Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
Mostrando postagens com marcador ditadura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ditadura. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de novembro de 2025

Histórias do Brasil: DEMOCRACIA

Democracia
"democracia é o exercício diário"

A democracia é um sistema de governo no qual o poder emana do povo, que exerce sua soberania de forma direta ou indireta, por meio de representantes eleitos. Ela se baseia nos princípios fundamentais de liberdade, igualdade e soberania popular, e é considerada a melhor forma de garantir a convivência coletiva e o respeito aos direitos humanos.


22/11/2025
Um dia a ser lembrado

"Acordei hoje as 08:30, um pouco mais tarde do que de costume, com uma notícia maravilhosa: Bolsonaro está, finalmente, preso! Quem o ama o ama sem limites racionais, mas quem o odeia também, e me incluo entre estes últimos. A alegria que vi nas redes sociais acerca deste dia mostra que ainda somos humanos. Bolsonaro representa o que há de mais abjeto na espécie humana: a ausência de empatia com o sofrimento alheio; e a mentira e a manipulação da vulnerabilidade alheia como moeda.

Eu não sou religioso, mas como sociólogo sei que foi o cristianismo que moldou a gramática moral do Ocidente secular. A primeira e mais importante ideia crista é a empatia com o sofrimento alheio, especialmente daqueles mais frágeis. Todo o processo de civilização secular, como nos ensina o grande Norbert Elias, é um reflexo desta ideia. Ser “civilizado” passa a ser percebido como diminuição da dor e do sofrimento evitável. Bolsonaro representa, sem qualquer intenção retórica, portanto, a barbárie e a canalhice, e o desprezo que tantas vezes ele manifestou em relação aos doentes, aos negros, aos pobres, às mulheres, aos gays, mostram isso sobejamente. Culminando no crime maior de todos de atentar contra a democracia, o bem maior de 3 mil anos de civilização no Ocidente.

Mas Bolsonaro não agiu sozinho. Ele precisou, não nos esqueçamos jamais, que toda a mídia corporativa o blindasse em 2018, apresentando um ladrão contumaz como bastião da honestidade e da antipolítica. As “rachadinhas” históricas de Bolsonaro subiram de nível na Presidência, e ele aprendeu a fazer rachadinhas com sheiks árabes, que ficaram tão contentes em comprar refinarias a preço de banana que inundaram ele e sua esposa em joias. Este é e sempre foi o único projeto político de Bolsonaro: roubar na mão grande. Um canalha medíocre.


Mas a maior ameaça de Bolsonaro é o seu talento de mobilizar a vulnerabilidade dos humilhados e ofendidos por uma ordem social que não compreendem, contra os melhores interesses desta multidão empobrecida. Com isso seu governo ofereceu “base popular” à política mais antipopular que existe: o roubo grande da elite financeira que garante lucros estratosféricos para o agronegócio e para os “investidores” americanos que ficam com a parte do leão da riqueza produzida por todos.

Paulo Guedes, a melhor corporificação do espírito estreito e voraz de nossa elite financeira, ofereceu de bandeja a seus amigos da Faria Lima empresas estatais subfaturadas – o espólio histórico de uma elite improdutiva depois de cada golpe de Estado – e ajudou os bancos, mas não o povo sofrido na pandemia. O governo brasileiro se negou e adiou o quanto pode qualquer ajuda a um povo abandonado na pior hora. Foi esta política que a sedução demoníaca de Bolsonaro legitimou nas camadas populares. Este é o real risco de gente como Bolsonaro, que criou uma matilha de oportunistas dispostos a confundir deliberadamente o público. Não são os militares que tramaram os golpes o nosso real inimigo, embora também o sejam, já que eles, como o próprio Bolsonaro, são instrumentos e “paus mandados” da elite que saqueia todo mundo. É apenas por conta delas que temos gente como Bolsonaro perturbando vidas e ceifando trajetórias pelo descaso ou violência.

