Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

domingo, 28 de dezembro de 2025

ReGgAe: DEZARIE

Imperatriz do Reggae.
Dezarie

' Reggae Roots '

Desiree é um nome feminino com uma essência de desejo e paixão. Originado do francês, Desiree significa "desejada" ou "amada". É um nome que evoca uma imagem de alguém querida. Pessoas chamadas Desiree são frequentemente descritas como apaixonadas, cativantes e de personalidade envolvente.

Dezarie uma cantora de Reggae Roots nascida nas Ilhas Virgens (EUA), começou fazer músicas aos 10 anos, na escola e na Igreja. Com o passar do tempo, foi apresentada à DJ’s que a ajudaram a começar as suas gravações.

Viveu um tempo em Atlanta. Tempo suficiente para ser reconhecida como Melhor Revelação Feminina do Reggae e em 2001, retornou a Ilha de St. Croix, onde vive até hoje. A talentosa cantora divide as dependências do estúdio Afrikan Roots Lab com os conterrâneos da banda Midnite.

Seu primeiro trabalho, intitulado Fya, foi lançado em 2001 pela I Grade Records. Em 2003, Dezarie nos contemplou com o trabalho Gracious Mama Africa, um de seus melhores álbuns. Passaram-se 5 anos até que o terceiro trabalho de Dezarie pudesse ser lançado. Eaze The Pain saiu em 2008 e surpreendeu a massa reggaera, pois Dezarie surpreendeu adicionando uma nova sonoridade ao seu estilo, e vem cada vez mais agradando o público. Seu quarto, e último, trabalho chama-se The Fourth Book e conta com 10 pedradas, entre elas Jah Know Better, um dos maiores sucessos de Dezarie.

Capa do álbum, 2025
A imperatriz do Reggae está de volta! Dezarie retorna triunfante com Guardian, seu novo álbum poderoso de resistência e espiritualidade...
A icônica voz do Reggae raiz está de volta! Dezarie, a talentosa artista das Ilhas Virgens Americanas, anuncia o lançamento de seu mais novo álbum, “Guardian”, produzido por Kardelle President. Este aguardado projeto marca o retorno triunfante da cantora, trazendo dez faixas que reafirmam sua posição como uma das vozes mais autênticas e espirituais do Reggae contemporâneo.

As dez faixas de Guardian exploram temáticas de resistência, consciência social e força interior, refletindo o compromisso de Dezarie com a verdade e a liberdade. Entre os destaques do álbum estão "Back To The Future", "Criminal" e "Lion Is Lion", que reforçam sua postura inabalável e sua entrega emocional singular.

Dezarie faz inúmeras turnês pelo mundo e três vezes no Brasil. Em sua segunda passagem nas terras tupiniquins, se envolveu em algumas polêmicas depois que teve que cancelar um show por motivos de saúde de um dos integrantes da banda. Na terceira passagem, todos estavam muito ansiosos para ver um verdadeiro espetáculo dessa grande artista.


sábado, 27 de dezembro de 2025

Meio Ambiente: Leonardo Boff

O Natal e a ecologia profunda.
A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus cercado de elementos ecológicos.


27 dez 2025

A ecologia é mais do que uma técnica de gerenciamento de bens e serviços naturais cada vez mais escassos. Tão escassos que a Mãe Terra se sente extenuada, pois o consumo humano mais aquele da natureza estão exigindo uma Terra e meia para atender a todas as demandas. Por isso, nós, humanos, devemos nos preparar para reinventar um outro caminho, se quisermos garantir um futuro para o nosso tipo de civilização.

Nem por isso deixaremos de fazer uma referência entre o Natal e a ecologia. Esta é mais do que o meio ambiente a ser urgentemente preservado. Ela possui uma dimensão do Profundo em nós.

A tradição cristã viu o nascimento do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, cercado de elementos ecológicos: nasceu numa estrebaria, colocado sobre palhinhas e junto a um boi e um jumento (que, segundo certos relatos, aqueciam o Menino com seu bafo), com ovelhas distribuídas no campo. Há ainda uma estrela que iluminou a noite dos pastores e guiou os sábios vindos do Oriente.

Há um texto de grande beleza, que é cantado na liturgia de Natal, o qual mostra uma comoção cósmica, significando a entrada do Filho de Deus em nosso mundo. Quando tudo estava em profundo silêncio e a noite no meio de seu curso, eis o que aconteceu:

Então, as folhas que farfalhavam pararam como mortas.

Então, o vento que sussurrava ficou parado no ar.

Então, o galo que cantava parou no meio de seu canto.

Então, as águas do riacho que corriam se estancaram.

Então, as ovelhas que pastavam ficaram imóveis.

Então, o pastor que erguia o cajado ficou petrificado.

Então, nesse momento, tudo parou, tudo silenciou, tudo se suspendeu:

Nasceu Jesus, o salvador do mundo e do universo.

Como se depreende, as coisas não ficaram indiferentes à inserção do Divino em nossa história. Elas se prepararam, silentes, para recebê-lo.

Flor de Natal

Contam-se também histórias comoventes, como esta que surgiu entre os cristãos do México, pois lá existe uma flor chamada de Bico de Papagaio ou Espírito Santo. Ela possui folhas menores verdes e outras maiores vermelhas. Ela é associada ao Natal por causa da história que contarei a seguir, que possui seu lado ecológico.

