em situações de puro desprezo e violência gráfica (quando, na verdade, apenas retratava o que acontecia a eles à época).

A Prime Video revelou na segunda temporada uma recém-firmada antologia. Carregando o título de ‘Them: The Scare’, a trama nos convidou a um salto no tempo de quase quatro décadas, nos levando ao início da década de 1990 e apresentando uma história totalmente nova – mas que é movida por similaridades gritantes com a ideia original de Little Marvin e de seu time de produtores.

O inédito ciclo, composto por oito episódios de puro choque cenográfico e de reviravoltas constantes e surpreendentes, parece ter justificado a ideia da iteração predecessora – pegando elementos filosóficos cunhados na passagem do século XX para o XXI para provar que a questão racial e o contínuo sofrimento da população negra é infindável, não importa quantos anos se passem. 

De forma assustadoramente análoga, os obstáculos enfrentados são quase anacrônicos, repetidos em um ciclo sem fim que serve como base crítica para que compreendamos uma luta interminável por respeito e pelos mesmos direitos (e é aí que surge a controversa e absurda beleza da série, em especial desta segunda temporada).


Aqui, acompanhamos a Detetive Dawn Reeve (Deborah Ayorinde), que trabalha para o Departamento de Polícia de Los Angeles na seção de homicídios e que recebe a tarefa de investigar um brutal assassinato ao lado de seu parceiro, Ronald McKinney (Jeremy Bobb). À medida que começa as investigações, ela descobre que pode estar lidando com algo muito maior do que imaginava, envolvendo uma perigosa força sobrenatural que está atrelada à própria história – e ao misterioso Edmund Gaines (Luke James), protagonista da outra trama principal que se desenrola paralelamente através dos episódios. O resultado dessa vibrante arquitetura é muito positivo, com exceção de alguns problemas pontuais, mostrando que Marvin e sua equipe criativa ainda tinham muito a nos contar dentro desse angustiante universo do horror.

Afastando-se do suspense psicológico familiar dos capítulos anteriores e apostando fichas em inúmeras referências aos thrillers policiais que sempre fizeram parte do cenário do entretenimento – como ‘Chinatown’, ‘Se7en’ e ‘Sin City’ – Marvin mostra que está disposto a ousar com investidas artísticas de tirar o fôlego e que condizem com a época em que o enredo se passa (incluindo o uso de cross-fades e de um apoio considerável em luzes neon e tons paliativos de cores quentes para nos preparar para o que acontecerá). É claro que certas escolhas são óbvias demais, como o cansativo filtro amarelado que se apodera de Los Angeles, mas boa parte das técnicas empregadas funciona e ajuda a construir uma atmosfera de puro desespero.

Dentro do microcosmos, é Ayorinde quem rouba a cena em todos os momentos que aparece. A atriz já havia recebido inúmeras ovações por seu trabalho como Lucky Emory na primeira temporada – mas é neste novo compilado de episódios que abre espaço para uma versatilidade aplaudível ao encarnar Dawn. Nutrindo de traumas de um passado não muito distante que recalcou com o passar dos anos e sofrendo inúmeros abusos passivo-agressivos de seus companheiros na delegacia, ela é forçada a impor suas habilidades como policial à medida que lida com um racismo estrutural que a assombra dia após dia e com olhares tortos de seus semelhantes que a julgam como traidora e como uma “vendida” ao apodrecido sistema de justiça dos Estados Unidos.

Além da atriz, nomes como Pam Grier, um ícone dos filmes de blaxploitation dos anos 1970 e 1980, volta à ativa como Athena, mãe de Reeve, em uma rendição espetacular; James navega entre a loucura e a sanidade em uma performance arrebatadora e diabolicamente deliciosa que nos deixa petrificados do início ao fim; Bobb é uma tour-de-force vilanesca e odiosa que se aproxima da delineação de personagem de Alison Pill no ciclo de estreia, Betty Wendell; e o novato Joshua J. Williams, apesar de não ter muito destaque a princípio, posta-se como uma peça fundamental para entendermos os twists dos episódios de encerramento como Kel, filho de Dawn.

‘Them: é uma sólida e bem-vinda adição a esse universo antológico que, de modo inesperado, une-se à primeira iteração em uma celebração do melhor do suspense psicológico e do horror. Explícita, sangrenta e arrepiante, a série é uma gratificante surpresa do Prime Video e uma das incursões mais bem-estruturadas do ano.


