Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Festival: Quito Blues Festival


QUITO BLUES FESTIVAL

O Quito Blues Brasil é a vertente brasileira do Quito Blues Festival, um dos maiores e mais sólidos festivais do segmento Blues na América Latina, que acontece desde 2007 em Quito, Equador. Fundado pelo produtor e músico Carlos Patrício Recalde, junto a artistas e produtores de outras capitais latinas, Carlos tem conseguido expandir a influência e o intercâmbio do festival levando edições para países como Argentina, México, Colômbia e Brasil. Em Brasília, por meio da banda e produtora Mandalla com edições anuais desde 2023.

Agora, os dois projetos unem forças para um intercâmbio jamais visto. Fique de olho para saber quem serão os nomes presentes nesta edição e não perder a oportunidade de ver e ouvir as maiores vozes femininas nesse espetáculo de apresentação única.

MANDALLA E BLUES DELLAS
O Blues Dellas e o Quito Blues Brasil estão de volta!

Contando com quatro edições de sucesso arrebatador e ingressos esgotados, o Blues Dellas em 2026 se alia ao Quito Blues Brasil para juntar nomes nacionais e internacionais em uma celebração única do blues e da América Latina.

O Blues Dellas é um projeto idealizado por Thaise Mandalla e Mel Di Souza para dar visibilidade a cantoras e compositoras de Blues, nacionais e internacionais, por meio de espetáculos musicais protagonizados por representantes do segmento em Brasília. Dentre as edições já passaram nomes como Andresa Sousa, Mariana Coelho, Mariana Camelo, Márcia Campus, Paula Tortoretti, Nina Molina, Thaise Mandalla, Mel di Souza, bem como a saudosa e eterna Lu Blues.

CLUBE DO CHORO DE BRASÍLIA

O projeto Blues Dellas se une ao Quito Blues Brasil em uma celebração especial dedicada ao blues e à força feminina na música. O espetáculo reúne artistas nacionais e internacionais em uma noite marcada por potência vocal, emoção e a energia contagiante do gênero. Idealizado por Thaise Mandalla e Mel Di Souza, o Blues Dellas nasceu com a proposta de dar visibilidade a cantoras e compositoras do blues, enquanto o Quito Blues Brasil integra a rede do tradicional festival latino-americano criado no Equador.

QUITO BLUES BRASIL convida BLUES DELLAS 05 de junho (sexta-feira) • 20h30.



quinta-feira, 4 de junho de 2026

ZZ Top


ZZ Top
' A sonoridade blues do Texas '

HISTÓRIA DA BANDA

A banda ZZ Top, de blues, boogie e rock do Texas, foi formada em Houston em 1969 sob a direção do empresário Bill Ham. O trio era composto por Billy Gibbons (nascido em 16 de dezembro de 1949, em Houston) na guitarra solo, Dusty Hill (nascido Joe Hill, em 19 de maio de 1949, em Dallas) no baixo e Frank Beard (nascido em 11 de junho de 1949, criado em Irving) na bateria. Gibbons substituiu os membros originais de sua banda, Moving Sidewalks, por Hill e Beard, da banda rival The American Blues. O grupo começou a fazer turnês com outras bandas de boogie do sul dos Estados Unidos na década de 1970 e conquistou um público fiel nesse processo.


Eles assinaram com a London Records. O primeiro álbum do ZZ Top estreou em 1970 e apresentava o som cru de blues-boogie de faixas como "Brown Sugar". O primeiro álbum do ZZ Top estabeleceu a credibilidade e o sucesso da banda no Sul dos Estados Unidos, mas foi o segundo álbum, Rio Grande Mud, que apresentou uma sonoridade mais ampla e completa. Também deu ao trio seu primeiro sucesso, "Francine", que alcançou a 69ª posição na parada da Billboard.

O grupo deu sequência ao sucesso de seus dois primeiros álbuns com Três Hombres em 1973. Tres Hombres combinou o amor do trio pelo blues texano com sua reverência pela soul music de Memphis para estabelecer firmemente o que se tornaria a marca registrada do ZZ Top. A música mais conhecida do álbum, "La Grange", foi fortemente influenciada por "Boogie Chillen", de John Lee Hooker.