Uma senhora pobre queria dar um presente ao Menino Jesus. Mas era tão pobre que não tinha nada para oferecer. Em sua simplicidade, colheu uma plantinha junto à estrada e levou-a até ele. Colheu a plantinha e foi, alegre, oferecê-la ao Menino Jesus no presépio. As pessoas que estavam perto começaram a rir da pobre senhora. Ela ficou tão envergonhada que começou a chorar.

As lágrimas cairam sobre as folhas verdes, que se transformaram em vermelhas. Por isso, esta planta é chamada Flor de Natal. E, de fato, assim é: quando exposta ao sol, fica verde; na sombra, torna-se vermelha, de um vermelho irradiante, que, em muitos lugares, cerca todo o presépio.

É comum que o grande aeroporto da cidade do México, na época de Natal, seja totalmente ornamentado com esta flor vermelha.

O Menino Jesus no presépio nos recorda ainda que todos nós, um dia, fomos crianças e que carregamos esta criança dentro de nós pela vida afora. A criança simboliza a vida nova, a inocência, a transparência, um novo começo. Sempre estamos às voltas com essas coisas: queremos ter uma vida saudável, podermos sempre de novo recomeçar e viver criativos e livres, como livres e criativas são as crianças. Não esqueçamos esta criança (dives puer) que ainda vive dentro de nós.

O Poeta Fernando Pessoa (Foto: Reprodução)

Mas a verdade mais profunda que o Natal nos quer transmitir, talvez, seja esta: Deus não veio para divinizar o ser humano, mas veio para humanizar o Deus que ninguém jamais viu, como atestam todas as Escrituras. Agora, Ele se manifestou em nossa carne frágil, mortal e quente. Se Jesus é o Deus que se humanizou, isto significa que há uma porção de Deus dentro de cada um de nós. Jesus é nosso irmão. E, como irmãos, somos também filhos e filhas de Deus. Poderia haver dignidade maior do que ser filho e filha de Deus e pertencer à família divina?

Neste contexto, cabe citar um tópico do poeta português Fernando Pessoa, que escreveu, talvez, um dos mais belos poemas sobre o Natal na literatura universal:

Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

É por isso que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

É a criança tão humana que é divina.

……..

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro de tua casa.

Despe meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

Depois destes tocantes versos, não cabem mais palavras. Apenas reafirmarmos que, depois que Deus se fez um de nós, não temos mais motivos de viver tristes. Não estamos mais sós. Ele caminha conosco em nosso próprio caminhar.

Leonardo Boff
Leonardo Boff escreveu: A Busca da Justa Medida (I e II), Vozes 2023; A Oração de São Francisco: Uma Mensagem de Paz para o Mundo Atual, Vozes 2014; Fundamentalismo, Terrorismo, Religião e Paz, Vozes 2009.



domingo, 21 de dezembro de 2025

ROBIN TROWER

Robin Trower

' A Guitarra Blues-Rock ' 

Robin Leonard Trower nascido em 9 de março de 1945 é um guitarrista de rock inglês que alcançou sucesso com o Procol Harum entre 1967 e 1971, e posteriormente como líder de seu próprio power trio, a Robin Trower Band.

Robin Trower gastando sua ' Fender Stratocaster Red '.

The Paramounts
Tudo começa com a banda The Paramounts, e o cenário estava no palco do Shades, um café com um porão onde a banda se apresentava. Foi o pai de Robin que teve a ideia de criar um lugar onde os adolescentes pudessem se encontrar para tocar e se divertir. A formação original era Robin Trower na guitarra, Chris Copping no baixo, Mick Brownlee na bateria e Gary Brooker nas teclas.

Os Paramounts não duraram muito, porém realizaram alguns concertos importantes como:

- 26/01/1964 - Croner Ballroom, Crosby, Inglaterra.
- 03/12/1965 - Turnê pelo Reino Unido com os Beatles.
- 12/12/1965 - Odeon, Glasgow, Escócia.

Procol Harum
Em 1967, Gary Brooker, um dos membros originais dos The Paramounts, precisava de uma banda para se apresentar e fazer turnês para divulgar algumas músicas que havia coescrito e gravado. Trower e BJ Wilson, também dos Paramounts, juntaram-se a Brooker, juntamente com Matthew Fisher no órgão e David Knights no baixo, para formar o Procol Harum. Trower tocou com o Procol Harum por alguns anos, mas saiu em 1971 para seguir carreira solo. 

Ele explicou o motivo de sua saída do Procol Harum a Alan Sculley, do St. Louis Post-Dispatch : "Eu estava começando a compor cada vez mais material... que obviamente era todo para guitarra. Simplesmente não havia espaço para isso no Procol Harum." Trower passou da uma sonoridade pré-progressivo, psicodélico e excêntrico do Procol Harum para desenvolver seu próprio estilo de tocar guitarra, influenciado pelo blues e com uma pegada mais incisiva.

