Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Políticas Públicas: História de Angelo Canuto

ELE ERA DO CRIME E DA PM AO MESMO TEMPO 
- Angelo Canuto - 

O racismo e as injustiças sociais criaram um Brasil carcerário, e o Estado criou as facções e crime organizado!

"dentro dos presídios existem milhares de jovens empreendedores, músicos, jornalistas, atletas, advogados e médicos"


Canal Flow Podcast:



Literatura: Arte Moderna

O paradoxo Brasil

Como é possível que ainda não se tenha discutido a fundo divergência tão flagrante?

(Conteúdo da Revista Liberta)

REVISTA LIBERTA

Abaporu, Tarsila do Amaral (1928)

As edições de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, apresentam mudanças intrigantes. Na primeira edição, publicada em 1936, o livro principia com um otimismo que, certamente, surpreenderá o leitor contemporâneo:

Todo estudo compreensivo da sociedade brasileira há de destacar o fato verdadeiramente fundamental de constituirmos o único esforço bem-sucedido em larga escala de transplantação da cultura europeia para uma zona de clima tropical e subtropical. Sobre território que, povoado com a mesma densidade da Bélgica, chegaria a comportar um número de habitantes igual ao da população atual do globo, vivemos uma experiência sem símile.

A experiência histórica brasileira é sem igual porque exitosa: não pode haver dúvidas na leitura da passagem. E o sucesso parece necessariamente sugerir que a aclimatação da cultura europeia ocorreu da melhor maneira possível. O parágrafo de abertura da primeira edição pareceria a própria metonímia do título. O intérprete poderia encontrar os fundamentos da formação social, já que, desde seus primórdios, o processo civilizatório brasileiro exemplificaria uma feliz e rara coincidência entre intenção e gesto. As raízes do Brasil poderiam ser reveladas, inclusive vistas a olhos, pois constituímos o único esforço bem-sucedido de transplantação cultural; afinal, falamos de raízes.

Não é verdade que se escuta no trecho de 1936 um tom vizinho ao do parágrafo de abertura de Casa-Grande & Senzala?

Quando em 1532 se organizou econômica e civilmente a sociedade brasileira, já foi depois de um século inteiro de contatos dos portugueses com os trópicos; de demonstrada na Índia e na África sua aptidão para a vida tropical. Mudado em São Vicente e em Pernambuco o rumo da colonização portuguesa do fácil, mercantil, para o agrícola: organizada a sociedade colonial sobre base mais sólida e em condições mais estáveis que na Índia ou nas feitorias africanas, no Brasil é que se realizaria a prova definitiva daquela aptidão.

As duas passagens celebram a vocação colonizadora portuguesa. No vocabulário de Gilberto Freyre, a plasticidade do português favoreceu o contato produtivo entre culturas, assim como sua assimilação num composto híbrido. A abertura da primeira edição de Raízes do Brasil corroborava o otimismo do sociólogo pernambucano: dicções diferentes, porém afinadas no mesmo tom fundamentalmente positivo. Entretanto, na edição definitiva, enriquecida com importante introdução de Antonio Candido, “O significado de Raízes do Brasil”, o parágrafo de abertura sofreu uma mudança radical:

A tentativa de implantação da cultura europeia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências.

A modificação não poderia ser maior: agora, a experiência histórica brasileira parece condenada ao descompasso entre as ideias e seu lugar. Destaque-se o fator decisivo: não se trata de correção estilística, que vise aprimorar a expressão ou torná-la mais clara, tampouco do acréscimo de novos dados, que aprimorem o argumento, mas da supressão completa de ideia-chave, simplesmente substituída pelo seu contrário.

Os fatores da formação social brasileira que surgiam caracterizados como o único esforço bem-sucedido de transplantação cultural em larga escala surgem como definitivamente estrangeiros às condições tropicais. O trânsito do próprio ao alheio realiza-se sem mediações, como se entre as duas passagens não residisse um paradoxo de difícil entendimento. Contudo, apesar da notável mudança, tanto nas primeiras edições quanto na definitiva, segue o célebre trecho (com pequenas modificações):

Trazendo de países distantes nossas formas de vida, nossas instituições, nossa visão de mundo, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda uns desterrados em nossa terra.

Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.


