Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Histórias Anti-Racismo: TIA CIATA

Quem foi Tia Ciata

Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata ou Aciata).


No Recôncavo baiano (Santo Amaro) dia 13 de janeiro de 1854 nasce Hilária Batista de Almeida, com 16 anos mesmo tão jovem, já participara da fundação da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, outra cidade do Recôncavo baiano. A Irmandade existe até hoje é do seu acervo. Filha de Oxum, sendo iniciada no santo na casa de Bambochê, da nação Ketu. Aos 22 anos, trazendo consigo uma filha, mudou-se para o Rio de Janeiro, formando nova família ao se casar com João Baptista da Silva, funcionário publico com quem teve 14 filhos. Continuou os preceitos do santo na casa de João Alabá, tornando-se Mãe-Pequena. Morou inicialmente na Pedra do Sal, Beco João Inácio, Rua da Alfândega, 304 e posteriormente na Rua General Pedra, Rua dos Cajueiros e mais tarde na Rua Visconde de Itaúna, residindo na Cidade Nova entre os anos de 1899 e 1924. foi uma das responsáveis pela sedimentação do samba-carioca e tornou-se uma espécie de primeira dama das comunidades negras da Pequena África.

O casarão era uma legítima casa de cômodos, com seus 6 quartos, 2 salas, um longo corredor e quintal com árvores (um abacateiro, ao menos). Parte da família seguiu, porém, morando na Rua da Alfândega: foi lá que em 1909 nasceu Bucy Moreira (músico e compositor), mesmo com a determinação de Ciata para que seu neto viesse ao mundo no casarão. Poucos meses depois, o futuro grande sambista mudou-se com a família para a Rua Minervina, perto da Praça Onze. . (A Visconde de Itaúna não existe mais, desapareceu quando das obras para a abertura da avenida Presidente Vargas).

Mulher de Grande Iniciativa.

Ciata fez de sua vida um trabalho constante, tornado-se com as outras tias baianas, a iniciadora da tradição das baianas quituteiras no Rio deJaneiro, com suas vistosas roupas, colares e pulseiras, desenvolvendo uma atividade cercada por forte fundamento religioso.

Empresárias denominadas Tias Baianas.

Nesse âmbito as tias baianas Ciata, Bebiana, Mônica, Carmem , Perciliana, Amélia, dentre outras, destacaram-se nas principais formas de organização e influência sobre a comunidade. Assim, essas mulheres recebem reconhecimento e respeito por suas posições centrais nos terreiros e por suas participações nas principais atividades do grupo, garantem a manutenção de tradições africanas, sempre reinventadas, guardando possibilidades de revitalização na vida da cidade. Transformaram suas casas, na área da Praça onze, em pontos de referência e convívio comunitários.

Inovadora e criativa.

Tia Ciata passou também a confeccionar e alugar roupas de baiana feitas com requinte, para teatros e desfiles carnavalescos, não só para as “cocotes” chiques como também para homens, gente graúda que gostava de se travestir nos festejos de Momo. Sua morte, em 1924, encerraria uma época, à partir da qual progressivamente o negro passaria à freqüentar diferentes ambientes na vida cultural e social carioca.

Religiosidade e o Samba.

Mãe-de-santo afamada, Tia Ciata festejava seus orixás, sendo famosas suas festas de São Cosme e Damião e de sua Oxum, Nossa Senhora da Conceição. Nas festas suas habilidades de partideira a destacavam nas rodas de partido-alto, e seu neto Bucy Moreira aprendeu com ela o segredo do "miudinho", uma forma de sambar de pés juntos que exige destreza e elegância, no qual Ciata era mestra.

Logo após a cerimônia religiosa, antecedida por uma missa cristã, músicos e capoeiras amigos da casa armavam um pagode com violões, pandeiros, ganzás e muito samba. Tia Ciata, partideira respeitada, não deixava o samba morrer, providenciando que as panelas sempre estivessem quentes, por vezes,promovendo em sua casa, saraus com chorões e bailes amaxixados no salão da frente, sem esquecer um bom samba lá no fundo do quintal, sempre com uma cerimônia de candomblé encerrando as festividades.

Sambista famosos na casa de Ciata.