Resenha do Site: Cinepop
@CinePop


segunda-feira, 9 de março de 2026

Feminismo: Feminicídio

Um pacto pela vida das mulheres é URGENTE!

Brasil bate recorde com 15 mil casos de feminicídio em dez anos — quatro a cada dia.


"Quatro mulheres são assassinadas, todos os dias, no Brasil"

Essa frase deveria ser suficiente para provocar uma comoção nacional permanente. Mas não provoca. No máximo, vira manchete por algumas horas até ser empurrada para o rodapé das notícias ou substituída por outra tragédia.

No Brasil, morrer mulher virou estatística. Em 2025, o país voltou a bater o recorde de feminicídios desde que o crime foi tipificado em lei, em 2015. Foram mais de 1.500 mulheres assassinadas, simplesmente, por serem mulheres. Desde a criação da lei, mais de 15 mil brasileiras tiveram suas vidas interrompidas pela violência de gênero.

Mas os números não contam tudo. Eles não contam o medo que acompanha cada mulher quando atravessa uma rua à noite. Não contam o cuidado ao entrar num carro de aplicativo, o olhar constante sobre o retrovisor ou a mensagem obsessiva que vira ameaça e, em muitos casos, morte.
Feminicídio não é acidente

A morte é apenas o último capítulo de uma história que a sociedade insiste em fingir que não vê. O feminicídio não é acidente, porque quase sempre há sinais, há histórico de agressão, há denúncia ignorada, medidas protetivas descumpridas, vizinhos que ouviram gritos e amigos que sabiam. Mesmo assim, seguimos ignorando.

O caso de Juliana Soares escancarou esse roteiro. Dentro de um elevador, ela recebeu 61 socos no rosto, desferidos pelo companheiro. Não foi um descontrole momentâneo. Foi método. Estudos mostram que o rosto é frequentemente o alvo escolhido pelos agressores, porque destruir o rosto é tentar destruir a identidade da mulher. E o feminicídio é exatamente isso: a tentativa final de apagar uma mulher.

Mas o Brasil tem outra característica trágica: a capacidade de se acostumar com o horror. Vivemos no país onde uma pessoa é estuprada a cada seis minutos, e a maioria das vítimas são meninas. Vivemos no país onde crianças violentadas dentro da própria casa precisam provar que são vítimas, onde ainda se debate se meninas estupradas devem ou não ter direito de interromper uma gravidez que nunca escolheram.

Não é coincidência. É cultura. Uma cultura que, há séculos, naturaliza o controle, a humilhação e a violência contra mulheres. E, quando mulheres denunciam, ainda são tratadas como exageradas.

Por que essa luta não pode mais ser apenas das mulheres? Ela precisa ser também dos homens, das instituições, dos governos, da imprensa, das escolas e da justiça. Homens precisam romper o silêncio entre si, precisam confrontar e denunciar amigos violentos. Precisam entender que a masculinidade não pode continuar sendo construída sobre dominação.

Governos precisam tratar a proteção das mulheres como prioridade absoluta, e não como discurso de campanha.

A justiça precisa agir com rapidez. A sociedade precisa parar de perguntar “o que ela fez?” e começar a perguntar “por que ele fez?”.

Porque nenhuma mulher morre por acaso.


Vítimas também do esquecimento.

Juliane Soares, a mulher que recebeu mais de 60 socos no rosto dentro de um elevador, já foi esquecida. Depois dela vieram Tainara Souza Santos, Allane de Souza Pedrotti Mattos, Layse Costa Pinheiro, Rosilene Barbosa, Jhessilane Silva, Isabele Gomes de Macedo e tantas outras mulheres que, além de esquecidas, estão mortas.

Em outubro de 2009, a então estudante de turismo Geisy Arruda foi cercada, insultada e humilhada por dezenas de colegas por causa da roupa que usava: um vestido curto, cor-de-rosa. Gritos, ameaças, celulares gravando, seguranças tentando conter uma multidão que parecia mais interessada em punir e julgar. Tudo isso dentro de uma universidade.

A instituição, num primeiro momento, expulsou Geisy – como se o problema fosse a existência dela, e não a violência coletiva que se formou ao seu redor. A vítima virou culpada.