O grupo fez turnês ininterruptas ao longo da década de 1970. Em 1974, organizou o "Texas-Size Rompin' Stompin' Barndance and Barbecue" na Universidade do Texas em Austin. Alguns dos 80.000 fãs que compareceram para ver o trio conseguiram destruir partes do novo gramado sintético do Memorial Stadium. O álbum seguinte do ZZ Top, Fandango! (1975), deu ao grupo seu primeiro single no Top 40, "Tush". O álbum seguinte, Tejas, lançado em 1977, alcançou o 17º lugar nas paradas. 

O sucesso de Fandango! e do "Barndance" inspirou o trio a embarcar em uma "Turnê Mundial pelo Texas", que durou de 1976 a 1977. Como parte dessa turnê, a banda se apresentou em um palco em formato do Texas, na companhia de um boi Longhorn, um búfalo e outros animais "texanos".

Exaustos da estrada, porém, eles fizeram uma pausa de três anos após o término da turnê. Durante esse período, deixaram a London Records e assinaram com a Warner Brothers. Gibbons e Hill também adotaram um visual completamente novo. Independentemente um do outro, ambos deixaram a barba crescer. O novo visual rapidamente se popularizou e as longas barbas se tornaram uma das marcas registradas da banda.

Em 1979, o trio surgiu com tudo em Deguello, um álbum de blues visceral que combinava sua paixão por mulheres, carros e humor peculiar com faixas como "Cheap Sunglasses" e "Fool for Your Stockings". Após o sucesso de Deguello, o grupo lançou El Loco em 1981, que seguiu a mesma linha. Canções como "Pearl Necklace", com suas insinuações sexuais, demonstraram o talento irreverente do grupo.

ANOS 80/90 E O SUCESSO TELEVISIVO

Na década de 1980, o trio transformou ainda mais seu som. Eliminator (1983) apresentou um novo som repleto de sintetizadores que catapultou a banda para a atenção nacional e conquistou o público da geração MTV. Eliminator produziu sucessos como “Gimme All Your Lovin'”, “Legs” e “Sharp Dressed Man”. “Legs” continua sendo o maior sucesso do grupo. O sintetizador permaneceu parte integrante de seu som nos dois álbuns seguintes, Afterburner (1985) e Recycler (1990). Embora não tão populares quanto Eliminator, esses álbuns apresentaram as memoráveis ​​faixas “Sleeping Bag” e “Velcro Fly”, que ajudaram a consolidar o trio como um ícone do synth-blues-boogie.


A banda assinou um novo contrato com a RCA Records em 1992 e lançou um novo álbum, Antenna, em 1994. Embora os sintetizadores continuassem sendo uma parte fundamental da música, Antenna tinha uma sonoridade mais tradicional de blues. O trabalho de guitarra de Gibbons remetia aos tempos do Tres Hombres, com faixas como “Fuzzbox Voodoo” e “Cover Your Rig”. Rythmeen foi lançado em 1996 com um retorno completo ao blues-boogie guiado pela guitarra. XXX, lançado em 1999, e Mescalero, lançado em 2003, deram continuidade a esse padrão de retorno às raízes.

O som enérgico do ZZ Top tornou a banda um ícone da cena moderna do blues-boogie, mas foram suas performances que os consagraram como lendários. Seja em turnê com animais vivos durante a "Worldwide Texas Tour" na década de 1970, se apresentando em um palco futurista para promover o álbum Afterburner ou fazendo uma participação especial no filme De Volta para o Futuro III (1990), o trio conquistou o público mundial com seu estilo único de blues e presença de palco. 

ANOS DAS PREMIAÇÕES E MUDANÇAS NA FORMAÇÃO

Em reconhecimento à sua contribuição para a música popular, o grupo foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll em 2004. A banda deixou a RCA em 2006. No mesmo ano, o empresário de longa data, Bill Ham, também deixou o grupo. Uma edição de colecionador em mídia comemorativa do 25º aniversário do álbum Eliminator foi lançada em 2008. La Futura foi lançado em 2012.

Em julho de 2021, Hill foi forçado a deixar uma turnê após uma lesão no quadril. O ZZ Top se apresentou sem ele no Village Commons em New Lenox, Illinois, com o técnico de guitarra de Hill, Elwood Francis, no baixo. Cinco dias depois, em 28 de julho, o ZZ Top anunciou que Hill havia falecido em sua casa em Houston, aos 72 anos. Sua esposa relatou posteriormente que ele sofria de bursite crônica. A pedido de Hill, o ZZ Top continuou com Elwood Francis no baixo. Em agosto de 2021, Gibbons confirmou que Hill havia gravado baixo e vocais para o décimo sexto álbum de estúdio da banda antes de sua morte.