Em 1971, Trower tentou formar outra banda chamada Jude, mas ela não durou muito e o formato simplesmente não funcionou para ele. Foi então que ele decidiu seguir carreira solo. Ele organizou um grupo de apoio composto por músicos talentosos e dedicados, muitos dos quais se tornaram membros fixos de sua banda. Entre eles estavam o vocalista e baixista James Dewar e Bill Lordan na bateria.

Robin Trower Band
Em 1973, algumas apresentações de Robin Trower antes da formação original do seu novo power trio, a Robin Trower Band, contaram com Robin Trower na guitarra, Diz Derrick no baixo, BJ Wilson bateria e Gary Brooker no piano e vocais.

James Dewar, Trower e Reg Isidore.
O excelente guitarrista decidiu trilhar sua carreira solo transitando para uma sonoridade mais pesada de blues-rock. A nova banda contava com James Dewar nos vocais e baixo, e Reg Isidore na bateria. O novo power trio definiu o tom para o álbum de estreia  da Trower Band, "Twice Removed From Yesterday" de 1973, mas foi o sucessor, "Bridge of Sighs" de 1974, que catapultou Trower ao status de herói internacional da guitarra.

Bridge of Sighs é um álbum de rock com uma sonoridade titânica, apresentando solos de guitarra verdadeiramente hipnotizantes de Trower. A faixa-título e pérolas como "Day of the Eagle", "Too Rolling Stoned", "In This Place" e "Little Bit of Sympathy", além da primorosa "Lady Love", são números excepcionais, com a performance de Trower na guitarra equiparando-se à dos mais celebrados deuses da guitarra da época.

Steve Lukather, do Toto, observa: “Em 1974, comprei o álbum Bridge of Sighs e fiquei impressionado. Eu estava absorvendo tudo relacionado à guitarra, pois era um músico promissor, e o som da guitarra de Robin tocou minha alma. O timbre, o toque e a sensação eram incríveis.”

Nas cinco décadas que se seguiram a este álbum milionário, a carreira de Robin Trower tem sido um ato de rebeldia silenciosa. Retrocedendo um pouco na história do guitarrista britânico, encontramos um artista que sempre preferiu arriscar em vez de seguir o caminho mais fácil. Uma vida inteira desde que surgiu no circuito de blues britânico como um jovem guitarrista promissor, o lendário talento de Trower não mostra sinais de esgotamento. Aliás, a ascensão meteórica do icônico guitarrista em sua fase final é algo impressionante, conquistando novos fãs e mantendo os fiéis seguidores que acompanham cada passo seu. 

Durante esse período, ele transitou entre projetos solo e colaborações com artistas como Jack Bruce, Brian Ferry e Maxi Priest, lançando mais de 30 álbuns.

Avançando para 2023, o novo álbum de estúdio de Trower, Joyful Sky, com a cantora de blues nova-iorquina Sari Schorr, demonstra maravilhosamente seu mais recente lampejo de instinto artístico. Sempre receptivo a cantoras que conseguem elevar seu toque emotivo na guitarra, Robin ouviu na voz rouca e poderosa da aclamada nova-iorquina Sari Schorr uma qualidade que o fez querer desconstruir e reconstruir sua composição em torno dela.

​O álbum de Robin Trower – 'No More Worlds To Conquer' – resume bem a marca que ele deixou no universo musical. Mas, como ele mesmo nos lembra, isso não deve ser interpretado como se sua missão estivesse cumprida. "Definitivamente sinto que ainda estou me aprofundando", reflete ele, "com a guitarra, as músicas e tudo mais."

Por mais de seis décadas, a carreira de Robin Trower não conheceu limites. Aos 76 anos, o guitarrista britânico pode refletir sobre uma jornada na qual deixou sua marca em diversos gêneros musicais e desempenhou todos os papéis imagináveis. Ele foi a força motriz por trás de ícones dos anos 60, como o Procol Harum. O astro solo transatlântico que lotou estádios americanos com o álbum "Bridge of Sighs" em 1974. O colaborador e ocasional membro de supergrupos. O compositor veterano cuja fase final ainda vibra com inventividade.

Com vocais e baixo do falecido Jim Dewar – além do trabalho de guitarra impressionante de Trower, que influenciou artistas como Steve Lukather e Opeth – o álbum "Bridge Of Sighs", que recebeu disco de ouro nos EUA, é talvez o seu trabalho mais emblemático.

“Com cada álbum, eu dou o meu melhor naquele momento. Acho que é disso que se trata. Eu estabeleço metas para mim mesmo e cada música tem que estar à altura delas”, reflete ele.

“O que geralmente acontece é que estou tocando violão por diversão e, de repente, surge uma ideia”, continua ele. “Então, você procura uma letra que se desenvolva a partir da música e intensifique o clima. É maravilhoso quando você percorre todo o caminho desde o início, desde aquela pequena ideia inicial no violão até se transformar em uma canção, e finalmente você consegue gravar e finalizar uma faixa – e ela fica mais ou menos como você a imaginou.”

Recorrendo mais uma vez ao seu fiel arsenal de Fender Stratocaster e amplificador Marshall, o trabalho de guitarra de Trower é atemporal, seja no riff pesado de “Ball Of Fire”, “Losing You” e “Cloud Across The Sun”, ou nos efeitos wah-wah mais lentos da faixa-título e de “Deadly Kiss”. “Cada faixa precisa funcionar como um todo”, diz ele, “além da música e de tudo o mais. Sou muito exigente com os timbres de guitarra. Eu deixo as pessoas loucas, mas no final, vale a pena todo o incômodo.”