O episódio expôs algo que ainda persiste no Brasil: a facilidade com que uma mulher é transformada em alvo público quando ousa ocupar o próprio corpo com liberdade.

Passaram-se 17 anos e o Brasil ainda não aprendeu que uma mulher não precisa se cobrir ou se adequar para evitar a violência. Mulheres podem escolher sair de um relacionamento, podem dizer não, sem serem mortas ou mutiladas.

Não podemos perder a capacidade de indignação, mas isso também já não é mais suficiente. Um compromisso se faz urgente, um pacto, e ele é simples até:

Não normalizar.
Não silenciar.
Não esquecer.

Porque, enquanto uma única mulher morrer por ser mulher, nenhuma de nós estará realmente segura. E nenhuma sociedade estará realmente livre.

@Revista Liberta
Matéria: 7 mar 2026

Vivian Mesquita
Apresentadora, Repórter e Editora Chefe Executiva com passagens pela Editora Abril, Rede Globo e Canais ESPN Disney. Especialista em esportes de ação em mercado mundial. Profissional com formação consolidada na área de mídia e conteúdo esportivo, com mais de 20 anos de experiência em TV. Relacionamento sólido com a comunidade criativa local, produtoras, talentos, atletas, marcas e mídia. Habilidades em gestão de equipes, processos organizacionais e comunicação. Apresentadora do ICL Notícias - 1ª Edição.


domingo, 8 de março de 2026

Howlin' Wolf - Shake For Me

Howlin’ Wolf 
 “Shake For Me”  
• 1964 • 

O lendário Howlin’ Wolf interpreta “Shake For Me” em 1964 com um grupo de blues formado pelos mestres Hubert Sumlin na guitarra, Willie Dixon no baixo, Sunnyland Slim no piano e Clifton James na bateria.



sábado, 7 de março de 2026

RUSH


RUSH

Com influências que vão de Buffalo Springfield, The Yardbirds, Cream, Led Zeppelin e King Crimson, o Rush surgiu no Canadá no início dos anos 70 com um dos sons mais poderosos e bombásticos da década. Seu álbum magnum opus de 1976, 2112, representa o rock progressivo em seu auge, mas apenas cinco anos depois, eles tiveram a coragem de deixar de lado as canções épicas em favor de músicas mais curtas (mas não menos dinâmicas) como "Tom Sawyer" e "The Spirit of Radio", que permanecem em constante rotação nas rádios até hoje.

Absolutamente intransigentes em todos os sentidos imagináveis, o trio passou os últimos 40 anos cultivando a maior base de fãs cult do rock, enquanto ainda consegue lotar arenas ao redor do mundo.

Os primórdios.

A banda Rush foi formada em agosto de 1968 no bairro de Willowdale, em Toronto. A formação original incluía Alex Lifeson na guitarra, Jeff Jones no baixo e John Rutsey na bateria. Jones foi logo substituído por Geddy Lee. 

O grupo tocou na cena musical de Toronto por alguns anos e, em 1973, lançou seu primeiro single, um cover de "Not Fade Away", de Buddy Holly. O disco não fez sucesso e a banda decidiu formar seu próprio selo, a Moon Records. O grupo lançou seu primeiro álbum, Rush, em 1974.

Após o lançamento do álbum de estreia do grupo, Rutsey saiu e foi substituído por Neil Peart. Essa formação — Geddy Lee nos vocais, baixo e teclados; Alex Lifeson na guitarra e Neil Peart na bateria — permaneceu estável ao longo dos anos. 

O primeiro álbum não estava indo muito bem até que uma estação de rádio de Cleveland, a WMMS (100.7 FM), adicionou a música "Working Man" à sua programação. O álbum foi então adquirido pela Mercury Records nos EUA e as vendas começaram a disparar.

Mudança de horizonte.

No ano seguinte, o Rush lançou dois álbuns com a nova formação, Fly by Night e Caress of Steel. Mas o grande sucesso do grupo veio mesmo no ano seguinte com o lançamento do álbum 2112. O álbum apresentava uma faixa-título de 20 minutos dividida em sete seções. Ganhou disco de platina no Canadá, e o Rush saiu em turnê pelos EUA e Canadá. A turnê culminou com três apresentações no Massey Hall, em Toronto. O grupo gravou os shows e lançou seu primeiro álbum ao vivo, All the World's a Stage, em 1976.