Se alguns podem ter ido para outro samba afamado da época, o de João Alabá, é certo que muitos preferiram a nova casa de tia Ciata, na Visconde de Itaúna, estrategicamente localizada perto da Praça Onze, da sociedade recreativa Paladinos da Cidade Nova - e, mais tarde, da sociedade carnavalesca Kananga do Japão (fundada como rancho em 1910). E bota "muitos" nisso: nos cerca de 20 anos que Ciata morou na Cidade Nova, freqüentaram sua casa outras tias baianas famosas na época - além de suas amigas que também eram filhas-de-santo de Alabá, acrescentem-se tia Dadá, Tia Amelia ( mãe do Donga), Tia Prisciliana ( mãe de João da bahiana), tia Veridiana (mãe de Chico da Bahiana), tia Josefa Rica e tia Tomásia , o jornalista Vagalume, o ator Alfredo de Albuquerque e importantes nomes da música popular como Hilário Jovino Ferreira, Donga, Pixinguinha, João da Bahiana, Heitor dos Prazeres, Sinhô, Caninha, Didi da Gracinda, Marinho que Toca (pai do compositor Getúlio Marinho), Mauro de Almeida, João da Mata, João Câncio, Getúlio da Praia, Mirandella, Mestre Germano (genro de Ciata), China (irmão de Pixinguinha) e Catulo da Paixão Cearense.


Prestígio junto à Presidência da República.

Se a medida de prestígio era o bom trânsito junto à Presidência da República, pode-se dizer que tia Ciata não tinha o que invejar em relação a Abedé. Ela foi chamada ao Palácio do Catete para tratar de uma ferida do presidente Venceslau Brás, que resistia a todos os tratamentos indicados pelos médicos. Curado por Ciata, Venceslau Brás expressou sua gratidão transferindo João Batista da Imprensa Nacional para a chefia de gabinete do chefe de Polícia. Assim, durante o mandato de Venceslau Brás (1914-18), as festas na casa de tia Ciata eram autorizadas, contando com o envio de dois soldados que iam fazer a segurança. (O prestígio da família com o poder sobreviveu a Ciata : em 1925, o chefe de Polícia conseguiu vaga para Bucy Moreira estudar na Escola Bom Jesus, em Paquetá, onde ele ficou até 1927.)

A casa da Tia Ciata, como descreve Roberto Moura.

Se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro. Esse grupo de origem baiana se constituía numa elite nessa comunidade que se desloca do Centro para suas imediações, forçada a se reestruturar dentro das grandes transformações das políticas internacionais e nacionais. engendrando conseqüente reforma da cidade.

O legado: Cortejo da Ciata.

Cortejo da Ciata é sobre tudo uma celebração, uma homenagem a grande Tia Ciata, das primeiras rodas de samba, dos ritos e dos doces, das baianas, da Praça Onze, do quintal com Pixinguinha, Donga, Joao da Baiana, matriarca negra, figura fundamental para a manutenção e enriquecimento da nossa cultura. Celebramos tambem o encontro de dois personagens emblemáticos da cultura negra Brasileira, separados pelo tempo e unidos pelo Distrito Cultural da Praça Onze e pela resistência cultural e étnica. Zumbi dos Palmares e Tia Ciata .

A idéia, que germina no ateliê de experimentação escultórica do Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian, sob orientação do escultor Sandro Lucena, localizado do coração da Praça Onze, em frente a Escola Tia Ciata. O que num primeiro momento consistia na realização coletiva de uma Eco-Escultura de grande formato, feita com reaproveitamento de diversos materiais, como sucatas de ferro e aço inox, chapas de geladeiras velhas e armários para a o revestimento da figura, se transformou num evento multicultural envolvendo vários grupos e coletivos de arte, de diversas linguaguens artisticas, existentes na cidade, conectando a Secretaria de Cultura com a Secretaria de Educação, com apoio do controle urbano e outras que ajudaram a realizar o primeiro evento.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

🎥 Documentário - Consciência Negra

20 de novembro
Dia da Consciência Negra

Para celebrar o início do Mês da Cultura Africana, o documentário “Consciência Negra” traça um panorama da trajetória dos negros no Brasil. Grandes nomes do movimento negro no país repercutem a herança da escravidão e suas consequências no presente e no futuro do povo brasileiro.



quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Histórias AnTi-RaCiSmO: Assata Shakur

A trajetória cinematográfica de Assata Shakur 
Criminosa ou Revolucionária? 

Canal: Negritude em Letras 



Assata Shakur:
 A saga de uma revolucionária da resistência negra. Figura emblemática na luta pela emancipação dos afro-americanos, ativista integrou o Partido dos Panteras Negras e implementou ações sociais no bairro do Harlem.

