Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

The Power of 3: Orianthi, Cindy Blackman e Rhonda Smith


The Power of 3
' power trio inspirado na Band of Gypsys '

O novo supergrupo da guitarrista Orianthi, The Power of 3, anuncia seu álbum de estreia com o produtor de Jimi Hendrix, Eddie Kramer. O trio conta com as excepcionais Cindy Blackman Santana na bateria e a baixista Rhonda Smith.
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O power trio 'The Power of 3', liderado por Orianthi, com a aclamada baterista Cindy Blackman Santana e a baixista Rhonda Smith, anunciou seu álbum de estreia homônimo e o lançamento do primeiro single duplo, " War in the Streets" e "Treat Me Like a Lady". O álbum foi produzido por Eddie Kramer, colaborador lendário de Jimi Hendrix e David Bowie, e conta com a participação especial de Carlos Santana.

Gravado inteiramente em formato analógico, o disco promete capturar “a química pura de três musicistas de classe mundial cujas carreiras coletivas incluem colaborações com Michael Jackson, Prince, Jeff Beck, Alice Cooper, Beyoncé, Lenny Kravitz, Santana e Pharoah Sanders”.

A história de origem do Power of 3 remonta a uma sugestão de Mark Davis, proprietário do Las Vegas Raiders, que incentivou Orianthi a montar um power trio inspirado na banda Band of Gypsys: Jimi Hendrix, Buddy Miles e Billy Cox.

Orianthi entrou em contato com Blackman Santana, conhecida por seu trabalho com Lenny Kravitz e Carlos Santana. As duas então recrutaram Smith, que era o baixista de Prince, Jeff Beck e Beyoncé.

Ao falar sobre o novo grupo, Orianthi diz: “Sei que pessoas do mundo todo querem nos ver, e mal podemos esperar. Vai ser muito divertido sair em turnê. Tocar junto com Cindy e Rhonda é como ter uma força poderosa. Não sou só eu... é uma banda de verdade.”

Em uma entrevista recente à Guitar World, a guitarrista também falou sobre trabalhar com um produtor que tem em seu currículo diversas lendas, incluindo Jimi Hendrix: “Ele definitivamente conseguiu trazer à tona algo que outros produtores não conseguiram apenas com sua energia”, disse ela.

“O Eddie se concentra em posicionar o microfone corretamente e faz a sua mágica... É um método bem tradicional e interessante. Adoro observar o Eddie no estúdio quando ele está fazendo panorâmicas e outras coisas malucas. Fizemos uma jam de 25 minutos, que estará no disco, e ele teve que mixar tudo. Ele estava suando depois!”

Ela continuou: “Como sou uma grande fã do Hendrix, o respeito muito. Ele sugere coisas como: 'Por que você não experimenta este amplificador, esta configuração, este pedal ou esta guitarra?' Eu experimento tudo o que ele sugere, sabe? Meu coração está aberto. Estar no estúdio com Eddie Kramer e Kevin é uma honra.”

O trio já fez sua estreia ao vivo, tendo se apresentado duas vezes no Allegiant Stadium de Las Vegas, e Orianthi confirma que agora estão se preparando para levar o projeto ao público mundial.


Rhonda também falou sobre o projeto: “Sabe, tudo de bom começa com bons amigos e boa música, e este projeto tem tudo isso. Já lançamos dois singles e nosso álbum homônimo. Estamos nos divertindo muito".

“Para mim, tocar em trio sempre foi uma experiência poderosa, porque você precisa prestar atenção no que está tocando e ter consciência do que está fazendo, mas também é bom ter esse espaço. Você tem mais espaço, mas também mais responsabilidade".

"Gravamos tudo ao vivo – nós três juntas – e fizemos o mínimo de overdubs possível. Basicamente, foi assim que fizemos o disco. A Orianthi também cantava os vocais principais ao mesmo tempo, então tudo acontecia com foco total. Íamos resolvendo as coisas até estarmos prontos para gravar as bases".

"Foi mais ou menos isso que fizemos, com a ajuda de Eddie Kramer, que produziu o disco. Ele trouxe muitos sons vintage, equipamentos vintage, equalizadores vintage e todas essas coisas maravilhosas que existem hoje em dia".

"Acho que muitos de nós nos acostumamos com o som digital, principalmente com o streaming. Mas quem curte a velha guarda sabe a diferença. Tem algo especial no som. É mais encorpado, mais profundo e mais
agressivo. Está se tornando uma raridade hoje em dia". 