Em seguida, o Rush se mudou para o Reino Unido, onde a banda gravou seus dois álbuns seguintes, A Farewell to Kings (1977) e Hemispheres (1978), no Rockfield Studios, no País de Gales. A música desses dois álbuns se aventurou mais na direção do rock progressivo.

“ À medida que nossos gostos musicais se tornaram mais obscuros, descobrimos bandas de rock progressivo como Yes, Van der Graaf Generator e King Crimson, e nos inspiramos muito nelas”, disse Lee. “Elas nos motivaram a tornar nossa música mais interessante e complexa, e tentamos misturar isso com nossas próprias personalidades para ver o que conseguiríamos criar que fosse inegavelmente nosso.”

A popularidade do Rush continuou a crescer e, em 1980, com o lançamento de Permanent Waves, o grupo se tornou uma das bandas de maior sucesso no mundo. O álbum marcou uma mudança no som da banda. As músicas ficaram mais curtas e as influências do grupo agora incluíam reggae e new wave. Permanent Waves alcançou o Top 5 nos Estados Unidos.

Imagens em movimento.

No ano seguinte, o Rush lançou Moving Pictures. Esse álbum alcançou o terceiro lugar e vendeu mais de quatro milhões de cópias. Ele c
ontinua sendo o álbum de estúdio mais popular e comercialmente bem-sucedido do Rush. A complexidade das composições e o virtuosismo musical do Rush atingiram novos patamares neste álbum.

Gravado e mixado entre outubro e novembro de 1980 no Le Studio, Moving Pictures seguiu um formato mais adequado para o rádio e inclui várias faixas marcantes, como “Tom Sawyer”, “Limelight”, “Red Barchetta” e a aclamada instrumental da banda, “YYZ”, que é o código de identificação do Aeroporto Internacional Pearson de Toronto segundo a IATA.

A capa do álbum é um monumento ao triplo sentido. Os carregadores estão fisicamente movendo imagens, as pessoas choram porque as imagens que passam são emocionalmente "comoventes", e a contracapa retrata uma equipe de filmagem fazendo um "filme" de toda a cena.

Com o lançamento de Signals em 1982, o som do Rush sofreu mais uma transformação. Os sintetizadores passaram a ocupar o centro das atenções na música do grupo. Além disso, o álbum incluiu o único single do Rush a entrar no Top 40 dos EUA, "New World Man". O álbum também expandiu o uso de ska, reggae e funk pela banda.

Ao longo do restante da década de 80, a banda manteve um perfil um tanto mais discreto, não passando tanto tempo na estrada. Mesmo assim, seus álbuns continuaram a ganhar certificações de ouro ou platina.

Com o álbum Presto, de 1989, o Rush voltou a dar ênfase à guitarra em vez dos teclados. A transição do sintetizador para a guitarra continuou com Counterparts, de 1993, e Test for Echo, de 1996. Após a turnê de divulgação deste último álbum, o Rush iniciaria um hiato de cinco anos em sua carreira (1997 - 2002). 

Infelizmente, essa pausa foi motivada por duas tragédias pessoais na vida de Neil Peart. Após a morte da única filha, Selena, e da esposa, Jackie, num período de oito meses, ele decide pegar a estrada com sua moto, uma BMW R1100GS, para rodar por 90 mil quilômetros, sem destino, em busca de um motivo para preencher o vazio que sentia. Todo esse drama pessoal vivido pelo baterista está relatado num livro emocionante que ele mesmo escreveu chamado, Ghost Rider: A Estrada da Cura, lançado em 2020 no Brasil.


O retorno, rastros de vapor.

A banda retornou ao estúdio e lançou um novo álbum, Vapor Trails, em 2002. Pela primeira vez desde os anos setenta, o Rush não utilizou nenhum sintetizador, órgão ou outro teclado no álbum.

Para comemorar seu 30º aniversário, o Rush lançou Feedback, um EP de estúdio, em junho de 2004. A gravação apresentava covers de oito músicas de alguns dos artistas que influenciaram o grupo, incluindo Cream, The Who e The Yardbirds. A banda também saiu em turnê no verão de 2004, fazendo shows comemorativos nos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, Suécia, República Tcheca e Holanda.