Nas primeiras duas edições, somente faltava o “hoje”, o resto da frase é praticamente o mesmo – destaque-se ainda a sutil mudança conceitual de “formas de vida” para “formas de convívio” e de “visão de mundo” para “ideias”. De imediato, porém, quero propor uma pergunta: como é possível que ainda não se tenha discutido a fundo divergência tão flagrante? Os brasileiros tiveram uma experiência única porque bem-sucedida, mas, ao mesmo tempo, como resultado, vivem desenraizados em seu próprio país. Esse paradoxo não tem sido devidamente avaliado. Como ser ao mesmo tempo bem-sucedido e desterrado?

Pergunta-chave que condensa o dilema Brasil.

Conto com a sua leitura na próxima semana?

[1] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936, p. 3, destaques meus.
[2] Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala. Formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943 [1933]. p. 77.
[3] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989 [1967], p. 3, destaques meus.
[4] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948 [1936], p. 15, destaques meus.
[5] Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967 [1936], p. 3, destaques meus.

João Cezar de Castro Rocha
Professor Titular de Literatura Comparada (UERJ) e Cientista do Nosso Estado (FAPERJ). Autor de 14 livros; seu trabalho já foi traduzido para o espanhol, mandarim, italiano, francês, alemão e inglês.


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

MPB: Jadsa

Jadsa
Olho de Vidro - 2021

Jadsa Castro, conhecida apenas como Jadsa, é uma cantora, compositora, produtora musical e guitarrista brasileira. 

Em 2015 lançou seu primeiro trabalho de estúdio, "Godê", seguido por outro EP, "TAXIDERMIA vol.1", em 2020.

Olho de Vidro (2021). “A primeira vez que eu escutei essa faixa eu falei […] ‘eu tenho uma voz minha, mas eu tenho uma voz da minha consciência também’. Eu acho que Itamar brincava muito com essa coisa dele e com o que está sendo dito e o que não é dito”, analisa.

A artista explica que conheceu o trabalho de Itamar Assumpção em 2015, quando ainda vivia em Salvador e tocava na Banda Monstra. “Minha mãe que me indicou. Falou: ‘Estou entendendo que você está com um movimento ‘meio assim’, acho que você vai gostar de ouvir Itamar Assumpção. Já escutou?’ Eu falei ‘não, minha mãe’. Ela: ‘Pesquisa’. Aí eu pesquisei Itamar, entrei nessa viagem”, lembra.


Radicada em São Paulo desde 2018, Jadsa diz que o contato com o universo de Itamar foi porta de entrada para outras referências da vanguarda paulistana. “Eu acho que é isso mesmo da identificação, da homenagem que eu precisava fazer para Itamar por ter me mostrado esse caminho e por ter me dado força pra correr atrás do meu disco e por ter me dado uma assinatura ali, do tipo ‘tem isso aqui, tem esse modo de fazer’. Me ensinou, me professou assim”, reflete.


Para ela, o impacto do artista vai além das questões técnicas. “Falar de Itamar é muito do meu sentimento, eu não tenho o que ficar falando dele tecnicamente e coisas assim. É surreal, mas eu acho que ele mexeu comigo no meu sentimento, na minha composição e na minha cabeça. Ele virou uma chave na minha cabeça que é isso: começar a enxergar de outro jeito, começar a fazer de outra forma e estar incomodado para fazer”.


Zélia Duncan: Marina Sena & Mari Jasca

Marina Sena & Mari Jasca

O futuro promissor da música brasileira, 
com a benção de Zélia Duncan!

Programa Por Acaso: 
Vozes que Transformam a Música Brasileira

Marina Sena e Mari Jasca se encontram pela primeira vez para compartilhar histórias, inspirações e trajetórias únicas. Entre conversas sobre arte, mercado musical e empreendedorismo, as artistas apresentam versões exclusivas de seus sucessos, como Por supuesto e Ladeira do Castro. Um encontro musical inesquecível, gravado na Pinacoteca de São Paulo, que celebra a força, a autenticidade e a diversidade da música brasileira.


Mari Jasca
Mari Jasca

Com raízes argentinas, vivência nas ruas e nas noites cariocas, Mari Jasca é uma das vozes mais singulares da nova cena independente brasileira. Cantora, compositora, atriz, artista circense e produtora, ela constrói sua trajetória a partir da mistura — entre gêneros musicais, linguagens artísticas e territórios afetivos.

Seu primeiro disco solo, Disparada, lançado no final de 2024, passou por palcos como o Sesc Belenzinho (SP), Teatro Ipanema (RJ) e a feira gastronômica de Búzios (RJ), ultrapassando os 210 mil plays nas primeiras semanas no Spotify. No trabalho, ela une forró, pop, milonga, flamenco, jazz e ritmos latinos com beats modernos, sintetizadores e grooves dançantes — tudo isso atravessado por letras que falam de coragem, desejo e liberdade.