Som impactante, inspirador para novos músicos. Esse trabalho traz bons exemplos para as mulheres mais jovens, sempre existiram mulheres na música, mas não há ainda muitos grupos como este. Com a experiência que elas possuem em trio, e a energia que demonstram no palco, bora tocar rock 'n' roll!

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Tom Zé


TOM ZÉ
' o cientista da música brasileira '

Pequenos detalhes sempre mexeram com a cabeça de Antonio José Santana Martins, nascido em 11 de outubro de 1936, em Irará, interior da Bahia, a 120 quilômetros de Salvador: Como ensinar a irmã mais nova a andar de bicicleta descrevendo cada movimento conjunto do mecanismo? Como é que sinais viram letras e essas letras geram significados? A curiosidade sempre fez parte da vida de Tom Zé: tudo remoía seu pensamento, o mundo propunha problemas e alumbramentos.
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História em Cronologia Artística

Aprendeu a gostar de música ainda pequeno, ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, samba-de-roda e os grandes cantores do rádio. Numa gaitinha, descobriu a maravilha de converter sopro em som e conseguiu tirar algumas poucas notas de Asa branca. Aos 17 anos, descobriu o violão e sua vida mudou. Ainda na adolescência, descobriu Os sertões, de Euclides da Cunha, que lhe mostrou com uma amplitude nova o que eram ele e a gente do Nordeste do Brasil, assumindo uma importância definitiva no seu pensamento.

Logo depois a música se tornou mais central em sua vida e ele compôs uma canção para o filme Jana e Joel, enquanto ainda morava em Irará. Em 1961 Tom foi trabalhar numa loja de presentes aberta pela família, mas por influência de sua tia Gilka, esposa do tio e deputado Fernando Santana, mudou-se para Salvador para se iniciar profissionalmente como músico. Logo depois tornou-se diretor de música do CPC (Centro Popular de Cultura), onde ficou até 1964. 

Aos 26 anos, em 1962, passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia. Teve o privilégio de ser aluno da nata da vanguarda musical européia, como H. J. Koellreutter e Ernst Widmer. Na universidade, foi um dos membros fundadores do Grupo de Compositores da Bahia (música erudita). Ainda em 1962, o jornalista Orlando Senna apresentou-o a Caetano Veloso.

Em 1964 participou do show Nós, por exemplo e Nova bossa-velha & velha bossa-nova, com Caetano, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, entre outros, que foram a semente do grupo tropicalista. Com o sucesso das apresentações, os artistas foram convidados para criar outro show no Teatro de Arena de São Paulo, intitulado Arena canta Bahia.

O ano era 1965. Tom Zé veio com Caetano para São Paulo, chegando em 11 de agosto. Apesar do êxito dos músicos baianos no eixo Rio-São Paulo, Tom Zé quis terminar seus cursos na UFBA; afinal, ganhara uma bolsa de estudos na universidade, ao pretender deixá-la por falta de recursos. Voltou para Salvador e continuou a estudar, trabalhando também como jornalista no Jornal da Bahia. Só em 1968 viria definitivamente para São Paulo.

Em 1967, depois de se formar, foi professor de Contraponto e Harmonia na própria Escola de Música e violoncelista da Orquestra Sinfônica e da Orquestra de Estudantes da universidade. Em 1968, em São Paulo, Tom Zé foi levado por Caetano a Guilherme Araújo, empresário do chamado “grupo baiano”. Guilherme sugeriu que ele, ainda conhecido pelo apelido de infância Toinzé, adotasse o nome artístico de Tom Zé. Nesse ano, o artista venceu o 4o. Festival de Música Popular Brasileira com a canção São São Paulo meu amor, ganhando ainda o prêmio de melhor letra com 2 001, parceria com Rita Lee que recebeu a interpretação dos Mutantes. 

Ainda em 68 os músicos baianos lançaram Tropicália – Panis et circensis, disco provocador, que pôs em questão a MPB. Tom participou com a faixa Parque industrial, uma crítica aos meios de comunicação de massa. Para fechar o grande ano, Tom Zé lançou seu primeiro disco epônimo, subtitulado Grande liqüidação, composto entre abril e junho. Entre os destaques, Profissão de ladrão, Catecismo, creme dental e eu, Parque industrial, Não buzine, que eu estou paquerando. Os títulos revelam o conteúdo de reflexão sobre a vida urbana, sobre a acelerada transformação de costumes na vida brasileira. 

