Reflexões sobre História, Arte e Cultura.
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terça-feira, 17 de junho de 2025

Black, Funk e Soul

Toni Tornado
(Resistência Negra na Ditadura Militar)

Toni Tornado um dos maiores ícones da música e da televisão brasileira, o ator, cantor e compositor, nascido Antônio Viana Gomes – em Mirante de Paranapanema, região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo – no dia 26 de maio de 1930, Tony Tornado tornou-se um dos principais nomes da black music e do funk no Brasil, consagrando-se tanto na área musical, como na atuação, além der ser um dos precursores do movimento negro no país.Tony é uma força da natureza. Não à toa, seu nome artístico é “Tornado”. Ele transformou para sempre cada local por onde passou. E não foram poucos.

Seu pai nasceu, na capital da Guiana – Georgetown – e veio para o Brasil ainda criança, mais especificamente para Macapá, onde – mesmo tendo nascido na primeira década do século 20 – foi escravizado em fazendas do interior e trabalhou como reprodutor, tendo mais de 100 filhos. No interior de São Paulo, conheceu a mãe de Tony. Com esse passado familiar tão recente, o garoto não poderia mesmo passar a existência sem muitas lutas. Desde muito cedo, Tony entendeu que a arte era seu destino e que a cidade onde nasceu – e onde trabalhou como baleiro no cinema – era pequena demais.
Ainda contribuiu com 13 anos de exército antes de voltar da guerra pelo Canal de Suez, em 1957.

Tony inicia sua carreira artística.



Participou do programa “Hoje é Dia de Rock”, na Rádio Mayrink Veiga, ainda utilizando o nome artístico de Tony Checker, uma homenagem a Chubby Checker, cantor, compositor e dançarino norte-americano, conhecido por popularizar o twist com sua gravação, feita na década de 1960, do sucesso de R&B composto por Hank Ballard, “The Twist”. Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos.

Nessa época, a luta pelos direitos civis estava ganhando corpo e chegando ao seu auge nos Estados Unidos. O Brasil também começava a ter grupos muito engajados na luta antirracista e Tony Tornado seguiu, em 1963, com o “Conjunto Folclórico Coisas do Brasil” para a Europa e depois para os Estados Unidos. No coração do bairro do Harlem, Tony conheceu Stokely Carmichael – ativista negro do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 – casado com a cantora Miriam Makeba – cantora, compositora, atriz, embaixadora da boa vontade da ONU e ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid sul-africana.

Nos Estados Unidos, Tony também entrou em contato com os movimentos “Black is beautiful”, “Black Power’, “Black Panther” e foi impactado pelaMarcha sobre Washington (1963), pelo Verão da Liberdade e do Nobel da Paz para Martin Luther King (1964), e pela Marcha de Selma no Alabama e o assassinato de Malcolm X (1965).

Chegou no Brasil na fase mais dura da ditadura militar e passou a cantar em inferninhos da Praça Mauá, até que foi à boate New Holiday, para integrar o conjunto do músico Ed Lincoln, já introduzindo no Brasil toda a influência de James Brown, do funk e do soul. Nesta época ele conheceu Janis Joplin, apresentada pelo cantor Serguei, e dois nomes que o fariam entrar para a história da MPB: Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, os compositores da canção “BR-3”, que – em 1970 – Tony Tornado (já com esse nome artístico) interpretou no 5º Festival Internacional da Canção, ao lado do Trio Ternura, formado pelos irmãos – também negros – Jussara, Jurema e Robson da Silva. Dançando e cantando versos como “a gente morre na BR-3”, foi impactante a vitória em primeiro lugar de Tony, um desconhecido do grande público até então, desbancando nomes como Caetano Veloso, Jair Rodrigues, Ivan Lins, Tom Jobim, Beth Carvalho e Gilberto Gil.

Mas, em tempos duros de repressão e ditadura militar, não demorou muito para que Tony Tornado fosse visto como “um suspeito em potencial”. A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-RJ) resgatou o seguinte trecho publicado, na época, pelo jornal O Globo: “Um revolucionário americano estaria no Brasil recrutando militantes para implementar no país um regime de segregação racial”.

Em 1971, Elis Regina fez um show no Maracanãzinho e levantou as arquibancadas interpretando “Black is Beautiful”, canção de Marcos e Paulo Sérgio Valle. Ao terminar a canção, a cantora pediu para alguém negro subir ao palco e Tony gritou na hora um “sou eu!”. Ele subiu e ergueu o punho cerrado como os Panteras Negras, grupo revolucionário da década de 1960, que lutava contra o racismo nos Estados Unidos. Já desceu do palco algemado, com 40 mil pessoas vaiando a polícia no estádio: “É uma história complicada. Foi um choque muito grande. As pessoas não estavam acostumadas. Eu cantava e falava coisas de negros, depois casei com uma loira. Foi um negócio muito sério. Deixavam recados ofensivos no meu carro.”, relembra o artista.

O furacão Tony Tornado

Em 2015, aos 85 anos, Tony subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio para cantar ao lado de Rappin Hood e de Nasi (do Ira!) e encarnar outra vez o “rei do soul”. Foi ovacionado ao entrar de óculos escuros e paletó amarelo e cantar “BR-3”, o grande hit da carreira de sua carreira de cantor.


Black, Funk e Soul

Baile Black Rio
"A revolução urbana"


"O movimento Black Rio nos Anos 70: bailes lotaram a cidade e foram alvo da ditadura"

História do movimento começa com a descoberta pela mídia e marca ainda a chegada de novos sons. Nesse movimento se vê o alcance dos bailes ao longo da década, atravessando mais de 30 bairros cariocas, de Botafogo, na zona sul), a Bangu, na zona oeste, passando por lugares como Tijuca, Méier e Penha, todos na zona norte.

A percepção geográfica do fenômeno, a partir de mapas como esse, é uma das contribuições do estudo para o entendimento do sucesso -um movimento que mobilizou milhares de jovens e deixou marcas na cultura brasileira para além das fronteiras cariocas.

"Quis chamar a atenção para como o movimento foi enorme e se espalhou pela cidade toda, praticamente. Por isso, a ideia de "Pequena África", como ficou conhecida a região central do Rio que serviu de berço para o samba urbano na virada do século 19 para o 20, mas que sempre foi a "Grande África Soul".

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Black, Funk e Soul

Cassiano: o gênio da música soul que a indústria silenciou.

"Cantor, compositor e multi instrumentista que ficou escondido pela indústria fonográfica num país que insiste em silenciar seus maiores talentos, principalmente os fora da "estética". Sua arte permanece viva em vários dos seus clássicos, vivem em cada corpo que dança, em cada amor que resiste e em cada nota que desafia o silêncio da exclusão".

Canal: Negritude em Letras.