Há 78 anos, em 16 de julho de 1947, nascia a revolucionária norte-americana Assata Shakur. Figura emblemática da luta pela emancipação dos afro-americanos, Assata foi membro do Partido dos Panteras Negras e ajudou a implementar diversas ações sociais no bairro do Harlem.

Nos anos 70, ela se tornou fundadora e líder do Exército de Libertação Negra — um grupo revolucionário de guerrilha urbana que se tornaria alvo preferencial da repressão do FBI.

Alvo de uma campanha persecutória do governo norte-americana, Assata foi presa após uma emboscada policial e condenada à prisão perpétua. Ela foi alvo de diversos abusos físicos e psicológicos durante o cárcere, permanecendo em isolamento por quase dois anos em uma prisão masculina.

Em 1979, Assata conseguiu fugir da cadeia e partiu para o exílio em Cuba, onde vive até hoje. Ela também é conhecida por ser madrinha do rapper Tupac Shakur e foi homenageada em várias canções.

O governo norte-americano continua exigindo a extradição de Assata. Ela foi a primeira mulher a ser colocada na “Lista dos Terroristas Mais Procurados” do FBI.
Juventude e formação

Batizada JoAnne Deborah Byron, Assata Shakur nasceu no distrito de Queens, em Nova York, em uma família negra da classe operária. Ela passou parte da infância na casa dos avós em Wilmington, Carolina do Norte. Após concluir o ensino primário, voltou para Nova York, onde viveu com sua mãe, a professora Doris Johnson, e seu padrasto.

Sua adolescência foi bastante atribulada, marcada por conflitos familiares, fugas e abandono escolar. Ela viveu por um tempo com sua tia, Evelyn Williams, uma militante do movimento dos direitos civis dos negros. Foi Evelyn que pressionou Assata a retomar os estudos e que a ajudou a obter seu diploma de equivalência do ensino secundário (GED).

Assata ingressou na Faculdade Comunitária do Distrito de Manhattan e posteriormente se transferiu para o City College de Nova York (CCNY). A jovem iniciou sua militância política durante a graduação, dedicando-se ao estudo do marxismo e do socialismo, participando nas manifestações do movimento negro e dos protestos contra a Guerra do Vietnã.

Em 1967, Assata foi presa pela primeira vez, após participar de um ato exigindo a contratação de mais professores universitários negros e a inclusão dos estudos afro-americanos nas grades curriculares. Nesse mesmo ano, ela se casou com Louis Chesimard, um colega da CCNY. O casamento durou pouco tempo. Eles romperam após um ano juntos e se divorciaram legalmente em 1970.

Panteras Negras

O ingresso de Assata na militância política ocorreu em um período marcado pela intensificação da luta antissegregacionista. A aprovação da Lei dos Direitos Civis e da Lei dos Direitos de Voto representaram importantes conquistas, mas a violência policial, os ataques raciais de grupos supremacistas e a discriminação econômica persistiam como obstáculos à plena integração dos afro-americanos.

A frustração com o pacifismo das correntes majoritárias do movimento negro abriu espaço para o surgimento de organizações mais combativas, que pregavam o recurso à autodefesa e uma postura de maior confrontação diante das ofensivas reacionárias. É o caso do Partido dos Panteras Negras, fundado em 1966 por Huey Newton e Bobby Seale.

Os Panteras Negras eram uma agremiação de orientação marxista-leninista e inspiração maoísta. Eles defendiam a legitimidade da violência revolucionária para garantir a integridade física e o respeito aos direitos fundamentais da população negra.

Assata ingressou nos Panteras Negras no fim dos anos 60. Ela logo se tornaria uma dirigente da organização no Harlem, onde ajudou a implementar programas de alfabetização, clínicas comunitárias e o programa “Café da Manhã Gratuito para Crianças”, que visava fornecer nutrição adequada para estudantes negros de bairros pobres.

Exército de Libertação Negra

Malgrado a importância do trabalho de base e da organização política dos Panteras Negras, Assata se frustrou com o machismo de alguns membros do partido e com a falta de espaço para as mulheres nos processos decisórios internos.

No início dos anos 70, ela se uniu aos dissidentes que participaram da fundação do Exército de Libertação Negra (BLA) — uma organização revolucionária que pregava a luta armada e o uso de táticas de guerrilha urbana para promover a emancipação do povo negro.

O BLA foi fortemente influenciado pela luta dos movimentos anticoloniais como a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (os chamados “vietcongues”) e a Frente de Libertação Nacional da Argélia. O grupo não tinha uma estrutura administrativa centralizada, sendo organizado através de células autônomas clandestinas, visando dificultar operações de infiltração, vigilância e repressão.