Em 69, com Gal, Tom Zé apresentou o show O som livre de Tom Zé e Gal Costa, em São Paulo e no Rio de Janeiro.O Tropicalismo permitiu que Tom Zé levasse para o movimento sua forma de compor, sua ruptura de padrões, que juntavam o folclore riquíssimo do sertão baiano, um certo primitivismo atemporal e uma elaboração extremamente avançada, à frente de seu tempo. “Procuro fazer a antimúsica, porque se é pra fazer o que já está feito…”, dizia ele então e e diz até hoje. Isso tornou sua produção difícil de classificar, os rótulos não se colam a ela de maneira precisa, propõe problemas críticos e de conceituação.

Seu quarto disco, Todos os olhos, de 1973, comprova essa dificuldade de classificação e mostra o que Tom Zé buscava. Sem ter como enquadrar sua música, as emissoras de rádio se afastaram e levaram Tom Zé ao esquecimento por parte do grande público. Pelos próximos 17 anos sobreviveu fazendo shows em universidades pelo Brasil. Em 1975, trabalhou como ator e cantor na peça Rocky horror show, dirigida por Rubens Correia, no Teatro da Praia (Rio de Janeiro). Lançou ainda, no final da década de 70, os discos Estudando o samba(76) e Correio da Estação do Brás (78). Trabalhou alguns meses na agência publicitária DPZ.

Em 1978, em pleno ostracismo, deu um grande passo artístico, colocando sobre o palco do Teatro da Fundação Getúlio Vargas, num show memorável, os instrumentos que construiu, como o hertzé, o enceroscópio e o buzinório. O primeiro, o hertzé, antecipou o que seria, em concepção geral, o sampler.

Vende casa para desenvolver instrumentos experimentais, numa evolução musical que se estendeu por anos. Em 1984, lança Nave Maria (RGE), ponto de partida para novos caminhos musicais posteriores.

Quando Tom Zé se preparava para deixar a carreira musical, por dificuldade de sobrevivência, o músico David Byrne, de passagem pelo Rio de Janeiro, descobriu o disco Estudando o samba e, ao fundar o selo Luaka Bop em Nova York, teve Tom Zé como seu primeiro contratado. O cd The best of Tom Zé foi listado, em seu lançamento, entre os melhores discos do ano de 1990, pelo jornal The New York Times. 

Em 99 a revista Rolling stone o colocou entre os melhores discos da década. A renomada companhia de dança brasileira, o Grupo Corpo, tem dois brilhantes trabalhos de Tom Zé entre suas trilhas sonoras especialmente compostas: Parabelo (parceria com José Miguel Wisnik, 1997) e Santagustin (parceria com Gilberto Assis, 2001). Com defeito de fabricação, cd de 1998, projetou o compositor também como performer numa turnê americana. As turnês européias confirmavam autor e repertório como alvo de interesse do público e da grande crítica internacional. O cd recebeu remixes de artistas como Sean Lennon, Tortoise e Stereo Lab.

Em 2000 veio Jogos de armar, da Trama, primeiro lançamento por uma gravadora brasileira depois de mais de 20 anos. Nele estão registrados, finalmente, seus instrumentos experimentais e ousadias formais que o colocam mais uma vez como desafio à criatividade musical de seu tempo. Enceradeiras e cantos de lavadeiras nordestinas, expressões verbais contundentes e sonoridades remetendo a Cage e música medieval, recursos costurados numa força brasileira explosiva. Próximos cds: Imprensa Cantada, expressando o artista chama de jornalismo cantado, quando os acontecimentos do presente são o motor das composições. 

No próximo disco, uma opereta popular, Estudando o Pagode* – Segregamulher e Amor, as relações entre homem e mulher tomam a frente, sob a forma de duetos/duelos rítmicos e provocativos. O disco Danç-Êh-Sá – Dança dos Herdeiros do Sacrifício tem como tema rebeliões e levantes das populações negras e indígenas do Brasil, não muito destacados pela história oficial. Tom Zé “fala” desses acontecimentos num disco eminentemente musical, fortemente rítmico, cujas vocalizações são formadas unicamente por onomatopéias e sonoridades verbais, sem recorrer a versos explícitos. “Somos um país negro, somos herdeiros do trabalho e da cultura dessa raça que nos formou”, diz Tom Zé, falando sobre o Brasil. O cd foi escolhido, numa votação popular, como o melhor de MPB em 2007. 