Marina Sena
Marina Sena

É uma cantora e compositora brasileira nascida em Taiobeiras, Minas Gerais. Com sua mistura única de MPB, pop e influências regionais, ganhou destaque nacional após o sucesso de “Por Supuesto”, que viralizou nas plataformas digitais. 

Seu primeiro álbum a revelou no cenário musical, e o Vício Inerente, segundo álbum da carreira, reafirmou seu talento com hits carregados de personalidade, acompanhado por uma turnê de diversos shows lotados por todo o Brasil.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Shemekia Copeland



Shemekia Copeland

“Shemekia Copeland é a maior cantora de blues de sua geração.”
 – The Washington Post
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História e trajetória artística.

Shemekia Copeland possui uma das vozes de música roots mais instantaneamente reconhecíveis e profundamente comoventes do nosso tempo. A multi-indicada ao GRAMMY é amada e homenageada mundialmente pela coragem, honestidade e humor de suas canções reveladoras, bem como por sua personalidade cativante e vencedora. O Chicago Tribune diz: "Copeland é a maior vocalista feminina de blues em atividade hoje. Não há como confundir a majestade de seu instrumento, nem a ferocidade de sua entrega."

No novo álbum de Copeland, o indicado ao GRAMMY Blame It On Eve , todas as músicas atingem o alvo, com performances de cair o queixo que instantaneamente conquistam e exigem audições repetidas. “Há negócios sérios no novo álbum”, diz Copeland, “mas também há muitos sorrisos, muitos momentos de alegria. É o meu blues, com certeza, mas é o lado bom. Problemas são sempre importantes para mim, mas também é importante curtir rock, dançar e simplesmente me divertir. E isso é algo com que todos concordamos.”

O álbum se tornou um favorito dos fãs e da mídia, ganhando uma série de prêmios de “Álbum do Ano”, incluindo o DownBeat Critics Award; o Living Blues Readers' and Critics' Awards e o Álbum do Ano de Blues Music Award. Além disso, Copeland ganhou o Living Blues and Blues Music Awards de Artista do Ano.

“Shemekia Copeland fornece uma trilha sonora para a América contemporânea... poderosa, feroz, perspicaz e esperançosa... Ela tem tanto controle da voz que consegue gritar injustiças antes de acalmá-las com uma esperança amorosa. É de arrepiar.” - Living Blues

Blame It On Eve foi gravado em Nashville e produzido pelo instrumentista/compositor Will Kimbrough (que também produziu seus três álbuns anteriores). Apresenta 12 novas músicas que abordam temas tão importantes quanto o direito de escolha da mulher e as mudanças climáticas, mas também deixa espaço para Copeland se divertir e relaxar. Do boogie blues autobiográfico e rockeiro Tough Mother ao foco bem-humorado, porém sério, da faixa-título antológica na autodeterminação reprodutiva, passando pelo happy hour de Wine O'Clock, Copeland se inspira do começo ao fim.

O famoso multi-instrumentista Jerry Douglas acrescenta seu dobro à fascinante e real história de Tee Tot Payne, o obscuro músico do Alabama do início do século XX que ensinou blues a Hank Williams, e o tocador de sacred steel DaShawn Hickman traz sua magia para o animado e inspirador Tell The Devil. O amigo de Shemekia, o roqueiro roots Alejandro Escovedo, junta-se à angustiada e celestial pergunta "Is There Anybody Up There?". No triste conto de amor Belle Sorciere, Copeland canta o refrão em francês, com a melodia assombrosa composta por Pascal Danae, da banda parisiense Delgres (que recentemente apareceu na capa da Rolling Stone França). 

A interpretação de blues profundo e fulminante de Copeland em Down On Bended Knee — por seu falecido pai, o grande bluesman Johnny Copeland — prepara o instigante encerramento Heaven Help Us All, uma canção que se tornou famosa primeiro por Stevie Wonder e depois por Ray Charles. No geral, o apaixonado, carismático, alegre e às vezes conflituoso Blame It On Eve está fadado a se tornar um dos lançamentos mais celebrados da impressionante e ainda em desenvolvimento carreira de Copeland.