A banda iniciou uma turnê pela América do Norte em 2015. O ZZ Top também é homenageado no Hall da Fama da Música do Museu da Costa do Golfo em Port Arthur.

Fato raro no mundo da música, o ZZ Top ostenta a marca de ter mantido a formação original por mais de 50 anos. Billy Gibbons, Dusty Hill e Frank Beard tocaram juntos desde 1969, consolidando uma união que se reflete na coesão musical da banda.

Em 1984, a empresa Gillette ofereceu a cada membro do ZZ Top um milhão de dólares para raspar suas barbas durante uma campanha publicitária da marca. A proposta foi recusada categoricamente pela banda.

Com mais de 50 milhões de álbuns vendidos mundialmente, o ZZ Top se consolidou como um dos maiores nomes do rock. Sua influência transcendeu gerações, inspirando diversos artistas e conquistando fãs até hoje.



quarta-feira, 3 de junho de 2026

Canned Heat


BIOGRAFIA OFICIAL

A banda Canned Heat alcançou a fama graças ao seu vasto e profundo conhecimento e amor pela música blues. Surgida em 1966, a Canned Heat foi fundada pelos historiadores de blues e colecionadores de discos Alan “Blind Owl” Wilson e Bob “The Bear” Hite. Hite tirou o nome “Canned Heat” de uma gravação de 1928 de Tommy Johnson. A eles se juntou Henry “The Sunflower” Vestine, outro ávido colecionador de discos e ex-membro da banda Mothers of Invention, de Frank Zappa. 

Completando a banda em 1967 estavam Larry “The Mole” Taylor no baixo, um músico de estúdio experiente que havia tocado com Jerry Lee Lewis e The Monkees, e Adolfo “Fito” de la Parra na bateria, que havia tocado em duas das maiores bandas latino-americanas, Los Sinners e Los Hooligans.

A banda alcançou três sucessos mundiais: “On The Road Again” em 1968, “Let's Work Together” em 1970 e “Going Up The Country” em 1969, que se tornaram hinos do rock em todo o mundo, sendo esta última adotada como tema não oficial do filme Woodstock e da “Geração Woodstock”.


Eles garantiram seu lugar na história do rock 'n' roll com suas apresentações no Festival Pop de Monterey de 1967 (ao lado de Jimi Hendrix, Janis Joplin e The Who) e como atração principal no festival original de Woodstock em 1969. A banda pode se orgulhar de colaborações com John Mayall e Little Richard e, posteriormente, com o ícone do blues, John Lee Hooker, o músico que inicialmente lhes inspirou grande parte de sua música.

Essa união resultou no vibrante e aclamado álbum "Hooker 'n Heat". A banda também é reconhecida por trazer à tona diversos outros músicos de blues esquecidos, incluindo Sunnyland Slim, que eles encontraram dirigindo um táxi em Chicago; Skip James, que eles encontraram em um hospital em Tunica, Mississippi, e levaram para o Festival de Newport; Memphis Slim e Clarence "Gatemouth" Brown, com quem gravaram na França; e Albert Collins.

Em 3 de setembro de 1970, a banda foi abalada pelo suicídio de Alan Wilson. Sua morte desencadeou uma reconstrução dentro do grupo, e mudanças na formação continuaram ao longo das últimas cinco décadas. Em 5 de abril de 1981, no Palamino, em Los Angeles, o vocalista imponente, Bob Hite, sofreu um ataque cardíaco e faleceu. Em 20 de outubro de 1997, Henry Vestine morreu em Paris, França, após o último show de uma turnê europeia. No ano passado, o baixista original, Larry "The Mole" Taylor, faleceu após anos lutando contra o câncer.

Apesar dessas mortes prematuras e das diversas tendências musicais, o Canned Heat sobreviveu. Eles se apresentaram em locais mundialmente renomados, como o Olympia em Paris, os dois Fillmore Auditoriums, o The Kaleidoscope, o Carnegie Hall (com John Lee Hooker), o Madison Square Garden e até mesmo o Royal Albert Hall, e tocaram em mais festivais, encontros de motociclistas e eventos beneficentes do que qualquer outra banda no mundo. 