Em 2008, lançado Estudando a Bossa, participações de Fernanda Takai, Arnaldo Antunes e outros artistas, pensamento musical de um tropicalista admirador da bossa nova. Em 2009, Pirulito da Ciência, cd e dvd ao vivo cuidadosamente elaborados por Charles Gavin (produtor, ex-Titãs), reunindo canções expressivas da carreira de Tom Zé.

Em 2010, a Luaka Bop (New York) lança a caixa Studies of Tom Zé – Explaining things so I can confuse you”, lps e cds agrupados pela aprovação da crítica internacional. Em 2012, Tropicália Lixo Lógico, apoio do projeto Natura Musical, define musicalmente o Tropicalismo. Participação de Emicida, Mallu Magalhães; Tribunal do Feicebuqui lançado em 2013, formato discográfico pouco usual, importantes participações.

Em 2014, Vira lata na Via Láctea, primeira parceria em canção de Tom Zé e Caetano Veloso. O artista compara o disco a templos românicos, em que pluralidade de ângulos se casa, musicalmente, à pluralidade de enfoques musicais das canções. 2015: nos E.U.A., site Pitchfork designa Nave Maria como marco musical dos anos 80. Em 2016, lançado Canções eróticas de ninar, que ganha o Prêmio de Música Popular Brasleira. No mesmo ano, Tom Zé lança, com parceria do desenhista Elifas Andreato (que prefere essa qualificação, recusando a de designer), o disco para crianças Sem você não A. Estimulante para a participação e a acuidade infantil, como se comprova no show do disco apresentado no Sesc Pinheiros. 


Ainda em 2016: Prêmio de melhor show da década em Portugal. Festivais WOMAD (Chile) e MIMO (Portugal). Olimpíada encerrada com Xique-Xique, pelo Grupo Corpo. Lança o disco Canções eróticas de ninar. 2017: Prêmio Faz a diferença, Música – O Globo. Exposição Tom Zé 80 anos (completados em 2016), em Salvador e Petrópolis. Prêmio música brasileira: melhor disco (Canções eróticas de ninar) e melhor canção (Descaração familiar). Lança disco infantil Sem você não A, parceria com Elifas Andreato. 

Em 2018 Tom Zé vai aos E.U.A. para conferências sobre seu trabalho, nas New York e Brown University. Exposição Tom Zé 80 anos – São Paulo. Conferências nos E.U.A., na New York University e na Brown University, sobre seu trabalho musical. Em 2019 destacam-se o Moers Festival de Vanguarda (Alemanha). Itália, lançamento da biografia Tom Zé – l’ultimo tropicalista, de Pietro Scaramuzzo. Japão, apresentações em Tóquio e no Frue Festival, em Shizuoka. Ovacionado com entusiasmo pela habitualmente comedida plateia japonesa, que o saudou calorosamente, não poupando troca de abraços não habitual no país. 

Marcante vivência artística e humana. Ressalte-se, por oportuno, ser Tom Zé o compositor que, segundo o pesquisador Assis Ângelo, mais canções compôs para São Paulo, cidade onde vive há décadas. No livro “Bertolt Brecht – Poesia” – compilação e tradução de André Vallias, a página 63 menciona Tom Zé como “o mais brechtiano dos tropicalistas”, exemplificando com sua canção “Tô”.


Tom Zé: Jesus, Floresta Amazônica

Tom Zé
' Jesus, Floresta Amazônica '

A ideia da canção em que Jesus Cristo, em uma segunda encarnação, renasce como Floresta Amazônica, passa também, de raspão, por um incidente curioso. Felipe Hirsch foi comigo à direção do Sesc, quando Danilo a exercia. Em alguns segundos, brevíssimo tempo, comentei com Danilo que queria fazer uma canção na qual Cristo escolhe renascer como floresta. Numa segunda encarnação. 

Casualmente, naquele momento Danilo estava sozinho na mesa, mas a maneira como ele olhou para os lados, foi como se me dissesse: “Você tem que guardar essa ideia em profundo segredo, até lançar a música”. Só agora, passados 3 anos, depois dos problemas da pandemia, eu consegui juntar forças para compor a canção com esse assunto. Está aqui, lançamos agora. Portanto esta canção, Jesus, Floresta Amazônica, pode ser considerada também uma homenagem ao saudoso Danilo, o mentor, através do Sesc, de uma metamorfose ampla na nossa cultura, como afirma Washington Olivetto. - Assinado: Tom Zé.