Foi após a adesão ao BLA que JoAnne passou a usar o nome Assata Olugbala Shakur, abandonado o que considerava seu “nome de escravizada”. “Assata” é um termo derivado da África Ocidental que significa “guerreira”. “Shakur” provém do árabe e quer dizer “agradecida”. E “Olugbala” é o termo iorubá para “salvador”.

Assata participou de uma série de ações armadas levadas a cabo pelo BLA, incluindo alguns assaltos a bancos, visando angariar recursos para financiar o movimento. Em 1972, ela seria identificada pelo FBI como a chefe da célula do movimento em Nova York.

COINTELPRO

Após a prisão de Dhoruba bin Wahad, as autoridades norte-americanas passaram a considerar Assata como a principal liderança do Exército de Libertação Negra, o que a transformou em uma das pessoas mais procuradas nos Estados Unidos.

Assata foi um dos alvos diretos do COINTELPRO — um programa secreto de contrainteligência conduzido pelo FBI entre as décadas de 50 e 70. O programa tinha como objetivo desarticular, desacreditar e, se necessário, eliminar as organizações e indivíduos considerados “subversivos” pelo governo norte-americano.

Inicialmente focado na repressão ao movimento comunista, o programa foi expandido para abranger as lideranças e organizações do movimento negro a partir dos anos 60. Os agentes do COINTELPRO usavam táticas de espionagem, infiltração, desinformação, fabricação de evidências, assassinato de reputação e até execuções sumárias para neutralizar seus alvos.

Assim como vários líderes da resistência negra, Assata foi alvo de diversas acusações criminais fabricadas, a fim de ser rotulada como uma ameaça à segurança nacional. Entre 1973 e 1977, ela seria indiciada em 10 processos criminais distintos, respondendo a acusações de assaltos, sequestros, tentativas de homicídio, agressão e posse ilegal de armas.

Quase todas as acusações direcionadas a Assata foram posteriormente descartadas por falta de provas. Dos sete julgamentos aos quais ela foi submetida, três resultaram em absolvições e outros três foram arquivados. E o único caso que resultou em condenação estava repleto de irregularidades.

Confronto em Nova Jersey e prisão

O caso em que Assata foi condenada ocorreu em 2 de maio de 1973. Ela estava em um veículo que trafegava por uma rodovia de Nova Jersey, acompanhada de Zayd Malik Shakur e Sundiata Acoli. Na altura da cidade de East Brunswick, o automóvel foi forçado a encostar por uma patrulha policial, por uma suposta infração de trânsito.

O que aparentava ser uma abordagem de rotina se converteu em um tumulto e logo evoluiu para um troca de tiros. Zayd e o policial Werner Foerster foram mortos durante o embate. Assata foi alvejada cinco vezes. Ela foi levada para o Hospital Geral de Middlesex em estado grave, mas sobreviveu. Em seguida, foi transferida para uma prisão, onde foi submetida a espancamentos e sessões de tortura. Assata estava grávida quando foi presa. Sua filha, Kakuya Shakur, nasceu em setembro de 1974.

Assata sempre afirmou sua inocência, alegando que foi vítima de uma emboscada e que não disparou nenhum tiro. As evidências forenses apresentadas durante o julgamento mostraram que ela não tinha resíduos de pólvora nas mãos. Além disso, a posição dos ferimentos sugeriam que ela foi baleada enquanto estava se rendendo com as mãos levantadas, contradizendo a narrativa policial.

O julgamento de Assata foi marcado por controvérsias. Realizado em um condado predominantemente branco e conservador, o processo foi denunciado por ativistas dos direitos civis como um exemplo de justiça racialmente enviesada. O júri era composto exclusivamente por pessoas brancas e a mídia retratava Assata como uma criminosa perigosa.

O processo foi eivado de irregularidades, com manipulação de provas, coação de testemunhas e violações dos direitos processuais da defesa. Em abril de 1977, Assata foi condenada pelo assassinato de Werner Foerster e sentenciada à prisão perpétua.

As condições do cárcere eram brutais. Assata foi mantida em isolamento por dois anos em uma prisão masculina, enfrentando abusos físicos e psicológicos. Posteriormente, foi transferida para o Centro Correcional Clinton, uma unidade feminina de segurança máxima.

A prisão de Assata se tornou um símbolo das injustiças do sistema jurídico norte-americano. Angela Davis e outros militantes do movimento negro denunciaram internacionalmente sua condição de presa política. Uma investigação conduzida por um painel de juristas vinculado à Comissão de Direitos Humanos da ONU reconheceu que as condições de sua prisão eram desumanas.