Em “Waiting For The Rain To Fall”, a performance de Trower é cristalina como uma gota de orvalho, enquanto o final comovente, “I Will Always Be Your Shelter”, oferece um solo cujo toque magistral é tão cativante quanto qualquer outro em seu catálogo. “Esse é um ponto alto da minha performance”, ele concorda com a cabeça. “E ‘Waiting For The Rain To Fall’, eu acho, tem influência da Tamla Motown. É um pouco fora do meu padrão fazer uma música assim. Mas acho que é algo poderoso. Espero que este álbum surpreenda as pessoas.”

Mais uma vez, Trower também assume o baixo, mas, como um eterno servo da música acima do próprio ego, ele não hesitou em recrutar outros músicos. “Livingstone Brown tocou baixo em três faixas, e Chris Taggart está na bateria”, explica. “Ele é um baterista maravilhoso e participou dos últimos três ou quatro álbuns. E eu comecei a perceber, depois de tentar cantar essas músicas sozinho, que minha voz não estava à altura. Richard Watts fez um ótimo trabalho nos vocais. Ele tem uma voz fantástica – um cantor com muita alma – e está disposto a captar exatamente como eu imagino. Outra grande vantagem de ter o Richard é que há várias músicas neste álbum que eu não conseguiria tocar e cantar ao vivo ao mesmo tempo.”

“Foi difícil, mas estou feliz por ter feito isso”, reflete ele. “Este álbum é uma evolução. Espero que seja sempre assim com a minha música. Há um grande salto entre Bridge Of Sighs e agora. É como tudo na vida. Quanto mais você trabalha em algo, em teoria, melhor você deveria ficar. E definitivamente sinto que este álbum é uma das melhores coisas que já fiz.”


sábado, 20 de dezembro de 2025

JOE COCKER

Joe Cocker


Joe Cocker foi um artista único no século – o sonho de qualquer compositor. Quando Joe Cocker encontrava uma ótima melodia e uma letra inspiradora, tudo podia acontecer. Ele não apenas interpretava a melodia, como a REVELAVA . Ideias e nuances que um compositor nem sequer havia considerado enquanto se dedicava à sua música ganhavam vida assim que jorravam dos pulmões de Joe Cocker. Essa é a diferença entre ser um cantor e ser um artista. Cocker mudou o ar.

Ao longo de sua carreira, Joe Cocker conseguiu pegar peças icônicas dos maiores compositores de sua geração e reinventá-las em algo único e muitas vezes mais poderoso que as originais: The Beatles – juntos e separados (“With A Little Help From My Friends”, “She Came In Through The Bathroom Window”, “Give Peace A Chance” e muitas outras). Todas essas versões têm uma camada extra de paixão e emoção que impulsiona a narrativa da música de uma forma que as originais simplesmente não conseguiam.

Além de toda essa música incrível, Joe Cocker se destacou como um artista completo, com seu trabalho incomparável com o grande Leon Russell em “Delta Lady”, “Cry Me A River”, “The Letter” e na turnê e filme de Mad Dogs And Englishman. Ele criou sucessos seminais como “Feelin' Alright”, “Let's Go Get Stoned”, “The Jealous Kind”, “You Are So Beautiful”, “Up Where We Belong”, “When The Night Comes”, “Unchain My Heart” e a inesquecível “High Time We Went”, que foi coescrita pelo próprio Cocker.

Joe Cocker provou ser um homem para todas as ocasiões e uma voz para todas as emoções. É um legado que ele carregou com orgulho e uma obra que sobreviverá a todos nós.

Ao vivo em Woodstock, 1969.
O sucesso da versão dele para "With a Little Help From my Friends", dos Beatles, chegou ao topo das paradas no Reino Unido em 1968 e rendeu-lhe um telegrama de parabéns assinado pelo quarteto de Liverpool. Anos mais tarde, Cocker contou que Paul McCartney lhe disse que sua gravação era "claramente a versão definitiva da canção".

Comenta-se que a lenda do R&B Ray Charles teria descrito o roqueiro, junto a Aretha Franklin e Marvin Gaye, como um dos três maiores cantores de blues do mundo. Elogios como estes ilustram o respeito que Cocker despertava por seu talento vocal.

Uma de suas performances mais memoráveis aconteceu no festival de Woodstock, em 1969. Com "A Little Help From My Friends", ele mostrou ao mundo como era capaz de dar novo fôlego a velhas composições - a canção original havia aparecido em 1967, no disco "Sergeant Pepper", numa versão animada cantada por Ringo Starr.

Mas, depois de Cocker colocar as mãos nela, a música virou um hino. Sua performance, com os cachos encharcados de suor enquanto ia e vinha pelo palco, fizeram dele uma estrela nos Estados Unidos.

O músico começou a carreira trabalhando como instalador de aquecedores de gás durante o dia e tocando em bandas de rock na cidade inglesa de Sheffield durante a noite. Usando o nome artístico Vance Arnold, ele chegou a abrir shows de bandas como The Rolling Stones e The Hollies na cidade.

