Reflexões sobre História, Arte e Cultura.

sábado, 20 de setembro de 2025

BiOgRaFiA: Big Mama Thornton

Big Mama Thornton

Willie Mae Thornton (nascida em 11 de dezembro de 1926, Ariton, Alabama, EUA — falecida em 25 de julho de 1984, Los Angeles, Califórnia) foi uma influente cantora e compositora americana cujos vocais corajosos e estilo instrumental tiveram tremenda influência no Blues, R&B e Rock and Roll. 

Ignorada pelo público branco durante maior parte de sua vida, por conta de preconceitos e o  racismo, o trabalho de Big Mama Thornton inspirou diversos  artistas à cantar o Blues. Elvis Presley gravou uma versão arrasadora de "Hound Dog" e Janis Joplin explodiu comercialmente cantando "Ball and Chain". Essas gravações foram fundamentais para apresentar o Blues ao mundo e corroer a segregação racial.

Início da vida e música

Filha de um pastor, Thornton foi apresentada à música sacra ainda jovem. Inspirou-se em cantores clássicos do blues, como Bessie Smith e Memphis Minnie. Cantora e dançarina talentosa, gaitista autodidata, excursionou pelo sul dos Estados Unidos e pelo Circuito Chitli'n como integrante da Hot Harlem Revue de Sammy Green durante a década de 1940. Estabelecendo-se em Houston em 1948, foi influenciada por grandes nomes do blues como Lightnin' Hopkins, Lowell Fulson, Junior Parker e Clarence (“Gatemouth”) Brown.

A década de 1950 e “Hound Dog”

No início da década de 1950, Thornton começou a se apresentar com o líder da banda Johnny Otis, com quem gravou muitas canções para a Peacock Records. Entre elas, a composição de Jerrry Leiber e Mike Stoller " Hound Dog", um sucesso de R&B, número um nas paradas das rádios negras para Thornton em 1953 e um sucesso pop ainda maior em 1956 para Presley, cuja versão rock and roll deveu muito à versão original de Thornton. Alegadamente, Thornton recebeu apenas um cachê pela gravação, enquanto a versão de Presley lhe rendeu imensa fama e recompensas financeiras muito maiores.

A década de 1960 e “Ball and Chain”

À medida que o interesse pelo blues declinava, Thornton parou de gravar, mas continuou a se apresentar na área da Baía de São Francisco, onde chamou a atenção de Joplin, cuja versão do final dos anos 1960 da música escrita por Thornton “"Ball and Chain" reacendeu o interesse pela cantora de blues chamada "Big Mama" devido à sua envergadura, voz imponente e presença de palco. Embora se ressentisse do sucesso de outros artistas com suas canções, Thornton tinha muito mais respeito por Joplin, talvez porque Joplin fosse mulher e  mais explícita em reconhecer a admiração artística por Thornton.

Legado

As contribuições de Thornton para o desenvolvimento do rock and roll e da  música americana em geral encontraram seu caminho em outras formas de arte e cultura. Em 1981, Alice Walker publicou o conto "1955", que oferece uma narrativa ficcional de um jovem personagem, semelhante a Presley, que conhece um cantor de blues negro, claramente inspirado em Thornton. A cinebiografia de baz Luhrmann Elvis (2022) inclui uma cena memorável em que Thornton (interpretada por Shonka Dukureh) canta sua canção característica em um café na lendária Beale Street, em Memphis. 

Em 2024, Thornton foi introduzida no Hall da Fama do Rock and Roll , uma honra que muitos fãs de música consideravam já merecida há muito tempo.

Big Mama Thornton & Buddy Guy • Hound Dog • 1970 • RITY Archive


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

HiStÓrIaS Do BrAsIl: Paulo Freire

Paulo Freire
| Documentário: Paulo Freire 100 Anos |

Paulo Freire foi professor das universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na Inglaterra, e teve mais de 40 títulos de doutor honoris causa em universidades como Oxford, na Inglaterra, e Coimbra, em Portugal. "Paulo Freire, 100 Anos" traz os principais estudiosos da obra do educador para explicar a sua importância e, ao mesmo tempo, os motivos dele estar sendo vítima de tantos ataques extremistas.