Fuga e exílio em Cuba

Assata Shakur foi libertada da prisão em 2 de novembro de 1979, por meio de uma audaciosa operação conjunta organizada pelo Exército de Libertação Negra e pela Organização Comunista 19 de Maio. A ação foi realizada por quatro pessoas disfarçadas de visitantes. Eles renderam os guardas e agentes penitenciários, retiraram Assata do recinto e fugiram em um veículo que os aguardava do lado de fora.

O FBI distribuiu cartazes com o rosto de Assata por todo país. Três dias após a fuga, milhares de pessoas saíram às ruas de Nova York em uma manifestação em apoio à fugitiva, carregando cartazes de “Assata é bem vinda aqui”.

Assata permaneceria como foragida nos Estados Unidos por quase cinco anos, auxiliada por uma rede de apoio mantida pelo BLA, organizações do movimento negro e agremiações da esquerda revolucionária.

Em 1984, Assata conseguiu fugir para Cuba, onde foi recepcionada por Fidel Castro e recebeu o status de refugiada política. Sua filha Kakuya se mudou para ilha no ano seguinte. Elas vivem em Cuba até hoje e seguem participando ativamente do debate político a das ações da militância socialista e antirracista.

Assata publicou uma autobiografia em 1988 e lançou outro livro escrito em parceria com Dhoruba bin Wahad e Mumia Abu-Jamal em 1993 (“Still Black, Still Strong”). Sua vida foi retratada no documentário “Eyes of the Rainbow”, dirigido por Gloria Rolando, e no filme “Assata aka Joanne Chesimard”, de Fred Baker. Conhecida por ser madrinha de Tupac Shakur, Assata foi citada e homenageada em dezenas de canções.

O asilo concedido por Cuba gerou tensões nas relações com os Estados Unidos. O governo norte-americano segue até hoje exigindo a extradição de Assata e o FBI chegou a oferecer um milhão de dólares pela sua captura. Em 2013, Assata Shakur se tornou a primeira mulher a figurar na “Lista dos Terroristas Mais Procurados” pelos Estados Unidos.

Portal Opera Mundi:
https://operamundi.uol.com.br/
Nicole Gerard e Estevam Silva 
São Paulo, 16 de julho de 2025.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Entrevista: Lazzo Matumbi

Lazzo Matumbi 
“Parece um projeto de extermínio dos negros. Temos que lutar por Brasil mais justo"

Créditos do Canal: Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Eliano Jorge Imagem e edição: João Cayres Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé Este é o canal de Bob Fernandes. Vídeos novos todas terças e sextas, sempre, e demais postagens a qualquer momento necessário.

Canal: Bob Fernandes


♪ Antes de ficar popularizado como Lazzo Matumbi, um dos mais importantes cantores e compositores do universo musical afro-baiano, o soteropolitano Lázaro Jerônimo Ferreira já foi conhecido como Lazinho do Ilê – em alusão ao fato de ter sido um dos vocalistas do bloco afro Ilê Aiyê de 1978 a 1980 – e Lazinho Diamante Negro.

Matumbi, referência no Samba/Reggae
Voz ativista da Bahia, de importância fundamental na popularização do samba-reggae e do reggae, Lázaro virou Lazzo Matumbi em 1981, ano em que iniciou carreira solo com a edição de single duplo autoral com as músicas Salve a Jamaica (Homenagem a Bob Marley) e Guarajuba.

Em toda sua caminhada solo são sintetizados em documentário filmado sob a direção da cineasta Urânia Muzanzu e em fase de finalização. As gravações aconteceram em locações como o Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), cidade natal do artista que completará 64 anos em 24 de março.

Para quem não liga o nome ao som, Lazzo Matumbi é o compositor de músicas como Alegria da cidade (1988, em parceria com Jorge Portugal), Kindala (1991, em parceria com José Carlos Capinan) e Me abraça e me beija (1988, em parceria com Gileno Félix), entre outros temas.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

PROVOCAÇÃO HISTÓRICA - “CARAMURUS NEGROS"

CARAMURUS NEGROS

"A REVOLTA ESCRAVA MAIS SANGRENTA DO BRASIL”

Programa Provocação Histórica - 16/07/2025 -

Livro: Caramurus Negros - A Revolta dos Escravos de Carrancas - MG (1833)
Editora: Chão Editora
Edição: 13 maio de 2025

Sinopse:
Em 13 de maio de 1833, ocorreu no sul de Minas Gerais a insurreição escrava mais sangrenta do Sudeste do Império, em que morreram 33 pessoas — 21 escravizados, 9 membros da família Junqueira (incluindo 3 mulheres e 3 crianças), 1 agregado e 2 "pessoas de cor". Conhecido como a Revolta de Carrancas, o episódio resultou na maior condenação coletiva à pena de morte da história da escravidão no país.