Eles e/ou sua música foram destaque na televisão (In Concert, David Frost, Merv Griffin, Midnight Special, Playboy After Dark, etc.) e em filmes (“Woodstock”, “Flashback” e “Forrest Gump”), entre outros. Sua lenda foi recentemente ouvida e sentida em vários comerciais de televisão (“On The Road Again” para a Miller Beer e a Chevrolet, “Goin' Up The Country” para a Geico Insurance, Pepsi e McDonald's, “Let's Work Together” para as lojas Target e Amazon, além de outras músicas para a 7-Up, Levi's e Heineken Beer).


Agora, mais de cinquenta anos depois e com quarenta álbuns lançados, o Canned Heat continua firme e forte. Ao longo dos últimos cinquenta e três anos, a banda se manteve firme graças à mão firme do baterista, líder e historiador Adolfo “Fito” de la Parra. Em seu décimo segundo ano na banda, a lenda de Nova Orleans, Dale Spalding, toca gaita, guitarra e canta, e nos últimos dois anos, o talentoso baixista Rick Reed se juntou ao grupo após passagens por bandas como Paul Butterfield, John Mayall e Chicago Blues Reunion. 

A mais recente adição, na guitarra e nos vocais, é o incrível Jimmy Vivino. Jimmy é mais conhecido por sua trajetória de 28 anos como guitarrista, arranjador e diretor musical do programa Late Night with Conan O'Brien. Antes disso, ele teve uma carreira de 20 anos tocando com artistas como Al Kooper, Charlie Musselwhite, Michael McDonald e muitos outros.

O livro de Fito, "LIVING THE BLUES", conta a história completa e escandalosa do Canned Heat, abordando "Música, Drogas, Morte, Sexo e Sobrevivência", além de mais de 100 fotos fascinantes do passado da banda.



terça-feira, 2 de junho de 2026

Histórias do Blues: As Lendas por trás das Canções


As lendas por trás das Canções

O blues é um gênero musical nascido no final do século XIX nas plantações de algodão do Sul dos Estados Unidos. Criado a partir dos cantos de trabalho e tradições orais afro-estadunidense, o estilo se consolidou como a base de quase toda a música popular moderna, como o rock e o jazz.
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Tradições espirituais e mitos foram transmitidos de geração em geração por pessoas escravizadas na evolução de seu sistema de crenças espirituais. Isso se manifestava em encontros clandestinos em bosques, onde realizavam a dança mística do grito circular e desenvolviam os cantos de trabalho que mais tarde evoluíram para os spirituals, o gospel e o blues. Artistas de blues do início do século XX, de Robert Johnson e Lead Belly a Sister Rosetta Tharpe e Muddy Waters, entrelaçaram superstição, folclore, religião e o sobrenatural em suas canções. Com o surgimento das bandas de blues rock na década de 1960, elas abraçaram o mito e o mistério, reinterpretando canções existentes e contribuindo com novas. As canções a seguir demonstram como o blues-rock há muito tempo serve como porta de entrada para os recantos mais misteriosos e enigmáticos da música.

Peter Green & The Fleetwood Mac – Black Magic Woman

"Black Magic Woman" foi escrita por Peter Green, membro fundador e líder original do Fleetwood Mac. Foi gravada em 1968 e lançada em dezembro do mesmo ano em uma coletânea intitulada English Rose . A canção tornou-se um sucesso internacional na voz de Carlos Santana, que a gravou e lançou em seu segundo álbum de estúdio, Abraxas, em 1970. A música foi inspirada na namorada de Green na época, a quem ele chamava de "Magic Mamma" (Mamãe Mágica), e a letra confunde a linha entre o desejo romântico e o perigo espiritual. Ela explora temas como sedução, obsessão e manipulação sobrenatural, utilizando imagens místicas com uma hipnótica melodia em tom menor, enquanto a guitarra de Green explode em acordes estratosféricas.