A prisão de Bolsonaro nos devia lembrar do nosso real inimigo: uma elite que existe apenas para organizar o saque da própria população em nome das elites metropolitanas e cobrar o seu pedágio pelo trabalho sujo. Segundo seu próprio dono, o BTG pactual, o maior banco de investimentos do país, tem 19 americanos dentre seus 20 maiores clientes. Precisamos de mais alguma informação para saber em benefício de quem se dá o saque de nossa gente? Por conta disso, o Estadão e todos os jornais da elite protestaram contra Trump e sua interferência aqui. Afinal, se os EUA passarem a mandar diretamente, qual a função social da elite nativa? Essa é a canalha que nos governa há 500 anos.


Refletir sobre a prisão de Bolsonaro significa, para mim, ou deveria significar, possibilitar que o povo brasileiro saiba quem é seu real inimigo. Posto que, até hoje, ninguém contou isso para ele. Sem isso, os novos “Bolsonaros” irão bater na nossa porta. Aliás, já estão batendo."

Escritor, pesquisador e professor universitário. Autor de mais de 30 livros dentre eles os bestsellers “A elite do Atraso”, “A classe média no espelho”, “A ralé brasileira” e “Como o racismo criou o Brasil”. Doutor em sociologia pela universidade Heidelberg, Alemanha, e pós doutor em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, Nova Iorque, EUA.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

VíDeO: Racionais Mc's

Racionais Mc's
Mil Faces de um Homem Leal
(Marighella)
Clipe Oficial - HD

Mil faces de um homem leal (Marighella) (2012) 
Duração: 6'10" 
Formato: HD 
Empresa produtora: Preta Portê Filmes 
Direção: Daniel Grinspum 
Criação: Daniel Grinspum, Juliana Vicente, Mano Brown 
Produção: Juliana Vicente 
Direção de Produção: Carla Comino 
Roteirista: Nalu Béco 
Fotografia: Tiago Tambelli 
Direção de Arte: Isabel Xavier 
Figurino: Bia Rivato, Cacá Semiatzh 
Som direto: Guile Martins 
Edição de Som: Daniel Turini, Fernando Henna 
Montagem: Daniel Grinspum e Pedro Marques 
Imagens de arquivo: Arquivo Fabicine, Guilherme César, Bruno Leonel


sábado, 9 de agosto de 2025

Literatura: Livro "Tom Vermelho do Verde"

Tom Vermelho do Verde

Frei Betto 
Editora - Rocco
Edição - 2022

Sinopse:

Baseado em eventos históricos...

Frei Betto ergue sua voz em defesa dos indígenas, perpetuamente esquecidos pela sociedade brasileira e oprimidos pelos grupos que os exploram desde o "descobrimento".

Tom vermelho do verde é um livro de denúncia, mas também um romance histórico que cativa o leitor desde as primeiras páginas e o impressiona com o profundo conhecimento da cultura indígena apresentado pelo autor.

No momento em que os povos originários sofrem pressões para que suas terras sejam exploradas por companhias mineradoras e madeireiras que causam danos ecológicos irreparáveis, Frei Betto nos revela o drama vivido pelos Waimiri-Atroari a partir da construção da rodovia BR-174 em suas terras, na década de 1970. Drama até então conhecido apenas por estudiosos de culturas indígenas e que se prolonga até hoje, cujas consequências não se restringem às vítimas inocentes. Pelo contrário, atinge proporções catastróficas e imprevisíveis à medida que a floresta amazônica é arrasada e seus povos originários são dizimados.

Palco de grandes interesses e muitos conflitos, vítima de cobiça e rapina nacional e internacional, o bioma amazônico e seus mais de uma centena de povos e etnias têm sido vítimas de agressões, massacres, genocídios, mormente a partir do golpe político de 2016, que abriu alas para uma fraudulenta política de devastação e invasões de terras indígenas à partir do governo de Jair Bolsonaro, que intensificou a invasão do capital predatório, iniciada com os governos militares em 1964, na Amazônia.