Caramurus negros: a revolta de escravos de Carrancas — Minas Gerais (1833), com organização e posfácio do historiador Marcos Ferreira de Andrade, é fruto de mais de trinta anos de pesquisa. O livro contém a transcrição de parte dos autos do processo-crime da revolta e um posfácio que mostra como as elites regionais e o próprio Estado imperial lidaram com os rebeldes insurgentes.

Autodenominando-se "caramurus", um dos agrupamentos políticos do pós-Independência, os rebelados afirmaram seu protagonismo diante das identidades em disputa na construção do Estado nacional. A revolta dos escravos de Carrancas deve ser compreendida dentro desse contexto de intensos conflitos e repressão militar.

Ao trazer à tona parte da história e das lutas de personagens como Ventura Mina, André Crioulo, Antônio Benguela, Joaquim Mina, Antônio Rezende e tantos outros que os acompanharam, o episódio permite-nos compreender não apenas as hierarquias, alianças e disputas que se estabeleciam no dia a dia da vida em cativeiro, mas também os sonhos e projetos de liberdade acalentados pelos cativos.

Ainda que pudessem imaginar as graves consequências de participar de uma insurreição e tenham sido derrotados e punidos de forma exemplar, naquele 13 de maio os audazes "caramurus negros" colocaram em prática seus projetos de liberdade e, assim, entraram para a história.


domingo, 13 de julho de 2025

Itamar Assumpção

Itamar
Assumpção

O artista que desafiou
 a indústria musical!

Itamar de Assumpção, nome de registro. Francisco José Itamar de Assumpção, nome de batismo. Itamar Assumpção, nome artístico.

“Ele ganhou um violãozinho e tinha vontade de aprender, mas como a gente não tinha condições de comprar um violão novo, ele falou: ‘Eu vou tentando com esse mesmo’. Aí ele começou.”

Transcrição do depoimento de Maria Aparecida Silva de Assumpção em 2003 para o curta metragem “Beleléu Cá Entre Nós – Itamar Assumpção antes do Nego Dito”, de Fábio Giorgio.

Breve Biografia:

Em 1949 nasce Itamar de Assumpção* na cidade de Tietê, no interior de São Paulo, onde viveu com a avó até os 12 anos. Esta cidade surgiu devido a ação dos bandeirantes, que invadiram o interior do Brasil à procura de metais preciosos e indígenas para escravizar. Ao longo do tempo, a cidade recebeu um número significativo de africanos e afrodescendentes de outras regiões do Brasil como mão de obra escravizada. Uma das formas de sociabilidade dos negros e negras nesta cidade eram os Batuques de Umbigada, manifestações da cultura popular negra que seriam muito importantes para a formação performática de Itamar Assumpção.

Também nasce, na capital paulista, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, situado na Zona Leste de São Paulo, há poucos quilômetros de onde Itamar moraria e morreria anos mais tarde.

No alvorecer da década de 1950, Adoniran Barbosa lançava seu clássico “Saudosa Maloca” e, anos depois, estreavam Ataulfo Alves e Elza Soares, com seu rasgante Bossa-Negra. O rádio era a grande atração na casa dos brasileiros, modelando a escuta e o gosto musical de diversas gerações.


Canal Negritude em Letras - https://www.youtube.com/@negritudemletras


quinta-feira, 26 de junho de 2025

🎥 Documentário - Escravidão no Brasil - Parte I

Cultura Africana
"A tentativa de apagamento de uma complexa e vasta Cultura"

Histórias de ampla Resistência

A série “Abolição” conta a história dos povos africanos que foram escravizados e trazidos ao nosso país em navios negreiros, trilhando uma trajetória de resistência e luta através de séculos em que foram cativos na América e no Brasil. 

São quatro episódios que mostram a escravização de africanos, com foco na difícil sobrevivência de pessoas e culturas submetidas a uma das maiores brutalidades realizadas na história da humanidade. O primeiro episódio da série apresenta o recorte da história do centro da África, que se inicia pouco antes da colonização europeia e culmina na escravização de milhões de pessoas, além da destruição de inúmeros reinos, povos e culturas. 