 Ficha Técnica

Mixagem: Tom Zé e Daniel Maia 
Masterização: Daniel Maia 
Tom Zé: voz 
Daniel Maia: violões e guitarras 
Cristina Carneiro: teclados 
Felipe Alves: baixo 
Fabio Alves: bateria e percussão 
Andreia Dias, Luanda Lemos, Jarbas Mariz e Daniel Maia: vocais


Letra

Salvar a humanidade Com riso ou com sacrifício Bate com majestade No peito de Jesus Cristo. Raio de forte clarão Subiu pela Sua testa Na segunda encarnação Voltará como floresta. Ele trouxe a biomimética A floresta que tem ética Que de ouro enche a maleta Sem destruir o planeta E ainda será uma modesta poupança Com umas moedas na gaveta Se livra da morte na sarjeta. 

Ôi, ôi Jesus 
Ôi, ôi amém 
Ôi, ôi, ah ah amém. 

Ôi, ôi Jesus 
Ôi, ôi amém 
Ôi, ôi, ah ah amém. 

Foi por demais precioso O cabedal que Ele trouxe Quando Jesus piedoso Na Amazônia encarnou-se. Da Amazônia coitada Não ficaria nem pista Tão longe de Deus Tão perto da onda vigarista Mas o Papa Francisco Gritou o nome de Cristo: Temos tempo pra salvar Então vamos todos lutar. 

Quando Jesus milagriza Entorta o espaço-tempo De madrugada já pisca Rascunho do testamento. O estilo de vida ocidental É como o diabo gosta O rico só quer o lucro A riqueza sobre tudo Se você quer respirar O ar sem o CO2 Lute com uis! e ois! Nunca deixe pra depois. 

Quando Ele se manifesta O amor já me sequestra Na alegria da floresta A oração vira festa. Agora a mineração Que faz de tudo um deserto Destrói a casa do índio Saúde vira um inferno Com mercúrio mata o peixe Comida que Deus nos deu Se a gente não lutar Nem Cristo pode salvar.

A Natureza nos (re)Conectando: Indígenas Isolados da Civilização.

Vestígios 
| A vida dos indígenas isolados no coração da Amazônia |
| Documentário |

No coração do sul do Amazonas, um grupo de cerca de cem pessoas nunca teve contato com o mundo moderno. São os isolados do Mamoriá Grande — caçadores-coletores do tronco Arawá cuja existência foi comprovada apenas em 2021. 

Em novembro de 2024, o jornalista Leão Serva e o fotógrafo Rogério Assis acompanharam uma expedição sigilosa da Funai à Terra Indígena Mamoriá Grande. O objetivo era ler os sinais que eles deixam para trás: redes, fogareiros, cerâmicas, galhos quebrados. Um relatório escrito na floresta.

O documentário Vestígios — A História dos Isolados do Mamoriá Grande narra essa jornada de mais de duas semanas pelo rio Purus, revelando as ameaças que cercam esses povos — garimpo, grilagem, missões religiosas — e o delicado trabalho dos indigenistas que protegem seu direito de permanecer invisíveis.



segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Jimmy Burns


Jimmy Burns 
' sotaque do Mississippi com o pulso de Chicago ' 

Burns é um guitarrista, cantor e compositor estadunidense de R&B e blues elétrico. Embora tenha nascido no Delta do Mississippi, Burns passou quase toda a sua vida em Chicago. Ele é irmão mais novo de Eddie "Guitar" Burns, outro músico de blues de Detroit.
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Biografia

James Olin Burns nasceu em 27 de fevereiro de 1943, em Dublin, Mississippi, e cresceu na plantação de algodão Hilliard, onde aprendeu a tocar violão de uma e doze cordas. Ele era o caçula de onze irmãos. Cantava no coral da igreja quando ainda morava no Delta e foi influenciado pelo blues que ouvia nas ruas. Seu músico de blues favorito era Lightnin' Hopkins. O pai de Burns era meeiro e se apresentava como cantor em shows itinerantes. 