Nascida e criada no Harlem em 1979, Shemekia Copeland subiu ao palco com seu famoso pai no Cotton Club de Nova York aos oito anos. Após o lançamento de seu álbum de estreia, Turn The Heat Up, pela Alligator Records, em 1998, quando tinha apenas 18 anos, Copeland instantaneamente se tornou uma força do blues e do R&B a ser reconhecida. O New York Times e a CNN, entre muitos outros, elogiaram seu talento, sua personalidade marcante, sua voz dinâmica e autoritária e seu verdadeiro poder de estrela. A cada lançamento subsequente, a música de Copeland continuou a evoluir.

De sua estreia até The Soul Truth, de 2005, Shemekia ganhou oito prêmios Blues Music Awards e vários prêmios Living Blues. Wicked, de 2000, recebeu a primeira de suas cinco indicações ao GRAMMY. Após dois lançamentos de sucesso pela Telarc (incluindo 33 1/3, indicado ao GRAMMY em 2012), Copeland retornou à Alligator Records em 2015 com Outskirts Of Love, indicado ao GRAMMY e vencedor do Blues Music Award, misturando blues com sons mais enraizados e norte americanos

Com America's Child , de 2018 , Copeland lançou o primeiro de sua celebrada trilogia de álbuns sobre o estado do mundo, cantado de sua perspectiva como uma jovem mulher negra e mãe de primeira viagem. A revista MOJO nomeou America's Child o lançamento de blues nº 1 de 2018. Ganhou o Blues Music Award e o Living Blues Award de Álbum do Ano. Além de ganhar uma indicação ao GRAMMY Award, o inovador sucessor de Copeland em 2020, Uncivil War , foi nomeado Álbum de Blues do Ano de 2020 pelas revistas DownBeat, MOJO e Living Blues. "Shemekia Copeland é uma potência", disse a Rolling Stone. "Ela não pode errar." Ela recebeu sua quinta indicação ao GRAMMY por Done Come Too Far , que fechou a trilogia com um conjunto escaldante de canções de verdade, rock e blues de Hill Country. “Shemekia Copeland é um antídoto contra o artifício”, disse o The Philadelphia Inquirer . “Ela é uma presença imponente, uma vocalista poderosa que transmite a verdade.”


Copeland realizou milhares de shows em clubes, festivais e salas de concerto em todo o mundo, e apareceu em filmes, na televisão nacional, NPR, e foi assunto de grandes reportagens em centenas de revistas, jornais e publicações na internet. Ela cantou com Bonnie Raitt, Keith Richards, Carlos Santana, Dr. John, James Cotton e muitos outros, e dividiu o palco com os Rolling Stones. Ela entreteve tropas americanas no Iraque e no Kuwait em 2008, uma viagem que ela diz, "que abriu meus olhos para o mundo maior ao meu redor e meu lugar nele." Em 2012, ela se apresentou com BB King, Mick Jagger, Buddy Guy, Trombone Shorty, Gary Clark, Jr. e outros na Casa Branca para o presidente e a Sra. Obama. 

Ela se apresentou no Austin City Limits da PBS , foi destaque em uma história de seis minutos no PBS News Hour e foi assunto de uma importante matéria da revista Washington Post Sunday. Em abril de 2022, ela se apresentou no Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas para um público mundial de milhões de pessoas, como parte das comemorações do Dia Internacional do Jazz. Em 2023, Copeland participou da coletânea vencedora do GRAMMY, Basie Swings The Blues , pelo selo Candid. Ela continua a ser tocada regularmente em rádios de todo o mundo. Além disso, Copeland apresenta seu próprio programa de rádio diário de blues, o Bluesville, da SiriusXM .

A Forbes declarou: "Shemekia é destemida, honesta e esperançosa... ela não se contém em nada ao transmitir verdades musicais contundentes". O falecido John Prine a elogiou enormemente ao dizer: "Ela simplesmente não se parece com ninguém". E ninguém menos que a amiga de Copeland, a lendária Mavis Staples, anunciou: "Estou muito feliz que Shemekia esteja apresentando essas músicas que o mundo precisa ouvir. Sua voz é forte e cheia de alma, e sua mensagem vem do coração".

Com Blame It On Eve, Copeland embarca no que ela chama de "férias de todo o peso". Blame It On Eve contém muitas das canções ousadas e corajosas que são a marca registrada de Copeland, mas aqui Copeland também busca se desligar do peso do mundo. "Meus últimos três discos abordaram notícias de última hora", diz ela. "Este disco é para pessoas como eu, que querem uma pausa das notícias."

Alligator Records, LLC.

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