O Rush continuou gravando e fazendo turnês, lançando os álbuns Snakes & Arrows em 2007 e Clockwork Angels em 2012.

O grupo também lançou um álbum ao vivo, Time Machine 2011: Live in Cleveland, em 2011. O álbum foi gravado em 15 de abril de 2011, na Quicken Loans Arena em Cleveland, Ohio.

Turnês R30 e R40

A turnê R30: 30th Anniversary Tour celebrou o 30º aniversário da formação definitiva da banda em julho de 1974, após Neil Peart substituir o baterista original John Rutsey. A turnê também serviu para promover o EP de covers Feedback. Ela teve início no Starwood Amphitheatre em Nashville, Tennessee, em 26 de maio de 2004, e terminou no Sportpaleis Ahoy em Rotterdam, Holanda, em 1º de outubro do mesmo ano. 

A turnê resultou no DVD "R30: 30th Anniversary World Tour", lançado em novembro de 2005, gravado em 24 de setembro de 2004 no Festhalle em Frankfurt, Alemanha. A turnê foi realizada em anfiteatros na América do Norte e em arenas na Europa.

Após esse lançamento, outro marco impostante da carreira da banda foi o box set R40 foi anunciado e lançado em 11 de novembro de 2014. Esse lançamento comemorou o 40º aniversário do lançamento do álbum de estreia homônimo da banda.

Aproximadamente um ano depois, em 2015, o Rush embarcou na turnê R40 Live, apresentando uma década de material. Após essa turnê, foi lançado um DVD/Blu-ray intitulado R40 Live. Nesse mesmo ano, a Universal Music Enterprises iniciou sua própria celebração do 40º aniversário da banda, relançando todos os álbuns do Rush no catálogo da Mercury, em ordem cronológica.

Avançando para o final de 2016 e 2017, dois lançamentos importantes do Rush foram anunciados: o documentário Time Stand Still (que retrata a turnê R40 Live) e a edição de 40º aniversário do álbum 2112. Este último foi lançado em vários formatos para celebrar o 40º aniversário do icônico álbum 2112 do Rush.

O segredo da banda

O que torna a banda tão singular? Inicialmente, por sua formação. São três excelentes músicos que promoveram uma forte amizade de muita camaradagem, quase inseparáveis fora dos palcos. No palco, uma química perfeita entre eles, cada um trouxe uma contribuição singular, criando um som que não pode ser confundido com nenhum outro. A profundidade da música do Rush vai além das notas e riffs; ela carrega uma carga emocional e intelectual rara, repleta de temas como filosofia, mitologia, política e ciência. A complexidade das letras de Neil Peart, que abordam desde questões existenciais até reflexões sobre a sociedade, tornam cada álbum uma verdadeira viagem de descobertas.

O Rush foi um dos pioneiros ao misturar virtuosismo técnico com um senso de coesão que transcende as barreiras do simples exibicionismo musical. O estilo de Geddy Lee, com seu vocal inconfundível e linhas de baixo complexas, é um dos maiores exemplos de como técnica e expressão podem se encontrar. O toque único de Alex Lifeson nas guitarras, variando entre passagens suaves e explosões de riffs poderosos, adicionou uma camada de originalidade que poucos músicos conseguem igualar. E, claro, o incomparável Neil Peart. O baterista não apenas dominava a técnica, mas também era um poeta, cujas letras desafiavam as convenções e inspiravam fãs a pensar de maneira mais profunda sobre o mundo ao seu redor.

Mas o que realmente distingue o Rush é o seu legado. Em uma indústria onde o sucesso muitas vezes depende de tendências passageiras e modismos, o Rush manteve-se fiel ao seu próprio caminho. Não cederam às pressões externas, nem se acomodaram. Cada álbum, cada turnê, foi uma evolução, um passo em direção a algo novo, mas sempre fiel à sua essência. 

A banda nunca teve medo de experimentar e inovar, desde as sonoridades de “2112”, que foi um marco no rock progressivo, até os toques mais sintetizados de “Signals” e “Grace Under Pressure”, mostrando uma versatilidade musical impressionante.