Anos depois, ele disse ter aprendido o estilo com Ray Charles, por quem tinha "absoluta admiração".

O primeiro single, uma versão de "I'll Cry Instead", dos Beatles, não o levou a lugar nenhum - ele perdeu o contrato com uma gravadora e voltou a instalar aquecedores.

Cocker continuou se apresentando ao vivo, até que conseguiu um novo contrato. Dessa vez escolheu gravar "With A Little Help From My Friends" - com uma pequena ajuda do guitarrista Jimmy Page.

Após se tornar uma estrela no Reino Unido, foi para os Estados Unidos e ganhou fãs ao aparecer no famoso programa de TV "The Ed Sullivan Show" - mesmo com os produtores aparentemente tentando esconder seus movimentos atrás de um grupo de dançarinas.

Capa do álbum, 1970
Em 1970, junto a 34 outros músicos, Cocker protagonizou a épica turnê "Mad Dogs and Englishmen", cujos frutos renderam um disco ao vivo e um filme.

A turnê, entretanto, significou um enorme obstáculo pessoal. Ao longo dos anos 1970, ele ficou conhecido pelos abusos com álcool e drogas e por suas apresentações confusas, que às vezes o levavam a vomitar em pleno palco.

"As pessoas me diziam que eu tinha feito shows terríveis e eu me recusava a acreditar", disse o astro mais tarde.

"Então alguém colocava uma gravação minha e eu dizia: 'você só pode ter alterado esta música para me fazer soar dessa maneira. Eu não canto mal assim'. Depois, então, percebi que aquilo era eu mesmo."

Em outra entrevista, ele explicou: "Se eu tivesse sido mais forte mentalmente, não teria caído na tentação".

"Mas não havia clínicas de reabilitação naquela época. Drogas eram superdisponíveis e eu mergulhei de cabeça."

O fundo do poço veio quando ele foi deportado das Austrália durante uma turnê, em 1972. Cocker havia sido preso por porte de drogas e por envolvimento em uma briga no hotel em que se hospedava na cidade de Adelaide.

Comenta-se que quando a polícia entrou em seu quarto e perguntou se ele tinha maconha, ele educadamente respondeu: "Tem um pouco em algum lugar por aqui".

As coisas mudaram quando ele conheceu a esposa, a norte-americana Pam, em 1978.

"No começo dos anos 1980, eu reencontrei o foco - ou era isso ou eu ia acabar me matando com tantas drogas", disse.

O retorno às paradas musicais veio graças a seu dueto com Jennifer Warnes, que virou um hit por todo o mundo entre 1982 e 1983.

Ele continuou gravando e fazendo shows, lançando um total de 40 álbuns. Sua última aparição entre as 40 músicas mais tocadas do Reino Unido aconteceu há 20 anos, com "Let The Healing Begin".

Fora dos palcos, Cocker vivia num rancho no Colorado, onde ele e Pam tinham uma lanchonete com o nome de um de seus principais sucessos - "Mad Dog Cafe".

Cocker deixa Pam, o irmão Victor, uma enteada e dois netos.

Site oficial do artista.


LEON RUSSELL

Leon Russel 

História da música e biografia de Leon Russell

Primeiros Anos
Claude Russell Bridges nasceu em Lawton, Oklahoma, em 2 de abril de 1942. Conhecido como Russell por sua família, ele demonstrou afinidade pela música desde cedo, sendo atraído pelo piano já aos 4 anos de idade. Como sua mãe, Hester, disse: "Um dia, ele simplesmente sentou e começou a tocar de ouvido". Ele tirou de ouvido o hino religioso "Trust and Obey" com sua mão esquerda, a mais forte, e o transpôs para a direita. Devido a uma lesão na coluna vertebral sofrida durante o parto, Russell ficou parcialmente paralisado do lado direito, principalmente em três dedos da mão direita. Essa condição o ajudou a desenvolver seu estilo característico de tocar piano, com predominância da mão esquerda.

Leon Russell ao vivo, 1972.
Em 1953, a família mudou-se para Tulsa, e Russell passou a frequentar a Will Rogers High School, onde teve como colegas Anita Bryant, Elvin Bishop e David Gates, com quem Russell formaria a banda "The Fencemen" depois de se mudar para Los Angeles.

Ainda no ensino médio, Leon se apresentava em casas noturnas locais com seu grupo The Starlighters (Russell, JJ Cale, Leo Feathers, Johnny Williams e Chuck Blackwell). Como Oklahoma era um estado onde a venda de bebidas alcoólicas era proibida, o grupo de adolescentes conseguia tocar em locais que normalmente seriam reservados para maiores de 21 anos. Depois de construir uma reputação como um dos grupos jovens mais talentosos de Tulsa, eles chamaram a atenção de Jerry Lee Lewis, que os convidou para acompanhá-lo em turnê. "Pensei que essa era minha chance de comer em muitos restaurantes", comentou Russell em uma entrevista à Rolling Stone em 1970, explicando por que aceitou o trabalho com Lewis.

​Em 1958, Russell mudou-se para Los Angeles para dar continuidade à sua carreira musical, passando a usar o nome artístico "Leon Russell".