Trata-se de uma trilha segura para quem quiser percorrer, metaforicamente, os rios e florestas de uma região tão falada e pouco conhecida, sem os exotismos e distorções que quase sempre maculam a literatura feita “na” e “sobre” a Amazônia, tão afetada por seres fantasmagóricos à feição dos íncubos e súcubos transplantados do imaginário do Velho Mundo; ou por hominídeos bestiais em descabeladas aventuras, como no romance “A Amazônia Misteriosa”, do carioca Gastão Cruls (1925); ou por uma escritura grandiloquente, como nos contos de “Inferno Verde”, do pernambucano Alberto Rangel (1908), nos quais a dimensão humana diante da natureza é bastante reduzida, tanto no nível narrativo quanto no nível linguístico, como o prova a excessiva adjetivação do meio físico; ou pela erudição engenhosa do paulistano Mário de Andrade, um “turista aprendiz” como os acima citados, que descola a complexa figura mitológica de Macunaíma de sua origem amazônica e transforma-o, pela via do humor debochado, no degenerado “herói sem nenhum caráter”, que nasce negro, preguiçoso e sensual numa aldeia indígena (!!!) e, após banhar-se em águas encantadas de São Paulo, torna-se branco, louro e de olhos azuis, sendo recebido pela “crítica” como símbolo de um povo em formação.

“Tom vermelho do verde” percorre caminho inverso. Percebe-se, em todo o livro, um esforço, diga-se desde já bem-sucedido, de romper com a visão exótica, deformada e fantasmagórica da “realidade amazônica”, desnudando as intenções e projetos que se ocultam por trás de relações sociais condicionadas por um racismo estrutural e uma ganância sem limites.

Já no título, remete-nos ao sangue da nação Waimiri-Atroari derramado sobre o verdejante solo amazônico, como decorrência do avanço de atividades econômicas ilegais, muitas vezes disfarçadas de missão evangelizadora e humanitária, no rastro da estrada BR-174 (Manaus-Caracaraí), que rasgou o território daquela etnia no início dos Anos 70 do século passado, sob o comando do regime militar que infelicitava o país desde 1964.

Frei Betto e Papa Francisco
Sobre o autor: 
Frei Betto é doutor Honoris Causa em Filosofia pela Universidade de Havana e em Educação pela Universidade José Martí, de Monterrey. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. É frade dominicano, escritor e cronista. Conquistou importantes prêmios literários brasileiros, como o Jabuti, em 1982, pelo livro Batismo de sangue (Rocco). Nesta mesma data, foi eleito Intelectual do Ano pela União Brasileira de Escritores, que lhe concedeu, em 1985, o prêmio Juca Pato pelo livro Fidel e a religião.

Dele, a Rocco publicou também: Paraíso perdido; Calendário do poder; A mosca azul; Hotel Brasil; Aldeia do silêncio; Minas do Ouro; A arte de semear estrelas; Um homem chamado Jesus; Começo, meio e fim; Ofício de escrever; Minha avó e seus mistérios; Diário de quarentena; Diário de Fernando; Por uma educação crítica e participativa.

Atuou como assessor especial da Presidência da República e coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero entre 2003 e 2004. É assessor de movimentos sociais e educador popular.

terça-feira, 8 de julho de 2025

CINEMA: Ainda Estou Aqui

Ainda Estou Aqui

| Trailer Oficial | 
| 7 de novembro nos cinemas |

Primeiro filme brasileiro a ganhar o Oscar !!



“Ainda Estou Aqui”

A angustiante história real por trás do filme que conquistou o coração do mundo.
O filme indicado ao Oscar e estrelado por Fernanda Torres narra os verdadeiros fatos históricos envolvendo um ex-legislador brasileiro sequestrado durante a Ditadura Militar mais longa da América Latina.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

HiStÓrIaS AnTi-RaCiSmO

O Poeta Solano Trindade

Nesse vídeo Cíntia Santos nos conta a história de Solano Trindade e por que o poeta foi  preso e teve seu filho assassinado ...

Canal Negritude em Letras - https://www.youtube.com/watch?v=0BiuEs2L6kQ