Robert Johnson – Crossroad Blues

"Cross Road Blues", de Robert Johnson, é uma das gravações mais mitificadas da história da música americana, baseada em uma história inventada que pouco tem a ver com a canção em si. Segundo a lenda, Johnson vendeu sua alma ao diabo em uma encruzilhada no Mississippi em troca de habilidades musicais sobrenaturais. A verdadeira canção fala sobre a frustração de viajar de carona pelo interior do sul dos Estados Unidos ao cair da noite, enquanto os carros continuam passando. A música começa com Johnson de joelhos, implorando não ao diabo, mas a Deus, que o salve. Ele a gravou em um quarto de hotel em San Antonio, em 1936, executando seu intrincado trabalho de guitarra e sua voz assombrosa em um único microfone.

Muddy Waters – Hoochie Choochie Man

"Hoochie Coochie Man" é mais uma canção clássica de blues escrita por Willie Dixon e gravada em 1954 por Muddy Waters pela gravadora Chess Records. A formação da banda é um verdadeiro desfile de estrelas do blues dos anos 50, com Muddy Waters na guitarra e nos vocais principais. Willie Dixon tocava contrabaixo, Little Walter na gaita, Jimmy Rogers na guitarra, Otis Spann no piano e Elgin Edmonds na bateria. É uma versão atualizada de uma "dança sexualmente provocativa" do século XIX, que antecedeu os shows de striptease burlesco do século XX. A canção é um hino ritualístico de bravata sexual e arrogância sobrenatural, com Muddy Waters retratado como uma figura imponente, numa performance repleta de imagens de vodu.

Norman Greenbaum – Spirit in the Sky

A canção de sucesso de Norman Greenbaum, "Spirit in the Sky", apareceu em seu álbum de estreia solo de 1969, também intitulado Spirit in the Sky. 

Ela surgiu no auge da era hippie psicodélica, quando temas religiosos eram cada vez mais expressos na cultura pop. 

Artistas que iam dos Beatles e Bob Dylan a Santana e Johnny Cash incorporaram imagens religiosas e espirituais em suas músicas. A canção é visionária e cria um som que transmite tanto celebração quanto misticismo, misturando guitarra distorcida com palmas.

Donovan – Season of the Witch

Donovan lançou "Season of the Witch" em seu álbum Sunshine Superman em 1966, durante o advento da era hippie da contracultura. A canção apresenta um ritmo hipnótico enquanto explora mitos, paranoia e o sobrenatural através de linhas de guitarra sombrias e um baixo pulsante. A interpretação vocal de Donovan é distante enquanto ele descreve rostos estranhos, suspeitas e forças invisíveis. Foi uma das primeiras contribuições para o blues rock psicodélico, refletindo a ansiedade e a desorientação social e cultural que se desenrolavam na época. Bandas de rock com influências de blues, como Black Sabbath, Cream e Led Zeppelin, usariam imagens semelhantes posteriormente.

The Rolling Stones – Sympathy For the Devil


Quando os Rolling Stones chegaram à América logo após os Beatles, lideraram a invasão do blues rock britânico. Representavam o lado mais sombrio do rock e frequentemente faziam covers de clássicos do blues americano de artistas como Willie Dixon e Jimmy Reed. Em 1968, lançaram seu oitavo álbum de estúdio, Beggars Banquet , que continha "Sympathy for the Devil" e reforçou sua reputação de flertar com o lado sombrio. Poucas músicas no catálogo do blues rock confundem a linha entre mito, história e ameaça como esta. Cantada em primeira pessoa, a faixa apresenta o próprio Lúcifer guiando os ouvintes através de séculos de violência humana, da crucificação de Cristo à Revolução Russa e aos assassinatos de Kennedy, tudo isso em um ritmo hipnótico com percussão tribal e repetidos cânticos "woo-woo".

Jimi Hendrix – Voodoo Child (Slight Return)


"Voodoo Child (Slight Return)" apareceu no terceiro e último álbum do The Jimi Hendrix Experience, Electric Ladyland , lançado em 1968. Após a apresentação de Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival em 1967, ele passou a ser visto pela contracultura como o arquétipo de um xamã musical. A canção é a fusão definitiva de blues, misticismo e guitarra elétrica crua e furiosa, transcendendo a imagem do blues do Delta e adentrando o reino cósmico. No festival de música em Monterey no ano de 1968, para delírio do público, Jimi Hendrix sacrificou sua guitarra fender stratocaster em pleno palco tocando fogo nela.