A equipe de demolição
Em Los Angeles, Leon tornou-se um dos músicos de estúdio mais requisitados, atuando como pianista, tecladista e guitarrista. Ele fazia parte de um grupo seleto de músicos que ficou conhecido como "The Wrecking Crew". Outros integrantes desse grupo incluíam Glen Campbell, Hal Blaine, Carol Kaye, Tommy Tedesco, Earl Palmer, Joe Osbourne, Joe Porcaro, Bill Pittman, Billy Strange, Larry Knechtel, Steve Douglas, Jim Horn e Dr. John.
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Originalmente formada como a banda fixa dos discos do produtor Phil Spector no início dos anos 1960, essa coleção de músicos continuaria a se apresentar nos discos de Spector ao longo da década, acompanhando artistas como Frank Sinatra, os Beach Boys e Bob Dylan.

Juntamente com muitos outros músicos do Wrecking Crew, Leon tocou na banda da casa do "TAMI Show" em 1964, um evento musical de dois dias que foi filmado e distribuído para cinemas em todos os Estados Unidos. O evento contou com a participação de muitos dos maiores músicos da época, incluindo Chuck Berry, The Beach Boys, James Brown, Marvin Gaye, Smokey Robinson, The Supremes e The Rolling Stones.

Leon e Snuff
Em meados da década de 1960, Leon começou a trabalhar como arranjador, desenvolvedor criativo e assistente do produtor e proprietário da Viva Records, Snuff Garrett. Nessa função, Leon aprimorou suas habilidades como compositor, escrevendo sucessos para Gary Lewis & The Playboys, como "Everybody Loves A Clown", "She's Just My Style" e "This Diamond Ring".

​Durante esse período, Leon também atuou como arranjador e maestro do álbum de estreia do Midnight String Quartet, Rhapsodies For Young Lovers , que consistia em standards instrumentais de música pop interpretados por um quarteto de câmara e seção rítmica. O disco permaneceu 17 semanas nas paradas da Billboard, alcançando o 17º lugar em novembro de 1966. Originalmente, este seria um disco solo de Leon Russell, com ele mesmo nos teclados acompanhado pela orquestra, mas Garrett decidiu lançá-lo como The Midnight String Quartet.

Coral do Asilo
No final da década de 1960, Leon uniu-se ao guitarrista Marc Benno para formar o The Asylum Choir. Os dois gravaram dois álbuns que, embora nunca tenham sido sucessos comerciais, tornaram-se aclamados pela crítica e serviram de modelo para o tipo de pioneiro musical que Leon se tornaria ao longo de sua carreira. A revista Rolling Stone descreveu o álbum de estreia da dupla como "Vital, Freaky, and Exciting" (Vital, Excêntrico e Emocionante).​

Após o lançamento inicial em 1968 pela Smash Records, os dois seguiram caminhos separados. Leon continuou sua carreira solo, enquanto Benno aprimorou seu currículo como guitarrista de estúdio, participando do álbum "L.A. Woman" do The Doors. O segundo álbum da dupla foi lançado em 1972, alguns anos após a separação. Leon o lançou por sua própria gravadora, a Shelter Records, e alcançou a 70ª posição na Billboard 200, em grande parte devido ao sucesso de sua carreira solo.

Shelter Records
Em 1969, Leon estava pronto para dar o salto para uma carreira solo. Ele havia consolidado sua habilidade como compositor e como um dos músicos de estúdio mais requisitados, e construído um repertório de músicas que estava pronto para gravar. Ele acabou tocando algumas de suas novas canções para o ex-produtor da Island Records, Denny Cordell, que havia obtido sucesso produzindo discos para o The Moody Blues (The Magnificent Moodies), bem como singles de sucesso como "A Whiter Shade of Pale" para o Procol Harum e "A Little Help From My Friends" para Joe Cocker. Cordell ficou encantado com Leon e seu novo material, mas ainda mais com a personalidade que Leon exalava, tão escondida quando ele estava em segundo plano.

Os dois decidiram fundar sua própria gravadora, que batizaram de Shelter Records, sendo seu primeiro lançamento o álbum homônimo de Leon, em 1970. O álbum alcançou a 60ª posição na Billboard 200 e incluía alguns clássicos como "A Song for You", "Delta Lady", "Hummingbird" e "Roll Away the Stone". A Shelter Records lançaria os oito álbuns seguintes de Leon, todos coproduzidos por Leon e Cordell.

​A sede da Shelter ficava dividida entre Los Angeles e Tulsa, e suas gravações eram realizadas em dois estúdios históricos: o Sound City, na área de Van Nuys, em Los Angeles, e o The Church Studio, no Pearl District de Tulsa, um antigo prédio da igreja episcopal, agora um Marco Histórico Nacional, que foi comprado e convertido em estúdio de gravação por Leon em 1972.

A Shelter não era apenas um veículo pelo qual Leon lançava suas próprias gravações, mas também funcionava como uma oficina para o desenvolvimento de artistas e se tornou uma plataforma de lançamento para alguns dos jovens talentos mais promissores da música. A Shelter lançou discos de JJ Cale, Etta James, Freddie King, Phoebe Snow, Dwight Twilley e muitos outros. Também foi a primeira casa de dois dos artistas mais influentes do século XX. Tom Petty and the Heartbreakers lançaram seus dois primeiros álbuns pelo selo Shelter Records, e a gravadora também lançou o primeiro single de Bob Marley, "Duppy Conquerer".