Não perca !!

Outros Episódios:


segunda-feira, 23 de junho de 2025

🎥 Documentário - Luiz Gama: Primeiro Episódio.

Luiz G.P. da Gama
"Obcecado pela liberdade e pelo Direito"

A Luta Pelo Direito no Brasil da Escravidão

Na semana que marca os 195 anos de nascimento de Luiz Gama, que nasceu em 21 de junho de 1830, em Salvador, a TV Justiça começa a exibir, a partir desta segunda-feira (16), uma série de cinco episódios sobre a biografia de Luiz Gama. Os programas apresentam a trajetória do ex-escravo baiano, alfabetizado aos 17 anos, que estudou Direito de forma autodidata e, como advogado, libertou mais de 500 escravos. 

Gama era abolicionista, jurista, jornalista, escritor. A partir das obras jurídicas do pesquisador do Instituto Max Planck - uma instituição alemã de pesquisa científica - Bruno Rodrigues, os vídeos revelam histórias inéditas do homem que foi fundamental para a luta contra a escravidão no Brasil. Entre elas, a desconhecida ação judicial chamada de "Questão Neto", em que Gama libertou 217 escravizados no século 19. O misterioso assalto do cofre da alfandega de Santos, caso que movimentou o Império em 1877, também será desvendado. Confira a justiça alcançada por meio da perspicácia de Gama e estratégias jurídicas inovadoras.

Ao longo dos programas, os narradores exaltam o legado de Luiz Gama para o Direito, a Educação, a Literatura Negra e a imprensa brasileira. Os caminhos do homem, do abolicionista, que nos faz refletir sobre o Brasil de ontem, de hoje e sobre o país que queremos para o futuro. O primeiro episódio apresenta quem é Luiz Gonzaga Pinto da Gama. O aprendizado, a descoberta pelas letras e a educação que o fez conquistar a liberdade são temas do segundo programa. O terceiro é sobre o Direito, as decisões e a libertação de centenas de escravizados ilegalmente. A atuação na literatura e a articulação política são abordados no penúltimo episódio da série. O programa termina com o legado de Luiz Gama.

Links para os outros episódios da série:

quinta-feira, 19 de junho de 2025

HiStÓrIaS AnTi-RaCiSmO

O Poeta Solano Trindade

Nesse vídeo Cíntia Santos nos conta a história de Solano Trindade e por que o poeta foi  preso e teve seu filho assassinado ...

Canal Negritude em Letras - https://www.youtube.com/watch?v=0BiuEs2L6kQ

terça-feira, 17 de junho de 2025

Black, Funk e Soul

Toni Tornado
(Resistência Negra na Ditadura Militar)

Toni Tornado um dos maiores ícones da música e da televisão brasileira, o ator, cantor e compositor, nascido Antônio Viana Gomes – em Mirante de Paranapanema, região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo – no dia 26 de maio de 1930, Tony Tornado tornou-se um dos principais nomes da black music e do funk no Brasil, consagrando-se tanto na área musical, como na atuação, além der ser um dos precursores do movimento negro no país.Tony é uma força da natureza. Não à toa, seu nome artístico é “Tornado”. Ele transformou para sempre cada local por onde passou. E não foram poucos.

Seu pai nasceu, na capital da Guiana – Georgetown – e veio para o Brasil ainda criança, mais especificamente para Macapá, onde – mesmo tendo nascido na primeira década do século 20 – foi escravizado em fazendas do interior e trabalhou como reprodutor, tendo mais de 100 filhos. No interior de São Paulo, conheceu a mãe de Tony. Com esse passado familiar tão recente, o garoto não poderia mesmo passar a existência sem muitas lutas. Desde muito cedo, Tony entendeu que a arte era seu destino e que a cidade onde nasceu – e onde trabalhou como baleiro no cinema – era pequena demais.
Ainda contribuiu com 13 anos de exército antes de voltar da guerra pelo Canal de Suez, em 1957.

Tony inicia sua carreira artística.



Participou do programa “Hoje é Dia de Rock”, na Rádio Mayrink Veiga, ainda utilizando o nome artístico de Tony Checker, uma homenagem a Chubby Checker, cantor, compositor e dançarino norte-americano, conhecido por popularizar o twist com sua gravação, feita na década de 1960, do sucesso de R&B composto por Hank Ballard, “The Twist”. Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos.

Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos. No coração do bairro do Harlem, Tony conheceu Stokely Carmichael – ativista negro do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 – casado com a cantora Miriam Makeba – cantora, compositora, atriz, embaixadora da boa vontade da ONU e ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid sul-africana.