Larry Norman – Why Don't You Look Into Jesus

"Why Don't You Look Into Jesus" foi lançada em 1972 no quarto álbum solo de Larry Norman, Only Visiting This Planet , e abordava a desilusão em torno do sonho hippie em declínio, oferecendo uma alternativa. É uma das colisões mais cruas entre a aspereza do blues rock e o confronto espiritual daquela época. A canção é impulsionada por guitarras estridentes e um piano pulsante, enquanto os vocais crus e urgentes de Norman criam uma série de imagens sombrias que necessitam de salvação, incluindo vício, suicídio e comportamento autodestrutivo. Norman foi incluído no Hall da Fama da Música Gospel em 2001, juntamente com Elvis Presley.

Black Sabbath – The Wizard

"The Wizard" apareceu no álbum de estreia homônimo do Black Sabbath, Black Sabbath, gravado em 1969 e lançado em 1970. A música foi escrita pelo baixista Geezer Butler, que explicou em uma entrevista que "The Wizard" foi inspirada no personagem Gandalf, de O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Do riff de gaita assombroso de Ozzy Osbourne ao timbre encorpado e pesado da guitarra de Tony Iommi, apoiados pela bateria impetuosa de Bill Ward e pelas linhas de baixo marcantes de Butler, a faixa captura a química crua e vibrante da banda em seu melhor momento. É um dos primeiros exemplos da maneira como o blues rock estava sendo reinterpretado com um som mais pesado e agressivo que viria a ser conhecido como heavy metal.

Nirvana – Where Did You Sleep Last Night

"Where Did You Sleep Last Night" é uma versão cover de uma música de Lead Belly originalmente intitulada "In the Pines", lançada em 1946. A canção é uma melodia folclórica americana tradicional originária do sul dos Apalaches. O Nirvana a apresentou durante sua participação no MTV Unplugged em novembro de 1993, apenas cinco meses antes do suicídio de Kurt Cobain. O Nirvana entregou uma versão crua e melancólica, centrada em temas como traição, morte e isolamento espiritual, que refletia o estado de espírito sombrio de Cobain na época.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Steve Miller Band


Steve Miller
' Do blues ao flerte com o space-rock '

Steve Miller tem sido uma presença monumental na cena musical americana por mais de meio século – e, ao longo dessa era, seus lançamentos venderam dezenas de milhões de discos e foram reproduzidos bilhões de vezes em plataformas de streaming. A coletânea " Greatest Hits 1974-78" de Miller recebeu o Prêmio Diamante da RIAA, com vendas superiores a quinze milhões de cópias. Ela está entre os 25 álbuns mais vendidos de todos os tempos.
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História da Banda

Steve Miller nasceu em Milwaukee, Wisconsin, em 5 de outubro de 1943. Iniciou sua carreira artística como cantor e guitarrista de blues e rock. Miller entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll em 2016.

No início de sua carreira, Miller foi um pilar da cena musical de São Francisco que revolucionou a cultura norte americana no final dos anos 60. Fundou a 'Steve Miller Band', no ano de 1967, ao lado de outro excelente guitarrista, Boz Scaggs, e o tecladista Jim Peterman. Em 1968, Miller formou a Steve Miller Band com Scaggs nos vocais, lançando o álbum Children of the Future, o primeiro de um série de discos calcados solidamente no estilo de blues psicodélico que dominava o cenário musical de São Francisco na época. Scaggs e Peterman deixariam a banda depois dos dois primeiros álbuns e seriam substituidos com as entradas dos músicos Tim Davis na bateria, e os tecladistas Ben Sidran e o inglês Nicky Hopkins.

Steve Miller só começaria a cantar em 1969, assumindo os vocais ocasionalmente no álbum Brave New World. Paul McCartney contribuiu para a faixa "My Dark Hour" (creditado como "Paul Ramon"), fornecendo vocais de apoio, bateria, guitarra e baixo. Os outros membros dos Beatles não puderam comparecer a uma sessão de gravação dos ingleses, então Glyn Johns, que produzia o álbum, sugeriu que Miller e McCartney trabalhassem juntos para aproveitar o tempo livre de Paul.

Álbuns como 'Children of the Future', 'Sailor', 'Brave New World', 'Your Saving Grace' e 'Number 5', Miller aperfeiçoou um som de blues psicodélico que se inspirava nas raízes mais profundas da música estadunidense e, simultaneamente, articulava uma visão convincente do que a música – e, de fato, a sociedade – poderia ser nos anos vindouros.