​Após um desentendimento com Cordell, Leon deixou a Shelter em 1976 para se dedicar a outros projetos. Denny Cordell continuou a administrar a Shelter Records por mais 5 anos, até que a gravadora finalmente encerrou suas atividades ao término do contrato de distribuição com a Arista Records em 1981.

Joe Cocker e Leon Russel
Mad Dogs And Englishmen
No final da década de 1960, poucos astros do rock eram maiores que Joe Cocker. Após o enorme sucesso com a The Grease Band e hits como "Marjorine" e um cover de "With A Little Help From My Friends" dos Beatles, culminando com uma apresentação lendária em Woodstock, a carreira de Cocker estava pronta para decolar. Sua equipe havia organizado uma turnê pelos Estados Unidos, e dias antes, ele se viu sem banda. Seu produtor na A&M Records era Denny Cordell, que por acaso estava lançando seu próprio selo com Leon Russell. Cordell e Cocker procuraram Leon para pedir ajuda na formação da banda para a turnê, e Leon concordou apenas se eles pudessem fazer algo inédito.

​Graças à sua extensa rede de contatos com músicos através do The Wrecking Crew, Leon conseguiu rapidamente reunir um conjunto de mais de 20 músicos, incluindo três bateristas, um coral de apoio e ele próprio como guitarrista principal, pianista e diretor musical. Leon também insistiu que uma equipe de filmagem acompanhasse a turnê, resultando no documentário Mad Dogs and Englishmen, que se tornaria um dos filmes essenciais do rock and roll, retratando como era realmente aquela época da música.

​A turnê se tornaria lendária, e o álbum ao vivo resultante alcançaria o 2º lugar na parada Billboard Top 200 dos EUA. Apresentações de "The Weight", do The Band, "Feelin' Alright", do Traffic, e "The Letter", do The Box Tops, foram os destaques do repertório, que culminou com uma interpretação vibrante e empolgante de "Delta Lady", do próprio Leon. Rita Coolidge subiu ao palco e cantou "Superstar", de Leon e Bonnie Bramlett, e Leon e Joe fizeram um dueto em sua versão de "Girl from the North Country", de Bob Dylan.

A turnê serviu como uma oportunidade para Leon apresentar seu próprio material, já que ele teria tempo no palco para apresentar "Hummingbird" e "Dixie Lullaby", que seriam lançadas em seu álbum de estreia.

O álbum Mad Dogs and Englishmen apresentou Leon ao mundo e provou que ele era uma força musical a ser reconhecida.
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Embora a turnê tenha catapultado Leon e Cocker ao ápice do rock and roll, sua magnitude criou uma ruptura entre os dois, que optaram por seguir carreiras separadas dali em diante. Até hoje, no entanto, os dois serão para sempre ligados por terem orquestrado um dos maiores acontecimentos da história da música rock.

Concert For Bangladesh
O ano de 1971 testemunhou uma das atrocidades mais horríveis de toda a história da humanidade, com até 3 milhões de mortos e 400 mil mulheres estupradas por membros das forças armadas paquistanesas e milícias islâmicas que as apoiavam, numa tentativa de reprimir o movimento separatista dos bengalis do Paquistão Oriental (que se tornou a República Popular de Bangladesh em 17 de abril de 1971). Em resposta às atrocidades, cerca de 10 milhões de paquistaneses, em sua maioria hindus, fugiram do país em busca de refúgio na Índia. Como forma de conscientizar e arrecadar fundos para esses refugiados, George Harrison e Ravi Shankar organizaram dois concertos com grandes estrelas, que aconteceram no Madison Square Garden, em Nova York, no dia 1º de agosto de 1971. A programação incluiu Ringo Starr, Bob Dylan, Eric Clapton, Badfinger e Leon Russell.

O evento tornou-se o primeiro concerto beneficente desta magnitude e arrecadou mais de 240 mil dólares, que foram integralmente doados à UNICEF. O adiantamento das vendas do álbum ao vivo gerou mais 3,75 milhões de dólares em auxílio.

Leon se apresentou durante o show da tarde, juntando-se a Harrison em uma performance de "Beware Of Darkness", e proporcionou o que muitos consideram o ponto alto do evento com seu medley de "Jumpin' Jack Flash" dos Rolling Stones e "Youngblood" dos Coasters.

O concerto como um todo foi considerado um grande sucesso, o álbum ao vivo alcançou o 2º lugar na parada Billboard Top LP's e ganhou o Grammy de Álbum do Ano em 1973, e o filme do concerto se tornou um dos maiores filmes musicais de todos os tempos, quebrando o recorde de bilheteria em um único dia de exibição em Londres.