Ainda criança, Jimmy começou a aprender guitarra. A mudança da família para Chicago, em meados dos anos 1950, colocou o jovem músico diante de um universo sonoro diferente. Na cidade, entrou em contato com grupos vocais e participou dos Medallionaires, que gravou algumas faixas de doo-wop, enquanto o soul e o R&B ganhavam cada vez mais espaço entre os jovens artistas negros de Chicago.

Essa passagem pelo soul é fundamental para compreender o estilo de Burns. Embora seja frequentemente identificado como um bluesman de Chicago, sua música nunca ficou limitada a uma única escola. O Delta que conheceu no Mississippi encontrou em Chicago o peso da guitarra elétrica, enquanto o soul e o R&B acrescentaram ao seu canto uma dimensão mais melódica e sofisticada.

Gravando principalmente solo na década de 1960, Burns lançou singles pelos selos USA, Minit, Tip Top e Erica. Ele fez turnês pelo Meio-Oeste com seu grupo de apoio, o Fantastic Epics, e com outro grupo chamado Jimmy Burns and the Gas Company até o início da década de 1970. O single de Burns de 1972, "I Really Love You", foi nomeado entre os 500 melhores singles de Northern Soul em 2000, e é procurado por colecionadores. Burns fez uma longa pausa na indústria musical após o início dos anos 1970 para criar sua família e administrar uma churrascaria.

Ele se apresentou esporadicamente até o início da década de 1990, quando iniciou uma longa residência no Smokedaddy Club de Chicago. Foi lá que o chefe da Delmark Records, Bob Koester, ouviu Burns se apresentar pela primeira vez e concordou em gravá-lo depois de ouvir apenas uma apresentação.

Leaving Here Walking: o reencontro com o mundo.

O retorno ganhou uma dimensão definitiva em 1996, quando a Delmark Records lançou Leaving Here Walking. Aos 53 anos, Burns finalmente apresentava um álbum completo que reunia sua identidade como cantor, guitarrista e compositor.

O disco é importante não apenas por marcar sua estreia em longa duração, mas porque sintetiza a amplitude de seu universo musical. A faixa-título convive com canções como “Twelve Year Old Boy”, “Miss Annie Lou”, “Whiskey Headed Woman”, “One Room Country Shack”, “Rollin’ and Tumblin’” e “Catfish Blues”.

O resultado é um blues que não tenta escolher entre Mississippi e Chicago. Burns faz justamente o contrário: aproxima as duas tradições. Seu canto tem a força narrativa do Delta, enquanto sua guitarra e seus arranjos revelam a experiência adquirida durante décadas de convivência com o soul e o R&B.

Leaving Here Walking tornou-se, assim, a porta de entrada para uma nova fase de sua carreira. O álbum foi seguido por trabalhos como Night Time Again, Back to the Delta, Live at B.L.U.E.S., Stuck in the Middle e, mais tarde, The Chicago Sessions.

Jimmy Burns tocou guitarra no álbum Snake Eyes de seu irmão Eddie, lançado em 2002. A esposa de Burns, Dorothy, morreu em 12 de fevereiro de 2010. Eles tiveram seis filhos.

A relação de Jimmy Burns com o Brasil é de muita proximidade. O bluesman já esteve se apresentado no país participando do Dipanas Blues em 2015 e retornou ao festival para sua 14ª edição, realizada em 15 de agosto de 2026, em Pará de Minas (MG), novamente acompanhado pela Bruno Marques Band. A conexão com Bruno Marques é parte importante dessa história. Guitarrista, produtor cultural e responsável pelo projeto Rota do Blues, Marques vem trabalhando há anos na aproximação entre músicos norte-americanos e a cena brasileira.

A força de Jimmy Burns está justamente nessa capacidade de transitar entre diferentes territórios do blues. Sua música carrega o sotaque do Mississippi, mas também o pulso urbano de Chicago. O soul aparece no fraseado vocal; o R&B surge na construção das canções; e a guitarra mantém viva a tradição dos bluesmen que vieram antes dele.

Álbuns de estúdio:

- Leaving Here Walking (1996) – Delmark / P-Vine
- Night Time Again (1999) – Delmark
- Back to the Delta (2003) – Delmark
- Stuck In The Middle (2011) – Velrone
- It Ain't Right (2015) – Delmark
- Full Circle (2025) – Delmark

Álbum ao vivo:

- Live at B.L.U.E.S. (2007) – Delmark

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