Toni Tornado
(Resistência Negra na Ditadura Militar)
Toni Tornado um dos maiores ícones da música e da televisão brasileira, o ator, cantor e compositor, nascido Antônio Viana Gomes – em Mirante de Paranapanema, região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo – no dia 26 de maio de 1930, Tony Tornado tornou-se um dos principais nomes da black music e do funk no Brasil, consagrando-se tanto na área musical, como na atuação, além der ser um dos precursores do movimento negro no país.Tony é uma força da natureza. Não à toa, seu nome artístico é “Tornado”. Ele transformou para sempre cada local por onde passou. E não foram poucos.
Seu pai nasceu, na capital da Guiana – Georgetown – e veio para o Brasil ainda criança, mais especificamente para Macapá, onde – mesmo tendo nascido na primeira década do século 20 – foi escravizado em fazendas do interior e trabalhou como reprodutor, tendo mais de 100 filhos. No interior de São Paulo, conheceu a mãe de Tony. Com esse passado familiar tão recente, o garoto não poderia mesmo passar a existência sem muitas lutas. Desde muito cedo, Tony entendeu que a arte era seu destino e que a cidade onde nasceu – e onde trabalhou como baleiro no cinema – era pequena demais.
Ainda contribuiu com 13 anos de exército antes de voltar da guerra pelo Canal de Suez, em 1957.
Tony inicia sua carreira artística.
Participou do programa “Hoje é Dia de Rock”, na Rádio Mayrink Veiga, ainda utilizando o nome artístico de Tony Checker, uma homenagem a Chubby Checker, cantor, compositor e dançarino norte-americano, conhecido por popularizar o twist com sua gravação, feita na década de 1960, do sucesso de R&B composto por Hank Ballard, “The Twist”. Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos.
Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos. No coração do bairro do Harlem, Tony conheceu Stokely Carmichael – ativista negro do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 – casado com a cantora Miriam Makeba – cantora, compositora, atriz, embaixadora da boa vontade da ONU e ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid sul-africana.
Nos Estados Unidos, Tony também entrou em contato com os movimentos “Black is beautiful”, “Black Power’, “Black Panther” e foi impactado pelaMarcha sobre Washington (1963), pelo Verão da Liberdade e do Nobel da Paz para Martin Luther King (1964), e pela Marcha de Selma no Alabama e o assassinato de Malcolm X (1965).
Chegou no Brasil na fase mais dura da ditadura militar e passou a cantar em inferninhos da Praça Mauá, até que foi à boate New Holiday, para integrar o conjunto do músico Ed Lincoln, já introduzindo no Brasil toda a influência de James Brown, do funk e do soul. Nesta época ele conheceu Janis Joplin, apresentada pelo cantor Serguei, e dois nomes que o fariam entrar para a história da MPB: Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, os compositores da canção “BR-3”, que – em 1970 – Tony Tornado (já com esse nome artístico) interpretou no 5º Festival Internacional da Canção, ao lado do Trio Ternura, formado pelos irmãos – também negros – Jussara, Jurema e Robson da Silva. Dançando e cantando versos como “a gente morre na BR-3”, foi impactante a vitória em primeiro lugar de Tony, um desconhecido do grande público até então, desbancando nomes como Caetano Veloso, Jair Rodrigues, Ivan Lins, Tom Jobim, Beth Carvalho e Gilberto Gil.
Mas, em tempos duros de repressão e ditadura militar, não demorou muito para que Tony Tornado fosse visto como “um suspeito em potencial”. A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-RJ) resgatou o seguinte trecho publicado, na época, pelo jornal O Globo: “Um revolucionário americano estaria no Brasil recrutando militantes para implementar no país um regime de segregação racial”.
Em 1971, Elis Regina fez um show no Maracanãzinho e levantou as arquibancadas interpretando “Black is Beautiful”, canção de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Ao terminar a canção, a cantora pediu para alguém negro subir ao palco e Tony gritou na hora um “sou eu!”. Ele subiu e ergueu o punho cerrado como os Panteras Negras, grupo revolucionário da década de 1960, que lutava contra o racismo nos Estados Unidos. Já desceu do palco algemado, com 40 mil pessoas vaiando a polícia no estádio: “É uma história complicada. Foi um choque muito grande. As pessoas não estavam acostumadas. Eu cantava e falava coisas de negros, depois casei com uma loira. Foi um negócio muito sério. Deixavam recados ofensivos no meu carro.”, relembra o artista.
O furacão Tony Tornado
Em 2015, aos 85 anos, Tony subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio para cantar ao lado de Rappin Hood e de Nasi (do Ira!) e encarnar outra vez o “rei do soul”. Foi ovacionado ao entrar de óculos escuros e paletó amarelo e cantar “BR-3”, o grande hit da carreira de sua carreira de cantor.
Canal Negritude em Letras - https://www.youtube.com/watch?v=LFtdQyxp-eo&t=10s