Então, a partir dos anos 70, após um hiato de dois anos sem gravar, a Steve Miller Band retorna com um estilo de música que seria conhecido depois como "space-rock", música inteligente, refinada e muito empolgante – que dominou as rádios como poucos artistas conseguiram. No início dos anos 80 a banda entra num clima mais new wave e pop.

Um álbum melhor do que o outro num fluxo aparentemente interminável: 'The Joker' (1973), 'Fly Like an Eagle' (1976), 'Book Of Dreams' (1977), 'Circle Of Love' (1981) e 'Abracadabra' (1982).

Até hoje, esses álbuns e músicas como Take the Money and Run, Rock'n Me, Fly Like an Eagle, Jet Airliner, Jungle Love e Swingtown são instantaneamente reconhecíveis – e é impossível não cantar junto. Seus refrões são a própria definição de inesquecíveis.

A obra singular de Miller é permeada por uma combinação de virtuosismo e maestria na composição. E isso não é por acaso. Seus pais eram aficionados por jazz – além de amigos próximos de Les Paul e Mary Ford – então, como guitarrista em formação, Miller absorveu valiosas lições dessa tradição musical. Quando a família se mudou para o Texas, Miller aprofundou seus conhecimentos em blues, eventualmente se mudando para Chicago, onde tocou com Muddy Waters, Howlin' Wolf, James Cotton e Paul Butterfield. Essa gama de influências musicais permeia sua música até hoje.

Nos últimos anos, Miller mergulhou de cabeça no blues e em suas diversas vertentes. Como sempre fez, ele continua encontrando formas criativas de expressar toda a gama de suas paixões musicais. Em suas bem-sucedidas turnês com a Steve Miller Band, ele complementa os grandes sucessos comerciais de seu extenso catálogo com canções menos conhecidas, ampliando o conhecimento de seus fãs sobre a amplitude de seu trabalho.

Como membro do Conselho Diretor do Jazz at Lincoln Center e a convite de Wynton Marsalis, ele está definindo uma pedagogia do blues para o Jazz at Lincoln Center e foi curador e atração principal de uma série de shows que exploram temas como a ponte entre o blues e o jazz na música do grande guitarrista T-Bone Walker. 

Os sons característicos do triângulo do blues de Memphis, Texas e Chicago; as ressonâncias entre as criações musicais singulares de Ma Rainey e Miles Davis; as profundas raízes da música americana dos Apalaches; Cannonball Adderley e o Blues; Steve Miller on Steve Miller, que explorou suas próprias influências e a música que elas inspiraram; e, mais recentemente, o Futuro do Blues. 

Ele também é membro do comitê de visitantes do Departamento de Instrumentos Musicais do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Aliás, cinco de suas guitarras foram exibidas em “Play It Loud: The Instruments of Rock and Roll”, uma exposição inovadora no Met que ficou em cartaz por seis meses em 2019. Miller foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll em 2016 e no Hall da Fama dos Compositores em 2022.

Recentemente, ele começou a abrir seus arquivos pela primeira vez, lançando em 2019 o aclamado  box set 'Welcome to the Vault'. Em 2021 lançou o álbum ao vivo de 1977, 'Breaking Ground Live!'. Em 2023 marcou o 50º aniversário  do lançamento do álbum The Joker, que alcançou o topo das paradas, recebendo certificação de Platina pela RIAA, e seis certificações de Platina pelo single "The Joker". Para celebrar este importante momento em sua carreira, Steve Miller lançou um novo e inovador box set que narra a extraordinária jornada artística que levou à sua criação:  J50: The Evolution of the Joker.


Em 2024, a Steve Miller Band se apresentou para quase um milhão de fãs em turnês de sucesso, inclusive com as bandas Journey e Def Leppard, além de retornar ao topo das paradas com "Abracadabra", graças à sua participação de destaque no hit "Houdini" do rapper Eminem.

A cada audição, a beleza e a imediaticidade da obra de Miller, seja em seus momentos mais lúdicos ou mais sérios, são palpáveis. Como sempre, seja no topo das paradas ou percorrendo as infinitas estradas da música estadunidense, é possível ouvi-lo tocar e cantar com convicção e precisão, paixão e eloquência, criando música que é ao mesmo tempo imediatamente acessível, vibrante no presente, respeitosa com o passado e mais do que capaz de resistir ao teste do tempo.

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