"Não me imitem, me refaçam"
(Paulo Freire)

Na semana em que se comemorou os cem anos de nascimento do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, a TV Cultura exibe um documentário inédito sobre o educador, produzido pelo departamento de jornalismo da emissora. 
Apresentada pelo jornalista e diretor Leão Serva. O livro Pedagogia do Oprimido é um marco na obra de Paulo Freire, um grande pensador brasileiro das ciências humanas e um dos mais reconhecidos em todo o planeta. 


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

FEMINISMO: 🔥Marisa Monte

Marisa Monte
Discurso emocionante de respeito e empoderamento das Mulheres.


Biografia e página da Artista 

Marisa Monte,
Nascida no Rio de Janeiro, no dia 1º de julho de 1967, Marisa Monte desde cedo demonstrou interesse por música e, ainda criança, fez aulas de piano e bateria. Amava Maria Callas e Billie Holiday assim como Carmen Miranda e a música brasileira.

Com 18 anos, foi morar em Roma disposta a aprofundar os estudos de canto lírico. Antes de voltar para o Brasil, fez um show em Veneza, onde se reencontrou com o produtor Nelson Motta, que dirigiu seus primeiros shows profissionais no seu retorno, produzidos por Lula Buarque de Hollanda.

Logo na sua primeira apresentação no Jazzmania, no Rio de Janeiro, em setembro de 1987, a repercussão foi enorme: a nova sensação na cena musical brasileira. Rapidamente se tornou conhecida tanto pelo público jovem de rock como pelo público mais adulto de jazz e de MPB.

Marisa se apresentava no Teatro Villa Lobos e gravava ao vivo um especial de TV, exibido pela TV Manchete no final do ano, antes mesmo de seu primeiro disco ser lançado. “MM” (1989) trazia samba, jazz, black music, blues, soul, bossa nova e rock. Na turnê nacional e internacional emplacou seu primeiro grande sucesso, “Bem Que Se Quis” (“E Po’ Che Fa’”), versão de Nelson Motta para a canção do italiano Pino Daniele.

O lançamento de seu segundo disco “Mais” (1991) – com as primeiras parcerias com Nando Reis e Arnaldo Antunes – revelou Marisa Monte como compositora e com um estilo próprio, que refletia suas múltiplas influências musicais. Marisa emplacou outro grande sucesso popular com “Beija Eu”, parceria com Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, e mais uma turnê consagradora.

O terceiro álbum “Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão” (1994) foi gravado em Nova York e no Rio de Janeiro e produzido por Marisa e Arto Lindsay. Com participações especiais de Gilberto Gil, Laurie Anderson, Philip Glass, Velha Guarda da Portela e conjunto Época de Ouro, marcou o início de sua parceria com Carlinhos Brown.


“Barulhinho Bom, Uma Viagem Musical” (1996) foi produzido por Marisa e Arto Lindsay e com capa do quadrinista Carlos Zéfiro, pseudônimo de Alcides Caminha. É um álbum híbrido, parte ao vivo com registros do show “Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão”, no Rio de Janeiro, e parte em estúdio, com sete canções inéditas na voz de Marisa, como “Magamalabares” de Carlinhos Brown e “Tempos Modernos” de Lulu Santos.

Marisa Monte se consolidou como produtora com os elogiados “Omelete Man” de Carlinhos Brown e, no ano seguinte, “Tudo Azul” da Velha Guarda da Portela.

O disco “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” (2000), foi lançado pelo Phonomotor, o próprio Selo Musical da cantora. Apresentou ao público grandes sucessos como “Amor I Love You”, “Não Vá Embora” e “Não É Fácil”.

Marisa, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes lançaram o disco Tribalistas (2002) após inúmeras parcerias. O sucesso do CD foi nacional e internacional com uma coleção de hits, “Já Sei Namorar”, “Velha Infância” e “Passe em Casa”. Nesse mesmo ano, a paixão pela Portela, Escola de Samba do coração da cantora, resultou em mais dois discos produzidos por ela no Phonomotor: “Argemiro Patrocínio” e “Seu Jair do Cavaquinho

Marisa produziu e lançou dois projetos simultâneos e muito diferentes: “Universo Ao Meu Redor” que trazia uma profunda pesquisa do samba carioca e “Infinito Particular“ com músicas com Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Adriana Calcanhotto, Marcelo Yuka e Seu Jorge, que resultou na sua volta aos palcos após o nascimento do primeiro filho.