Nos Estados Unidos, Tony também entrou em contato com os movimentos “Black is beautiful”, “Black Power’, “Black Panther” e foi impactado pelaMarcha sobre Washington (1963), pelo Verão da Liberdade e do Nobel da Paz para Martin Luther King (1964), e pela Marcha de Selma no Alabama e o assassinato de Malcolm X (1965).

Chegou no Brasil na fase mais dura da ditadura militar e passou a cantar em inferninhos da Praça Mauá, até que foi à boate New Holiday, para integrar o conjunto do músico Ed Lincoln, já introduzindo no Brasil toda a influência de James Brown, do funk e do soul. Nesta época ele conheceu Janis Joplin, apresentada pelo cantor Serguei, e dois nomes que o fariam entrar para a história da MPB: Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, os compositores da canção “BR-3”, que – em 1970 – Tony Tornado (já com esse nome artístico) interpretou no 5º Festival Internacional da Canção, ao lado do Trio Ternura, formado pelos irmãos – também negros – Jussara, Jurema e Robson da Silva. Dançando e cantando versos como “a gente morre na BR-3”, foi impactante a vitória em primeiro lugar de Tony, um desconhecido do grande público até então, desbancando nomes como Caetano Veloso, Jair Rodrigues, Ivan Lins, Tom Jobim, Beth Carvalho e Gilberto Gil.

Mas, em tempos duros de repressão e ditadura militar, não demorou muito para que Tony Tornado fosse visto como “um suspeito em potencial”. A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-RJ) resgatou o seguinte trecho publicado, na época, pelo jornal O Globo: “Um revolucionário americano estaria no Brasil recrutando militantes para implementar no país um regime de segregação racial”.

Em 1971, Elis Regina fez um show no Maracanãzinho e levantou as arquibancadas interpretando “Black is Beautiful”, canção de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Ao terminar a canção, a cantora pediu para alguém negro subir ao palco e Tony gritou na hora um “sou eu!”. Ele subiu e ergueu o punho cerrado como os Panteras Negras, grupo revolucionário da década de 1960, que lutava contra o racismo nos Estados Unidos. Já desceu do palco algemado, com 40 mil pessoas vaiando a polícia no estádio: “É uma história complicada. Foi um choque muito grande. As pessoas não estavam acostumadas. Eu cantava e falava coisas de negros, depois casei com uma loira. Foi um negócio muito sério. Deixavam recados ofensivos no meu carro.”, relembra o artista.

O furacão Tony Tornado

Em 2015, aos 85 anos, Tony subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio para cantar ao lado de Rappin Hood e de Nasi (do Ira!) e encarnar outra vez o “rei do soul”. Foi ovacionado ao entrar de óculos escuros e paletó amarelo e cantar “BR-3”, o grande hit da carreira de sua carreira de cantor.


Black, Funk e Soul

Baile Black Rio
"A revolução urbana"


"O movimento Black Rio nos Anos 70: bailes lotaram a cidade e foram alvo da ditadura"

História do movimento começa com a descoberta pela mídia e marca ainda a chegada de novos sons. Nesse movimento se vê o alcance dos bailes ao longo da década, atravessando mais de 30 bairros cariocas, de Botafogo, na zona sul), a Bangu, na zona oeste, passando por lugares como Tijuca, Méier e Penha, todos na zona norte.

A percepção geográfica do fenômeno, a partir de mapas como esse, é uma das contribuições do estudo para o entendimento do sucesso -um movimento que mobilizou milhares de jovens e deixou marcas na cultura brasileira para além das fronteiras cariocas.

"Quis chamar a atenção para como o movimento foi enorme e se espalhou pela cidade toda, praticamente. Por isso, a ideia de "Pequena África", como ficou conhecida a região central do Rio que serviu de berço para o samba urbano na virada do século 19 para o 20, mas que sempre foi a "Grande África Soul".

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Histórias do Brasil

ESPERANÇA GARCIA

A primeira advogada do Brasil não usava toga: usava correntes!

A primeira advogada do Brasil não usava toga. Ela era uma mulher negra e escravizada. Em 1770, com apenas 19 anos, Esperança Garcia escreveu uma carta ao governador do Piauí denunciando abusos e exigindo o direito de viver com sua família. Essa é a história de uma mulher que transformou dor em denúncia e palavra em luta.


Canal: Negritude em Letras


segunda-feira, 2 de junho de 2025