A relação entre os membros da banda era um exemplo de amizade verdadeira. Embora a banda tenha enfrentado dificuldades, como a morte trágica de seu baterista, Neil Peart, em 2020, a amizade entre Geddy, Alex e Neil foi uma das forças fundamentais que manteve o Rush unido por mais de 40 anos. Essa amizade não estava apenas presente no palco, mas em tudo o que fizeram, desde os ensaios até as decisões de carreira. Era uma irmandade que transcendia a música, e que muitos de seus fãs invejavam e admiravam.

O Futuro com Anika Nilles


“Já se passaram mais de 10 anos desde que Alex e eu tocamos as músicas do RUSH ao lado do nosso falecido companheiro de banda e amigo, Neil. Uma vida inteira de canções nas quais colocamos nossos corações e almas para compor, gravar e tocar juntos no palco". 

"E então, depois de tudo o que aconteceu desde aquele último show, Alex e eu fizemos uma profunda reflexão e chegamos à conclusão de que sentimos muita falta disso, e que é hora de celebrar os mais de 50 anos de música do RUSH. Portanto, em 2026, decidimos que era a hora de pegar a estrada mais uma vez para homenagear nosso passado e o legado de Neil Peart, podendo apresentar uma vasta seleção de músicas do RUSH em algumas cidades. Uma tarefa nada fácil, porque, como todos sabemos, Neil era insubstituível.” - Geddy Lee.

"A vida é cheia de surpresas, e fomos apresentados a mais uma pessoa extraordinária, Anika Nilles: uma baterista e musicista incrível que está adicionando mais um capítulo à nossa história, enquanto continua sua própria e fascinante jornada musical". Não poderíamos estar mais animados para apresentá-la aos nossos leais e dedicados fãs do RUSH, que, sabemos, farão de tudo para que ela esteja à altura desse papel quase impossível. Antes de subirmos ao palco, também esperamos adicionar mais um ou dois músicos para expandir um pouco o nosso som e liberar Alex e eu para mostrarmos alguns dos nossos novos passos de dança.

"Alex e Anika, juntamente com muitos membros de longa data da nossa equipe, temos trabalhado arduamente nos ensaios e na concepção do tipo de show do RUSH que vocês já se acostumaram a esperar de nós. Esperamos sinceramente que vocês venham e nos ajudem a celebrar nossa história juntos”.  _ (Geddy Lee)

Carrie Nuttall Peart e Olivia Peart, viúva e filha de Neil, compartilharam: “Estamos muito felizes em apoiar a turnê Fifty Something, celebrando uma banda cuja música ressoou e inspirou fãs por gerações, e em homenagear o extraordinário legado de Neil como baterista e letrista".

A musicalidade de Neil era singular. Composições de complexidade e potência que expandiam o que o próprio ritmo podia expressar. Como baterista e letrista, ele era insubstituível. Inimitável em sua arte e incomparável na profundidade e imaginação que imprimia às letras que inspiravam e emocionavam tantos, ele moldou profundamente a conexão dos fãs com ele e com a banda, dando voz e significado às suas próprias vidas.

A turnê começou em 7 de junho de 2026 em Inglewood, Califórnia, e está prevista para terminar em Helsinque, Finlândia, em 10 de abril de 2027. É a primeira turnê do Rush em 11 anos e sua primeira apresentação ao vivo sem o baterista Neil Peart em 52 anos, após sua morte em 2020. Além de Anika Nilles substituindo-o, em 23 de fevereiro de 2026, o Rush anunciou que Loren Gold seria o tecladista da turnê, tornando-se a primeira vez que a banda excursionou com mais de três músicos principais.

A banda anunciou com entusiasmo a adição de datas na América do Sul, no Reino Unido e na Europa à Fifty Something Tour, no início de 2027. As apresentações marcarão a primeira vez que a banda toca na Europa desde 2013 e o retorno à América do Sul após 17 anos.

Sobre a turnê, Geddy Lee afirma: “Mal podemos esperar para voltar a todas essas cidades em que não tocamos há tanto tempo, assim como visitar alguns novos lugares onde ainda não nos apresentamos. Tanto Alex quanto eu estamos adorando as horas de ensaio que estamos passando com Anika e agora com Loren, aprendendo cerca de 40 músicas, o que nos permitirá manter os shows em constante evolução, tocando canções diferentes em noites diferentes

E quem sabe um novo álbum? Seria sensacional !!