“O Que Você Quer Saber de Verdade” foi produzido por Marisa e co-produzido pelo grande amigo e instrumentista Dadi. O disco aprofundou a relação de criação de Marisa com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Trouxe novidades como a primeira parceria com Rodrigo Amarante na canção “O Que Se Quer” e convidados como o produtor e multi instrumentista Gustavo Santaolalla, do grupo Café de Los Maestros e Miguel Atwood-Ferguson nos arranjos.

15 anos após o sucesso mundial do primeiro álbum, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown voltaram a se reunir em um disco autoral dos Tribalistas, lançado com uma transmissão ao vivo de grande impacto no Facebook dos artistas. A live foi vista simultaneamente, durante uma hora, por 6 milhões de fãs em 52 países. No repertório, mais sucessos, como “Aliança”, “Fora da Memória” e “Diáspora”. O grupo realizou uma turnê nacional e internacional no ano seguinte, lançando também o álbum “Tribalistas Ao Vivo” em 2018.

Durante mais de 30 anos, Marisa produziu e acumulou uma grande quantidade de arquivos de áudio, audiovisual, fotografias, partituras, áudios de canções sendo compostas, dentre outros, o que foi fundamental para dar vida ao projeto Cinephonia. São 30 canções que fizeram parte de trilhas sonoras dos registros audiovisuais de Marisa, mas que não estavam disponíveis em áudio streaming até junho de 2020.

“Portas” é o mais recente álbum solo de Marisa Monte, gravado durante a pandemia, com bases feitas em estúdio no Rio de Janeiro. Posteriormente, aconteceram sessões remotas em Lisboa, Los Angeles, Madri, Barcelona e Nova York. O trabalho conta ainda com arranjos de Arthur Verocai, Antonio Neves e Marcelo Camelo e participações especiais de Seu Jorge e Flor. O disco foi mixado entre Rio de Janeiro, Los Angeles e Nova York e a masterização também foi feita à distancia em Nova York.

domingo, 14 de setembro de 2025

HERMETO PASCOAL: O Bruxo da Música

O Bruxo da Música 

Nasce o Feiticeiro

A saga de um menino albino e estrábico, com problemas de visão e autodidata em música, que nasceu em 1936, em Olho D’Água, pequeno povoado de Lagoa da Canoa, na região de Arapiraca, em Alagoas, para ganhar o mundo com sua música livre e genial.

Célebre por usar, além de instrumentos tradicionais como teclado, flauta e violão, itens inusitados como água, xícaras, sua própria barba e outras bugigangas que inventa e improvisa, Hermeto se comunicava desde criança com o mundo natural, tendo pássaros, peixes e sapos como o primeiro público.

Lugar isolado

“Fui para lá, ainda é um lugar muito ermo”, diz o autor. “Conversei com parentes e pessoas que conheceram Hermeto e a família dele, e as histórias são incríveis. O pai de Hermeto tocava sanfona, mas o menino basicamente aprendeu tudo sozinho. E se Olho D’Água ainda é um lugar isolado hoje em dia, imagina em 1936?”

Nuzzi conta que o sobrenome da família era Da Costa, mas o menino ganhou, no cartório, o nome de Hermeto Pascoal porque o pai se chamava Pascoal da Costa. “Não sei se foi um erro do cartório ou uma confusão com os nomes”, diz Nuzzi, “mas o fato é que o cartório registrou o nome dele como Hermeto Pascoal. O irmão mais velho de Hermeto, Zé Neto, tem o sobrenome Da Costa”.

Aos 14 anos, Hermeto e Zé Neto, também albino, foram tentar a sorte como músicos em Recife e logo atraíram a atenção de outro gênio musical – e também albino –, Sivuca, que disse sobre Hermeto: “Assim que o vi, percebi que ele tinha dentro dele o fogo sagrado da música”.

Do Recife, Hermeto foi para o Sudeste, onde tocou em muitas boates e gravou discos no Rio e em São Paulo. Formou vários grupos, sendo um dos mais famosos o Quarteto Novo, ao lado de Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros.