Hank Wilson
No auge do seu sucesso no rock 'n' roll, Leon fez o que só ele poderia imaginar: mudar de nome e lançar um álbum de covers de música country! Em 1973, Leon adotou o nome Hank Wilson, como homenagem aos outros grandes Hanks da música country (Snow, Thompson e Williams), e lançou "Hank Wilson's Back". O disco foi gravado no lendário estúdio Bradley's Barn, em Nashville, de propriedade da lenda da música country Owen Bradley, e contou com a participação de um verdadeiro time de estrelas dos grandes músicos de estúdio de Nashville da época, incluindo Harold Bradley no baixo, David Briggs no piano, Billy Bird na guitarra, Charlie McCoy na gaita e Pete Drake no pedal steel, entre muitos outros.

O álbum foi coproduzido por JJ Cale, outro ícone da música de Tulsa, e apresentou clássicos da música country como "I'm So Lonesome I Could Cry", de Hank Williams, "In The Jailhouse Now", de Jimmie Rogers, e o single de destaque do álbum, "Roll In My Sweet Baby's Arms", de Lester Flatt e Earl Scruggs, que alcançou a 57ª posição na parada Billboard Hot Country Singles e a 78ª na Hot 100.

Onze anos depois, Leon lançaria o álbum seguinte, "Hank Wilson Vol. II", que incluiria o single principal "Wabash Cannonball", um dueto com Willie Nelson do clássico folk americano do século XIX. Leon lançaria mais dois álbuns de Hank Wilson em 1998 e 2001, e encerraria a série com "The Best of Hank Wilson" em 2009.

A música country desempenhou um papel fundamental na formação dos interesses musicais de Leon e na influência de seu som. Embora fosse mais conhecido por suas incursões no rock e no blues, ele marcou presença na música country através de Hank Wilson, trazendo a pegada rock dos cabeludos para o som tradicional do country.

Álbum 'The Union' em parceria com Elton John.

Paradise Records
Após o desentendimento com Denny Cordell, Leon mudou-se para Los Angeles e fundou sua segunda gravadora, a Paradise Records. A gravadora distribuiu os discos de Leon de 1976 a 1984, incluindo dois com sua então esposa Mary McCreary, o segundo volume da série de música country de Hank Wilson e o álbum ao vivo com o The New Grass Revival. A gravadora também lançou discos de Gary Ogan, Wornell Jones e Billy Chinnock.

Após o lançamento de Solid State em 1984, Leon fez uma pausa nas gravações, concentrando-se em turnês como artista solo em 1985 e com Edgar Winter em 1988 e 1989.

Leon Russell Records
Ao longo do final da década de 80, Leon fez uma pausa nas gravações e deixou seu cargo na Paradise Records. Ele retornou ao estúdio em 1991 para lançar Anything Can Happen, produzido por Bruce Hornsby e lançado pela Virgin Records. Após esse lançamento, Leon decidiu abrir seu terceiro selo, Leon Russell Records, anunciado com o lançamento de seu álbum de estreia, Hymns of Christmas, um álbum orquestral conduzido e com Leon ao piano, composto por peças natalinas clássicas executadas inteiramente por instrumentos. Este projeto foi o primeiro de uma série de trabalhos específicos por gênero que permitiram a Leon explorar mais profundamente os gêneros que mais o inspiravam; desde seu álbum de standards com a Orquestra Sinfônica de Nashville, intitulado Moonlight & Love Songs, até o gospel A Mighty Flood e o som honky-tonk de Bad Country.

​A gravadora Leon Russell Records lançou mais álbuns de Leon (12) do que qualquer outra. A última gravação de Leon, On A Distant Shore, no entanto, foi lançada postumamente pela Palmetto Records em 22 de setembro de 2017.

The Union
Ao iniciar sua carreira musical no Reino Unido, Elton John descobriu o talento de Leon ao piano em gravações feitas por Leon com o The Wrecking Crew e tornou-se fã instantaneamente. Leon e Elton se tornaram amigos quando Leon assistiu à primeira apresentação de Elton nos Estados Unidos, no Troubadour, em Los Angeles, em 25 de agosto de 1970. Quase 40 anos depois, Elton se deparou novamente com a música de Leon e se emocionou ao se lembrar do impacto que ela havia tido sobre ele anos antes, e da amizade que haviam cultivado. Elton imediatamente entrou em contato com Leon, querendo colaborar em um projeto especial.

Os dois embarcariam na criação de The Union, uma aventura de 16 faixas que alcançou o 3º lugar tanto na Billboard 200 quanto na lista dos 30 Melhores Álbuns de 2010 da Rolling Stone, tornando-se o álbum de Leon com a melhor posição nas paradas desde Carney , de 1972 .

A composição de Leon, "If It Wasn't For Bad", recebeu uma indicação para Melhor Colaboração Pop com Vocais na 53ª edição do Grammy Awards, a primeira desde 2002.

O álbum foi produzido por T-Bone Burnett e contou com participações de Booker T. Jones, Robert Randolph, Neil Young e Brian Wilson. A colaboração foi filmada pelo diretor Cameron Crowe, e o documentário The Union estreou no Festival de Cinema de Tribeca de 2011 antes de ser adquirido pela HBO, onde foi ao ar a partir de janeiro de 2012.

A colaboração levaria a um renovado interesse na carreira de Leon, incluindo sua indicação ao Hall da Fama do Rock and Roll, onde Elton o apresentaria.

Site oficial do artista