“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”

Experimentação sonora

No Rio de Janeiro, a família se instalou numa casa no então remoto bairro Jabour, na Grande Bangu, Zona Oeste do Rio. A casa logo se tornou um ponto de encontro para músicos e local de experimentação sonora para Hermeto.

Nuzzi acredita que o grande salto criativo na carreira de Hermeto ocorre na virada dos anos 1960 para os 1970, quando ele passa dois ou três anos nos Estados Unidos, a convite do casal Airto Moreira e Flora Purim e volta com a ideia de libertar cada vez mais a sua música das amarras do comercialismo. “A mudança é nítida”, diz Nuzzi.

“Antes desse período nos Estados Unidos, Hermeto usava cabelo curto, parecia tímido. Lá, ele mergulha no jazz, grava com Miles Davis e outros músicos geniais e retorna transformado. Tanto que, em 1973, de volta ao Brasil, grava um disco absolutamente fundamental, ‘A música livre de Hermeto Pascoal’. Ali o Hermeto se encontra”.

Outros momentos marcantes da carreira do músico no período são, segundo o biógrafo, o show no Festival Internacional de Jazz realizado em 1978, em São Paulo, quando Chick Corea, John McLaughlin e Stan Getz fizeram questão de dar uma “canja”, e o concerto em 1979 no Festival de Montreux, na Suíça, que resultou não só no álbum “Hermeto Pascoal Montreux Ao Vivo”, como numa participação improvisada e antológica com Elis Regina.
Acompanhada apenas por Hermeto ao piano, Elis interpretou três canções clássicas da música brasileira – “Asa Branca”, “Corcovado” e “Garota de Ipanema” – que depois foram incluídas no álbum “Elis Regina: Montreux Jazz Festival”, lançado em março de 1982, logo após a morte da cantora.

“Essa noite com a Elis foi um presente que ganhei da vida”, diz Hermeto. Nuzzi conta que Hermeto foi literalmente empurrado ao palco por Claude Nobs, organizador do Festival de Montreux.

Além de um relato fascinante sobre a criação do universo musical de Hermeto Pascoal, que resultou em seus memoráveis shows e gravações com sons de animais e da natureza, “Quebra tudo!” conta a história de vida de um artista que batalhou muito para poder chegar ao estágio de ter total liberdade criativa sobre sua arte.

O voô do Mestre

Hermeto Pascoal morreu no sábado 13 de setembro de 2025, aos 89 anos. A informação foi divulgada pela família em nota oficial: "Com serenidade e amor, comunicamos que Hermeto Pascoal fez sua passagem para o plano espiritual, cercado pela família e por companheiros de música". O comunicado também destacou que, no instante da morte, o grupo de Hermeto se apresentava no palco, "como ele gostaria: fazendo som e música".

Em 2010 o músico recebeu do governo brasileiro a condecoração à Ordem do Mérito Cultural. 

"Hermeto Pascoal foi um dos maiores expoentes da música nacional, com uma trajetória marcada pela inovação e pelo diálogo com diferentes estilos. A música e a cultura brasileira devem muito a Hermeto Pascoal, que nos deixou neste sábado, dia 13, aos 89 anos. O talento e a incansável criatividade deste alagoano de Arapiraca o consagraram internacionalmente, e influenciaram gerações de músicos de todo o mundo”. 

A trajetória do artista foi marcada por sua capacidade de transformar a vida em música, fosse com instrumentos clássicos ou objetos improvisados do cotidiano. “Hermeto sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar. Por isso, convido os brasileiros a celebrarem sua história e sua música. Minha solidariedade à família, aos amigos e a todos que foram inspirados por sua arte. O Brasil se despede com gratidão deste grande artista”, concluiu Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente do Brasil).

Hermeto Pascoal

Jazz Fusion Brasileiro

Flora Purim/Hermeto Pascoal 

Open Your Eyes, You Can Fly 

(The Midnight Special, 1976)

Janis Ian introduz uma rara apresentação de Flora Purim no programa "The Midnight Special", exibido em 23 de abril de 1976 pela NBC. 

Banda:
Vocalista: Flora Purim
Flauta: Hermeto Pascoal 
Percussão: Airto Moreira 
Guitarra: David Amaro 
Teclados: Hugo Fattoruso 
Bateria: Jorge Fattoruso 
Baixo: Ringo Thielmann 
Vocais: Bonnie Bowden